Donzela Guerreira
17 O que é que uma mulher deseja mais?
Notas iniciais
Capítulo 17

O que é que uma mulher deseja mais?
Com o braço ao redor da cintura dele e seus seios contra seu tórax, Marlene ajudou Sirius a caminhar para a cabana. Era um milagre que encontrassem, considerando quanto tinha bebido nessa noite, mas a loira parecia saber exatamente onde se encontravam. Uma vez dentro do refúgio, ela se tomou um grande trabalho para assegurar-se que o Black estivesse cômodo, insistindo para que ocupasse a cama.
— No chão estarei bem — argumentou ele.
— Tolices — Marlene o empurrou sobre a cama e em seguida se inclinou para acomodar a manta ao redor de seus ombros, esquecendo-se que seu vestido estava aberto no decote. Seus seios se incharam sobre o tecido, à luz do fogo, viam-se deliciosos como o mais puro e líquido pecado.
— Insisto — a voz dele se quebrou enquanto desviava o olhar daquela bela imagem.
— E como te atreve a insistir quando quase não pode te manter em pé? — Marlene cruzou seus braços debaixo de seus seios, o que piorou o problema. Ele não podia erguer-se, mas outra parte de seu corpo não estava tendo problemas em erguer-se — Não — ela continuou — Ficará na cama, não quero ouvir o capitão James me dizendo que não te cuidei corretamente.
Isso apagou parte de seu desejo. Por um momento, ele tinha se esquecido das motivações de Marlene. Sim, ela queria que ele se curasse, mas só porque serviria melhor a seus propósitos. Essa mulher era tão ambiciosa quanto os mercenários.
— Está perdendo seu tempo — ele disse abruptamente — Ele não pagará por mim.
— Por que, Sir Black, se até eu sei que é valioso? — a loira estou sua língua. Isso o surpreendeu, ouvi-la chamar por seu nome — Além disso, estou pedindo por minha irmã.
— Sir James não se deixa manipular — Sirius sacudiu a cabeça negativamente.
— Todos podem ser manipulados.
— Ah — ele disse, um sabor amargo em sua boca — Como manipulou aos mercenários? — a loira apenas o deu um sorriso ardiloso e em seguida começou a ocupar-se da perna dele — E me chamou sátiro, não sou um sátiro — Sirius sorriu travessamente — Não posso recordar bem. Quantos moços do estábulo eram?
— Me acreditaste? — questionou ela, um sorriso brincando nos lábios enquanto cuidadosamente tirava a aturada da perna dele.
— Onde mais poderia ter aprendido todas essas... essas... — imagens da impressionante deusa, sacudindo seus quadris, molhando os lábios com a língua e expondo seus seios, voltaram para sua mente novamente, esquentando seu sangue.
— Oh, sim — disse ela, sua voz com humor sardônico — Dormi com todos os moços dos estábulos e me deitei com todos os Cavalheiros de Hogwarts também.
Ela podia pensar que isso era divertido, mas ele não. Não nessa noite. Não quando ela tinha exibido semelhante perícia na arte da sedução. Não quando ela tinha arriscado seu corpo para liberar a ele. E especialmente, não quando ele perigosamente tinha começado a afeiçoar-se dessa donzela escocesa. Marlene apoiou uma perna na cama e procedeu a cortar outra tira de sua anágua. Se ele não a conhecesse melhor, teria suspeitado que ela fazia isso para provocá-lo, seu olhar não pôde evitar vagar pela panturrilha que exibia. Sirius grunhiu.
— James não cederá a sua nova esposa.
— E por que? — ela baixou seu pé. Umedecendo o tecido em um balde com água, começou a lavar a ferida dele. Seu toque era surpreendentemente suave para uma mulher que a algumas horas tinha cravado uma faca a um par de bandidos sem pestanejar.
— Você não teria durado muito como sua esposa.
— Parece-te?
— Sir James exige fidelidade.
— Ah — ela franziu o cenho, pretendendo considerar a afirmação — Então ele não teria paciência com meus moços dos estábulos? — Sirius baixou suas sobrancelhas, a moça não o levava a sério.
— James os mataria — pelo menos era isso o que o Black faria.
— Uma lástima — um princípio de sorriso apareceu nos lábios dela — É obvio, eu teria que matar a todas suas amantes em troca. E então, quem limparia o castelo e os estábulos?
Marlene podia sentir a frustração que emanava de Sirius. Ela encontrava sua atitude divertida e irritante ao mesmo tempo. Por que era que os homens assumiam que podiam deitar com a mulher que quisessem, mas as mulheres tinham que ser fiéis? Não era justo. Não era que ela estivesse interessada em deitar-se com um homem. Portanto, se James desejasse ser um sátiro e deitar-se com todas as servas do castelo, estava bem para ela.
— Pronto — disse Marlene terminando de ajustar a atadura dele — Onde está a bolsa com a comida? Estou faminta — logo a viu ao lado do fogo — E você? Está faminto?
Havia fome nos olhos dele, mas era uma fome de um tipo completamente diferente. O olhar de Sirius ardia de desejo. Por Deus! Ele também tinha sido afetado pelo ato de sedução dela. Ela não o tinha notado antes, mas quando o fez seu olhar vagou brevemente para as calças dele. Não estava equivocada. Uma parte do corpo dele estava rígida e por uma razão curiosa e perturbadora, isso a fez estremecer-se com excitação. Era absurdo. Ela estava acostumada a ver esse tipo de coisas, em companhia de homens a maior parte de sua vida, tinha estado exposta a essas exibições masculinas: desde comentários obscenos a atos obscenos, tinha visto homens tendo sexo também. Mas algo a respeito da manifestação de desejo de Sirius lhe produziu uma intoxisante sensação de poder.
— Então, não achas que posso ganhar a devoção de James? — questionou ela caminhando com a bolsa de comida em direção a ele, um sorriso de canto em seus lábios.
Sirius parecia incômodo, como se não quisesse pensar nisso. Ela se sentou ao seu lado na cama, e meteu uma cereja em sua boca. O Black se manteve calado por um momento antes de falar.
— James não é tão inocente como esses mercenários.
Impulsivamente, Marlene se inclinou para frente.
— Todos os homens são inocentes no que se refere a sua entre perna — em seguida o deu uma palmada à parte superior de sua coxa. Tão rápido como um falcão agarrando sua presa, a mão de Sirius voou e apanhou a mão dela. O Black girou sua cabeça. Ela esperava que ele ruborizasse de vergonha e soltasse sua mão. Ela nunca esperou um sorriso dele. Ou seu olhar nublado. E muito menos que ele pressionaria sua palma contra sua ereção e a mantivesse a contra sua vontade. Ao menos, ela supunha que era contra sua vontade. Não fez muito esforço para resistir.
— Não comece o que não está disposta a terminar, pequena tentadora — disse ele olhando-a insinuosamente.
O coração dela pulsava entre seus seios como um pássaro selvagem golpeando contra sua jaula. Deus, o pênis dele era firme e cheio, e ela pôde sentir o calor através da calça. Mas foi o que havia no olhar de Sirius que lhe tirou o fôlego. Em seus olhos havia um convite à aventura, a promessa de inimagináveis prazeres. Se ela não tivesse prestado atenção à voz em sua cabeça, uma voz que soava muito parecida com a de Lily, lhe dizendo que estava sendo perigosamente impulsiva, teria se inclinado para frente para ver que sabor tinham os lábios do normando.
Sirius podia sentir o desejo de Marlene como algo muito evidente. Era intenso e poderoso. Portanto, se ele soubesse quão poderoso, nunca teria forçado sua mão contra seu membro. Ele tinha acreditado ter-lhe dado uma clara advertência, para lhe avisar das consequências de sua provocação, para lhe mostrar que embora ele pudesse ser um nobre cavalheiro, também era um homem. Mas ela não estava prestando atenção a sua advertência em nada. Pelo contrário, ela parecia atraída por ele. Seus olhos cor de esmeralda brilharam com feroz desejo, as pálpebras caindo como se o peso do desejo fosse muito pesado de tolerar. Seus lábios abertos, pareciam mais deliciosos que uma cereja. E sua mão permaneceu onde estava, sobre sua entre perna. De fato, seu polegar roçava ousadamente ao longo da extensão de seu membro, extraindo um gemido de prazer dele.
Cada nervo de seu corpo instantaneamente desejou o contato dela. Mas ele sabia que não podia ser. Ela estava muito bêbada, e ele estava muito vulnerável. Se consumassem esse desejo, não seria melhor que os mercenários. Usando toda sua força de vontade, ele soltou sua mão e desviou seu olhar. Marlene levou um momento para sair de sua frouxidão e dar-se conta que ele a tinha soltado. Levantando sua mão, ela pestanejou e em seguida balançou torpemente para trás, puxando a bolsa da cama.
Enquanto ela reunia a comida que tinha esparramado, parecia agitada, e Sirius se perguntou se a tinha surpreendido depois de tudo. Ele esperava que assim fosse. Já era bastante difícil combater suas próprias paixões para ter que dominar as dela também.
— Aqui tem comida — finalmente disse ela, sem olhá-lo lançando a bolsa para ele — Precisa recuperar suas forças.
— E você? Deve estar...
— Não tenho fome — com isso, ela armou sua própria cama no chão e se tapou com a manta.
Sirius de repente deixou de sentir fome, das cerejas e do queijo. Pôs a bolsa de um lado e enquanto o fogo se apagava, ele olhou o teto, incapaz de apagar as provocadoras imagens de Marlene de sua mente: seus olhos brilhantes, seu sorriso pícaro, seus seios voluptuosos, a suave curva de seu quadril.
Talvez amanhã, ele pensou, quando ela estiver menos ébria, e quando ele tivesse mais controle de seus apetites... Toda a noite ele sonhou com Marlene... nadando na lagoa com suas irmãs, lutando em seus braços enquanto desciam as escada do castelos, sorrindo triunfante enquanto apanhava uma truta, combatendo contra os mercenários, movendo seus quadris sedutoramente à luz do fogo, enfaixando meigamente sua ferida.
Amanhã, ele pensou, estaria cansado da imagem dela, mas equivocava-se. Especialmente porque a primeiro coisa que viu quando abriu seus olhos era o objeto de seus sonhos, completamente nua, lavando-se ao lado do fogo com um trapo e um balde de água.
Por um longo tempo, ele a olhou em silêncio, temeroso de fazer um ruído que o privasse dessa festa maravilhosa. Ela passou o trapo sobre o ombro e o braço e em seguida no outro braço. Quando se inclinou para molhar o trapo no balde novamente, seus seios se moveram brandamente para frente, e seu membro respondeu diante dessa cena, inchando-se com desejo. Ela lavou-se o pescoço e depois seus seios, estremecendo-se quando a água fria os tocou fazendo seus mamilos se enrijecerem. Ele ficou rígido também, e na parte baixa de seu estômago cresceu uma dor familiar, uma dor que ele não tinha aliviado em um longo tempo.
Quando ela se lavou entre suas pernas, Sirius quase deixou escapar um suspiro audível. Por Deus! Ele invejou suas mãos. Ela realizou a tarefa despreocupadamente. Mas ele sabia como tocar uma mulher ali e fazê-la gemer de paixão. Ela continuou lavando suas pernas, e o Black se perguntou como se sentiria com elas envoltas ao redor de sua cintura, os calcanhares dela afundando-se em suas nádegas...
— Bom dia — disse ela casualmente, como se ela não estivesse nua. Muito nua.
Poucas coisas deixavam Sirius mudo. Ele podia seduzir a mais reticente donzela com palavras engenhosas. Podia improvisar uma canção rapidamente como um histrião. Podia dar explicações a um marido ciumento quando era surpreendido na habitação de sua esposa. Mas isto lhe tinha atado a língua.
Marlene pensou ser a mulher mais atrevida de toda a Escócia. Ela sabia muito bem que efeito tinha sobre os homens, e nessa manhã, intencionalmente, estava provocando Sirius. A razão dessa provocação, ela não estava segura. Talvez para voltar a recuperar o controle da situação que tinha perdido na noite anterior. A intimidade com Sirius a tinha inquietado, tinha-a feito perder o controle e ela era uma mulher que não estava acostumada a sentir-se vulnerável.
Hoje ela tinha provado que era a dona de suas próprias emoções.
— Quando terminar buscarei água fresca no balde para você, se quiser — ofereceu ela pondo seu pé sobre o banco para tirar a sujeira de seus tornozelos e para exibir suas pernas bem torneadas. Ele não respondeu, mas ela sentiu seu olhar acariciando seu corpo.
Desde que eram meninas, ela e suas irmãs haviam se banhado ao ar livre, em uma lagoa perto do castelo. Nunca haviam desenvolvido um sentido de vergonha a respeito de seus corpos, nem se davam conta da atração que geravam. Mas nos últimos anos, banhar-se à vista de todos, Marlene tinha descoberto um segredo. Ela possuía mais poder nua do que com a roupa posta. Os homens ficavam paralisados e gaguejando quando a viam completamente nua.
— Isso se desejas te banhar — ela esfregou os pés e lançou um olhar sobre seu ombro. A expressão, previsivelmente, era de extremo assombro, agora o tinha em seu poder. Sirius podia lhe haver feito acelerar o pulso na noite anterior, mas nessa manhã, ela dominava o jogo. Sorrindo, ela sacudiu sua cabeça, lançando seu cabelo para frente, e em seguida usou seus dedos para penteá-los — Os ratos comeram a sua língua ontem à noite, Sir Black?
— Não — ele se esclareceu a garganta — Não — depois de um momento, perguntou roucamente — Não... não tem... frio?
— Oh sim, posso adicionar madeira ao fogo ou talvez você queira vir mais perto da fogueira?
Por um momento, ele continuou olhando-a fixamente, e ela desfrutou da atenção dele, estirando seus braços para cima de sua cabeça de um modo que ela sabia que exibia seus seios favoravelmente. Mas seu triunfo seria curto. Enquanto ele a observava, seus olhos gradualmente estreitaram-se, e um sorriso começou a desenhar-se em seus lábios. O tenente havia adivinhado sua artimanha.
— Oh, sim — ele murmurou — Eu gostaria de me aproximar.
Ela tentou permanecer despreocupada, mas sua repentina confiança a inquietou. Ela estava acostumada que os homens se jogassem a seus pés, babando-se. Sirius Black não fez nada disso. Embora ele tenha estado tenso no princípio, agora ele estava mais seguro de si mesmo, e já não estava tão afetado por sua beleza. E pela primeira vez em sua vida, a nudez de Marlene a fez sentir, não supremamente poderosa, mas terrivelmente vulnerável. Enquanto Sirius saía da cama e se sentava, estremecendo-se de dor, ela pressionou o trapo contra sua garganta, cobrindo casualmente seus seios com seus braços.
— Eu gostaria de me lavar — ele decidiu — Tirar a imundície dos mercenários de meu corpo — sem preâmbulos, tirou a camisa e a lançou a um lado.
Marlene não podia respirar, tinha visto torsos nus de homens antes, mas nenhum se comparava com o dele. Por todos os Santos! Estava tão bem formado. Seu peito era largo, e seu estômago, chato. Seus braços e ombros eram delineados por seus músculos. Uma delgada cicatriz branca atravessava seu estômago e mais abaixo... Seu coração tremeu imaginando o que havia por trás da calça dele. Não era luxúria, ela disse a si mesma. E por certo não era pânico. Ela ainda estava no controle. Mas de repente se cansou do jogo e quis vestir-se. Arrastando seu olhar para longe do corpo magnífico dele, ela agarrou sua anágua curta da lareira e rapidamente a pôs.
Sirius começou a afrouxar os laços de suas calças. Seus olhos se alargaram. Deus, Sirius planejava despir-se, aqui e agora. Com um involuntário estalo, ela agarrou sua capa e tentou não olhar. Mas maldição! Sua curiosidade não permitiu a ela resistir de espiar um pouco.
Ele era belo. Mas diferente dos homens de pele bronzeada de seu clã, sua pele era mais clara. Estava perfeitamente proporcionado, suas pernas longas e maciças, e seu quadril magro. Embora seu corpo fosse o de um guerreiro, partes dele não pareciam ameaçadoras, a não ser intrigantes. Ela encontrou sua boca aberta, e a fechou de repente. Um rápido olhar a seus olhos disse que ele sabia perfeitamente o que estava fazendo. De algum jeito o cavalheiro a tinha derrotado em seu próprio jogo. Agora era ela quem estava babando-se jogada a seus pés. Sentiu fúria. Com um grunhido de desgosto, atou-se os laços de seu vestido. Estava tão raivosa que rompeu um deles.
— Necessita ajuda? — ele perguntou casualmente.
— Não! — ela respondeu secamente, não queria que ele se aproximasse com esse corpo perigoso.
De maneira despreocupada, Sirius caminhou para ela, suas pernas flexionando-se e seu... Ela se mordeu o lábio. Digamos que Sirius não exibia essa parte de seu corpo, e sim a brandia. Agora não podia negar que sua respiração agitada se devia ao pânico. O que temia não podia dizê-lo, mas antes que ele pudesse se aproximar mais, ela agarrou o balde e se dirigiu para a porta. Sua voz soou estranha.
— Vou procurar... água limpa.
Sirius sorriu quando ela fechou a porta com força e saía com seus pés descalços e seu vestido somente meio atado. Quando ela se foi, ele se inclinou contra a fogueira e fez uma careta enquanto uma forte dor atacava sua coxa. Lhe havia custado toda sua disciplina e força de vontade caminhar para ela sem fazer caretas de dor, mas havia valido a pena pois tinha visto o choque em seus olhos.
A travessa moça tinha pensado que ela era a única que podia brincar com sedução. Ela não sabia com quem estava tratando. Sirius era um favorito entre as mulheres por sua habilidade na cama, por sua criatividade, paciência e devoção. Ele sabia como, quando e onde tocar a uma mulher e deixá-la desejando por mais. Marlene podia pensar que tinha aprendido muito com os moços dos estábulos e dos cavalheiros com os quais havia se deitado, mas Sirius sabia coisas a respeito das mulheres que a maioria dos homens desconheciam. Antes de que eles voltassem a Hogwarts, tinha intenção de ensinar a essa mulher escocesa os talentos que possuía.
[...]
Com a luz do amanhecer as respostas, que tanto pertubaram o Potter a noite, chegaram. James abriu seus olhos para ver que já não estava sozinho, Dorcas e sua estranha serva, Sung Li, olhavam-no fixamente. Sentou-se bruscamente. A expressão da morena era suave, considerou, e suas pequenas mãos estavam cruzadas ante ela em um gesto de paciência e espera. Quanto tempo fazia que elas tinham estado paradas ali, observando-o dormir, não sabia, mas o fato que tivessem vindo em um momento em que ele estava inconsciente era perturbador.
— O que acontece? — ele perguntou tirando palha de seu cabelo.
— Tsc, nunca produzirá filhos para Hogwarts deste modo — disse Dorcas em desdenho — Dormindo com os cavalos.
James estava atônito. Onde estava a tão adorável donzela? De fato a bela morena a sua frente parecia bastante aborrecida, o porquê, ele não sabia, mas de qualquer forma, onde ou com quem dormia não era da conta dela.
— Isto não é teu assunto.
— É um tolo — continuou a morena sem deixar-se acovardar — Um homem tolo.
A ira de James cresceu. Não importasse que fosse Dorcas falando, a adorada donzela do castelo, ele era o administrador de Hogwarts e logo seria o Lorde, tinha que haver respeito quanto a ele, respeito que a bela morena parecia ter esquecido.
— Cuida de sua língua moça, ou...
E para surpresa dele, se calou ao ver o pícaro sorriso delinear os lábios rosados dela.
— Isto é seu erro — continuou ela — É um guerreiro, sempre responde com ameaça — James desejou ensinar uma boa lição àquela donzela abusada e como prova de que era realmente irmã de Lily, ela continuou desafiando sua autoridade — Queres escutar ou não? — questionou Dorcas dando de ombros — É tua escolha, mas Sung Li tem a resposta que buscas.
James ficou de pé, impondo-se sobre a morena para que não esquecesse quem era superior ali. Ainda não conseguia associar aquela imagem à da doce e adorável Dorcas, a Dorcas paciente e amável, a mais mansa das três Donzelas do castelo.
— Que resposta? — questionou desviando seu olhar para a serva.
— Há um modo de possuir seu corpo — disse Sung Li brevemente.
James estava atônito pela percepção da velha. Possuía algum tipo de poder mágico, ou ele haveria falado enquanto dormia? Se arranhou a bochecha pensativamente então cruzou seus braços em desafio sabendo que possivelmente nada o ajudaria com Lily.
— E como é isso?
— Primeiro deve ir a seu coração — disse ela sabiamente.
James abriu seus olhos. Esse era o conselho?
— Estiveste escutando muitas canções de Peter — ele a desafiou.
— Há uma adivinhação muito velha nessa terra, possivelmente já a ouviste — continuou ela ignorando a irritação dele — A adivinhação é: o que é o que uma mulher deseja mais?
Adivinhações. Detestava as adivinhações. O que é o que uma mulher deseja mais?
— Deve depender da mulher.
— Não sabe a resposta? — insistiu Sung Li trocando um olhar com Dorcas.
— Flores, doces, joias — grunhiu James.
— Não! — rosnou Dorcas ofendida, voltando a ficar calada ao receber um olhar severo de Sung Li, a velha voltou sua atenção ao Potter e lhe piscou o olhar.
— Não, não é algo — ela olhou ao redor, para assegurar-se que os cavalos não estivessem escutando, então lhe confiou — Sua vontade, o que uma mulher deseja mais é sua vontade.
James estreitou seus olhos. Uma resposta tola. Muito simples. Muita vaga. E entretanto, refletindo, ele se deu conta que se, podia ser verdade. Ele tinha tratado de forçar a vontade de Lily. Com sedução. Com ameaças. Com armadilhas. Ele nunca tinha considerado submeter-se a sua vontade. Como guerreiro, ele tinha sido treinado para não render-se nunca. Mas Lily, também, acreditava na vitória a qualquer preço. E esse, portanto, era o ponto morto de ambos que travava tudo. Se James deixasse que Lily ganhasse, se a deixasse fazer sua vontade?
Caminhou no pequeno espaço do estábulo.
Não devia ser fácil. Estavam os temas de defesa e administração do castelo nos que ele não se atrevia a render, por sua experiência, ele era simplesmente superior a ela. Mas se ele concedia em outros temas, como tinha feito com os moços Weasley, se a escutasse e a incluísse em suas decisões, talvez seu coração se abrisse a ele. E uma vez que seu coração fosse receptivo, uma discreta sedução faria o resto, sempre e quando ela acreditasse que era sua vontade.
— Sung Li, acredita que a interpretei mal?
Quando ele se deu volta para a serva, ela tinha desaparecido no ar assim como Dorcas, tão rapidamente como uma sombra, sem fazer ruído. James se arranhou a cabeça, as mulheres escocesas seriam para sempre um enigma inescrutável.
Para o momento em que emergiu dos estábulos, tirando a palha de suas calças, sorria com seu novo propósito. Quando Lily aparecesse essa manhã, James tinha a intenção de endurecer-se, esquecendo sua natural luxúria e se acomodaria aos desejos de sua esposa. Se tinha êxito, para essa noite, compartilhariam algo muito mais doce que o companheirismo de dois guerreiros. Sabia exatamente onde ia dar o beijo nesse dia.
Lily não podia mover-se.
Não era que não o tentasse. Seu corpo de algum jeito se tornou rígido de noite, e ainda a calidez do amanhecer não podia esquentar suas articulações. James não tinha vindo a cama e não desconfiara que viesse, não depois de ter saído tão zangado do quarto.
Mas se ele pensava que evitaria a prática de hoje, estava muito equivocado. Lentamente, girou para o outro lado, mas quando ela tratou de elevar um braço, uma dor aguda tomou a zona do cotovelo ao ombro.
— Merda — ela conteve a respiração.
Enquanto massageava o braço tremente, colocou as suas pernas sobre a borda da cama. Deus! Doíam-lhe como se um carro lhe tivesse passado por cima e agora que estava sentada, cada músculo de seu corpo protestou. Fazia muito. Em sua ânsia por demonstrar quão forte era, tinha trabalhado muito no treinamento de ontem. Hoje sofreria por isso.
Gesticulando e amaldiçoando conseguiu levantar-se, tremendo ajustou o cinturão da espada ao redor de seu quadril. Meio rengueando se arrastou até a escada com suas pernas frouxas. Como esconderia esta desgraça de James? Não sabia. Cada passo era uma agonia.
Ela tratou de caminhar tão normalmente como foi possível até o campo de treinamento.
Ouviu James antes de vê-lo.
— É tarde, minha lady.
Estava na sombra, apoiado contra a parede do estábulo. Suas largas pernas estiradas casualmente e seus pés cruzados. James sorriu, mastigando uma palhinha. Ela se perguntou se ele tinha dormido nos estábulos. Enquanto caminhava rigidamente para ele, o moreno inclinou sua cabeça, estudando-a com esse sorriso insuportável. Ela franziu o cenho.
— Vem, vem! — ele provocou — Não te demore. Não deseja treinar hoje?
— Quero — a ruiva apertou os dentes — E eu não mud...
— Vi patos caminharem mais rápidos que você!
— Tenho frio — disse ela, aferrando-se a primeiro desculpa que encontrou — Leva-me tempo que os ossos me esquentem.
James cuspiu a palha e se endireitou, seus olhos nunca deixaram de olhá-la. Depois de um momento, cruzou seus braços sobre seu peito e estalou sua língua.
— Não tem frio — ele adivinhou — Está claro que levantou muitos baldes ontem.
— Não importa, ainda posso brigar — isso fez o sorriso dele se alargar.
— Suspeito que lhe poderiam faltar ambos os braços, moça, e ainda seria capaz de brigar.
— Ambos os braços e ambas as pernas.
A risada dele a assombrou, era de um tom rico, quente e tão dourado como a luz. Aparentemente, sua noite nos estábulos tinha acalmado seu ânimo.
— Se esta for sua vontade então assim o faremos — ele disse lhe aplaudindo o ombro amigavelmente e ela inspirou rapidamente entre dentes enquanto a dor tomava o braço.
— Correto.
Para seu assombro, ele estava sendo piedoso, considerando o tipo de vingança que poderia ter exercido pela noite anterior. Enquanto trabalhavam juntos no campo de treinamento, James passou mais tempo discutindo técnicas que as empregando, guiando-a a fazer estiramentos suaves antes que fazer exercícios de força. Ela estava agradecida por sua paciência e sua piedade, porque quando tentou empunhar a espada, quase não pôde levantá-la por cima sua cintura.
E enquanto ele ocasionalmente sorria ante a falta de força dela, não fora desagradável, ainda quando seus joelhos não conseguiam endireitar-se e seu escudo caía cada vez mais abaixo. Lily apoiou suas costas contra a cerca pela segunda vez quando finalmente James sugeriu.
— Terminemos aqui.
— Estou bem — por orgulho, ela começou a negar-se, contendo a respiração — Posso...
— Você está bem mas eu estou esgotado. Deixemos aqui para meu próprio bem.
Ela levantou desconfiada uma sobrancelha. Ele nem sequer respirava agitadamente. Entretanto, ela assentiu e aliviou suas costas contra o poste da cerca.
— Não está esgotado.
James sorriu, então se apoiou na cerca ao lado dela, descansando seus antebraços sobre o portão e olhando para a fortaleza. Lily observou seus braços musculosos, seus largos ombros e seu pescoço. Escassamente tinha suado.
— Alguma vez te cansa? — ela perguntou.
James sorriu, e Lily se surpreendeu outra vez pela calidez de sua risada.
— Conservo as forças, suponho que aprendi a escolher minhas batalhas com cuidado.
Enquanto ele olhava pensativamente à distância, Lily teve a impressão que ele falava de algo mais que só treinar. Para um comandante como James, escolher as batalhas era seu modo de vida. Talvez fosse por isso que ele tinha deixado passar por cima sua irritação para ela. Talvez tinha decidido que não era uma batalha que valia a pena brigar, que ela não estava à altura para ser seu oponente. Deveria sentir-se aliviada, depois de tudo, se ele deixasse ela brigar, se já não insistiria em consumar o matrimônio, seria uma união perfeita. Ou não? James poderia mandar o exército de Hogwarts por suas grandes habilidades, mas sempre e quando Lily soubesse que o não tentaria governá-la a ela.
Por que, então, sentiu uma dor em seu coração quando seus homens começaram a chegar ao campo de treinamento e James a despediu com outra casual aplaudida no ombro? Ela se sentiu ainda mais vazia quando, horas mais tarde, enquanto ia à cozinha a procurar um pedaço de torta, escutou a duas servas da cozinha fofocando.
— Me buscará hoje — uma delas alardeou — O lorde não foi a sua cama ontem à noite.
— Bem, tampouco foi à tua — a outra replicou.
— Não, mas nos encontramos na despensa duas noites atrás.
— E tiveram sexo na despensa ou ele estava ali para procurar um pedaço de queijo?
— É invejosa — disse a outra ofendida — Subiu-me as saias, quero que saiba.
— E ele te atravessou com sua lança? — houve uma pausa.
— Não, não exatamente — a primeira donzela riu com desdém — Mas o fará — a outra protestou — Estou segura! Depois de tudo, é um homem e não está conseguindo nada de sua esposa — ela baixou sua voz a um sussurro — Diz-se que ela nasceu sem os órgãos femininos.
— Vamos, Emmeline! Outros dizem que você nasceu sem cérebro!
Lily se afastou então, mas as palavras das mulheres permaneceram em sua mente enquanto se deslizava para a despensa. Não era que ela estivesse ferida pelas intrigas de Emmeline. Imunizou-se a si mesmo a semelhantes insultos muito tempo atrás. Mas a base da conversação fez que a ruiva refletisse enquanto estudava as prateleiras da despensa.
O fato que James fosse adultero, não lhe tinha ocorrido antes.
Tomou uma fôrma de queijo e o cheirou, então o pôs de volta na prateleira. Emmeline tinha razão. James era um homem. Tinha necessidades. E ele certamente não deixaria que sua relutante esposa fosse um obstáculo para satisfazer essas necessidades.
Escolheu outra fôrma de queijo e tirou sua pequena adaga.
James não seria o primeiro marido em ser adultero.
Cravou a adaga no queijo o suficientemente forte como para matá-lo, então cortou um generoso pedaço.
Lily não era inocente. Apesar da censura da Igreja, ela sabia que os homens se sentiam livre de deitar-se com quem quisessem, ainda com as esposas de outros homens, sempre e quando não fossem apanhados.
Pôs o queijo de volta na prateleira e começou a estender sua porção sobre uma bolacha. Então franziu o cenho olhando em um escuro rincão da despensa. Era ali onde Emmeline se levantou as saias? Esse era o lugar onde James tinha sido tentado a romper os votos de seu matrimônio? Com um insulto, guardou sua faca na vagem. Então se meteu a bolacha inteira com o queijo na boca, mordendo sua vingança, e saiu da despensa, não querendo permanecer outro momento no lugar da traição de James.
Quando emergiu no grande salão, sua boca cheia de comida, quase se chocou com um James suarento, poeirento, e sem respiração, obviamente vinha do campo de treinamento. Deus a ajudasse! Quando lhe fez um piscar de olho, ainda sabendo que ele tinha estado a bordo de lhe ser infiel não podia evitar que seu coração se agitasse.
— Estava te buscando — ele disse, então, incapaz de passar por cima das bochechas avultadas dela, adicionou — Faminta?
Ela não se atreveu a dar uma resposta. Teria cuspido a bolacha por todos lados. Irritada, olhou-o com dureza e continuou mastigando, esperando poder tragar sem afogar-se.
— Preciso discutir certas melhoras às defesas de Hogwarts com você — anunciou o Potter e ela o olhou completamente duvidosa — Estava considerando construir um fosso.
— Um fosso? — ela murmurou com a bolacha na boca. Certamente ele brincava.
Subitamente ele apanhou sua mão.
— Vêm — disse lhe dando pouca eleição enquanto a arrastava atrás dele como se ela fosse uma menina. Poderia haver resistido, mas uma faísca de espírito infantil brilhava nos olhos dele. Seu entusiasmo era contagioso, e logo o afeto amistoso dele a fez esquecer tudo a respeito de Emmeline e a despensa.
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