Donzela Guerreira
18 “Luzia tão bonito quanto o Diabo”
Notas iniciais
Capítulo 18

“Luzia tão bonito quanto o Diabo”
Com Lily seguindo-o, James saiu através do portão da fortaleza e continuou pelo jardim, passou pela capela e pelos pomares, e logo saíram pelo portão de entrada da fortaleza. Em sua ansiedade, ele se tinha esquecido dos músculos doloridos dela, e Lily, resmungava a cada passo tratando de manter o ritmo de caminhada dele.
Várias jardas para fora dos portões, James se deteve, e girou para olhar o castelo.
— A fresta seria construída aqui — ele disse, soltando a mão dela para desenhar um quadrado imaginário — Com uma ponte levadiça no meio.
Ela franziu o cenho, imaginando-o, imaginando as motivações dele. Somando um fosso a um castelo pré-existente era uma estranha façanha. Seria difícil, se não impossível.
— Requereria muita escavação — disse ela.
— Sim.
— Deveria ser bastante largo para impedir os ataques.
— Sim, largo e fundo — mas Lily sacudiu a cabeça negativamente.
— Cavar tão profundamente perto da muralha poderia debilitar os alicerces.
James assentiu pensativamente.
— O construtor me diz que teríamos que reforçar a muralha externa.
Ela levantou suas sobrancelhas. A muralha externa de Hogwarts se estendia por uma considerável distancia ao redor a fortaleza.
— Seria uma tarefa monumental — James sacudiu a cabeça e ela franziu o cenho — Ainda se fosse possível, deve ser muito caro.
— Não importa — a voz dele soava com fervente orgulho — Não há monte de ouro que seja muito grande quando se trata de proteger nossa terra.
O olhar dela foi agudo. O genuíno brilho em seus olhos lhe disse que seu sentido de obrigação estava ali. James verdadeiramente tinha intenção de fazer tudo o que estivesse em seu poder para proteger a fortaleza. Tinha chegado a Hogwarts como um usurpador, mas já estava fascinado pela fortaleza. Mas, um fosso parecia excessivo.
— Nunca antes necessitamos esse tipo de defesa.
— Por isso mesmo, não estou realmente convencido de que necessitemos isso agora.
— Falaste com meu pai sobre isto?
— Não, pensei em perguntar a você primeiro, quero um conselho.
— Meu conselho? — ela perguntou desconfiada, procurando o brilho pícaro nos olhos dele ou o sorriso torcido em seus lábios, confirmando que era uma brincadeira, mas não o achou.
— Se você pensar que a ideia pode funcionar — ele disse gentilmente — Não precisaremos preocupar a seu pai para nada.
Ela encontrou seu olhar solene, e assentiu com uma sacudida de cabeça de gratidão. Era muito diplomático que ele não mencionasse a enfermidade de seu pai. Mas enquanto ele esperava a resposta dela, Lily se sentiu incomodamente calorosa sob o olhar fixo de James, e por seu súbito interesse em sua opinião.
— Muito bem, penso que não é uma boa ideia.
Os olhos dele se fecharam levemente com desprazer.
— Por que?
— A escavação em si mesmo deixaria ao castelo vulnerável.
— Só por um curto tempo.
— O suficientemente largo para receber um ataque inimigo.
— É Verdade — lentamente ele começou a assentir com a cabeça — Pode ser que tenha razão, não vale a pena o risco.
Ela pestanejou. A concessão dele suavizava seu coração e a deixava sem fala. Ela só podia olhá-lo assombrada. Havia honestidade em seus olhos agora. Esses olhos, ela notou novamente, brilhavam como um lago no verão.
Então recordou de Emmeline e rapidamente desviou o foco, olhando às torres distantes, endurecendo seu coração contra James.
— Poderia haver outros modos de reforçar a muralha — ela disse.
— Existem — lhe disse, com seus olhos acesos — Tenho uma ideia diferente. Deixa-me te mostrar — e antes que ela pudesse recusar, a arrastou outra vez através dos portões e através do jardim, espantando a uns frangos a seu passo.
Não, não podia estar zangada com ele, não quando caminhavam tirados da mão, compartilhavam planos de construir uma nova muralha interna, uma ideia que o entusiasmava como a um menino com espada nova. Apesar da natureza usualmente cética de Lily e sua resistência à mudança, não podia evitar ser arrastada pelo exuberante entusiasmo dele.
— Seria uma muralha concêntrica à fortaleza — James a explicou, aplaudindo a pedra da torre sul — Formando uma barreira adicional entre a muralha externa e as paredes da fortaleza em si mesmos. Mas o portão interno seria uma desvantagem.
Ela se deu conta do que ele queria significar.
— Com os portões sem alinhar, um exército teria dificuldade em penetrar ambos.
— Precisamente.
Lily sorriu, estava casada com um homem engenhoso sem dúvidas.
— Parece-me brilhante.
James sorriu e impulsivamente levantou a mão dela e lhe beijou os nódulos. Para consternação de Lily, um rubor de prazer apareceu em suas bochechas.
— Naturalmente — ele disse, muito preocupado para notar o rubor — Poderíamos pôr arqueiros em ambas as muralhas em caso de ataque e as torres adicionais poderiam ser usadas como depósito de provisões em caso de ser sitiados. O melhor de tudo, o castelo permaneceria seguro durante a construção.
Lily deixou que seu olhar vagasse pelo lado da torre. Ela estava completamente impressionada. James claramente estava interessado na defesa de Hogwarts, afinal.
Seu plano era engenhoso.
Havia um só problema.
— Escuta — ela disse, gentilmente tirando sua mão das dele — Há algo que deve saber. Os cofres de Hogwarts são... — ela disse entre dentes — são modestos, temo-me que meu pai ama muito apostar e debilitou grandemente nossa fortuna — Lily encontrou seus olhos com severidade — Entende, não vou proibir lhe jogar, é um dos poucos prazeres que restam, mas suas perdas nos deixaram com pouco dinheiro.
— Não precisa preocupar-se — ele disse com um sorriso — Não vim esvaziar os cofres.
— Possivelmente não, mas duvido que tenha trazido dinheiro para semelhante empresa.
— Verdade — um brilho diabólico se instalou nas orbes castanhas esverdeadas enquanto olhava pensativamente o jardim — É por isso que precisamos organizar um torneio logo.
O coração de Lily se sobressaltou. Certamente tinha ouvido mal.
— O que? — ela pestanejou — O que disse?
— Um torneio, o que pensa?
— Um torneio? Fala a sério? — Hogwarts não organizava um torneio verdadeiro em... doze anos. Uma vez que os competidores souberam que Lily e Marlene tinham sido permitidas tomar parte, menos e menos deles aceitaram os convites por medo de perder para uma mulher.
— Talvez na primavera.
— Fala a sério?!
— É obvio — ele disse, sorrindo — Os homens virão pela honra de combater contra os cavalheiros da Ordem. Poderíamos ganhar bastante dinheiro.
Era possível? Poderia James organizar torneios de novo em Hogwarts? O pulso de Lily corria loucamente agora ante essa possibilidade. Mas ela não se atrevia a permitir que uma tola esperança a fizesse ficar como uma tola. Por anos, as Donzelas Guerreiras tinha tratado de reinstalar os torneios em Hogwarts e tinham falhado. Fez que sua voz fosse indiferente.
— Bem, tudo muito interessante, mas o que passaria se perdessem o torneio?
— Os Cavalheiros da Ordemm nunca perdem — disse James com um sorriso maroto.
Com audácia, ele se despediu em uma reverência deixando-a pasmada.
[...]
Depois de um banho rápido, Sirius colocou sua camisa novamente, adicionou lenha ao fogo, e se meteu na cama. Tirou a atadura de sua perna e tal como temia, a carne ao redor da costura estava vermelha e torcida. Amaldiçoou entre dentes, havia pouco que ele pudesse fazer. Teria que cortar os pontos, abrir a ferida e deixar drenar a infecção, ou pior, cauterizar a ferida. Qualquer das duas opções era horrível, mas quanto mais esperasse, pior seria.
Usando a afiada faca de A Sombra, ele inspirou profundamente e cortou o primeiro ponto. Justo quando o cortava Marlene entrou pela porta, com um mão cheia de ervas e um coelho pendurando de seu ombro.
— O que está fazendo? — ela perguntou, deixando as coisas sobre a arca.
— A ferida está infectada.
— Não! Para!
Agora que tinha começado, Sirius não estava disposto a deter-se, embora quem pedisse fosse a mulher que o tinha costurado a ferida. Cortou outro. Mas Marlene não aceitaria isso. Partiu para ele e lhe arrancou a faca de sua mão.
— Ei!
— Não te atreva a arruinar meu trabalho — ela procurou a bolsa com vinho que tinha roubado dos ingleses — Há uma maneira melhor de fazê-lo.
— Sim? — Sirius curvou uma sobrancelha ante o vinho — E o que é isso? Pensa em me embebedar para que não sinta a dor?
— Quase — disse a loira desentupindo a bolsa, vacilando, como se pensasse melhor — Talvez seja melhor que lhe de algo para morder.
— Morder?
— Ardera-te como o demônio — ele franziu o cenho. Seria sábio confiar nas curas de uma mulher escocesa? Pelo que sabia, os escoceses usavam rãs e corvos para suas curas — Não se preocupe, tenho-o feito antes — Marlene abaixou o decote e mostrou-lhe uma cicatriz perto do ombro — A cicatriz é asquerosa, mas o vinho matou a infecção e me salvou de perder o braço.
Sirius não a achava asquerosa em nada. Portanto, teve que resistir ao impulso de colocar um beijo na cicatriz. Bem, se ela tinha tolerado a dor com bons resultados, então ele poderia.
— Muito bem, faça-o.
— Não quer morder o cinturão? — ele sacudiu a cabeça e ela respirou fundo — Te deite.
Quando o líquido caiu sobre sua ferida, ardendo como fogo, dobrando-o em dois, Sirius quase desejou ter aceito o cinturão. Um gemido lhe escapou dos lábios, seguido pelas palavras mais grosseiras que conhecia.
— Perdão — ela murmurou.
— Maldição, está tratando de me matar?
— Estou tratando de te salvar.
O vinho era como um ácido, lhe comendo a carne, e Sirius lutou por respirar através da dor. Marlene fechou a bolsa de vinho novamente.
— Na próxima vez te darei o cinturão.
— Próxima vez?
— Deve fazer-se cada três horas.
— Maldição!
— Quer que se cure ou não?
— Penso que está desfrutando disto — disse Sirius com um olhar de desprezo.
— Pensas mal.
Ele supunha que era injusto acusa-la de lhe infligir dor intencionalmente. Depois de tudo, ela o cuidava o melhor que podia. Mas era difícil pensar de maneira justa, quando se estava morrendo de dor enquanto ela se levantava parcimoniosamente para ocupar-se do coelho. Marlene se perguntou como Sirius pôde ter tolerado semelhante agonia.
Enquanto ele esperava que o ardor diminuísse, a loira cortou o coelho. O Black quase a tinha perdoado quando ela perguntou por cima de seu ombro.
— Há algo mais que necessite?
Sirius levantou suas sobrancelhas. Ela estava sentindo culpa pela dor que lhe tinha causado? Queria reparar o dano? Ele sorriu. Doutor e paciente. Era um jogo com o que estava muito familiarizado. A maioria das mulheres gostavam de brincar de doutora.
— Quando eu era um moço — ele contou brandamente — Minha mãe sempre me beijava as feridas, ela me dizia que isso fazia que a dor desaparecesse e que as curava mais rápido.
Claro que aquilo era uma grande mentira, Sirius não gostava de lembrar de sua infância, tão pouco de sua família e muito menos de sua mãe. Se algum dia ela se ocupara de beijar feridas com certeza seria apenas de seu irmão mais novo, nunca as dele.
Marlene se voltou, seu rosto era uma máscara de perplexidade.
— Referia-me se precisava algo mais para o jantar, encontrei cebolas selvagens e romeiro.
O sorriso de Sirius desvaneceu. Era em comida em tudo o que ela podia pensar? Ele supôs que teria que criar um prato engenhoso com o coelho. Um, ele pensou astutamente, que incluísse o resto do maldito vinho.
— Não — respondeu — Mas me viria bem o beijo curador de uma mulher, um beijo suave, terno e doce sobre minha carne.
— Não vou beijar sua ferida — ela levantou uma sobrancelha, mas ele notou um sorriso aparecendo em seus lábios — Não importa quão pateticamente me rogue isso.
— É o mínimo que deveria fazer, minha lady, considerando a dor que me infligiu.
— Hm.
— Portanto — ele disse, cruzando seus braços sobre seu peito — Penso que devo obter um beijo cada vez que me põe esse líquido do demônio na ferida.
— És um atrevido! — Marlene estalou sua língua.
— E agora me insulta — fingiu ofender-se — Não há limite para seu abuso, minha lady?
— Pelo menos não te estou fazendo comer o que eu cozinho — ela deu de ombros.
Sirius sorriu. Marlene tinha feito uma brincadeira e ele tinha acreditado que ela era muito séria. Com a ajuda da loira o moreno conseguiu chegar até a lareira e cozinhar enquanto ela se sentava no banco de três pés. Sirius pôs o coelho na água e adicionou as cebolas selvagens e uma dose generosa de romeiro. Enquanto ela não estava olhando, derrubou uma pequena medida de vinho. Logo o saboroso guisado borbulhava sobre o fogo.
Marlene comeu com prazer, embora não emitisse nenhuma palavra de elogio, e compartilharam as últimas cerejas como sobremesa. Mas com apenas um pedaço de queijo restante, ela teria que encontrar algo para a comida da noite. O Black se ofereceu para ajudá-la, mas ela insistiu que ele ficasse em cama , ameaçando atá-lo se saísse do lugar.
Ela conseguiu apanhar um par de perdizes e trouxe uma panela cheia de amoras pretas. Em seguida procedeu com sua tortuosa cura na sua ferida.
Cada nova vez era igual e mais dolorosa que a primeira vez, e os insultos de Sirius eram iguais e veementes. Depois de uma comida de perdiz assada com molho de amoras e uma salada de ervas, lhe deu o último tratamento da noite. Mas desta vez ela fez algo que o fez esquecer a dor. Ela se inclinou para frente e muito suavemente depositou um beijo sobre sua coxa.
Sirius a olhou perplexo, mas sua testa se enrugou, como se lhe perguntasse por que o tinha feito. Ele fechou seus olhos e tomou sua mão.
— Já me sinto melhor.
Depois de tudo estava cansado, sua perna latejava e não fora difícil para ele dormir segurando a mão de Marlene enquanto ela velava seu sono. Mesmo dormindo cedo demais para o cotidiano, teria dormido agradavelmente daquela forma até de manhã, se ao cair da noite não tivesse ouvido o som de uma donzela em problemas.
Marlene se estremeceu violentamente na escuridão. Parecia que o inverno tinha escolhido visitá-los em pleno verão. Sua mandíbula lhe doía de tanto apertar os dentes nas últimas horas, e ela soprou suas mãos, tratando de esquentar seus dedos adormecidos. Ela tinha dado a Sirius as duas mantas. Parecia-lhe o correto, considerando quanta dor o tinha feito sofrer. Além disso, ele necessitava uma noite de descanso para curar-se. Mas agora estava pagando por sua bondade.
Não ficara quase nada do fogo, só umas poucas brasas. Ela tinha cometido o engano de usar toda a provisão de lenha. Agora fazia tanto frio que, tinha começado a considerar queimar os móveis. Ela se encolheu e suspirou sonoramente.
— Por Deus! Moça — veio um grito da cama — Por que não disse nada? — ouviu-o mover a manta, mas ela estava muito rígida para mover-se ou falar — Por todos o Santos! Isto está mais frio que o seio de uma freira... Faz um frio de congelar, vem aqui, minha lady.
— Estou bem — ela conseguiu murmurar entre dentes. Não conseguia entender como poderia estar tanto frio, malmente caíra a noite, o céu ganhava os tons mais escuros enquanto a lua iluminava a cabana pelas frestas.
— Tolices, posso ouvir seus ossos tremer daqui.
— Não é nada.
— Vem, lady. Compartilharei a cama, manteremo-nos aquecidos.
— Oh sim, claro que você gostaria disso... sátiro! — Por Deus! Ainda meio adormecida, a única coisa que a donzela podia pensar era que o cavalheiro desejava deitar-se com ela. Sirius ficou em silêncio por um momento, quando ele falou novamente, sua voz era solene.
— Sou um cavalheiro, minha lady, um homem de honra. Dormirei ao teu lado e te manterei quente, isso é tudo — sua oferta era tentadora depois de tudo, pensou Marlene — Vem diabinha, quem me resgatará se morrer congelada? — ela se perguntou se realmente não morreria congelada. Não podia recordar ter sentido tanto frio, mesmo quando se banhava na lagoa no inverno — Juro-te por minha espada, serei um cavalheiro.
Com grande dificuldade, ela conseguiu aproximar-se da cama. Ele levantou a manta para fazer lugar para ela. Ela se meteu, cuidando-se de não tocá-lo. Mas seu esforço foi para nada. Em um instante, ele lançou um braço possessivo ao redor dela e a pôs contra seu peito, envolvendo-a em uma deliciosa calidez.
— É obvio — murmurou Sirius contra o cabelo dela — Se quiser te manterei quente de outra maneira — Marlene tentou acotovelá-lo, mas seu braço se manteve firme — Shh, pequena diabinha, está segura comigo.
Lene se sentia segura. Deveria sentir-se presa em seu abraço, mas havia uma comodidade tranquilizadora em seu abraço, uma curiosa contenção, como se estivesse protegida e querida.
[...]
O resto do dia, apesar de suas intenções de analisar as coisas com um olhar cínico, os planos para um torneio giraram em seus pensamentos. Visões de insígnias coloridas e lojas com homens de terras longínquas, misteriosos cavalheiros errantes com estranhas figuras estampadas em seus escudos, e magníficos cavalos de guerras povoaram sua mente. Quase podia ouvir os golpes das lanças e das espadas, quase podia cheirar as comidas exóticas, os perfumes das mulheres e o suor dos cavalos.
Se James podia obtê-lo, se ele pudesse restabelecer os torneios duas vezes ano em Hogwarts, Lily faria algo mais que simplesmente respeitá-lo. Quase poderia chegar a sentir uma genuína avaliação por seu marido, o suficiente para perdoá-lo pelo acontecido com Emmeline na despensa. Quase.
Por que Diggory lhe dedicou uns versos em sua honra depois da janta, Lily não sabia. Mas quando o recitado finalmente terminou, esteve surpresa de ver que James faltava do salão.
Um inesperado ponto de perda oprimiu seu coração, porque ela acabava de passar um jantar agradável com ele, discutindo alguns de seus temas favoritos: castelos, defesas e futuros torneios, arqueiros da Irlanda e o aço da Espanha. James tinha sido galante e diplomático quando seu pai momentaneamente se esqueceu dela, lhe falando com paciência até que ela recordou quem era James. Tinha gabado aos cavalheiros de Hogwarts por seus progressos no campo de prática. Até tinha falado em chinês com o Sung Li. Por um tempo, enquanto Lily e James estavam sentados juntos, joelho com joelho, falando despreocupadamente, foi quase possível imaginar-se chegar velha ao lado dele.
Mas agora ele a tinha abandonado, maus presságios se meteram em seus pensamentos, e suas defesas se elevaram para proteger-se. Sem dúvidas tinha um encontro com Emmeline na despensa. Provavelmente tinha convencido a Diggory para que recitasse e cantasse em sua honra para mantê-la ocupada enquanto ele se deitava com a moça sob seus próprios narizes.
Não se tinha tomado a moléstia de solicitar um beijo dela hoje. Ela supunha que se esqueceu. Mas ela não tinha intenção de não fazer a prática ao dia seguinte. Se ia à cama e ficava dormida quando ele vivesse a cobrar sua parte.
Bem... ela não podia ser culpada...
Então, agradecendo a Diggory pelo maldito ato Lily se encaminhou ao piso de acima.
A princípio, quando a ruiva abriu a porta e olhou dentro, pensou que tinha entrado na habitação equivocada. Franziu o cenho com preocupação, sua mão instintivamente foi para sua espada, a qual infelizmente não levava ali.
O recinto brilhava com a luz das velas. Vela no parapeito da janela, sobre a mesa, sobre os baús, e uma fragrância deliciosa. Um fogo chispava na chaminé e uma tina fumegava no meio do quarto. O aroma era floral Jasmim. Ou rosas. Não estava segura, nunca se tinha tomado a moléstia de pôr pétalas de flores no quarto.
Distraída com esse ambiente pouco familiar de sua habitação, quase não notou que James não tinha ido encontrar Emmeline depois de tudo. Estava parado no rincão mais longínquo do quarto. Luzia tão bonito como o Diabo.
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