Donzela Guerreira

6 O refém normando


Notas iniciais
Perdão Wickie pela demora, e a vocês também meus leitores perfeitos, logo agora quando recebo a minha primeira recomendação. Mas em minha defesa tenho a declarar que: Meu notebook pegou um vírus horrível e só voltou da assistência ontem, triste, eu sei, mas felizmente não perdi nada da fic. Por isso estou postando hoje Domingo, não consegui esperar para postar amanhã. Espero que gostem e obrigada Crazy Kid e Hariye por favoritarem a fic. Capítulo dedicado a vocês e a linda, perfeita, maravilhosa Wickie que recomendou a fic. Ah amor, eu fiquei tão feliz que quase chorei. Já viram a recomendação perfeita dela? Leiam! Boa leitura. Ps¹: Karen Gillan e Aaron Johnson no gif como nosso perfeito Jily.

Capítulo 6

O refém normando

Eles tinham que apressar-se. A tarefa adicionaria outra hora à viagem, mas com sorte, ela encontraria um mensageiro confiável. Um solitário monge vivia em uma pequena cabana na margem oeste do bosque, e o humilde servente de Deus quem fazia ronda diárias pelas granjas vizinhas, ocupando-se dos doentes, ajudando aos pobres, e que vivia com o que os granjeiros lhe davam. Marlene sabia que podia confiar nele para entregar sua missiva.

Rapidamente atravessaram o bosque, seguindo um estreito caminho que conduzia para a moradia do monge. Enquanto avançavam, Marlene notou que seu prisioneiro charlatão se tornou curiosamente calado. Possivelmente se resignou a estar capturado. Típico dos Normandos.

Justo quando ela alcançou uma pequena clareira entre as árvores onde a luz do sol tinha permitido que um grupo de flores crescesse, seu cativo pôs seu pé e tratou de lhe dar uma rasteira. Ela foi o suficientemente ágil para não cair. Mas ele tinha escapado do alcance de sua adaga e agora movia e sacudia sua cabeça, tratando de puxar o tecido que cobria seus olhos enquanto se afastava torpemente dela.

— Onde diabos pensa que vai? — rosnou Marlene colocando as mãos nos quadris.

Ele conseguiu tirar a atadura de seus olhos, o suficiente para espiar por baixo dela com um brilhante olho azul.

— Vou voltar.

— Tsc, terá que passar por cima do meu cadáver.

Ele flexionou os joelhos como se preparasse para lutar, Marlene ergueu uma sobrancelha loira perfeitamente delineada. Quem aquele normando pensava que era? Logo quando o Black deu o primeiro passo ela foi ágil o suficiente para derrubá-lo com um só golpe.

Ele caiu sobre um matagal, golpeando seu ombro com um ruído seco que fez com que a loira se estremecesse.

— Maldita! — gritou o moreno, fazendo caretas, rodando em cima de seu ombro.

Ela franziu o cenho. Por Deus! Teria se machucado? Ela esperava que não. Não que se importasse se o Normando tinha uns machucados, mas a última coisa que ela precisava era um refém que requeresse um doutor.

— Meu braço, acredito que está...

— Quebrado? — questionou ela se aproximando e encarando brevemente o braço dele — Não me parece — pelo menos o cotovelo tinha a curvatura normal.

Mas ele havia caído com os braços atados nas costas. Poderia haver-se tirado o ombro de lugar. Já havia acontecido isso com ela uma vez e era horrivelmente doloroso. Ele tentou sentar-se, em seguida lançou um insulto, voltando a atirar-se ao chão.

Lene suspirou desgostosa. Podia ser uma feroz guerreira, mas não gostava do sofrimento desnecessário. Teria que soltá-lo e amarrar uma espécie de tipoia para o braço.

— Deite e fique quieto — disse ela vendo-o ofegar dolorido, se aproximou, estremecendo em uma involuntária empatia, pondo a faca em seu cinturão — Verei se há algo quebr...

Antes que pudesse agachar-se ao lado dele, as pernas do moreno se enlaçaram ao redor dela de repente, golpeando-a atrás dos joelhos para atirá-la em cima da flores selvagens. Enquanto seus cotovelos caíam sobre a terra e sua saia voava em cima de sua cabeça, o choque lhe tirou a respiração.

Deus, odiava ao normando. Por um momento ela jazeu atônita, tratando de imaginar como tinha caído na armadilha dele. Em seguida captou o absurdo desse momento. Nervosamente agitando seus braços para livrar do enredo de suas saias, se pôs de pé dificultosamente, tirou uma mecha de cabelo de sua boca, e apanhou sua adaga.

Sirius a viu vir, mas não teve suficiente tempo para reagir. Seu único olho visível se alargou enquanto ela avançava para ele com intenções assassinas em seus olhos. Antes que pudesse levantar-se, ela plantou um pé sobre seu traseiro, pressionando-o contra o chão.

— Um braço quebrado? Vou lhe dar um braço quebrado.

Ela não tinha intenção de lhe quebrar o braço, era obvio. Não era desse tipo de guerreiro que machucaria a um homem quando estava caído, apesar do que ele pensasse. Além disso, mesmo estando furiosa com ele pela armadilha, estava mais furiosa consigo mesma por deixar-se surpreender por essa armadilha.

— Não importa — ela murmurou — Não tenho estômago para esses ataques covardes. Além disso, seria completamente inútil como refém.

Sirius franziu o cenho, humilhado pelo fato de que essa donzela tivesse sua bota plantada sobre seu traseiro. Tinha sido mais preparado que ela. Quase. Se pelo menos tivesse sido capaz de tirar o tecido dos olhos. Se pelo menos tivesse tido tempo para correr seu corpo. Se pelo menos, ele pensou maliciosamente, não tivesse ficado paralisado pela vista das longas e sedutoras pernas de Marlene exibidas quando ela caiu, revelando o fascinante fato de que não levava nada debaixo de sua saia.

Enquanto ela continuava avaliando os passos a seguir, ele ouviu alguém vindo pelo caminho. Talvez fosse A Sombra, o bandido do bosque que ela tinha mencionado no jantar, que se movia à velocidade de um demônio, deixando a suas vítimas paralisadas e sem uma moeda. Quem quer que fosse que estivesse rondando nessa parte remota do bosque, as chances eram que não fosse para nada bom.

Os instintos de cavalheiro de Sirius emergiram à superfície. Apesar das circunstâncias atuais, apesar da traição de Marlene, apesar do fato que uma parte pouco nobre dele desejava pô-la sobre seus joelhos e lhe dar umas palmadas em suas nádegas até lhe tirar toda sua arrogância, Sirius era acima de tudo um cavalheiro, que tinha jurado proteger às damas.

— Me solte! — murmurou ele entre dentes — Vem vindo alguém — Marlene levantou uma sobrancelha duvidando — Não é um truque. Juro-o, minha lady. Me solte e te defenderei.

— Me defender? — ela replicou — Irá me defender?

— Rápido! — continuou ele urgentemente — Não pode ouvir? Vem vindo alguém.

— Ouço — assegurou a loira com o que Sirius considerou uma calma inapropriada.

— E se for A Sombra? — questionou ele tentando assustá-la para que o soltasse.

— Muito barulhento — Marlene deu de ombros, logo o zangou, agachando-se ao lado dele e lhe piscando um olho — Não se preocupe, pequeno, eu te manterei seguro.

A última pessoa que Sirius esperava ver era um monge. Mas uma vez que viu a túnica marrom e a cabeça raspada, soube que não era um problema, a não ser uma salvação que tinha chegado. Rapidamente, antes que Marlene pudesse abrir sua boca, ele se apressou.

— Irmã! Louvado seja Deus, minhas súplicas foram respondidas — disse abruptamente.

O jovem monge se paralisou no caminho, parecendo um cervo atônito.

— Rogo-lhe, irmão, me libere — suplicou Sirius — Temo que esta pobre mulher me confundiu com outra pessoa e planeja... — ele afetou sua voz dramaticamente — me matar.

— Perdão? — questionou o monge olhando-os nervosamente.

— Ela parece ser — continuou Sirius diminuindo a voz — Louca.

Ele esperava que Marlene estalasse em veemente protesto. Mas não o fez. Em troca, lhe deu um sorriso condescendente, e em seguida ficou de pé para enfrentar ao monge.

— Irmão Thomás, que bom vê-lo.

As esperanças de Sirius se foram ao inferno.

— Conheço-a — disse o monge, franzindo levemente o cenho, pensativo — Lady... Lady...

— Marlene.

— Sim, uma das donzelas da fortaleza. Mas, o que... — a boca do monge ficou aberta como se quisesse dizer algo mas não pudesse encontrar as palavras.

— Necessito sua ajuda — disse ela brandamente .

Esse tratamento pareceu voltar o homem à vida, como se ela tivesse recitado algumas palavras mágicas. O monge endireitou seus ombros.

— Sou um servente de Deus e seu, minha lady.

Sirius fechou seus olhos, silenciosamente amaldiçoando o poder que as belas mulheres possuíam, ainda sobre os homens da igreja. Marlene procurou algo dentro de sua camisa e tirou um pedaço de pergaminho.

— Peço que o entregue em Hogwarts, para minha irmã, Lady Lily.

O monge tomou a missiva

— Não o faça — advertiu Sirius que para sua satisfação, o monge vacilou.

— Leve-o — exigiu Marlene.

— Se ela não tivesse más intenções, então por que me teria preso? — questionou Sirius ganhando a atenção do monge — E por que estaria segurando uma adaga? — o monge franziu o cenho confuso. Sirius usou essa vantagem para afiançar seu caso — O digo, ela quer me matar.

Ele esperava que Marlene convencesse ao sacerdote fingindo falsas lágrimas ou dizendo que Sirius estava louco. Quão último esperava era que ela contasse a verdade.

— Sim, vou matá-lo — disse ela neutramente — Se esta nota não chegar a minha irmã — o monge estava tão atônito como Sirius — E se me força a cometer um assassinato, irmão Thomás e minha alma ficar para sempre condenada ao inferno, temo, será sua responsabilidade.

O maxilar de Sirius caiu, a lógica dela era apavorante. Por um longo momento, nenhum dos homens pôde responder.

— Oh, não, não, minha lady — o monge murmurou finalmente — Levarei a missiva, não há necessidade de... de que... o machuque — ele olhou a Sirius com um sorriso preocupado.

Sirius grunhiu enquanto o monge tomava o pergaminho.

— Deus... Deus a abençoe, minha lady — disse o monge com uma sacudida de cabeça nervosa e quando passou ao lado de Sirius murmurou — E Deus o salve, meu lorde.

Em seguida esse homem frágil e inútil se afastou pelo caminho, levando a melhor esperança de Sirius com ele. Enquanto o Black olhava ao Irmão Thomás com descrença, Marlene quase sentiu pena pelo Normando. Depois de tudo, ele tinha feito um esforço valente. Mas sua inteligência não se comparava com a dela.

— Está feito — ela disse, satisfeita porque o monge entregaria sua mensagem — Vamos.

— Não — disse Sirius esquivando-se — Não até que me dê certas respostas.

Ela franziu o cenho. Verdadeiramente ele pensava que estava em posição de pressioná-la? Por que não podia aceitar que estava a sua mercê? Talvez ela não tinha sido suficientemente clara. Com a ponta da adaga, levemente roçou o lóbulo de sua orelha.

— Sabe, posso fazer voltar o Irmão Thomás, não é muito tarde e enviar um pequeno presente junto com a nota — Sirius ficou visivelmente rígido quanto a ameaça dela — Uma orelha... um dedo... ou... — as orbes verdes dela focaram no meio das pernas dele.

Voltou o olhar para as orbes azuis e notou que ele a estava olhando fixamente com o único olho visível, como se a estudasse, julgasse-a. E embora ele jazia indefeso no chão, completamente a sua mercê, de repente pareceu que seu olho olhava diretamente a seu coração.

Inquieta, lhe baixou a atadura lhe tapando ambos os olhos.

— Fará o que pareça, é obviu — disse ele erguendo seu queixo — Mas penso que deveria saber, que não tenho tolerância à dor, e que provavelmente gritarei como um porco.

Ela levantou uma sobrancelha.

— E sangrar, uma vez cravei o dedo com um espinho e sangrei por três dias — disse ele.

— Três dias — ela repetiu o que ele havia dito, nunca ouvira algo tão absurdo.

— Sim, mas estou disposto a fazer um trato com você, minha lady, e economizar a ambos o problema de me desfigurar.

Uma mulher mais impiedosa lhe teria talhado a orelha nesse momento para lhe mostrar quão pequeno era o problema. Mas Marlene só era selvagem quando era forçada a ser. E nesse momento, com o normando dominado, ela podia se dar o luxo de ser piedosa. Além disso, embora odiasse admitir, estava intrigada por seu raciocínio.

— Sim? — questionou ela agachando-se ao lado dele novamente. Não tinha notado anteriormente, distraída pelo brilho de seu olho, que bem formada era sua boca. Seus lábios pareciam suaves, mas firmes, e onde se abriam, ela viu as pontas brancas de seus dentes. Seu nariz estava perfeitamente esculpido, assim como as maças do rosto.

— Minha lady? — questionou ele e ela sacudiu a cabeça para espantar seus pensamentos.

— Não está em posição de negociar — rosnou irritada com sua distração.

— Não importa, parece uma mulher razoável.

Ela levantou as sobrancelhas. Ninguém dizia que Marlene era razoável. Ela era qualquer coisa menos razoável. O normando estava louco ou mentindo a morrer.

— Continue.

— Se responder uma pergunta, deixarei de resistir e irei voluntariamente com você.

— Uma pergunta?

— Sim.

— Faça-a.

— Se não planeja pedir que liberem Hogwarts em troca de minha liberdade, o que é o planeja? O que dizia a nota?

Ela pestanejou. O que importava a ele? Isso não mudaria seu destino. Dependia de James o que lhe acontecesse no futuro. Por outro lado, não era um grande segredo. E se Sirius ia cumprir o que havia dito respeito a cooperar...

— Se te der uma resposta, virá comigo voluntariamente?

— Sim.

— E não tentará mais truques?

— Nada mais de truques. Juro por minha honra como cavalheiro.

Ela sorriu travessamente, possivelmente ele não era tão inteligente como ela imaginava. Era um trato muito bom para deixá-lo passar. Ela lhe daria nada, e ele lhe daria tudo.

— Muito bem — disse a loira — A nota dizia: tomei ao Normando como refém, não o devolverei até que o matrimônio seja anulado.

— O que?

Ela repetiu.

— Tomei ao Normando...

— Sim, ouvi-te, mas... Oh! Ah! Maldição!

— Agora James devolverá a minha irmã — disse Marlene sorrindo.

— Não o fará.

— Oh, acredito que sim — Marlene viu a boca do normando se curvar para baixo.

— Não conhece James Potter.

— E você não conhece as Donzelas Guerreiras de Hogwarts.

Ele sacudiu a cabeça, como se o destino lhe estivesse fazendo uma grande brincadeira, mas não disse mais nada. Ela o ajudou a ficar de pé, e continuaram pelo caminho sem falar. Fiel a sua palavra, ele foi voluntariamente, mas para Marlene, seu silêncio era um mau presságio. A cada milha que eles caminhavam afastando-se de Hogwarts, a inquietação de Marlene crescia.

Podia Sirius ter razão? E se ele não fosse tão valioso ela presumia? E se James considerasse a perda de seu homem como um preço razoável para o casamento com uma noiva de sua escolha? E se ele rasgasse a nota antes que Lily pudesse vê-la? E se, Deus não o permita, não recebesse a resposta de sua irmã? Quanto tempo teria que esperar? Quanto tempo teria que ter Sirius como refém? E o mais crítico, quanto tempo poderiam sobreviver sem comida?

Seu estômago já estava grunhindo quando finalmente alcançaram o arbusto na qual estava a cabana. Era suficientemente frondoso, fazendo que as paredes da cabana parecessem feitas de folhagem, e sob a sombra das árvores, a estrutura quase não era visível. A porta da moradia estava fora do marco, e as portinhas se penduravam da única janela e parecia como se fossem desprender-se com a menor brisa.

O teto era mais buracos que palha, mas as trepadeiras tinham subido ao teto para preencher os buracos, fazendo que a cabana fosse relativamente segura contra as inclemências da natureza.

Em um tempo a choça tinha pertencido a um granjeiro, e perto havia uma clareira no bosque onde tinha sido semeada cevada. Mas isso fazia tempo que tinha sido invadido por plantas selvagens. Não muito longe, corria um lago, que levava o nome de Lago Negro.

— Chegamos — anunciou Marlene, detendo-se na soleira da cabana para tirar o tecido dos olhos do normando.

Sirius não sabia que o esperava ver. Um santuário possivelmente. Ou um castelo vizinho. Ou uma modesta casa dos aliados de Marlene. Por certo, não esperava ver uma choça no meio da parte mais escura do bosque. Merda! Uma decrépita cabana .

— Oh, é formosa — ironizou ele.

[...]

James desejou que Lily tivesse razão. Depois de tudo, seria muito desafortunado se um arqueiro de Hogwarts disparasse a um de seus cavalheiros. Ele supôs que devia contar a ela que Sirius tinha reconhecido ao exército que se aproximava como os Cavalheiros da Ordem. Mas ele estava curioso para ver o quão bem ela dirigia a fortaleza e quão organizadas as defesas de Hogwarts estavam.

É obvio, se tivesse sido um assalto real, ele nunca a teria deixado fazer-se carrego. A teria mandado a unir-se com o resto das mulheres e os meninos de Hogwarts nas habitações mas resguardadas da fortaleza. Ele se deu volta para observar a massa de gente indo e vindo através do grande salão. Cada um parecia saber seu propósito, e nenhum estava em estado de pânico. Mas no meio de um caos ordenado, o lorde de Hogwarts estava parado como hipnotizado, como se estivesse perdido no mar de homens do clã.

— Seu pai esta confuso — disse o Potter para Lily — Vá com ele. Assegura-se que estará seguro. Reuniremos aos Soldados enquanto Sirius procura sua irmã.

Ela visivelmente se zangou com seu tom de comando. Era claro que sua esposa ansiava ter o controle. Ele não podia decidir se esse rasgo era ofensivo ou divertido. Seus pensamentos vagaram para a cama matrimonial que compartilhariam essa noite, e se perguntou se ela insistiria em ter o controle aí, também. Era uma intrigante possibilidade.

O cenho franzido de Lily se apagou enquanto observava a seu pai, e James vislumbrou brevemente o peso da responsabilidade que carregava em seus ombros, sem dúvidas era muito difícil cuidar de um parente doente. O Potter não sabia. Seus pais tinham morrido subitamente anos atrás e o mais próximo que tinha de uma família era Sirius, pelo menos até se casar com Lily, agora ela e ele construiriam uma família juntos.

Ele a observou ir até o lorde, guiando-o com um cuidado amoroso para sua habitação. Ela era um enigma, em um segundo uma selvagem e ao seguinte tão gentil como uma monja. James endireitou seus ombros e foi para a armería, onde estariam os cavalheiros. Era tempo de ver que tipo de soldados Hogwarts tinha.

Logo que Lily se assegurou que seu pai estava confortável, e instalado em sua habitação com um escudeiro como companhia, seu coração começou a pulsar rapidamente outra vez.

Sim, era uma coisa menos pela que preocupar-se, mas haviam outras cem coisas das quais ocupar-se. Tanto como odiava admiti-lo, estava quase agradecida da ajuda de James. Ao menos tinha experiência em questões de guerra, algo que nenhum de seus homens podia dizer.

O que mais a preocupava, entretanto, era o fato que as muralhas de Hogwarts nunca tinham sido postas a prova. É obvio, a tarefa da Marlene era manter as defesas, procurar as debilidades e inspecionar qualquer dano nelas...

Lily sacudiu a cabeça, dispensando esses pensamentos. Haviam muitas outras preocupações no momento. Chamou um escudeiro no corredor para que a ajudasse a colocar a armadura. Quanto mais rápido o fizesse, mas rápido ela poderia ver como seus homens estavam defendendo a fortaleza.

Enquanto o escudeiro lhe colocava as partes da armadura, Lily abriu apenas o portinha da janela, por uma pequena brecha espiou ao exército que chegava. Eram ainda figura distantes, mas era claro agora que havia uma boa quantidade de cavalheiros montados e, detrás deles, vários a pé. Haviam também um bom número de carros pesados.

Lily se imaginou que estavam cheios de armas, provisões, e materiais para armar grandes tendas, se decidiam sitiar o castelo.

Enquanto o escudeiro deslizava a cota de malha, sobre ela o vento fez ondular a insígnia de um dos soldados, e ela vislumbrou brevemente o brasão, algum tipo de animal sobre um fundo negro, talvez uma fênix. Como Sirius tinha mencionado, havia algo familiar no desenho.

— Ian, olhe a bandeira — disse ao escudeiro — Onde a viu antes?

O homem forçou a vista e mordeu o lábio.

— Não é o mesmo que tinha na túnica do histrião?

— Maldição! — Lily arqueou as sobrancelhas dando-se conta da situação — Maldição! — ela olhou seu anel de casamento. Uma fênix sobre um fundo negro. Por Deus! Esses eram os homens de James — Este filho de... — golpeou a portinha com toda sua força.

Então ele não era um mero cavalheiro errante depois de tudo. Tinha seu próprio exército. James deveria ter mandado Pettigrew, o histrião como espião, e então tinha ordenado a seus cavalheiros que avançassem em caso da ordem de casar-se fosse rechaçada. Era uma estratégia brilhante. Mas isso não diminuía a irritação de Lily com ele por seu engano. Por que James não tinha revelado a identidade de seus homens? Tinha intenção de fazê-la ficar como uma idiota?

Nevaria no inferno antes que James se saísse com a sua. Ela podia ser inexperiente, mas ela também era alguém bem preparada. E tinha mais cérebro do que ele se imaginava.

Desejava humilhá-la? Pô-la em seu lugar? Então lhe ensinaria como se jogava o jogo.

James tratou de não parecer decepcionado enquanto inspecionava as filas dos soldados escoceses. Embora estivessem admiravelmente disciplinados e parecessem ser homens valentes, não eram mais que um grupo cavalheiros muito díspares. Podiam ser os melhores cavalheiros da Escócia, mas não estavam aptos para formar parte do exército dos Cavalheiros da Ordem. As poucas armaduras que tinham pareciam do século passado. As armas eram muito limitadas. Os três arqueiros, já tinham sido despachados a patrulhar os parapeitos, pareciam ser os únicos homens que praticavam a arquearia em Hogwarts. E o resto eram homens de barba branca e um menino que quase não podia defender um favo de abelhas de uma invasão de formigas.

Indubitavelmente era algo bom que o rei tivesse mandado James para ser o guardião e o administrador de Hogwarts. Com a valiosa presença dos Cavalheiros da Ordem, esses escoceses simples poderiam voltar para sua rotina diária: a cuidar das ovelhas, a pescar e cultivar, enquanto seus homens defendiam a fortaleza.

Mas James sabia que não devia insultá-los com suas opiniões. O capitão tinha que ser diplomático.

— Quem é o melhor cavaleiro aqui? — perguntou vendo um dos homens com armadura erguer a mão — E o melhor espadachim? — esta vez houve um murmúrio de vozes.

— Refere-se, meu lorde, à força ou à velocidade? — finalmente um homem perguntou.

— Ambos.

— Por força, seria este homem — ele disse, assinalando a um cavalheiro a seu lado.

— E por velocidade?

— Essa seria Marlene — a voz feminina interpôs.

James levantou o olhar para ver que mulher tinha entrado sem ser convidada. Era Lily, mas uma Lily transformada. Já não era a formosa deusa com vestido de seda com quem ele se casara, agora era um guerreiro de pés a cabeça armada com uma espada.

Enquanto ele a olhava surpreso, ela passou ao lado dele e se dirigiu ao homem que dizia ser o melhor cavaleiro.

— Os cavalos estão selados?

— Sim, minha lady.

— As espadas estão afiadas? — ela perguntou ao espadachim.

— Prontas e afiadas, minha lady.

Completamente atônito, James encontrou que a diplomacia lhe tinha acabado.

— Maldição! O que está fazendo?

Ela o ignorou.

— Marlene não chegou ainda? — perguntou aos homens. Eles sacudiram suas cabeças, e ela girou para encará-lo e acusá-lo — O que é o que está retendo a seu homem?

James estava de humor para ser questionado, especialmente não por uma mulher que era uma brincadeira à figura de um cavalheiro com sua presença na armaria.

— Tem minha permissão para ir ver que o está demorando — ele disse arrastando-a do braço — E deixe a mim as ordens.

— Você já serviste seu propósito — contratacou ela — Eu me faço cargo agora.

— Como? — questionou ele arqueando uma sobrancelha — E vais montar para entrar em batalha com os homens também?

— Se for necessário, sim.

Sobre meu cadáver, ele pensou, mas conteve sua língua. Se tivesse sido uma ameaça, real, lhe teria tirado a armadura e a dado a algum homem, quem possivelmente mataria um ou dois inimigos antes de cair. Sua esposa seria encerrada na cela com sua irmã, se fosse necessário. Mas como era só uma prática, ele decidiu ver até onde ela avançava e quando sua natureza feminina afloraria e Lily sairia correndo e chorando de medo, para esconder-se detrás de guerreiros muito mais capazes.

Enquanto isso, ele precisava estar seguro que os escoceses não disparariam flecha prematura, porque a vingança dos cavalheiros da Ordem seria rápida e letal. E trágica.

— Vou subir aos parapeitos — lhe disse — Vou ver como vão as coisas ali.

Embora ela notou que James não levava armadura, não disse nada. Sem dúvida ela desejava que ele fosse ferido.

O Potter deu um olhar final a ela enquanto deixava a armaria. Era estranho admitir, mas achou Lily encantadora, com armadura e tudo. Havia algo no modo em que a cota de malha se ajustava a seus peitos e a espada lhe pendurava do quadril, um pouco curiosamente sedutor. Para o momento em que ele tinha subido à muralha, seus homens se aproximaram o suficiente para que qualquer pudesse ver que não era um exército, a não ser um conjunto de famílias.

Seu cavaleiros levavam armaduras e estavam armados, mas só por precaução, detrás deles, as mulheres cavalgavam em palafrens, e as servas vinham a pé enquanto os meninos corriam com incansável energia. Soldados e escudeiros vinham mais atrás, com meia dúzia de carros de provisões e armas. James decidiu conversar com o arqueiro da torre mais afastada.

— Veem-se bastante ameaçadores, verdade?

— Não, meu lorde.

— Parecem viajantes mais que um exército.

O arqueiro manteve seu arco preparado para disparar. Obviamente não era fácil dissuadir sua lealdade a sua lady, sem importar sua própria opinião sobre os estranhos que se aproximavam. Era uma qualidade admirável. James caminhou até o segundo arqueiro.

— Penso que são amigos, não inimigos pois se aproximam do castelo muito abertamente.

— Desculpe, meu lorde — o homem murmurou — Preferiria não conversar enquanto tenho que manter meus sentidos alertas.

James assentiu. Eram homens tão bem disciplinados mas mal equipados, tinha que admitir que esses Escoceses pareciam saber o que estavam fazendo. Retirou-se e se aproximou de um terceiro arqueiro, um jovem moço cujo lábios superior estava empapado de suor e cujos braços tremiam enquanto tratava de manter firme o arco. A este James teria que observá-lo.

— Tranquilo, jovem? — questionou James em sussurro.

— Mãe de Deus! — o jovem gritou, tão assustado que quase disparou a flecha.

Nesse momento, com seu coração lhe saltando na garganta, James agarrou a mão do jovem para evitar um acidente.

— Calma. Não dispararia a esses meninos, verdade?

O jovem balançou a cabeça negativamente.

— Alguma vez disparaste com um arco antes?

— Sim, sou o melhor caçador do clã, mas… — o jovem tragou com dificuldade.

— Nunca disparou a um homem — completou James e o jovem se mordeu o lábio. James não se atrevia a liberar seu braço do arco — Queres que eu tome sua posição?

— Não — disse veementemente — Não, este posto me foi crédulo e não o abandonarei — ele parecia tirar forças de suas próprias palavras. James teve que admirar a coragem do moço e sentido do dever, embora ele se sentisse muito mais tranquilo se o jovem lhe entregasse a arma.

— Muito bem — com relutância, cuidadosamente, James afrouxou seu braço — Mas tome cuidado de não disparar até que se ordene fazê-lo.

— Preparados para disparar! — ouviu-se um grito proveniente detrás dele.

O coração de James golpeou contra suas costelas.

— Não! — gritou o mais alto que pode.

Lily, em toda sua glória, estava parada com sua espada levantada, pronta para dar a ordem de disparar, ao uníssono, os arqueiros carregaram suas flechas e apontaram ao branco.

— Esperem! Esperem! — continuou gritando o Potter, desejando que sua voz permanecesse calma, mas dando enormes passos para ela — Detém a ordem!

— É que tem que contradizer todas minhas ordens, senhor? — ela replicou, com sua espada ainda em alto — Ou é este o modo em que os soldados Normandos brigam?

James quase não pôde respirar observando as flechas dos arqueiros apontadas a sua gente.

— Não o vê? — ele perguntou — Não são soldados, eles são mulheres e crianças.

— Aí há uma com uma tocha de guerra — ela disse, assinalando as crianças — O que opina? Devemos lhe disparar a elas primeiro?

— Não! — os olhos James se aumentaram. Por Deus!

— E o homem com o estandarte? — ela considerou — Disparamos a ele?

— Não — o portador do estandarte era um moço casado e com um bebê de dois anos — Por Deus! Nem sequer sabe quem é essa gente.

— Sei que eles estão em minhas terras — ela disse friamente.

— Não têm intenção de te danificar.

— Sou relutante a correr esse risco — Lily levantou sua espada outra vez.

— Espera! — desta vez James a apanhou o pulso e a atraiu contra ele, encarou sua bela face, sua pele suave, suas bochechas rosadas, sua boca determinada. Então ele franziu o cenho. Algo haviam nesses olhos verdes, algo malvado, algo perigoso, certa faísca de travessura.

— Talvez deveria fazer que os arqueiros apontassem a essa loira bonita com a capa azul — ela murmurou pensativamente, a sombra de um sorriso aparecia em seus lábios — Disparar a uma mulher certamente causaria uma revolta neste exército.

Então ele viu a verdade, a maldita moça estava torturando-o. James estreitou seus olhos.

— Você sabe — a acusou vendo os lábios dela se curvaram para cima

— Oh, sim — a respiração saiu dele então, mas não liberou o pulso dela.

— E faz quanto tempo que sabe?

— Sempre soube.

— Sirius — disse ele, o traidor deveria tê-la contado.

— Não — e para provar, a ruiva sacudiu o anel de casamento em frente a ele.

— Ah, bruxa inteligente, inteligente e irritante. Bem, muito astuta, podes deter seus arqueiros agora?

— Isso depende.

Por que essa mulher acreditava estar em controle de tudo, ele não podia imaginar. Seus homens poderiam ter disparado, e se o tivessem feito, os cavalheiros da Ordem teriam convertido a Hogwarts num massacre em pouco tempo.

— Depende do que? — perguntou.

— De sua razão por não me haver contado que seus homens viriam.

Um pedido justo.

— Para aos arqueiros, e lhe direi isso.

— Me solte, e o farei.

Os dois ficaram parados em um impasse, ele com sua espada sob controle e ela com seus arqueiros preparados para disparar. Um deles tinha que ceder. James lhe soltou o pulso. Ela baixou sua espada.

— Arqueiros, descansem — ordenou a ruiva — Eles baixaram então seus arcos. Conte!

— Queria ver quão preparados para uma batalha seus homens estavam — admitiu ele.

— E?

— Necessitam muito mais treinamento e prática, são poucos homens, e suas armas estão muito deterioradas.

— Eu teria lhe contado isso — replicou ela.

— Mas — ele continuou ignorando-a — Estão organizados e bem comandados e têm disciplina e coragem, e outra coisa que não pode obter-se com treinamento: uma feroz lealdade.

Seu comentário pareceu suavizar o orgulho ferido de Lily. Uma curiosa calidez fluiu através das veias dele ao ver quão orgulhosa ela estava dos homens do clã. Era uma pena que ela fosse uma mulher. Ele imaginou que ela seria um estupendo segundo comandante.

— Bem, agora que já mediste o valor de minha gente — ela disse com um pouco de irritação — Quanto tempo ficarão conosco?

James se zangou. Ela não se dava conta? O rei não só o tinha enviado a procurar esposa. James tinha vindo também para ser o amo do castelo. Os cavalheiros e as famílias do castelo agora eram dele.

— Hogwarts será seu lar daqui em diante — ele disse e os olhos dela se alargaram.

— O que? — a ruiva cruzou até o bordo da muralha e olhou para baixo à horda que se aproximava — Toda essa gente ? São muitos. Hogwarts não pode mantê-los!

— Não se preocupe, tenho peritos caçadores, cozinheiros e mulheres que sabem fabricar cervejas. Já planejei fazer aumentar o castelo, adicionar uma cela mais, duplicar as cozinhas e aumentar o tamanho das mesas.

Algo do que ele disse enfureceu Lily, embora ele não pudesse imaginar o que, depois de tudo, ofereceu-se a melhorar o castelo. Mas ela deixou escapar um exasperado suspiro e girou sobre seus calcanhares, partindo escada abaixo.

Ele a observou ir-se, tratando de decidir se seria melhor segui-la. Não deixaria que ela fizesse abrir os portões de Hogwarts para receber a sua gente vestida com uma armadura.

Notas finais
Lily quase matando o James de susto, Sirius quase matando a Marlene de raiva, normal. Sei que estão ansiosos para a lua de mel, porém ela só irá acontecer no capítulo 08, para a nossa felicidade a fic já esta pronta até o 10. Salva de palmas! Dez comentários atualização imediata. Favoritem! Recomendem! Façam uma autora amadora feliz! Wickie, sua linda, peça qualquer coisa de mim que eu atenderei, desde spoilers até qualquer parte da fic até o capítulo 10, o que for. Me deixou muito feliz. Beijos leitores lindos!