Notas iniciais
Sim, sim... podem cantar aleluia! Concordo que demorou demais e nem tenho desculpas...

Sem mais delongas, obrigada DE VERDADE por lerem... espero que gostem do capítulo... e um beijo grande pra cada um de vocês que compartilha as delícias e dores de shippar Finchel comigo!

Boa leitura!

Rachel não estava mentindo quando avisou que o domingo dela e de Finn seria muito movimentado. Talvez ela estivesse querendo aproveitar ao máximo cada segundo com ele, temendo que sua resposta à proposta dela fosse ser negativa, e eles não fossem ficar intimamente juntos nunca mais, mas isso não era propriamente uma atitude consciente da parte dela. Até porque não era totalmente fora dos padrões da morena passar grande parte do final de semana no quarto secreto com seu submisso, quando tinha a oportunidade de fazê-lo.

Finn aprendeu durante aquele dia, por meio de palavras e jogos, que a relação de submissão versus dominação pode envolver, obviamente, o sadomasoquismo, a prática de um infligir e de o outro sentir satisfação com a dor, mas que não se restringe a ele, e pode nem mesmo tê-lo como base, como seu alicerce. O importante na relação entre um submisso e seu dominador é que o primeiro esteja disposto, e satisfeito, em fazer tudo o que esteja a seu alcance, para dar prazer, em suas muitas formas, ao segundo, experimentando com ele um mundo repleto de sensações.

Rachel criou situações em que os cinco sentidos dos dois foram aguçados. Usou os contrastes entre o quente e o frio na pele, inclusive na região íntima, fazendo sexo oral em Finn depois de aplicar um spray de menta na boca e ensinando o rapaz a tomar goles de chá, enquanto devolvia o agrado a ela, para literalmente aquecer as coisas. Explorou sabores exóticos, substituindo o almoço por uma refeição que incluía frutas, mel, frios e queijos fortemente temperados, chocolates e licores, fazendo, ainda, com que Finn degustasse boa parte das coisas com os olhos vendados e sendo sexualmente estimulado por ela, para que depois retribuísse o favor.

Rachel não gostava de assistir filmes pornográficos, mas exibiu, em uma grande tela do quarto secreto, uma apresentação com fotos e cenas de filmes capazes de despertar a libido bem mais do que eles. Velas com cheiros muito marcantes e óleos aromáticos também fizeram parte das brincadeiras, e a audição não só foi estimulada por uma trilha sonora sensual, muito bem escolhida, como também por gemidos e gritos, e pelas ordens indecentes e elogios provocantes que Rachel repetia no ouvido de Finn, constantemente.

Foi exatamente em um desses momentos, em que estavam deitados na cama, ambos virados de lado, e ele a penetrava por trás, tocando seu clitóris, enquanto ela demandava que ele "metesse mais forte e mais fundo", que as coisas fugiram um pouco do controle. Completamente absorto pelo prazer que sentia ao envolver Rachel em seus braços, estar dentro dela, tocá-la, ouvi-la chamando-o de bebê, com uma voz suplicante, e perceber cada reação que provocava no corpo dela, Finn acabou sussurrando seu primeiro nome, duas vezes.

É claro que não demorou a perceber o que tinha feito, e que sabia muito bem que tinha quebrado a mesma regra pela segunda vez. No entanto, em vez de ignorar e torcer para que ela também o fizesse, decidiu repetir a conduta, algumas vezes, e ainda forçou os limites usando o "apelido" carinhoso com que ela o tratava e o pronome possessivo de primeira pessoa em algumas frases. Como ele tinha desobedecido apenas uma vez, antes disso, e só conhecera um tipo de castigo, que provavelmente era dos mais leves, encontrara no deslize uma boa oportunidade para tentar fazê-la castigá-lo de novo e de forma mais rigorosa.

Finn sabia que precisaria dar uma resposta a Rachel naquele mesmo dia e a verdade é que ele ainda não sabia o que dizer. Talvez se ele tivesse mais alguma amostra verdadeiramente significativa daquilo que o estaria esperando, caso aceitasse ser realmente um submisso, isso pudesse ajudar na decisão.

"O que você tava pensando, pra me desafiar, assim, Finn?" Ela perguntou, irritada. Os dois tinham terminado de transar e passado alguns minutos lado a lado na cama, se recuperando, quase em total silêncio, não fosse pela música, que tocava constantemente.

"Eu sei que a ideia de tu-tudo isso é te agradar e que, no-normalmente, eu devo fazer isso obedecendo." Afirmou. "Mas, se eu nunca te desafi-fiar, você nunca vai me castigar e eu acho que você também g-gosta disso... ou não?"

"Ok, Finn." Ela disse, pegando suas roupas e começando a colocá-las. "Se é assim, você tá entrando no jogo... e eu fico feliz por isso." Havia pensado que ele tinha falado as palavras por envolvimento nas sensações, que tinha dito tudo com significado. Apesar de ter se declarado feliz, ela não conseguiu decidir se a explicação dada por ele era mesmo um alívio ou se era uma decepção.

"E não va-vai me castigar?" Perguntou, confuso, por vê-la se vestindo.

"Mais tarde. Agora, eu preciso de um pouco de descanso. E você também, porque isso vai ser bem intenso." Afirmou, e ele gostou do que ouviu, mas conseguiu manter um semblante neutro. Pelo menos até o momento em que a viu de novo.

No começo da noite, Brittany foi até o quarto de hóspedes, e informou-lhe que a chefe estava aguardando por ele no quarto secreto, mais uma vez. Logo que chegou ao local, ele deu de cara com ela, vestida em uma roupa que poderia ser descrita como típica do sadomasoquismo. Um corselet e uma saia minúscula em látex acompanhavam um par de botas do mesmo material, que iam até o meio da coxa da morena, e ostentavam provavelmente o salto mais alto que ele já tinha visto na vida. A figura extremamente sexy se completava com o batom vermelho, e os cabelos soltos e molhados, e havia em suas mãos um chicote e duas pulseiras em couro, unidas por uma corrente.

"Tira a roupa, Finn." Ordenou, seca. "Tira tudo e depois vem até aqui." Ele fez o que ela mandou e, ao chegar perto dela, percebeu que já estava ficando excitado. "Coloque as mãos pra cima, perto do gancho." Ele, novamente, obedeceu, em silêncio, e ela prendeu suas mãos ao gancho que pendia do teto e ficava baixo o suficiente para que ela pudesse alcançar, e alto o suficiente para que as mãos do homem não ficassem na frente do corpo. "Quero que me diga quantas vezes falou meu nome. Você sabe, não sabe?" Questionou, batendo o chicote de leve na própria palma, repetidas vezes, enquanto olhava bem para ele.

"Sim." Ele disse, já um pouco ofegante de ansiedade. "Eu disse Rachel seis vezes."

"E o que mais fez de errado, bebê?"

"Eu d-disse minha Rachel... e me-meu bebê."

"Sabe quantas vezes?"

"Acho que... mi-minha uma vez e meu bebê talvez... du-duas?"

"Quase isso, Finn." Suspirou. "Na verdade, pelos meus cálculos, foram dez infrações ao todo... o que signifca..."

"Que eu vou levar dez chico-cotadas?" Interrompeu, afoito.

"Isso mesmo, bebê." Sorriu, como se fosse uma professora, orgulhosa de um aluno que respondeu corretamente uma questão. "E, mesmo que você esteja parecendo gostar muito da ideia, nós precisamos de uma palavra de alerta, que você possa usar, se quiser que eu pare."

"Eu... posso pedir que pare?" Espantou-se.

"Claro, Finn. É claro que pode. Você tem os seus limites e tem direito a eles. A ideia é que o submisso faça tudo porque ele QUER agradar o seu senhor e... no caso de um castigo, que ele o receba porque concorda que errou e que merece ser castigado."

"E por que uma palavra de alerta?"

"Porque é comum que alguém grite 'para', 'não', 'por favor', 'chega', mas ainda não esteja realmente no limite... ainda consiga e queira continuar. A palavra é pra ser usada só se você tiver certeza de que não quer mesmo que eu bata mais... e, nesse caso, eu assumo com você o compromisso de parar, na mesma hora. Tudo bem pra você?" Perguntou, afinal ele ainda não era seu submisso oficialmente, então ela tinha que se certificar.

"Tudo bem." Assegurou. "Pode ser... s-sino?"

"Pode. Pode ser sino... é uma boa palavra. A gente pode começar?" Ele assentiu e ela se afastou, indo colocar música, e baixar a luz.

Justify my love, da Madonna, começou a tocar e, não muito tempo depois, Finn sentiu o primeiro golpe em suas costas, causando um ardor e a contração de todos os seus músculos, mas também aumentando a sua ansiedade, até que, segundos depois, viesse o próximo, fazendo queimar a pele, um pouco à esquerda do primeiro.

Antes de um terceiro golpe, desferido no traseiro do rapaz, os dedos delicados dela tocaram, com suavidade, o lugar que o chicote tinha acabado de marcar. E, depois do quarto estalar do objeto contra o corpo dele, os lábios dela acariciaram, sutilmente, os pontos nos quais o couro havia batido.

O quinto e o sexto golpe nas pernas, um logo em seguida ao outro, fizeram o rapaz gritar para que ela parasse, sem que quisesse realmente isso, exatamente como ela tinha previsto. O corpo dele reagia de uma forma completamente insana, pois havia, sim, as sensações esperadas de dor, ardência e incômodo, mas a excitação era maior e seu membro já estava completamente ereto, quando Rachel surgiu a sua frente, golpeando o peitoral.

"Olha só pra você." Ela disse, passando a língua por entre os lábios. "Ainda mais perfeito pra um sub do que eu imaginava!" Bateu pela oitava vez, atingindo a barriga com exatidão. "A dor te excita, Finn." Sussurrou no ouvido dele, ofegante de antecipação. "Tanto quanto me excita te subjugar... te maltratar." Chicoteou um de seus braços, fazendo com que ele gritasse de novo. "Só falta um... e então eu vou cuidar de você." Afirmou, mergulhando nos olhos dilatados dele os seus.

Fez o intervalo mais longo de todos entre o penúltimo e o último ataques, mexendo com as expectativas dele, e provocando-o ao esfregar a própria intimidade com o chicote, antes de, finalmente, terminar de bater. Jogou para o lado o objeto, ansiosa por soltá-lo, enquanto ele, também louco para que chegasse a melhor parte de toda aquela aventura, pegou-a no colo, logo que teve as mãos livres. Levou-a em direção à cama, empurrando do começo das coxas em direção à cintura, o pequeno pedaço de látex que tinha a pretensão de ser uma peça de roupa.

Ela não estava usando calcinha e, felizmente, os dois tinham deixado várias camisinhas embaixo dos travesseiros, mais cedo. Talvez não tivesse dado tempo sequer de pensar nelas, se não estivessem tão à mão! Estavam absolutamente prontos para fazer sexo quando ele a deitou no colchão macio, e se colocou sobre ela, então foi gasto somente o tempo suficiente para cobrir o membro dele com o preservativo e, em um piscar de olhos, ele já estava dentro dela, investindo com força, rápido e sem nenhum carinho.

Como a transa foi muito rápida e, apesar de terem feito sexo outras várias vezes no começo do dia, tinham descansado durante boa parte da tarde, Finn conseguiu forças para começar tudo de novo. Beijou o corpo todo de Rachel e, se mostrando um bom aprendiz, usou pedras de gelo que estavam no frigobar para intensificar as sensações, somente se rendendo à excitação e invadindo a intimidade dela quando a garota já estava implorando.

Os dois tiraram proveito do fato de que tinham gozado havia pouco tempo e prolongaram a transa, experimentando posições diferentes, e usando as mãos e a língua para fazer provocações mútuas, durante todo o tempo.

No entanto, nem só de prazer seria feito aquele final de semana, e Finn estava ciente disso. Rachel cobraria uma resposta e a hora da cobrança chegou, logo depois de um delicioso jantar, apreciado em quase total silêncio. Como a dominadora que era, a garota fez questão de voltar a tratar do assunto como se fosse um negócio, e levou o rapaz para o escritório de casa, para conversarem a sós.

"Então, Finn... vamos discutir os detalhes da nossa relação?" Perguntou, confiante.

"Detalhes? Mas... eu nem... a-aceitei ainda." Riu.

"Bebê... por que você não aceitaria?" Foi a vez dela de rir. "Pelo que eu pude ver, você se divertiu bastante! Até o castigo físico te deixou excitado... e, se você não fosse um submisso... se... isso não fizesse parte da sua natureza... você até poderia não usar a palavra de alerta, pra não parecer um fraco, na minha frente, mas não teria uma ereção."

"Eu gostei de... tudo que a gente f-fez no quarto." Concordou. "Mas o pro-problema é o resto. É não poder te beijar, nem te cha-chamar pelo seu nome... não poder te abra-abraçar, depois do sexo, nem conversar sobre nada p-pessoal..."

"Eu entendo, Finn. Mas, infelizmente, tem que ser assim ou... a gente se despede por aqui e você volta a ser só meu funcionário na empresa. Você pode ficar tranquilo, porque eu não vou ficar com raiva e... mandar você embora, nem nada do gênero." Ela se manteve controlada, mesmo que por dentro estivesse apavorada. Não passara pela cabeça dela, depois de ele ter lidado tão bem com a dor, que ele pudesse dizer "não" à sua proposta por outras razões. Era difícil, para Rachel, entender que ele pudesse não querer exatamente os termos da relação que a faziam se sentir segura. Afetividade, para ela, era sinônimo de vulnerabilidade.

"Eu tenho mesmo que responder hoje, não é?"

"Eu gostaria que sim, Finn. Seria bom, pra que a gente pudesse falar de detalhes." Era verdade, mas, por outro lado, por que fazer isso, se significava arriscar que ele nunca mais fosse dela? "Mas, veja bem, Finn... mesmo que você aceite, você sempre vai poder desistir... a qualquer momento. Não se trata de um contrato formal, que eu possa te obrigar a cumprir." Riu. "Como eu disse, eu só quero uma resposta pra falar de detalhes com você... só isso."

"Bom..." Ele coçou a nuca, nervosamente. "Se é assim, tu-tudo bem. Eu aceito." Sorriu, timidamente, e ela sorriu de volta, satisfeita. "Que ti-tipos de detalhe você quer acertar?"

"Bom, em primeiro lugar, eu queria que você viesse morar aqui. Você pode modificar a decoração... fazer o que quiser com o quarto de hóspedes. Mas eu quero muito você aqui, pra que eu possa estar com você na hora que eu quiser."

"Eu não sei, Ra-... Srta. B-berry. O que eu vou dizer pro Rory... pra minha a-avó?"

"Que ofereceram um apartamento de graça pra você mais perto do trabalho, e que você teve que aceitar, pra não fazer desfeita... e porque você terá muitas horas extras nos próximos meses." Disse, sedutora. "Outra coisa importante é que você cuide bem da saúde. Tem que se alimentar bem, dormir bem, se exercitar... afinal nós vamos ter muitos finais de semana... e até dias de semana, cansativos como esse... como hoje."

"Ok... sem problemas."

"Agora, eu preciso saber quais são os seus termos. Alguma coisa que você não queira fazer de jeito nenhum... algo de que precise?"

"Eu... preciso... me sentir à vo-vontade aqui. Eu gosto de cozinhar, por exemplo, e... não me si-sinto à vontade sendo servido o tempo todo."

"Tudo bem... eu vou avisar a Britt."

"Não gostaria de ter que a-andar com o Sam o tempo todo também."

"Sem problemas! Mas posso, pelo menos, deixar um carro a sua disposição?"

"Eu mesmo vou comprar um. Tem t-tempo que eu to planejando isso." Informou. "Quanto ao que eu não que-quero fazer, eu... não acho que me sentiria bem com na-nada sujo, nem... coisas cortantes ou... fogo."

"Eu também não gosto de nada disso." Asseverou.

Os dois conversaram mais um pouco, falando dos limites e sobre a mudança dele, com a qual Noah e Sam ajudariam, durante a semana. Nada muito relevante foi acrescentado sobre a relação em si e, para insatisfação de Finn, o tom da conversa continuou formal e negocial demais para o gosto dele, mas ele não pode reclamar.

Pelo menos até segunda ordem estava disposto a tentar se adaptar ao estilo de vida dela, se era esse o único jeito de estar por perto.

Não estava preparado pra partir para o tudo ou nada ainda. Apesar de saber, muito intimamente, que, um dia, teria que fazer essa difícil escolha.