Dos Tons Pastel Ao Vermelho
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Espero que gostem... e me desculpo pela demora, prometendo tentar não demorar assim novamente. Tudo vai depender da recepção... não vou mentir! Eu tinha praticamente desistido de escrever porque estava achando que ninguém ligava, mas algumas amigas me garantiram que queriam ler, então eu voltei a escrever.
Bjs a todos e até o próximo capítulo.
p.s.: quem quiser uma ajuda visual em relação a peças de roupa e alguns objetos de cena, pode visitar o orkut (Finchelouca como aqui), porque eu coloquei umas coisas lá, que não são idênticas, mas podem auxiliar a imaginação, pois fizeram isso com a minha inspiração.
"Mandou me chamar?" Finn perguntou, um pouco irritado, entrando no escritório do apartamento que dividia com Rachel havia alguns meses. Não tivera tempo nem de tirar as roupas de trabalho, pois, logo ao chegar da rua, fora informado por Brittany de que a Srta. Berry queria vê-lo.
"Sim, bebê." Ela respondeu, levantando-se da cadeira que ocupava para gerir alguns negócios sem sair de casa, e caminhando na direção dele. Também vestia ainda seu traje de executiva, que consistia em um terninho bege muito semelhante a vários outros que ela usava na empresa. "É que as minhas encomendas chegaram e eu to louca para experimentar algumas." Informou, dando um sorriso assanhado.
"Ok." Respondeu, ainda não muito animado.
"Eu vou tomar um banho... comer uma coisa bem leve. Acho que você deve querer fazer o mesmo, certo?" Ele apenas balançou a cabeça afirmativamente, enquanto ela brincava com um dos botões da camisa dele. "Daqui a duas horas?"
"Está ó-ótimo." Respirou fundo, tentando esconder a frustração. Já deveria estar acostumado, mas, mesmo depois de tanto tempo, ainda ficava incomodado com a frieza com que Rachel lidava com as coisas. Enquanto ele queria erguê-la do chão, se livrar das roupas dela e fazê-la sua, ali mesmo naquele cômodo austero, ela marcava hora para fazer sexo com ele, no lugar preestabelecido de sempre que era o quarto secreto.
"Você vai encontrar uma coisa pra vestir... eu vou deixar na cama. E eu vou estar no camarim, aguardando o seu sinal." Ela combinou, já se afastando dele e seguindo em direção à porta. "Eu mal posso esperar." Concluiu, dando um sorriso sincero, cheio de expectativas que lembravam as de uma criança quando está prestes a brincar pela primeira vez com um presente que ganhou recentemente.
Finn sorriu também, quase esquecendo completamente que estivera aborrecido até aquele momento. Um simples sorriso dela e a ansiedade que ela demonstrava para explorar novas coisas com ele faziam com que ele se derretesse completamente. Saber que, em algumas horas, estaria com ela, sentindo seu cheiro, sua pele, suas vibrações, e ouvindo seus sussurros e gemidos, suas ordens e o nome dele pronunciado como se fosse uma palavra especial, fazia com que ele momentaneamente se esquecesse de todas as coisas que o incomodavam naquela equação.
Andou até seu quarto, tomou banho, vestiu algo confortável que não ficaria em seu corpo por muito tempo, e foi até a cozinha comer algumas frutas. Depois, apenas aguardou e, na hora marcada, encaminhou-se para o quarto secreto, onde já era possível sentir o perfume da pequena mulher que estava se preparando em um pequeno cômodo anexo, que agora ele sabia ser uma espécie de camarim. Como combinado, encontrou sobre a cama o item que deveria vestir e riu.
Não seria a primeira vez em que ele vestiria uma boxer com estampa de tigre e, se na primeira vez ele tinha se sentido constrangido e ridículo, com o tempo ele havia se acostumado tanto à peça de roupa quanto à encenação que vinha junto com ela, e não achava nada mais ridículo ou risível. O tipo de brincadeira que esperava por ele, quando ela o fazia vestir algo assim, era, na realidade, um jogo do qual ele gostava imensamente.
Além disso, ele agradeceu mentalmente, rindo ainda mais, o fato de Rachel apenas querer que ele usasse uma cueca de algodão com estampa de bicho, e não fantasias de pelúcia como as que ela mesma já tinha usado, mais de uma vez. Talvez isso, sim, pudesse ser uma das pouquíssimas coisas que ele ainda fosse achar ridículas, àquela altura, quando o assunto girasse em torno de aventuras vividas por um casal, entre quatro paredes.
Tirando sua calça de moletom e sua camiseta de malha, e colocando a cueca que o transformaria no personagem da vez, Finn observou o quarto, no qual algumas mudanças haviam sido feitas para a acomodação dos dois objetos maiores encomendados pela dona da casa. Considerando o mais exótico deles, não era nenhuma surpresa que ele fosse bancar o tigre, e nem houve sobressalto algum quando ele ligou a música, que era o sinal utilizado para indicar que estava pronto, e ela apareceu vestida no melhor estilo domadora.
Ela tinha outras roupas naquele estilo, mas estava usando uma que viera com as aquisições do dia. Uma espécie de vestido vermelho, formado por um corselet de cetim tomara que caia e uma saia mínima de tule, desenhava suas curvas e deixava as coxas à mostra, enquanto a parte de baixo da perna era coberta quase completamente por uma bota altíssima em couro negro, toda amarrada na frente. Uma pequena cartola e luvas pretas completavam o visual, e nas mãos ela trazia um chicote longo que era o único item que Finn já conhecia.
"NÃO!" Ela gritou, ao mesmo tempo em que batia com o chicote no chão, em frente a ele, quando o viu fazer menção de se aproximar. "Quietinho, tigrão." Continuou, sedutora. "Eu só vou me aproximar de você quando achar que está beeeeem mansinho. Enquanto isso..." Bateu de novo o couro contra o piso. "Jaula!" Falou, indicando o tal objeto que fazia parte da nova decoração.
Finn entrou no espaço de pouco mais de um metro de diâmetro envolto por grades negras, e segurou em duas delas, colocando parte de seu rosto entre outras duas, perto de onde Rachel estava, como se fosse um animal enjaulado tentando contato com o mundo exterior, tentando se aproximar de sua domadora. Ela começou a rodear a jaula, acariciando o chicote, e ele foi acompanhando os movimentos dela, até que avançou por entre as grades, tocando seu braço e tentando puxá-la, e ela desferiu um golpe contra as colunas finas de metal, provocando um forte ruído. Esse mesmo jogo se repetiu algumas vezes, pois deveria parecer que Hudson estava sendo amansado aos poucos e ele sabia disso.
"Bom menino." Ela falou, divertida, quando ele, finalmente, se afastou após uma das chicotadas, indo para o outro lado da jaula, como se estivesse intimidado. "Sabe que eu não terei pena de você, se não for bonzinho." Disse, voltando a caminhar rente às grades. "Eu vou me aproximar... e te tocar. E você vai deixar. Porque você não é um felino selvagem... você é MEU!"
Ela se aproximou e ele se manteve quieto, estático, deixando que ela o tocasse através da jaula. Ela largou o chicote e deslizou suas mãos enluvadas pelos ombros, pelo peitoral e pelo abdômen dele, devagar e provocativamente. Então parou em frente a ele e, encarando seus olhos de âmbar, colocou um dedo na boca e começou a puxar uma das luvas, tirando-a em um ritmo torturante para quem espera o momento da verdadeira ação. Fez o mesmo com a outra e, sem tirar os olhos dos dele, voltou para bem perto e acariciou tudo de novo.
"Huuuuum... bebê! Tão gostoso e mansinho quanto um gatinho. MEU gatinho!" Falou, fechando os olhos e se deliciando com os músculos sendo desenhados por suas mãos. "Eu quero muito entrar aí... e te fazer mais e mais carinho." Continuou dizendo, com a voz melosa. "Mas eu preciso confiar e saber que você vai fazer tudo o que eu mandar, então... vem cá... chega mais perto. Faz carinho na sua dona." Pediu, fazendo sinal com o indicador, com a voz embargando de antecipação.
Ele se aproximou bastante da grade e ela colou o corpo na jaula, então ele começou a tocá-la, lentamente. Primeiro tateou, como se estivesse hesitante, o rosto, o pescoço e o colo, e em seguida os braços, até chegar às mãos. Então puxou um dos braços para dentro e passou os lábios por ele, até chegar aos dedos, que lambeu e sugou, não como um animalzinho doméstico, mas como o submisso cheio de desejo por sua dominadora que ele era.
Por fim, arrastou suas largas mãos da parte de trás dos joelhos dela até a saia, e desceu pela parte da frente da coxa, até as botas. Então subiu de novo, dessa vez indo pela parte interna da coxa até chegar à virilha, fazendo com que ela tivesse que segurar bem firme nas grades, para conseguir não esboçar reação. Depois segurou-a pela nuca, com uma das mãos, virando levemente seu rosto, para lamber-lhe o pescoço e morder-lhe a orelha, enquanto a outra mão ousava adentrar a saia, segurando com firmeza o traseiro.
"Tudo que você mandar... e como você ma-mandar." Assegurou, ofegante, ao pé do ouvido dela, apertando-a contra o objeto que os separava.
"Eu vou entrar." Informou, se desvencilhando dele e pegando o chicote. "Qualquer movimento e eu não vou hesitar em me defender... e te castigar." Abriu a jaula e deu o primeiro passo, fazendo sinal para que ele não se aproximasse. "Calminho. Sou eu quem vai se aproximar... bem quietinho." Mandou, e então colocou o chicote no chão e repetiu os movimentos de passar as mãos pelo corpo dele, agora sem nada os mantendo separados. Ele agarrou-se na grade, para não ceder à tentação de tocá-la também, enquanto ela não ordenasse.
"Oh, Deus! Huuuum... meu Deus, Ra-" Ele quase perdeu o controle ao sentir a pequena mão da Srta. Berry segurar com firmeza seu membro por cima da cueca de felino, mas engoliu seco a tempo.
"Você gosta do meu toque, não é, Finn? Você é meu... e faz o que eu quero! Eu adoro saber disso porque eu sei que você não vai me machucar... que você não vai querer ser o mais forte... mesmo quando me mostrar a porção selvagem que você tem aí dentro." Respirou fundo e se afastou dele, grudando as costas à grade em frente a ele, com os braços abertos, segurando em duas delas. "Tem uma porção selvagem aí dentro de você, não tem, bebê?" Ele assentiu, silenciosamente, enquanto molhava os próprios lábios com a língua, se preparando para o que estava por vir, e ela, em um gesto simbólico, pegou o açoite e jogou-o para fora da jaula, sorrindo maliciosamente.
Ele se aproximou, rapidamente, levantando o corpo dela contra a grade. Roçando suas intimidades e atacando o pescoço dela com a boca, desamarrou a fita que apertava o corselet, afrouxando-o e descendo-o um pouco, para tocar, lamber e sugar seus mamilos, fazendo com que ela gemesse cada vez mais e forçasse mais seu sexo contra o dele. Ele colocou a mão entre os dois, tocando-a, e descobriu que ela estava ainda mais preparada do que ele poderia ter imaginado para a brincadeira do animal meio domado e meio feroz, e usava uma calcinha comestível que deveria ser arrancada com os dentes.
Após colocá-la no chão, agachou-se na frente da garota, colocando um dos pés dela sobre uma de suas coxas, e sentindo o salto machucar um pouco sua pele, o que não era, no entanto, uma sensação nova. Levantou o pequeno babado de filó e comeu o acessório de gelatina de morango, que era o seu sabor favorito, experimentando, em seguida, outro de seus sabores prediletos, até fazer Rachel gozar em sua boca, lhe dando ainda mais daquele gosto delicioso.
Não deu tempo algum para que ela se recuperasse e a segurou de novo contra as barras da jaula, penetrando-a com intensidade e rapidez, sem nem mesmo tirar totalmente a peça de roupa que o cobria. Sequer conseguiu esperar por ela, como gostava de fazer, e teve um forte orgasmo, que fez suas pernas bambearem. Somente Rachel segurando-o como se dependesse do corpo dele colado ao dela para manter o próprio equilíbrio, e gemendo o nome dele, como se fosse uma súplica e um mantra ao mesmo tempo, fez com que ele continuasse e a levasse à loucura de novo.
Logo que se achou forte o suficiente, levantou-se e pegou-a no colo, a fim de levá-la para a cama. Por mais que ela sempre quisesse manter as coisas entre eles distantes, era nessas horas de fraqueza e pouca consciência que ela se deixava levar pelo momento, pelas sensações e emoções mais verdadeiras dentro dela, então ela enlaçou o pescoço dele com seus braços e deitou a cabeça em seu ombro, aspirando seu cheiro gostoso, de perfume caro misturado com suor. Sabendo que o momento não duraria muito, ele deitou com ela nos braços, exatamente nessa posição que ela mesma tinha escolhido.
"Finn?" Ela perguntou, se afastando dele, justamente como ele previra, logo que se sentiu fisicamente inteira de novo, recobrando junto a consciência. "Onde você tava hoje à tarde? Eu pedi à Quinn que mandasse te chamar na sua sala e ninguém lá sabia de você."
"Isso não é verdade." Ele respondeu, irritado não só com a afirmação como também com a mudança de tom na voz dela. Ele estava vivendo com Rachel havia meses como submisso, porque não tinha propriamente escolha se queria estar com ela de algum modo. No entanto, a situação estava ficando cada vez mais insuportável. "Todos que trabalham co-comigo sabiam muito bem que eu tinha fonoaudióloga... e você também, aliás. Você t-tem a minha agenda completa, Srta. Berry."
"Fono... eu esqueci." Falou baixinho, tentando, mas não conseguindo, esconder o quanto aquilo a chateava.
A menção à consulta com a profissional sempre mudava o humor da morena completamente, pois o tratamento fazia parte de um conjunto de mudanças que Finn tinha adotado e que vinham afastando o rapaz de tudo que ele era quando ela o conheceu. O perfil de perfeito submisso estava se tornando algo do passado, uma vez que ele não usava mais as roupinhas de "vovozinho", optava pelos óculos raramente, e não era mais tão tímido ou gago, graças às sessões de fono e a idas semanais a um terapeuta. Rachel até pensara em tentar fazê-lo desistir, mas não o fizera, pois percebia que as modificações eram importantes para ele e temia perdê-lo, ao pressioná-lo, tanto quanto temia ficar sem ele em razão da transformação.
"Aonde você vai?" Ele perguntou, surpreso, vendo-a levantar-se da cama, segurando o corselete semi-desamarrado junto ao corpo.
"Eu vou tirar essa roupa e... vou tomar um banho e dormir. Eu trabalhei demais hoje... e to cansada." Respondeu, tentando ser indiferente, como sempre. "Você tá liberado por hoje." Completou, entrando no camarim.
A noite, que tinha sido deliciosa até aquele momento, mudou totalmente para os dois, que estavam devastados por razões muito parecidas, mesmo sem saber. Estavam irremediavelmente apaixonados e, por isso, sentiam uma imensa necessidade um do outro. A diferença era que Rachel não admitia os próprios sentimentos, nem para si mesma, e preferia fingir que o queria só como seu submisso, o que fazia com que a metamorfose por que Finn estava passando a atingisse demais. Enquanto Finn sabia que a amava e não a queria só como dominadora, ainda que aceitasse a condição para não ficar longe de uma vez por todas.
Depois do banho, ambos tiveram a mesma ideia de caminhar pelo amplo apartamento e, ao entrar na sala principal, Finn viu Rachel contemplando a vista, próxima à enorme porta de vidro que dava para a parte externa do imóvel. Então aproximou-se, ficando atrás de Berry, que sentiu a presença dele e respirou fundo, em uma exaustão que não era fruto de trabalho, mas da enorme confusão que estava o seu pensamento.
"Quer alguma coisa, Finn?" Perguntou, seca.
"Eu não gosto quando você fica chateada comigo, do nada... qua-quando você decide sair do quarto, de repente, como você fez hoje." Respondeu, calmo e doce. "Vamos conversar!"
"Eu não to chateada com você... eu tava... e eu to... cansada apenas." Asseverou, mentindo. "E a gente não tem nada pra conversar. Não é assim que as coisas funcionam entre a gente." Concluiu, sem sequer se importar em continuar de costas para ele.
"Você tá, sim, chateada, que eu sei." Replicou, chegando bem perto. "Mas, se não quer conversar, vamos resolver do jeito que funciona pra gente, hum?" Afastou os cabelos dela do pescoço, passando o nariz por ele. "Vamos pra cama..." Envolveu a cintura dela com uma das mãos, alisando-a, enquanto beijava atrás de sua orelha. "Ou melhor, vamos estrear aquela cadeira muito louca que você comprou." Sugeriu, se referindo a uma dessas cadeiras que alguns motéis colocam nos quartos, que tinha sido a segunda das aquisições de grande porte da menina.
"Hoje, não." Ela disse, mas não foi nada convincente. Não conseguia sê-lo quando tinha uma das mãos dele em seu seio e a outra entre suas coxas, levantando a camisola.
Pode apenas encostar-se nele, sentindo o toque que nublava o mundo a seus olhos, e foi assim que aconteceu algo que mudaria tudo.
Finn virou Rachel para si, em um movimento rápido, e a viu completamente entregue, de olhos fechados, recebendo seu carinho. Então, sem pensar em nada e surpreendendo até a si mesmo, ele colou seus lábios nos da mulher que jurava não estar interessada em receber os beijos dele.
Hudson quebrou uma das regras mais importantes do arranjo que havia entre eles! E, sabendo disso, ele viveu os segundos que pareceram os mais longos de toda a sua vida, enquanto esperava por alguma reação, que ele não tinha a menor ideia de qual seria.
Notas finais
Olharam as imagens? Gostaram?
Fale com o autor