Donzela Guerreira

4 O matrimônio “amaldiçoado”


Notas iniciais
Esse era o capítulo que decidiria se seria uma fic ou três e eu optei por lidar com o romance BlacKinnon e Jily ao mesmo tempo. Sarah McKerrigan dividiu e o romance da irmã menor das Donzelas Guerreiras seria o último, confesso que foi difícil para mim decidir acrescentar Meadowpin na fic. Porque no último livro eu shippava um casal e terminou outro. Enfim, fiquei tentada em mudar o final, mas não seria certo com a obra da Sarah. Comentários perfeitos e favoritos? Eu precisava postar esse capítulo, muito obrigada e dedico esse capítulo cheio de surpresas para: BiaMarinhoo, Wickie e ChicoFuba por favoritarem. Então, a partir de agora marcaremos o começo do nosso Jily e BlacKinnon, espero que gostem. Boa leitura! Ps¹: Blake Lively diva no gif como Marlene McKinnon.

Capítulo 4

O matrimônio “infernal”

James estava sonhando com mulheres belas, mulheres nuas banhando-se em uma lagoa, sorrindo e convidando-o a unir-se a elas. Ele lhes sorriu, tirou sua roupa, e se meteu na água morna. Uma das moças lhe acariciou o ombro, e ele deu volta para encontrar a uma deusa com olhos verdes e longos cabelos ruivos, suspirando e abrindo sua doce boca para ele.

O pesado golpe no ventre o dobrou pela metade, arrancando-o instantaneamente de um sonho luminoso para a escura meia-noite. Ele gemeu com dor e instintivamente tomou sua espada, sempre pronta ao lado dele. Levou um momento para se orientar, sabia que tinha estado dormindo em uma habitação de Hogwarts, mas com a luz quase apagada do fogo, não podia ver o que o travava e lhe tirava a respiração, não podia dar nenhum golpe nem tirar de cima o peso que o esmagava.

O forte aroma de vinho o fez franzir o cenho.

— Eu avisei James! — voz de Sirius emergiu do pé da cama enquanto lutava para conter a besta que se retorcia em cima do Potter — Não confiei nela no momento em que a vi.

Ela? James ouviu um afogado grito de fúria feminina enquanto Sirius finalmente tirou a intrusa de cima dele, levando a manta de pele junto com ela.

— Vamos ver que travessura tem nas mãos, moça malcriada — disse o Black entre dentes — Atiça o fogo James!

James cambaleou-se para a lareira, nu, e com a espada em sua mão removeu as brasas, que recobraram vida. O que viu teria sido cômica se as circunstâncias tivessem sido menos sérias. Sirius segurava fortemente ao que parecia ser uma grande besta feminina chutando e retorcendo, o mesmo afogou os gritos dela de fúria com a manta, mas não pôde diminuir o fogo de puro ódio emanando das orbes verdes.

— Sh, sh — desafiou o Black levando muito de sua força mantê-la contida — Foi uma moça travessa, verdade? O que é o que tem na mão?

Com a luz agora mais forte James viu Marlene, a filha do meio do lorde, bêbada como uma concubina. Como Sirius tinha suspeitado, sua súbita quietude no jantar depois do anúncio do matrimônio lhe tinha parecido estranhamente detestável, como a calma antes de uma violenta tempestade. Felizmente o Black esperava algum tipo de armadilha e havia insistido em compartilhar o quarto com James nessa noite.

— Vamos — Sirius lutou com a donzela, a pressão que aplicava a seu antebraço, fez-se mais forte — Não me importarei em quebrar seu braço.

Depois de um longo momento, ela se dobrou evidentemente com dor, gritou forte e algo caiu sonoramente ao piso. Sirius sussurrou um insulto quando viu a adaga brilhando com a luz do fogo. Jesus! A diaba tinha intenção de matar o Potter. Com essa ideia o humor de Sirius mudou completamente.

— Maldita diaba — rosnou o Black fitando da loira para a adaga — Tentas-te matar um homem do rei? — ele a sacudiu para castigá-la — Isso é traição! Por Cristo! Poderiam te pendurar por isso. Deveria ser pendurada por isso!

A força da loira diminuiu à medida que a possibilidade de ser executada lentamente lhe entrou na cabeça. James sabia, era obvio, que o grunhido de Sirius era muito pior que sua mordida. Executar à irmã de sua noiva, a filha de um velho lorde escocês, era um modo seguro de assegurar uma revolta na Escócia. Então apenas permaneceu quieto por um bom momento para fazer entender à mulher que não podia cometer um crime tão monstruoso e sair ilesa da situação. Seria melhor instigar o medo a Deus.

— Me ocuparei disto — disse Sirius dando um suspiro profundo.

Marlene gritou em protesto e lutou dentro dos braços de Sirius, mas ele a tinha segurava firmemente e não seria fácil livrar-se dele por um bom tempo. James apenas assentiu.

— Mas não esta noite, é melhor que a mantenha confinada até que meu matrimônio seja completado, depois poderá lutar com ela como quiser.

— Será um prazer para mim, e quanto a outra irmã? — James sabia que Sirius se referia a Lily, era óbvio que se uma irmã tinha planos para matá-lo, a outra possivelmente também os tivesse — Pode cuidar dela? — questionou enquanto tentava domar a donzela feroz — Não se parece em nada com a irmã, essa é louca — o Black estreitou os olhos para Marlene.

— Se Lily vier me matar, não me encontrará dormindo.

Sirius sorriu de canto desviando o olhar para Marlene.

— Agora pequena diabinha, o que vou fazer com você? Te trancar talvez, onde ninguém possa escutar seus gritos, te tirar essas maneiras de selvagem a força, me assegurar que não te ocorra nenhuma outra ideia genial como esta — ela se retorceu em seus braços e ele sorriu maliciosamente — Ah lady, se soubesse a revolução que está me causando nas partes baixas...

Isso a fez parar.

— Tranque-a em uma das celas debaixo da fortaleza — ordenou James, o Sir sabia que apenas das sinistras ameaças de Sirius, dirigiria à donzela rebelde com sabedoria e paciência, a vigiaria e ela estaria segura sob seu cuidado — Se alguém perguntar por ela no casamento, diremos que está sofrendo dos efeitos do excesso de vinho.

Mas ainda havia um detalhe preocupando James, algo que ele precisava clarificar antes de que Sirius levasse a lady. Marlene tinha intenção de matá-lo, sim, mas o Potter tinha visto bastante lealdade nas pessoas de Hogwarts para reconhecer as motivações dela.

Ela estava tratando de proteger Dorcas.

— Me escute bem — disse, dessa vez fitando a loira — Não precisa temer por sua irmã, sou um homem de honra, um cavalheiro que tem feito votos para proteger às mulheres, nunca machuquei uma mulher em minha vida, dou minha promessa formal de que nada de mal acontecerá a ela, nem me imporei a ela pela força.

Se Marlene acreditou ou não, ele não podia dizer, mas ao menos tinha dado sua palavra de honra. James se despediu com um leve aceno de cabeça, então Sirius levou a lady relutante, com manta e tudo, tirando-a da habitação, passou pelo salão, para logo descer as escadas.

O Potter olhou a brilhante fogueira, onde as brasas já se converteram em lenhos cinzentos. Mas ele sabia que não dormiria mais nessa noite. Amanhã estaria casado. Absolutamente, completamente e irrevogavelmente casado. E embora fosse com a donzela de sua escolha, não foi Dorcas quem ele se imaginou quando pensou em sua cama matrimonial.

Atirou a espada sobre as mantas, e o movimento lhe tirou a vendagem sobre seu peito. Sim, como a cicatriz que sempre marcaria seu corpo, Lily tinha gravado sua marca em sua alma.

[...]

Marlene estava bêbada, mais bêbada do que jamais tinha estado em toda sua vida. Por isso, não importava quanto lutasse contra o maldito bruto Normando que a arrastava pelas escadas do castelo, não podia soltar-se de seu aperto.

— Basta minha lady! — murmurou entre dentes o maldito normando, tropeçando-se com um degrau na escuridão — Maldição, matarás a nós dois.

Ela teria forcejado ainda mais forte, mas seu joelho direito de repente se afrouxou. Portanto, se o Normando não a tivesse agarrado contra seu peito largo, teria caído pelos degraus.

— Merda — ele murmurou, seus braços maciços apertando-se ao redor dela.

Seus olhos se deram volta quando um enjoo a invadiu. Se só seus músculos cooperassem, ela pensou, poderia soltar-se e empurrar a esse maldito bastardo pelas escadas. Mas estava realmente bêbada. Não tinha dado conta do quanto bêbada estava até que se encontrou no quarto do noivo de sua irmã, Sir Potter, com uma adaga em sua mão, preparada para matá-lo. Se não tivesse estado bêbada, se não tivesse tropeçado na escuridão em Sirius, caindo ao pé da cama como um maldito cão, ela poderia ter tido êxito.

O normando grunhiu enquanto a carregava até o último degrau e com um suspiro final, ele a depositou na soleira do grande salão. De dia era um alegre salão decorado com os estandartes de seus inimigos vencidos. Mas de noite as bandeiras balançavam no ar como almas penadas. Em um canto, um cão se moveu brevemente com essa perturbação, latiu uma vez, e logo baixou sua cabeça para pô-la entre suas patas outra vez. Mas os outros habitantes do grande salão, dúzias de serventes roncando, seguiram dormindo profundamente.

Marlene lutou de novo, esperando despertar a um deles. Eram seus serventes, depois de tudo. Qualquer um vendo a lady do castelo sendo sequestrada por um Normando daria o alarme. Mas era impossível fazer ruído com sua boca porque seu captor tinha amordaçado-a.

— Quieta, diabinha — rosnou Sirius — Ou terei que te enforcar como um presunto.

Certamente era uma ameaça vazia de sua parte, esse Normando não podia enforcá-la, não quando seu único crime tinha sido proteger a sua irmã. Além disso, ela não tinha matado James. Ela somente tinha tentado matá-lo. Mas sentia o amargo sabor da dúvida.

Essa duvida a fez mover-se inquietamente nos braços de Sirius.

— Quieta, Diabinha — dessa vez ele sussurrou no ouvido dela, enviando um desagradável estremecimento ao longo de sua espinha dorsal.

Ela franziu o cenho. Diabinha! Ele não sabia a metade do que significava essa palavra.

Logo se aproximavam das escadas do porão, Lene sentiu o normando tirar a mordaça da boca dela e antes que pudesse gritar ele instantaneamente dirigiu a adaga colocando-a sobre o belo pescoço.

— Não colocarei a mordaça, minha lady, mas se gritar me verei forçado a cortar sua garganta — Sirius não queria admitir que ver a moça amordaçada era incômodo.

Colocando Marlene diante dele, desceu os toscos degraus de pedra iluminado pela luz de uma vela. A seus pés, pequenas criaturas corriam em suas escapadas noturnas. Quase tinham alcançado o final das escadas quando a donzela afogou um gemido e repentinamente desmaiou em seus braços. Perdendo o equilíbrio pelo súbito peso contra seu peito, ele golpeou a parede de pedra com um ombro, enlaçou seu braço ao redor da cintura dela para que a loira não caísse e para prevenir um desagradável acidente, lançou sua faca longe, e esta rodou pelos degraus.

Em seguida ela caiu para frente arrastando-a com ela. Só por muita sorte Sirius foi capaz de impedir que ambos caíssem nos degraus de pedras. Ainda assim, enquanto ele lutava para subir os últimos degraus, a manta de pele se enganchou em seu pé fazendo-o escorregar. Ele perdeu o contato com a cintura da loira e fez outra tentativa de agarrá-la enquanto os joelhos dela cediam.

Sua mão tocou algo suave enquanto seu pé finalmente alcançou o alto das escadas. Sirius tinha acariciado suficientes seios para reconhecer essa suave delícia comprimida docemente contra sua palma. Mas ele não se atreveu a soltá-la por medo de que ela caísse ao chão, claro.

No instante seguinte, a loira despertou novamente, lançando um gemido de ultraje, e Sirius soube que se encontrava com problemas. Por sorte, como já tinha recebido uma grande cota de tapas por haver tocado mulheres anteriormente, ele estava preparado. Quando o braço dela veio, não com a palma aberta, mas sim em forma de um punho de fúria potente, ele a soltou e esquivou o golpe. O golpe dela foi tão forte que ela golpeou o ar vazio, e deu uma volta.

— Por Deus! — murmurou, se a donzela não estivesse bêbada, o golpe o teria derrubado.

— Você! Filho de uma puta — ela arrastou as palavras, mas pestanejou quando ele a agarrou os punhos — Tire suas mãos de mim. Chutarei seu maldito traseiro. Juro que o farei.

Suas mãos começaram a baixar-se, e seus olhos se obscureceram enquanto ela cambaleava à esquerda, e logo à direita, dando um passo atrás. Sirius se levantou e a agarrou justo antes que ela caísse no chão. Aninhada contra seu corpo, com toda a fúria desaparecida, ela não parecia tanto uma guerreira e sim a inocente Marlene que ele tinha espionado banhando-se na lagoa de Hogwarts, uma adorável sereia de pele levemente bronzeada e cabelo cor de sol, a mulher que nadava sedutoramente em seus sonhos.

Marlene suspirou em seu sono, e Sirius sorriu maliciosamente, não tinha devotado a ele nenhuma palavra de boas-vindas. De fato, ela provavelmente tivesse preferido lhe cortar a garganta. Ele se inclinou para deslizar um braço atrás dos joelhos dela e a levantou facilmente .

Um dos pequenos depósitos que parecia ter sido usado ocasionalmente. Apenas continha móveis quebrados e ferramentas, pilhas de trapos, e vários frascos vazios. Tinha um cadeado na parte de fora e um estreito espaço na parte de debaixo da porta para que entrasse o ar, por isso significava que provavelmente tinha sido empregado como uma espécie de calabouço.

De fato, não era o lugar ideal para deixar a uma moça por uma noite.

Sirius estendeu a manta de pele em cima de uma improvisada cama feita com os trapos. Ela podia ser uma assassina, mas também era uma mulher, uma bela mulher. Merecia ao menos um pouco de comodidade. Depois de que ele colocou a manta sobre seus ombros, não pôde resistir de lhe tirar uma mecha do cabelo dourado do rosto para depositar um breve beijo sobre sua testa.

— Durma bem, pequena diabinha.

Ele fechou e pôs o cadeado na porta atrás dele, em seguida se sentou contra ela, cruzando seus braços sobre seu peito e fechando seus olhos. Quem sabe poderia ter uma hora de sono antes da manhã. Se tudo fosse bem, pela tarde o matrimônio estaria selado, e os Cavalheiros da Ordem chegariam. Uma vez que James estivesse casado, seria seguro liberar Marlene.

Ele se maravilhou novamente com a curiosa Donzela. Era muito diferente de qualquer mulher que ele já tinha conhecido: temerária e arrogante, e ainda assim inegavelmente feminina. Sem dúvida as formas de seu corpo eram muito femininas. Seu membro se inchou com a lembrança dela nua na lagoa, seu traseiro arredondado enquanto se inundava debaixo da água, o suave bamboleio de seus seios fartos enquanto ela brincava com suas irmãs, suas bem delineadas coxas, sua estreita cintura, seus dentes brancos e seu cabelo solto banhado pela luz do sol.

Ele suspirou. Era inútil molhar suas calças por uma donzela que, nesse mesmo momento dormia bêbada do outro lado da porta. Ainda assim, ele não pôde parar de pensar nela. Marlene era única. Intrigante. Vibrante. Ele nunca tinha conhecido a uma mulher tão obcecada, tão fresca, tão selvagem como a Escócia. E tão imprevisível. De fato, por sorte que James tivesse escolhido à silenciosa e dócil Dorcas como futura esposa, e não Marlene. Essa moça teria sido um perigo.

No momento em que ela despertasse pela manhã e reconhecesse o que havia feito no estado de embriaguez, provavelmente se ruborizaria com vergonha e chorasse de arrependimento. E quando se desse conta da piedade, a paciência, a compaixão e a bondade que Sirius tinha tido para ela, sentiria-se mais disposta a aceitar seus avanços.

De fato, ele decidiu, com sua boca curvando-se em um sorriso feliz enquanto dormia, talvez então ela aceitasse suas carícias.

Marlene odiava Sirius Black. Com todo seu coração. Com cada fibra de seu ser. Se ela não se sentisse tão mal, teria manifestado esse ódio golpeando seu punho contra a porta e gritando a todo pulmão. Mas seu rancor tinha que ser silencioso pelo excesso de vinho que tinha deixado um sabor amargo em sua boca e uma aguda dor de cabeça.

Sentada deixou cair sua cabeça sobre seus joelhos dobrados e pressionou suas têmporas doloridas. Por que se tinha embebedado tanto na noite anterior? Se só tivesse tomado seu tempo, poderia ter sido capaz de pensar numa melhor maneira de prevenir o casamento de Dorcas.

Mas agora, enquanto Marlene adoecia, vencida, no maldito porão, sem dúvida a pobre Dorcas estaria tremendo de medo por ter que se casar com James Potter. Merda, pelo menos se pudesse sair dali. Tinha conseguido ver brevemente James Potter na noite anterior quando ele se levantou nu de sua cama. O homem tinha facilmente duas vezes o tamanho de Dorcas.

— Merda! — ela gritou, enquanto o insulto enviava uma dor aguda a sua cabeça.

Se pelo menos não tivesse tomado tanto vinho. Se não tivesse tropeçado com o intrometido Black. Se não tivesse falhado com sua adaga. Ela pressionou seus olhos fechados contra suas mãos. Sabia muito bem que poderia ter cometido um assassinato a sangue frio, bêbada ou não. Ela podia ser uma feroz guerreira, mas não era uma assassina.

Mas os normandos a tinha apanhado com a faca na mão e sede de sangue em seus olhos. Agora nunca poderia convencê-los de que ela era incapaz e inocente desse crime. Estremeceu-se enquanto recordava as palavras de Sirius. É traição. Deveria ser enforcada por isso.

Sua mão foi involuntariamente para sua garganta. Certamente era uma ameaça vazia. Ela não tinha confiado nesse homem desde o momento em que tinha-o visto no jantar, seus olhos azuis brilhando com malícia, seu cabelo preto, seus lábios sutilmente curvados diante de cada coisa divertida que ouvia. Ele era arrogante, como todos os normandos, atrevido e matreiro, o tipo de homem que se sentia merecedor de algo que desejasse. Já desfrutava da comida, do vinho e da comodidade de Hogwarts.

Que Deus a condenasse se permitisse que ele desfrutasse dela. A loira estreitou seus olhos olhando para a porta, como se pudesse perfurar um buraco nela e matar a ele do outro lado. É obvio, ele não estaria ali. A esta altura todos estariam se preparando para o casamento.

Ela viu o amplo espaço vazio na parte debaixo da porta, por onde uma luz débil se filtrava, provocando-a. Em seguida franziu o cenho, se pudesse deslizar seu braço através dessa abertura e de algum jeito tirar a tranca. Necessitaria de sua espada ou de um pau comprido, mas parecia possível. Animada por essa esperança, atirou-se ao chão para espiar por debaixo da porta, tentou colocar sua mão através da abertura. Embora ela empurrasse e lutasse, não conseguia passar mais do que até seu cotovelo.

— Merda! — tirou seu braço da abertura.

Tentando espiar pela abertura da porta, viu um pequeno objeto sobre o piso. Estava muito escuro para definir o que era ou se estava ao alcance de seu braço, mas se convenceu de fazer a tentativa. Usando seu braço direito desta vez e pressionando sua bochecha ao piso frio do porão, estirou-se o mais longe possível, apalpando o chão com os dedos, tratando de localizar o objeto. Com um gemido de dor e esforço, conseguiu estirar uns centímetros mais, e seu dedo do meio contatou algo frio e duro. Ofegante e triunfal, arrastou a coisa até que conseguiu trazê-la mais perto. E quando finalmente sua mão se fechou no objeto de contornos familiares, ela sorriu, esquecendo da dor de cabeça .

[...]

Lily olhou pela janela às nuvens cinzas do amanhecer, carregavam pesadamente chuvas do verão. É o clima perfeito, pensou ela, para um evento tão triste. Até os céus estão de luto neste dia. A ruiva se estremeceu apesar da pesada capa marrom que vestia sob ela sua túnica celeste. Era apenas um toque de vida para a noiva, embora este não fosse um evento precisamente feliz.

Além disso, ela não tinha intenção de tirar a capa para nada.

Observou as pessoas do castelo reunidas no jardim, algumas das meninas pulverizando pétalas nos degraus da pequena capela de pedra de Hogwarts. Já quase era hora. Ela respirou profundamente e murmurou uma oração para que suas irmãs perdoassem-na.

Ela só faria o que devia ser feito, recordou-se a si mesmo. Era melhor viver com a culpa de haver enganado do que com um arrependimento eterno por não ter intervido a tempo. Era para o bem de todos. Em uma hora, a cerimônia teria acabado, e ela teria sua vida inteira para pedir perdão por sua mentira. Só rezava para que pudesse completar o engano. Era muito mais alta que Dorcas, e seus ombros eram mais largos. Teria que encurvar-se para parecer mais pequena. Com sorte a grande capa a ajudaria a dissimular seu porte.

Ela duvidava que seu pai notaria a diferença. Por todos os Santos! A metade do tempo ele a chamava pelo nome da primeira esposa, sua mãe.

Era uma a bênção que o matrimônio se organizou com tanto apuro e que se levasse a cabo tão cedo. O caos das preparações do casamento seriam a desculpa perfeita para: a tardança da irmã de Dorcas, a falta de um vestido apropriado para a noiva, e o engano de James de notar que se estava casando com a irmã errada. Mas Lily tinha intenção de somar uma nota a mais de credibilidade a seu engano, Sung Li. Seria muito fácil assegurar a cooperação da mulher. Mas ela teria que apressar-se. Sem dúvidas a serva dentro em pouco tempo estaria percorrendo a fortaleza como uma galinha indignada, demandando saber o que tinha passado com seu pintinho.

Quando a ruiva abriu a porta da habitação de Dorcas, esperou encontrar a uma Sung Li em pânico. Mas a velha estava parada com calma ao lado da cama, como se tivesse esperando-a.

— O que fez com Dorcas?

— Esta segura — Lily fechou a porta e então avançou com determinação para a serva até que se inclinou sobre ela ameaçando — E permanecerá segura se fizer exatamente o que te digo.

Sem atemorizar-se Sung Li cruzou seus braços e estalou sua língua.

— Se ficarmos falando, chegará tarde ao casamento — desdenhou a mulher e Lily estalou ante a rabugice da velha.

— Escuta, vou casar com o normando, e você virá comigo, vais fazer acreditar a todos que sou Dorcas e se você dizer isso a uma outra pessoa arranco-te a cabeça.

A velha balançou sua cabeça negativamente e a olhou de acima a abaixo, Lily teria jurado que havia diversão em seus olhos.

— Não poderia — desdenhou novamente, a ruiva arqueou as sobrancelhas — Rápido, a verdadeira Dorcas nunca chegaria tarde — Lily encarou a velha com uma compreensão crescente, era obvio, a mulher era inteligente e tinha intenção de ajudá-la, não queria que Dorcas sofresse esse indesejável matrimônio — E ela vai comigo a todos lados.

Lily assentiu com uma aceno de cabeça e então respirou profundamente, caminhou para a porta, encurvando-se fazendo-se mais pequena. Com o tempo, sua família a perdoaria, sabia. E finalmente aceitaria que a ruiva tinha atuado assim para o bem de todos.

Mas James? Não tinha nem ideia de como reagiria ele. Sua ira podia estalar contra ela. Ou possivelmente se encolhesse de ombros e o considerasse algo inconsequente. Também poderia castigá-la com uma vida miserável. Ou podia tratá-la com indiferença. Esse não saber quais seriam as consequências de seus atos fez que o coração de Lily cambaleasse enquanto se fechava o capuz e tratava de tampar a cara. Preparou-se para encontrar a seu futuro esposo.

O céu retumbou com trovões como se para anunciar sua chegada e o tom de seu humor, e uma corrente de água subitamente desceu dos céus, molhando-a com grosas gotas de chuva. Lily se permitiu um secreto sorriso de aprovação. A tormenta era bem-vinda. Se os pressentes as bodas deviam esforçar a vista para poder ver em meio dessa cortina de chuva, seu engano seria ainda mais fácil. Ninguém questionaria por que a noiva escondia sua cara dentro do capuz de sua capa molhada.

— Passos curtos — Sung Li lhe alertou.

Lily espiou através das dobras do tecido de lã forçou-se a caminhar até a capela em cem passos em vez de cinquenta. James já tinha chegado. Ele e Sirius estavam parados justo debaixo do degrau mais alto das escadas do pequeno santuário, falando com o sacerdote. O Potter não se tomou a moléstia de trocar-se de roupa. Talvez, ela pensou com desagrado, ele era cavalheiro errante e pobre que não possuía outros objetos. De fato, ele não parecia ter trazido pertences pessoais com ele. Não era surpreendente, então, que ele estivesse apurado por casar-se. Ele estava, sem duvida, interessado no dote.

Ela podia ver que suas pernas eram grossas e musculosas. Cambaleou, imaginando essas pernas fortes ao redor dela essa noite demandando sua rendição. Apertando sua mandíbula com uma determinação de fazer, continuou a marcha, forçando-se a imitar os passos de Dorcas.

À medida que se aproximava, a cabeça de James foi primeira em fitá-la, quase como se ele houvesse sentido sua aproximação. Ela se meteu dentro do capuz como uma tartaruga, espiando-o através de uma estreita brecha. Por Jesus Cristo! A visão da cara masculina lhe cortou a respiração. Tudo desse homem exalava segurança. Estava parado com uma postura assombrosa, sua cabeça estava descoberta, como se fosse imune à chuva, que tinha molhado seus cabelos escuros, o que o fazia parecer mas selvagem.

Uma por uma, as pessoas de Hogwarts a fitaram, sorrindo para animá-la e piscando para poder ver apesar da chuva, ainda que, sem dúvida, eles desejavam que todo esse assunto terminasse logo. Seu pai estava parado ao lado de James, com a dote na bolsa, as moedas de prata que Dorcas havia contado na noite anterior. Sua cara era uma máscara vazia de contentamento, e olhava ao céu como se perguntasse de onde caíam todas essas gotas.

Houve um momento espantoso quando Lily temeu que sua armadilha fosse descoberta, quando James aguçou seu olhar, e pareceu como se o olhar dele estivesse queimando a capa e revelasse seu coração enganoso. Mas ela baixou sua cabeça, como o tivesse feito qualquer noiva tímida. Sung Li a auxiliou, aplaudindo sua mão para lhe assegurar que tudo estava bem, e o momento passou. Quando finalmente James estendeu sua mão para ajudá-la a subir os degraus, não havia dúvida da gentileza no sorriso em seus lábios.

Os costumes ditavam que a primeira parte dos votos matrimoniais deviam ser pronunciados para fora da capela.

O mau tempo assegurava uma breve cerimônia, o qual era genial para o Lily. Quanto mais rápido se acabasse o engano, melhor. Quieta, ela mal ouviu as palavras do sacerdote, seu sangue corria tão veloz que podia ouvi-lo em seus ouvidos. Estava atenta para estar com os joelhos dobrados para não parecer muito alta, e falou com um sussurro humilde. Quando o sacerdote pediu sua mão, lhe ofereceu a ponta de seus dedos e manteve a cabeça inclinada para baixo como era o hábito de Dorcas.

Felizmente, não tinha havido tempo para que James mandasse fazer um anel apropriado para umas bodas, então deslizou seu próprio anel de selo no dedo dela, é obvio que lhe dançava ao redor do nódulo. E então todos se meteram dentro da capela, parados ombro com ombro para presenciar a santificação do matrimônio. Oração atrás de oração foram proclamadas enquanto Lily e James estavam ajoelhados ante o altar, e com cada prece ela se sentiu mais e mais culpada.

O engano em si mesma a deixava bastante incômoda, e ainda por cima tinha que dizer e jurar falsidades na casa de Deus. Quando se aproximava o final Lily pensou que nunca tivesse assistido a uma missa tão breve. A cerimônia estava por terminar. O pai benzeu sua união, brindou-lhes um sorriso jovial, e os insistiu a compartilhar um beijo de amor.

Lily conteve sua respiração. Era como se nunca tivesse sido beijada. Mas a maioria dos homens o suficientemente incautos para atrever-se a tanta luxúria ganharam um olho arroxeado.

Por Deus! Nunca tinha desejado tanto ter sua espada. Que gratificante seria se ela pudesse abrir a capa e tirar dali sua espada enquanto seu marido retrocedia em choque. Mas ela sabiamente se conteve. Sabia que este momento chegaria, e sabia que devia enfrentá-lo com valentia. Endireitando-se até recuperar sua altura completa, ela se deu volta e enfrentou James.

Ele levantou ambas as mãos para o capuz e lentamente lhe baixou o tecido úmido. À medida que seu rosto era revelado, todos contiveram a respiração atônitos, incluindo o sacerdote.

Mas enquanto murmuravam suas especulações, para o horror de Lily, as feições de James curiosamente não demonstraram nenhuma gota de surpresa. Em troca, uma parte de sua boca se curvou em um sorriso de superioridade. Um sorriso que ela estava começando a detestar, enquanto ele pousava seu dedo debaixo do queixo dela, levantando-o para beijá-la.

Seu primeiro instinto absurdo foi procurar uma via de escapamento. Um golpe forte ao estômago, seguido de um golpe na cabeça quando se dobrasse de dor. Ou uma joelhada no meio das pernas. Ela apertou seus olhos para fazer desaparecer a urgência de brigar. Soube do engano todo o tempo, ela se deu conta disso. O diabo a tinha feito cair em uma armadilha. E entretanto ele não disse nada para deter a cerimônia. Possivelmente não lhe importava com que irmã se casasse, sempre e quando Hogwarts fosse dele.

— Com medo? — murmurou James, tão baixo que ainda o sacerdote não pôde ouvi-lo, e entretanto foi um sutil desafio ao que ela devia responder.

Ela forçou seus olhos a abrir-se outra vez e olhá-lo diretamente à cara. Não, ela não tinha medo. Entretanto era desconcertante ter que levantar os olhos para olhar a cara de um homem. Lily estava acostumada a intimidar aos homens.

A esse homem ela nunca o intimidaria. Seu olhar era firme, não pestanejava, apesar que a cor de seus olhos variavam como as nuvens de tormenta cruzando o céu, de castanho a verde e a prata. Seus olhos focaram a sua boca, e a ela subitamente foi difícil respirar.

Relâmpagos se acenderam através dos vidros pintados das janelas da capela, umas gotas de chuva caíram de seus cabelos negros e foram pousar-se sobre as pestanas escuras dele para em seguida rolar por suas bochechas como lagrimas à medida que James se aproximava.

No instante em que seus lábios tocaram os seus, um trovão retumbou no ar. Mas Lily, sentiu-se avassalada por uma corrente de sensações estranhas, e quase não notou a piora da tormenta. Sua boca estava úmida com gotas de chuva, mas quente, e seu beijo foi inesperadamente terno. Seu aroma, uma intrigante mescla de madeira, fumaça e especiarias, envolveram-na, brincando como uma lembrança difícil de evocar.

Não foi tão terrível, ela pensou. Seu beijo era prazenteiro, seu contato gentil. Suas maneiras eram suaves, e ela sentiu que ele não se impunha sobre ela.

Sim, poderia tolerar um matrimônio sem amor com um homem assim.

Ao menos foi o que ela pensou, até que ele aprofundou o beijo.

Os dedos debaixo de seu queixo se estenderam para agarrar seu maxilar, inclinando sua cabeça para satisfazer melhor o prazer dele, enquanto sua outra mão se deslizou ao redor de suas costas para atraí-la mais perto. Ela levantou suas mãos defensivamente, e estas contataram a barreira de seu peito.

Ele estimulou os lábios delas com sua língua, e Lily abriu sua boca em choque ante essa sensação, empurrando-o inutilmente com seus punhos. E então sua língua estava dentro de sua boca, saboreando-a, devorando-a, e embora uma pequena voz dentro de si lhe advertiu que ela devia brigar, a ruiva encontrava impossível resistir. Sua cabeça nadou em uma sensual corrente de chuva e fogo, e seu corpo se excitou como se uma misteriosa mulher dentro dela se despertasse de um longo sonho.

James gemeu, um som suave que reverberou em sua própria boca, e uma corrente como um relâmpago a percorreu, acelerando seu coração e deixando sua pele em chamas. Sua mão se moveu para capturar as nádegas dela, e a levantou levemente contra ele, contra essa parte dele que se avultava agora com óbvia luxúria, pressionando deliberadamente contra ela. Como se estivesse reclamando sua posse.

Foi por dar-se conta disso que Lily retorceu sua boca apartando-a da dele e lhe empurrou o peito para afastá-lo. Sem resultados bem-sucedidos. Inconsciente das testemunhas ao redor deles, furiosa com seu próprio descontrole, ela fechou seu punho, determinada a lhe apagar esse sorriso de satisfação de sua cara.

Mas ele apanhou seu punho, seus grandes dedos de algum jeito envolveram toda sua mão, e o Potter estalou sua língua.

— Está tudo bem, esposa?

Lily mordeu um grito de fúria, teria pisoteado o pé de James ou lhe dado uma joelhada no meio das pernas para conseguir liberar-se, mas no instante seguinte, ele a colocou debaixo de seu braço. E antes que ela pudesse desprender-se, ele se deu volta para encarar a alegre congregação.

— Sorria, esposa — disse ele entre dentes, saudando a multidão — Supõe-se que este é um momento feliz.

— Estou muito longe de me sentir feliz — ela replicou.

— Mas vais sorrir — ordenou — Ou terminarei o que comecei aqui e agora sobre o altar.

Ela ficou rígida.

— Não te atreveria. — mas James continuava sorrindo.

— Que curioso, esse foi meu pensamento ontem quando me ameaçou com sua espada — quando ele a olhou, uma promessa ardia em seus olhos — Como me equivoquei! E você? Se atreveria a duvidar de minhas ameaças?

Ela franziu o cenho. Não era que lhe acreditasse, certamente um cavalheiro respeitoso de Deus nunca cometeria um ato de semelhante blasfêmia. Mas a luxúria selvagem em seu olhar era inegável, e uma certa dúvida fez que seu coração se sobressaltasse.

Lily desviou o olhar e forçou um sorriso tenso em seus lábios.

Depois de tudo, ela raciocinou, não era como se ela sorrisse para ele. Era para seu clã, para lhes assegurar que estava ainda em uma posição de poder, e era ainda a lady da fortaleza.

— Me dê sua mão — ele sussurrou.

— Não — ela disse, saudando a multidão, mas ele se inclinou mais perto.

— Me dê sua mão, agora — Lily o ignorou, mas ele podia ser capaz de persuadi-la para que ela montasse um falso espetáculo de felicidade.

James deslizou sua mão sugestivamente por debaixo da capa dela, descansando a palma de sua mão em suas costas, entre seus ombros. Então sua mão se deslizou lentamente para baixo, seguindo o rastro de sua espinho dorsal. Estavam a apenas dois metros do sacerdote, e enquanto Lily assentia e sorria às pessoas, o descarado deixou que sua mão vagasse mais abaixo até assentar-se em seu traseiro. Então lhe deu um apertão.

Girando sua cabeça com um sorriso brilhante, ela procurou dar a mão a James.

Ele tomou sua mão e a enlaçou com a sua e pousou um leve beijo nos nódulos. Então começou a marcha para fora da capela. Pálida e cheia de frustração, ela apertou os dentes e tolerou a larga caminhada entre a multidão, sua mão apanhada na dele como um camundongo nas garras de um falcão. Mas no momento em que estiveram fora, ela rapidamente fechou a porta da capela detrás deles, mais especificamente na cara de Sirius e Sung Li e de todos outros que os seguiam. Então desprendeu sua mão da dele e se voltou para lhe falar.

— Me escute bem — ela disse entre dentes — Não sou um cão para ser preso e passeado a você, mesmo que isso lhe agrade. E nem te ocorra me açoitar para que me submeta, porque me nego a estar a sua mercê.

James a olhou enquanto a chuva gotejava de seu cabelo, estático e silencioso, sua cara era impossível de decifrar. Lily pensou por um momento que efetivamente o tinha deixado atônito, isso ocorria com os homens que subestimavam a segurança da moça em si mesmo.

Ela se equivocava.

No instante seguinte, o Potter agarrou um punhado da roupa dela e a levantou levemente até que estiveram nariz com nariz.

— Agora me escute, meu doce — ele falou brandamente, e um sorriso brincava em seus lábios, mas suas palavras eram tão ameaçadoras como os trovões distantes — Eu sou seu marido, seu lorde, e seu amo. Você aceitou isso quando decidiu tomar o lugar de sua irmã. Está dentro de meus direitos fazer com você, ou fazer a você, o que me agrade — ele piscou o olho, então a soltou subitamente, e ela cambaleou para trás, mortificada.

Nunca um homem a tinha tratado tão grosseiramente. Os homens ou se intimidavam ou se prostravam para adorá-la. Mas esse homem, tinha-a manuseado como se ele fosse o dono dela.

Doce Jesus, que fazia? Casar-se com o normando lhe tinha parecido o correto, a única coisa que podia fazer. Mas agora ela se dava conta que nem sequer conhecia homem que havia tomado como marido. Ele parecia um monstro, um demônio. E que Deus a ajudasse, ela tinha jurado obediência a ele. Maldição, que forma insidiosa de escravidão era o matrimônio?

A congregação abriu a porta da capela e então, Sirius, Sung Li e o resto saíram, com o Lorde mais atrás, sorrindo amplamente. Lily vislumbrou brevemente uma oportunidade de escapar do noivo. Correndo para seu pai, ela enlaçou seu braço com o dele e, então lançou a James um sorriso provocador, como lhe dizendo, aqui está meu lorde e meu amo.

A vitória dela não durou muito. O Potter era um oponente formidável.

— Se me permitir, meu lorde — ele disse com uma leve reverencia ao pai — Acredita-se que traz boa sorte que o noivo carregue à noiva pela porta da casa.

— Não! — Lily disse abruptamente. Então, ante as falações de surpresa da multidão, ela suavizou seu tom — Não marido, não poderia pedir que me carregue atravessando todo esse barro — a ruiva se segurou em seu pai com mais força.

— Minha querida — ele disse, percorrendo carinhosamente a ponta de seu nariz — O que é um pouco de barro? Eu te carregaria através de correntes tempestuosas e através do fogo.

Ela odiou seu gesto quase tanto como os “Ah” de todas as mulheres na multidão, que souberam apreciar seu cavalheirismo e acreditaram em sua exagerada declaração. Mas quando seu pai desenganchou seu braço e a empurrou para ele, não houve nada que pudesse fazer.

Com um malicioso sorriso, James a levantou e a acomodou em seus braços. Ela se manteve rígida, determinada a fazer sua tarefa tão difícil como fosse possível. Desejou ser muito pesada. Desejou que ele se escorregasse no barro. Desejou que os céus se abrissem e chovessem baldes de água.

Mas nada disso aconteceu. James a carregou como se ela fosse feita de plumas. E para sua irritação, a chuva parou momentaneamente, e o sol escolheu esse momento para aparecer por entre as nuvens, desenhando um vívido arco íris no céu.

— É um sinal, minha lady — alguém disse — Este matrimônio deve estar verdadeiramente abençoado.

Lily olhou perplexa através do jardim. Abençoado? Nunca em sua vida havia sentido tão afetada por uma maldição.

Notas finais
Já imaginou esses dois na lua de mel? E sem contar a Marlene, pobre Sirius. Espero que gostem do rumo da fic, não estou seguindo a obra da Sarah a risca, já que mudei algumas coisas, se bem que não é nada que prejudique ou mude o final. Comentários e/ou Favoritos = Capítulo imediato. Estou tentando ter em média 10 comentários por capítulo, ultimamente estivemos na média de 7, o que me deixa muito feliz, mas quero 10 comentários agora. Obrigada por lerem. Beijos!