Donzela Guerreira

5 A invasão em Hogwarts


Notas iniciais
Como assim, já é outro capítulo? E como não poderia ser?! Recebi os comentários que eu queria, 10 comentários e OMFG! Dez favoritos. Por isso, o capítulo de hoje vai ser dedicado especialmente para: Leh, Lua Farias e Bárbara melo. Obrigada por favoritarem. E não preciso falar nada dos meus leitores vivos que comentam, certo? Oh, eu me apaixonei por cada comentário que não tardei em atualizar logo a fic. Espero que gostem, boa leitura!

Capítulo 5

A invasão em Hogwarts

James respirou profundamente, o aroma da terra pós chuva o trazia uma agradável lembrança de casa. Carregava sua nova esposa através do chão barrento, Liy cheirava a lã úmida e irritação, mas era uma essência que o excitou, o corpo dela se sentia forte e cheio de vida em seus braços, como uma presa rebelde, mas também encheu suas veias com um ardor excitante. O Potter temia a feroz inflamação entre suas pernas que era uma evidência pública de sua luxúria.

Por Deus! O que havia de mal nele? Tinha estado temendo este momento a metade da noite e toda a manhã. Assustava-lhe pensar na festa de casamento com Dorcas a seu lado, na situação em que o clã sem dúvida faria brincadeiras sobre o marido e a relutante noiva, e na cama matrimonial, onde sabia que ia enfrentar os temores de uma virgem e as lágrimas.

Mas no instante em que ele tinha visto uma figura espiando-o através do capuz molhado, foi suficiente para suspeitar que havia um plano para prejudicá-lo. E quando seu olho captou o suave brilho de um pendente de prata debaixo da capa, soube quem tinha vindo para ser sua esposa. Então, para sua surpresa, sua apreensão se dissolveu, e seu coração começou a martelar com a adrenalina que lhe geravam as batalhas.

Se ela pensava que seu engano o envergonharia, estava equivocada. James nunca diria ter notado a diferença entre uma irmã e a outra. E tampouco isso importava. Se ela pensava que isso invalidaria o contrato matrimônio, estava equivocada nisso, também. Ele estava comprometido a casar-se com uma das filhas do Lorde de Hogwarts. Nem mais, nem menos. E se ela pensava que uma vez que revelasse sua identidade, ele a rechaçaria, estava muito, muito equivocada.

E então, ao longo da cerimônia, ele tinha estado distraído com deliciosas visões de luxúria e vingança. Por agora, devido a seu próprio engano, Lily seria dele.

De todas as maneiras. É obvio.

O meio de suas pernas se esticou enquanto ele a imaginava suplicando por piedade enquanto ele a seduzia, aprisionando suas mãos e despojando-a de sua roupa, viu o doce horror em seus olhos enquanto lhe sussurrava no ouvido, viu a faminta antecipação dela enquanto ele deixava que seus dedos vagassem sobre suas curvas, acariciando, atormentando, invadindo.

Por Jesus Cristo! Talvez estivesse equivocado a respeito de sua própria capacidade de controle. Seu coração pulsava forte. Sua respiração se entrecortava. Seu corpo lhe doía de desejo.

Queria Lily agora.

Logo que cruzaram a entrada que dava ao grande hall, James se encaminhou para os degraus que conduziam a sua habitação, pensando nas consequências morais de omitir a festa e reclamar seus direitos de uma vez. Foi Sirius quem o salvou de sua paixão desenfreada.

— James! — gritou o Black jovialmente, com duas batinas no ombro — Deixe que sua noiva se prepare para a festa, venha tomar uma taça comigo e brindaremos por seu matrimônio.

Essa ideia aparentemente resultou atrativa a todos. Ouviram-se gritos de aprovação e começaram a dirigir-se ao grande salão, e Lily lutou para livrar-se dele. Mas James vacilava, relutante a deixá-la escapar de seus braços ou de sua vista.

— Ela não causará problemas — murmurou Sirius para dar segurança ao amigo levantando suas sobrancelhas para Lily — Não causará problemas, certo? Depois de tudo, só estarão você e James na habitação esta noite. Você e James. Sozinhos.

Outra vez, Lily surpreendeu James, em vez de temer lançou a Sirius um sorriso temerário.

— Então será melhor que James se cuide as costas.

— Bem dito — Sirius sorriu surpreso — Mas penso que é muito inteligente para essa classe de sabotagem. Certamente sabe que matar a seu marido só atrairá a ira do Rei para seu clã.

— Não o matarei — ela disse — Só o danificarei.

James podia facilmente adivinhar que parte de seu corpo ela tentaria danificar.

— Talvez tenha razão, Sirius — considerou o Potter pensativamente — Não devo ficar a sós com ela, penso que nós dois deveríamos compartilhar com ela a cama esta noite.

Isso foi suficiente para assombrá-la, fazendo-a os encararem descrente.

— Oh — Sirius sorriu com agrado — Isso seria um privilégio para mim, meu amigo — e passou as orbes azuis luxuosamente pelo corpo da ruiva.

— O que? Não! — gritou Lily sem estar segura se falavam sério — Não o fariam.

— Não me da outra alternativa — Sirius deu de ombros — Prometi minha lealdade a mãe desse bastardo e que o protegeria acima de tudo, até mesmo de sua esposa.

— Não o matarei — o temor dela era divertido para os dois — Juro-o.

— Nem o machucará? — insistiu Sirius vendo-a suspirar pesadamente.

— Nem o machucarei.

— Muito bem — Sirius tomou duas taças de cerveja de uma serva que passava, e adicionou — Então terei que procurar algum lugar para dormir esta noite — e seguiu a serva.

Com relutância, James deixou que Lily saísse de sua proteção. Mas antes que ela pudesse escapar, ele a apanhou pelo braço.

— Nem te ocorra escapar, esposa — tinha ouvido falar das noivas que escolhiam suicidar-se antes de enfrentar os terrores da cama matrimonial.

— Escapar? — ela ergueu o queixo orgulhosamente — Este é meu castelo, senhor. E não sou não covarde — suas palavras lhe deram a James um curioso alívio — Além disso, alguém o tem que ensinar como administrar o castelo — desdenhou.

A ruiva o deu as costas antes ele pudesse digerir o insulto. Mas James balançou sua cabeça e suspirou, observando os quadris dela mover-se provocativamente enquanto ela subia a escada, seguida pela criada de Dorcas.

Demônios! Sua nova esposa seria um verdadeiro desafio. E entretanto, tinha que admitir que preferiria estar casado com esta moça cheia de fogo do que com a tímida donzela.

Lily sentia o olhar quente de James seguindo-a, e por uma vez, semelhante atenção a perturbou. Sua cara ruborizou-se, e ela teria tropeçado nos últimos degraus, se Sung Li não a tivesse atalhado.

— Aquele que teme cair, é quem cai pior — a velha, mais forte do que parecia, a ajudou a recuperar o equilíbrio.

Lily franziu o cenho ante seu comentário crítico. A maior parte do tempo não entendia Sung Li, pior quando a velha falava em chinês. Ainda assim, a mulher tinha sido de grande ajuda esse dia, e a ruiva tinha com ela uma dívida de gratidão.

— Aqui — colocou os dedos na pequena bolsa pendurando de seu cinturão, extraiu a chave da torre junto com uma moeda de prata, e as pôs na mão da velha — Dorcas está na torre sul, libera-a e a faça entender tudo isto.

Os lábios de Sung Li se enrugaram. Ficou com a chave, mas devolveu a moeda.

— Minha lealdade não está à venda — então com orgulho, ergueu seu queixo, e deu a volta para afastar-se.

Lily entrou em sua habitação rapidamente, uma vez segura dentro, golpeou a porta e apoiou as costas contra a sólida barreira entre ela e seu novo marido. Deus! Sentiu-se tão desesperada como um camundongo solitário em um galpão cheio de gatos famintos.

Estava acostuma a dominar as situações, por anos tinha intimidado aos homens com sua imponente estatura e com seu status de nobre como a filha do lorde. Os homens do clã seguiam suas ordens sem as questionar e rapidamente tinham aprendido a tratá-la com o devido respeito. Este Normando não lhe mostrava respeito algum. Nem como uma herdeira da nobreza. Nem como administradora de Hogwarts. Nem sequer como uma mulher. Como faria para reter o controle de seu castelo, de suas terras, ou de seu povo, se não podia controlar a esse homem?

Pendurou a capa e então cruzou o quarto para apoiar-se no marco da janela. A chuva torrencial havia retornado, e ela tremeu, mas não por causa do frio, olhava a paisagem de Hogwarts, frustrada.

Ela pertencia a James. Do momento em que o sacerdote os declarou casados, sutilmente a tinha escravizado de uma maneira ou de outra, enredando seus dedos em seu cabelo para beijá-la, aprisionando sua mão enquanto saíam da capela, rodeando seu corpo com feroz apropriação enquanto a carregava até a fortaleza. E essa noite, ele a teria no mas íntimo ato de posse.

A ruiva respirou com dificuldade, não era como se estivesse verdadeiramente assustada, tinha visto suficientes serventes “fazendo-o” para saber que essa desgostosa exibição de movimentos e ofegos durava somente alguns minutos. E entretanto sentia pelo modo em que seu coração pulsava quando James a beijou, pelo modo em que seu sangue subia a suas bochechas, pelo modo em que sua mente se metia em muito confusão, que seria de algum jeito perigoso.

Mas, como podia evitá-lo? Ela tinha jurado não danificá-lo, embora essa nunca tenha sido sua intenção. Ela pensou que podia alegar estar doente, mas engano não lhe saía tão facilmente. Além disso, isso só adiaria o inevitável. Mas e se ela o drogasse todas as noites?

A piscada distante de uma luz das colinas mais afastadas a distraiu. Aguçou o olhar. O que era aquilo? Outra piscada. Levantou sua cabeça e estudou a origem do reflexo, uma brecha entre dois pinheiros no alto da colina. Outra vez, um brilho breve.

Subitamente os flashs aumentaram, e o coração do Lily golpeou contra suas costelas.

Cavalheiros, quatro, cinco, seis, talvez mais. Seus elmos brilhavam enquanto ela observava com a respiração contida, estava muito longe para identificá-la.

— Merda — amaldiçoou entre dentes.

Sete, oito, nove… Apertou os punhos contra a janela Agora podia vê-los, descendendo a colina. Por Deus! Deviam ser os ingleses e vinham para Hogwarts.

Não havia tempo que perder.

Os guardas nos parapeitos tinham divisado aos cavalheiros, e tinham começado a passar a mensagem de invasão. Seu coração martelando como os cascos de um cavalo de guerra, Lily fechou os portinhas. Olhou o baú com sua armadura. Logo. Logo se vestiria. Primeiro ela devia preparar a fortaleza para a batalha.

Nunca o tinha feito antes, nunca tinha tido que fazê-lo, mas por causa de ataques recentes na zona de fronteira, tinha estudado essa possibilidade várias vezes mentalmente, e os homens tinham praticado as manobras defensivas com Marlene.

Marlene! Pelo Jesus Cristo! Ela era ainda estaria bêbada?

Não havia tempo de despertá-la, paredes do castelo tinham que ser fortificadas primeiro. Mandaria a alguém procurar Marlene quando a fortaleza estivesse fora de perigo. Seu pulso se acelerou, ela correu para a porta, levantou a borda de suas saias, e voou pela escada para o grande salão, onde a festa de casamento já tinha começado.

— Homens! — gritou, sua voz forte apesar da urgência correndo em suas veias — Prestem atenção! — o recinto gradualmente silenciou — Um exército se aproxima de Hogwarts — malmente anunciou e os murmúrios começaram, levantou sua mão para sossegá-los — Não é necessário alarmarem-se, foram treinados para isto. Todos sabem que devem fazer!

Para sua satisfação, apesar de que eles conversavam com preocupação entre si, as pessoas do castelo começaram a mover-se com determinação para a tarefa que lhe tinha sido atribuída em caso de um ataque. Mas James subitamente caminhou até ficar frente a ela, bloqueando sua visão com seu imponente peito.

— Esperem! — gritou o Potter e para a surpresa de Lily todos obedeceram, as orbes avelã dele se voltaram para uma irritada ruiva — Quão grande é o exército?

— Não sei — murmurou ela impacientemente — Eram cavalheiros a cavalo. Uma dúzia? Talvez mais — Lily voltou seu olhar para seu povo — Vocês, moços! Rápido! Reúnam o gado dentro das muralhas! — ela tratou de evitar James, mas ele bloqueava seu caminho outra vez.

— Dê que direção vêm?

— Por que não te move? — grunhiu a ruiva — Você, você e você — ordenou apontando para seus melhores arqueiros — Para as muralhas!

— Disparem só se eu ordenar — gritou o normando por cima do ombro de Lily.

— Meu castelo! Minhas ordens! — gritou ela em fúria para ele.

— De que direção vem? — ele perguntou outra vez ignorando o ataque de fúria dela.

— Do sul — rosnou a ruiva entre dentes — Como te atreve a usurpar minha autoridade? Defendi esta fortaleça por anos, você estiveste aqui só por um dia, não tolerarei que sabote minhas ordens!

— São os ingleses? — voltou a questionar James, ignorando a fúria que emanava dela. Lily apenas o ignorou começando a andar, mas a mão dele em seu braço a parou abruptamente — São os ingleses ou não? — questionou como se estivesse falando com um idiota.

— Sim — respondeu ela cuspindo as palavras — São ingleses!

— Está segura?

Agora a paciência dela se acabava. Esta era a razão pela qual não se devia mandar a um normando a defender a fortaleza de um escocês. Rosnando ela o fitou mortalmente.

— Se você não sair do meu caminho neste instante, Juro Por Deus que...

— Quantas batalhas seus homens brigaram, minha lady?

— O que? Não tenho tempo para suas críticas! Me deixe passar! — ela tratou de se afastar outra vez, sem êxito. Se só houvesse trazido a adaga com ela para cravar-lhe

— Me responda!

— Meus homens treinam todos os dias!

— Quantas batalhas reais brigaram?

A pergunta provocou uma pausa. Ela comprimiu seus lábios, relutante a responder.

— Isso não importa.

— Quantas?

— Nenhuma, mas meu povo foi bem treinado. Sabem o que devem fazer!

— Comandei dúzias de batalhas — ele mostrava uma arrogância insofrível — E sobrevivi, sei o que terá que fazer.

Por que ela devia lhe acreditar, não sabia. Ainda suspeitava que ele era cavalheiro errante sem terras. Entretanto a fria segurança em seus olhos, e sua arrogância, eram tranquilizadores. James não permitiria que Hogwarts caísse. Mas o que ela havia dito era verdade. James só tinha estado um dia nesse lugar. Ela conhecia o castelo, conhecia a terra, conhecia às pessoas. Ela podia dirigir quão melhor ele.

Antes de que pudesse explicar, Sirius fez notar sua presença, esclarecendo sua garganta.

— Minha lady? — perguntou, levantando suas sobrancelhas — Por acaso não terá visto o emblema desse exército?

— Estava muito longe.

— Hm — assentiu.

— Por que?

— Subi aos parapeitos para olhar — murmurou o moreno coçando o queixo — Algo a nas cores me pareceu vagamente familiar — e intercambiou um curioso olhar com James.

Mas Lily não tinha paciência para as adivinhações de Sirius. Haveria tempo para descobrir exatamente quem era esses cavalheiros mais tarde, depois de que a fortaleza estivesse segura. Entre Sirius e a lareira, ela viu uma faxineira sem fazer nada.

— Procura Lady Marlene! Ela está em sua habitação. Lhe diga que...

— Não! — o grito de Sirius chamou a atenção de todos ao redor — Quero dizer, eu o farei, me fará sentir mas útil — James revirou os olhos, mas Lily não pareceu perceber.

— Lhe diga que é urgente — ordenou a ruiva — Diga que os homens esperam ordens.

— Ela comanda os homens? — questionou Sirius em assombro.

— Nos vais ajudar ou não? — rosnou Lily irritada com a prepotência do Black.

Sem uma palavra, Sirius fez uma reverência e cruzou o grande hall.

— Espera! — ela gritou — Aonde vai? A habitação dela não fica por esse lado.

Sirius a olhou confuso por um momento, então sorriu nervoso.

— Estou… estou indo procurar primeiro café da manhã. Não se pode comandar soldado com o estomago vazio.

Lily franziu o cenho, então voltou sua atenção a James. Ele a estava olhando estranhamente agora, como se estivesse sopesando seu peso ou adivinhando seu futuro.

— Seus arqueiros — ele disse — Têm experiência? Não dispararão antes do tempo?

— Não — lhe asseguro — Só disparam com meu comando.

[...]

Sirius sacudiu sua cabeça enquanto caminhava para o porão. Como se as surpresas ainda não pudessem acabar, os guardas de Hogwarts tinha divisado um exército aproximando-se no horizonte, um exército o qual Lily estava convencida que era inglês. É obvio, Sirius e James sabiam que não eram. Eram os Cavalheiros da Ordem, mas o Black percebera as intenções do amigo, James queria ver o quão preparados estavam os escoceses. E ainda tinha Lady Lene.

Uma mulher no comando da guarda. Ele se estremeceu. O que fariam os escoceses depois disto? É obvio, ele não tinha intenção de liberar Marlene. Não ia deixar o exército de Hogwarts nas mãos de uma moça que tinha tentado matar a seu capitão. Provavelmente ela ordenaria a seus arqueiros que abrissem fogo sobre os Cavalheiros da Ordem.

Embora ele não tivesse planos de liberar à donzela assassina ainda, não podia deixá-la nesse calabouço. Acima de tudo ela era uma donzela. Além disso, indubitavelmente ela estaria sofrendo remorso e fome nessa manhã. Sorriu enquanto desembrulhava o ainda quente pão que tinha furtado da cozinha. Poderia ao menos aliviar um de seus sofrimentos. Perguntando-se se ganharia compaixão como modo de agradecimento, ele golpeou a porta do porão.

— Bom dia diabinha, está acordada? — não houve resposta, ele pressionou seu ouvido contra a porta — Lady Marlene? — ela de repente se lançou contra a porta com grande impulso. Atônito, ele retrocedeu.

— Ajuda — gritou a loira através da porta — Por favor! Não posso resp... respirar...

Alarmado, ele deixou cair o pão no piso, e em seguida avançou, correndo a tranca e abrindo a porta. Com um temor mortal, rapidamente revisou o recinto mau iluminado.

Ela se tinha pressionado contra a parede, e quando ele entrou, ainda antes que tivesse tempo de lamentar sua falta de cautela, ela avançou contra ele, empurrando-o contra a parede com uma faca posta em sua garganta.

— Faz um ruído, e te corto — murmurou entre dentes — Move um músculo, e te corto. Se pensar em resistir, juro-te que derramarei seu asqueroso sangue normando no piso deste porão.

Ainda em choque, ele fitou as orbes verdes dela, assassinas.

— De onde tirou... — ele sentiu uma espetada em sua carne e se estremeceu. Jesus! A moça era assunto sério, tão sério como a irmã, que tinha marcado James

— É sua própria adaga, normando idiota — rosnou ela. Ele arqueou as sobrancelhas, era a adaga que tinha caído nas escadas na noite anterior... de algum jeito ela a tinha encontrado.

Com sua mão livre, a loira irreverentemente o apalpou na zona da cintura e as coxas, encontrando e descartando sua faca de comer, lhe deixando a moeda que tinha ganho do pai dela na noite anterior. Sob circunstâncias diferentes, Sirius poderia ter desfrutado de semelhante tratamento agressivo por parte de uma mulher.

Mas não havia nada sedutor ou afetivo a respeito de seu contato, e para sua irritação, ele começou a sentir que estava à mercê da moça.

Os homens podem ser tão tolos, pensou Marlene colocando rapidamente uma missiva em sua camisa e em seguida empurrou ao normando lhe pondo a faca contra as costelas. Eles sempre assumiam que as mulheres eram criaturas indefesas, desprovidas de músculos e lentas de raciocínio. Marlene não era nada disso. Sim, como muitas mulheres, era impulsiva, mas desta vez essa impulsividade traria resultados muito suculentos.

— Lentamente — lhe disse enquanto subiam as escadas. Ela necessitava tempo para avaliar a situação no grande salão antes de aparecer por ali.

Para sua surpresa, enquanto espiava da escada, ela viu que as pessoas do castelo estavam muito ativas. Os homens com suas armas. Dorcas rodeada de mulheres e meninos. Serventes que se apressavam indo e vindo carregados com velas, comidas e mantas.

Eram preparativos para algo muito mais sérios que uma simples festa de noivado. Parecia como se o castelo se preparasse para o assédio de um inimigo. Antes que o normando pudesse fazer notar sua presença, o puxou pela parte detrás de sua túnica e o pressionou contra a parede da escada, colocando a ponta da adaga contra seu pescoço. Ela se aproximou o suficiente para murmurar em sua cara.

— O que acontece? — apesar do fato que tinha sua vida em suas mãos, os olhos dele brilharam com certa diversão secreta, e um lado de sua boca se curvou para cima, como se estivesse desfrutando de cada segundo. Isso a zangou — Fala! — ordenou.

— Um exército esta se aproximando — disse ele obedecendo-a.

— Um exército? Que exército? — questionou ela sentindo seu coração acelerar. Ele vacilou e ela se irritou ainda mais — Responde! Que exército?

— Os Cavalheiros da Ordem.

Ela franziu o cenho. Podia ser verdade? Verdadeiramente James comandava uma companhia de cavalheiros? Lily e ela tinha especulado que seu título era falso, que o Potter fosse um mero cavalheiro errante que não possuía terras nem dinheiro, que de algum jeito tinha convencido ao rei de fazê-lo casar com uma mulher escocesa que possuísse terras e riqueza.

— Os cavalheiros de James?

— Sim.

Mas se Hogwarts estava preparando-se para uma batalha. Por que os Cavalheiros da Ordem tomariam por assalto a fortaleza onde seu comandante residia... A menos que... Possivelmente James não estava de acordo com a mera custódia e administração de Hogwarts. Possivelmente esse demônio tinha intenção de reclamar o castelo como próprio.

Ela amaldiçoou entre dentes enquanto se dava conta da verdade.

— Estão assumindo a fortaleza!

Sirius estava em silêncio, mas seus olhos brilharam. Isso criava uma mudança em seus planos. Ela tinha planejado levar o normando e o ter como refém na cabana do bosque até que James concordasse em anular seu matrimônio com Dorcas. Mas se os homens da Ordem estavam atacando Hogwarts, ela era necessária aqui para comandar os soldados.

Por outro lado, ela poderia usar seu refém para um propósito mas importante. Quão valioso era Sirius Black para os Cavaleiros da Ordem? Lhe lançou um rápido olhar, avaliando-o. Inegavelmente ele era rude e forte, comprido de ossos e largo de ombros, provavelmente um guerreiro competente. Mas ele era também bonito, arrogante e com ares de poeta, o tipo de tenente que os escoceses desprezavam. Talvez os normandos medissem o valor de um homem em términos diferentes. Se era assim, Sir Black seria um refém cujo resgate seria o controle de Hogwarts. Era uma aposta arriscada, mas uma que ela se sentia compelida a fazer.

— Vamos em viagem — decidiu e ele levantou as sobrancelhas.

— Agora? Mas…

— Silêncio! — Ela levantou sua espada, forçando-o a levantar seu queixo — Não falará novamente até que eu lhe permita! Atravessaremos o grande salão, cruzaremos o pátio, e sairemos pelos portões da frente. Tome cuidado de não chamar a atenção de maneira nenhuma, porque te cravarei a adaga nas costelas, e advirto-lhe isso, se desobedecer, não será o primeiro homem em sentir minha espada perfurar sua carne.

No meio de todo o caos, foi relativamente fácil atravessar o grande salão sem serem detectados. Sirius não lhe causou problemas, além de fazer pequenos gemidos de dor quando sua espada se cravou um pouco em seu corpo. Nem sequer cruzar o pátio foi difícil, embora ela se sentisse desanimada ao descobrir que o clima não era favorável para viajar. A chuva tinha feito que o solo estivesse barrento, e nuvens escuras ameaçavam com mais água.

Não tinham capa, e ela desejou ter lembrado de agarrar a manta de pele do porão.

O desafio era atravessar os portões da frente. Como os guardas de Hogwarts tinham sido treinados para um assédio ao castelo, uma vez que as vacas e as ovelhas fossem reunidas dentro das muralhas do castelo, os portões eram fechados. Pensando rapidamente, ela chamou o guarda encarregado do portão de grades.

— Abre o portão! Três das vacas escaparam, as traremos para as encerrar.

Uma vez para fora dos portões, Marlene guiou a seu cativo rapidamente para o bosque. Nesse momento um impressionante número de Normandos subia a colina. Ela não se atreveu a arriscar-se a ser descoberta. Um engano de sua parte na vigilância, e poderia facilmente converter-se em refém dos normandos.

Finalmente, cobrindo-se com as densas árvores do bosque de Hogwarts, ela se sentiu segura. Era tentador permanecer na beira do bosque para espiar os Cavalheiros da Ordem, e observar o que ocorria. Mas ela tinha que entrar no bosque, até um lugar que só suas irmãs conheciam. O empurrou para frente.

— Te mova, bastardo!

— Ah, compreendo — disse o moreno com um sorriso malicioso na face — Tsc, mas se desejava me violar na escuridão do bosque, tudo o que teria que ter feito era...

— Silêncio!

A última coisa que Marlene precisava era a distração de um arrogante normando que acreditava que era o presente de Deus para as mulheres sobre a Terra. Possivelmente os olhos brilhantes e o sorriso sedutor de Sirius Black seduzia a outras damas, mas Marlene não era uma mulher a que se enrolava facilmente com essas armas tão óbvias.

Ela o empurrou para frente. Um caminho entrava no bosque, um que as irmãs guardaram cuidadosamente escondido. As folhas caídas dissimulavam o caminho, e em alguns lugares, ramos crescidos tapavam a passagem. Mas as donzelas guerreiras o tinha usado desde sempre pelo que Marlene podia recordar.

A cabana abandonada do granjeiro tinha servido através os anos como refúgio. Eles tinham percorrido possivelmente duzentas jardas quando ela fez deter a seu cativo. Precisava tomar uma cautela a mais.

— Te deite — os olhos do tenente brilharam com malícia enquanto fazia uma reverência ante sua ordem, para mérito dela, resistiu o impulso de esbofetear o sorriso zombador de seu rosto — Sobre seu estômago, com suas mãos nas costas — completou.

— Como queira, minha lady.

Enquanto ele jazia indefeso no chão, ela procurou em seu saco e usou a faca para cortar duas tiras de tecido da parte debaixo de sua anágua de linho. Atou seus pulsos com uma delas, suficientemente forte para fazê-lo fazer uma careta.

— Tranquila moça, não há necessidade de brutalidade — ele a desafiou, sorrindo sedutoramente — Já disse que estou disposto a te dar prazer.

— Não é questão de prazer, bastardo.

Desta vez havia um traço de sarcasmo na voz dele.

— Em tão doce companhia, quem não encontraria prazer?

Não lhe importava o especulativo brilho em seus olhos. Usou a segunda tira de tecido para lhe tapar os olhos. No caso de que ele escapasse, não queria que soubesse o caminho de volta à fortaleza. O Black estalou sua língua.

— Agora me privaste da vista de você, terá que me dirigir se quiser...

— Para cima! — Ela não tinha tempo para esse florido sem sentido. O que tinha ouvido a respeito dos Normandos era verdade. Eram tão suaves como bebês, com seus simpáticos cachos e suas bochechas perfumadas. Ela lutou para o colocar de pé.

— Se me deixasse saber qual é seu desejo? — ele murmurou. Esse homem era incorrigível!

— Se contínuas com este delírio, meu desejo será te amordaçar também.

— Bem — o Black suspirou — Deixarei descansar minha língua.

O que fez, embora seu sorriso sugestivo não tenha se apagado completamente de seu rosto.

Sirius estava assombrado. As mulheres normandas nunca lhe pediam que se calasse. Elas amavam que ele conversasse. E sempre ficavam encantadas com seus galanteios. Cada donzela que ele conhecia, desde velhas solteironas até meninas recém saídas do berço, riam e festejavam as palavras dele. O que estava mal com essa moça?

Ela cravou seus dedos em seu braço, guiando-o para frente, e ele arrastou os pés sobre as folhas, seu passo era torpe. São os escoceses, ele decidiu. Todos eles deveriam ser loucos. Os homens usavam saias, e as mulheres levavam espadas. E essa moça aparentemente tinha um coração tão impenetrável como uma armadura.

Não só não estava arrependida da violência exibida na noite anterior, mas também parecia determinada a continuá-la. Ele grunhiu quando ela o empurrou com a adaga em suas costelas. Por Deus! A donzela lhe daria uma morte lenta com milhares de golpes?

Enquanto entravam no bosque, Sirius descobriu que seus outros sentidos se faziam mais agudos. Agora ele podia ouvir a respiração agitada de Marlene, suas pegadas, o suave sussurro de suas saias. Ele respirou o ar frio misturado com o aroma de seu captor, uma indefinível essência que era simplesmente feminina, tão pouco pretensiosa como a donzela.

Viajaram pelo que pareceu uma eternidade sem falar, até que Sirius começou a imaginar-se se não estava partindo de volta para Normandia.

O sequestro dele por parte de Marlene tinha sido desconcertante no princípio, logo divertido. Mas agora a moça estava levando as coisas muito longe. Se afastassem muito mais, as pessoas de Hogwarts começariam a preocupar-se com eles, e com boa razão. Depois de tudo, preso e sem vista, Sirius não seria capaz de proteger a donzela de qualquer bandido que pudesse espreitar nos selvagens bosques escoceses.

Decidindo que já tinha tido suficiente, soltou-se de repente do aperto dela, detendo-se abruptamente, ganhando um acidental ponto da faca dela.

— Jesus!

— O que? — ela demandou.

— Vou falar — pode escutar ela suspirar profundamente.

— Fale.

— O que é exatamente o que pretende, minha lady?

— Não é do seu interesse.

— Estou sendo levado contra minha vontade sob a ponta de uma adaga. Minha adaga.

— Verdade.

— Então? — resmungou, o prazer dela era quase evidente.

— Vais ser meu refém.

Se essas palavras tivessem chegado em outro momento, fariam ferver seu sangue. Sequestrador e refém. Soava como um desses jogos de sedução que ele tinha desfrutado no passado, como o jogo da vaca e do leiteiro, o pirata e o tesouro escondido, o viking e a escrava virgem. Mas suspeitava que este não era um jogo.

— Seu refém?

— Sim — ela afirmou — Se os Cavalheiros da Ordem tomam posse de Hogwarts, planejo manter sua vida como garantia para que a fortaleza seja liberada.

— Pensa que os Cavalheiros vieram para tomar posse do castelo?

— O que quer dizer com o "se eu penso" ? — ela replicou — Você mesmo me disse que eles estavam atacando.

— Não o fiz.

— O Fez!

— Eu disse que estavam aproximando-se — Sirius balançou a cabeça negativamente — Você presumiu que eles estavam atacando.

— O que? — ela murmurou. Ele podia ouvir seu sangue escocês começando a ferver.

— Sua irmã também cometeu o mesmo erro, foi ela que deu ordem para um assédio.

A ponta da adaga de repente se cravou debaixo seu queixo, e ele se estremeceu em surpresa. Possivelmente, ele pensou enquanto sua veia pulsava debaixo do frio aço, não devia ter dito à guerreira a verdade. A cabeça de Marlene pulsava novamente.

— Não nos estão atacando.

— Sim — ele disse com desdém — Por que atacariam? Devemos formar uma aliança.

Ela apertou seus dentes. Os normandos tinha estado só por um dia, e já tinham posto seu mundo de pernas pro ar. Ela estreitou seus olhos enquanto seu cérebro trabalhava furiosamente. Se os normandos não estavam atacando, ela não necessitava de Sirius para resgatar Hogwarts. Mas isso não significava que não podia continuar com seu plano original de salvar Dorcas.

A nota de resgate que ela tinha escrito às apuradas no depósito estava ainda guardada entre seus seios. Tudo o que precisava era um mensageiro.

— Vem — ela baixou a adaga e o puxou pelo braço — Tenho outro uso para você — Sirius curvou seus lábios em um sorriso especulativo, mas antes que ele pudesse abrir a boca para fazer uma sugestão libidinosa, ela o empurrou para frente — Nenhuma palavra!

Notas finais
Eu vivo dizendo isso, enquanto a Lily parece usar o cerebro dela a Lene parece pensar com a espada. Mas ninguém me engana que ela só fez isso para tirar um pedaço do Sirius. Eu tiraria. Nosso casal Jily esta entre tapas e beijos. Próximo capítulo promete. Obrigada por lerem e não se esqueçam de comentar. Beijos!