Donzela Guerreira
2 O intruso normando
Notas iniciais
Capítulo 2

O intruso normando
James não atreveu a se mexer, a espada dela pressionava firmemente contra uma veia que pulsava em sua garganta. Ao lado dele, Sirius abriu a boca surpreso e caiu quando quis olhá-la. Se o Potter não tivesse estado furioso consigo mesmo por ter baixado a guarda, teria rido da cena.
— Moços, não estão um pouco grandes para andar espiando donzelas banhando-se? — o tom dela era zombador — Esperava encontrar jovens imberbes aqui, não homens adultos.
A ruiva deveria ter dado a volta ao redor da base da colina, subido até chegar pelas costas deles. A humilhação fez arder as orelhas de James, e para piorar as coisas Sirius, em vez ajudá-lo, estava apoiado sobre seus cotovelos com uma expressão perplexa que comunicava ao mundo que a donzela era ainda mais bela de perto.
— Vocês não são daqui — ela adivinhou — O que estão fazendo nestas terras?
James se negou a responder, não devia nenhuma explicação aquela donzela. Afinal aquelas terras logo pertenceriam a ele. Mas Sirius, o traidor, parecia bastante encantado com a ruiva.
— Não tínhamos intenção de ofender ou incomodar, minha lady — o moreno disso quando se recuperou de seu estado de choque — A asseguro — ele sorriu, fazendo que seus olhos azuis dançassem de uma maneira que nunca falhava em seduzir as moças — Veja, somos amigos do Pettigrew? O histrião.
Enquanto Sirius a mantinha entretida, James ganhou vantagem de sua distração para deslizar sua mão lentamente pelo flanco de seu corpo e logo ao longo de sua panturrilha. Poderia tirar a adaga de sua bota? Viu o Black levantar as sobrancelhas em fingida inocência.
— Nos disseram que ele tinha passado por aqui, só queríamos nos encontrar com ele.
A espada subitamente se afundou na carne do pescoço de James, em violento contraste com a voz melodiosa da mulher.
— Espero que te esteja coçando a perna e não que esteja tratando de tirar algo da bota.
James apertou os punhos. Maldição! Ele era um guerreiro, o comandante de um grupo de cavalheiros. Ser ameaçado a ponta de espada por uma donzela! Por Deus! Era humilhante.
— O que quer? — grunhiu irritado.
— O que quero? — ela repetiu parecendo pensativa — Hm, o que quero? — a ruiva baixou a espada e golpeou a coxa de James irreverentemente com a espada, mas antes que ele pudesse reagir, ela a moveu rapidamente de volta a sua garganta — Sua roupa.
Sirius afogou sua risada e as orbes verdes da ruiva se voltaram para ele.
— As tuas também — exigiu ela sorrindo brandamente quando o sorriso dele congelou.
— Eu? Quer que eu tire as minhas roupas?
— Sim.
A ira crescia em James.
— Idiota! — rosnou ao Black, que realmente parecia estar desfrutando da cena — Toma sua espada. Maldição, ela é só uma mulher, uma neném. Te vais ficar aí atirado como um…?
Sirius riu.
— Ela já não é uma neném, não é verdade lady? Além disso, se a senhorita quiser minha roupa estarei encantado em obedecer — Sirius ficou de pé, deixou cair seu cinturão, tirou suas botas, e começou a afrouxar os cordões de sua calça — Depois de tudo, é justo, a espiei enquanto estava nua”.
O entusiasmo de Sirius enquanto tirava as calças e a roupa interior só aumentou a irritação de James. Para sua surpresa, quando finalmente o Black se mostrava corajosamente ante ela, seu membro ereto, a mulher permaneceu indiferente a sua exibição de masculinidade e com a mão livre, recolheu o cinturão e o lançou pela colina.
— Agora você — disse a ruiva cravando em James a ponta de sua espada.
O Potter considerou que não o faria. Sirius podia consentir com esse jogo, sorrindo como um idiota completamente nu, mas James estava certo a não conceder nada a uma mulher.
— Não — disse firme.
— Vamos — ela exigiu — É um pagamento justo por estar espiando.
— Não é um crime espiar aquilo que se exibe tão obscenamente — ele a repreendeu. A ruiva já tinha ferido seu orgulho de cavalheiro, ele não ia permitir ganhar a luta de vontades também.
A voz dela adquiriu um tom duro.
— Tire sua roupa. Já!
— Não! — repetiu ele também com um tom duro.
Apesar de que a espada nunca se moveu de seu pescoço, a mulher caminhou detrás dele, inclinando-se para lhe sussurrar no ouvido.
— É perigosamente arrogante — seu quente fôlego lhe produziu um calafrio que lhe percorreu o corpo, e a essência de sua pele recém lavada era uma distração perigosa, mas se negou a admiti-lo.
Com o silêncio dele, ela deu a volta para enfrentá-lo cara a cara, se agachou para estar diretamente em sua linha de visão. James não tinha outra opção se não olhá-la e o que viu fez com que seu coração se acelerasse e que sua boca se secasse. Graças a Deus, ela já não estava nua, de outro modo a luxúria teria esmagado toda sua vontade. Ainda assim, sua fúria se derreteu instantaneamente, e era difícil para ele formar ideias, e muito menos emitir palavras.
Era bela como uma manhã de natal. O cabelo dela secava-se formando suaves ondas, parecia vinho com a luz do sol, e seus olhos brilhavam tão claros e verdes como esmeralda. Sua pele era tão delicada, parecia que seria morna ao tato, e seus lábios eram rosados claros. James desejou deixá-los mais rosados com beijos.
Ele baixou seus olhos até o doce oco entre seus seios. O martelo de Thor feito em prata pendurava em uma gargantilha ali, em brusco contraste com sua pele convidativa.
A voz dela era suave agora.
— Realmente isto vale sua vida? — havia um traço de curiosidade em seus olhos, como se não pudesse acreditar que ele se negasse a obedecer a suas ordens.
Ele tragou com dificuldade. Se ela tinha planejado desarmá-lo com sua beleza, era uma boa ideia e funcionou até certo ponto. Mas enquanto ele continuava olhando sua formosa e feminina face, ele se deu conta de uma verdade. Significativa. Apesar de toda sua bravura e palavras duras, ela era uma mulher. E o coração de uma mulher sempre era terno e compassivo.
A espada ameaçando sua garganta não era mais que uma travessura. Ela nunca a usaria para machucá-lo. Não era mais perigosa que um gatinho.
— Não me cortará — disse desafiando-a com o olhar, a ruiva franziu o cenho.
— Não seria o primeiro — o tom firme dela o fez acreditar por um instante.
Sirius, preocupado pela séria mudança no tom de palavras, interrompeu com um sorriso.
— Paz amigos! Não necessitamos que isto se converta em um assunto tão grave. Vamos, te tire a roupa como um bom moço, sim Potter?
Com as palavras do moreno, um alarme percorreu os traços da donzela como um raio, desaparecendo outra vez tão rápido que James se perguntou se o tinha imaginado. Ela ficou de pé então, e se parou ante ele como um conquistador. Sirius tinha razão. Ela não era um neném, nem sequer uma garotinha com semelhante altura. E sua voz era tão cortante e impressionante como sua altura.
— Sua roupa, Sir. Agora!
James estreitou os olhos no quadril dela que estava rodeado por um pesado cinturão de cavalheiro que servia para sustentar a espada. O cinturão ia por cima de uma feminina saia verde.
— Não — desafiou novamente.
Um longo silêncio cresceu, carregando o ar como o vento antes de uma tormenta. E então um raspo estalou. Foi tão inesperado e tão rápido que a princípio James não o sentiu.
— Santa Mãe de Deus! — murmurou Sirius, assustado.
Algo ardia no peito de James. Era impossível. Impensável. Atônito, ele levou seus dedos ao lugar. Voltaram ensanguentados. A donzela o tinha talhado. A donzela de face doce, de voz suave, e olhos verdes tinha talhado sua carne.
Antes que pudesse recuperar-se para lançar um contra-ataque, ela levou a espada de volta a sua garganta, e ele foi forçado a agachar-se dobrado em dois como um animal ferido enquanto o sangue do corte superficial se escorria pela túnica rasgada. Tinha se equivocado a respeito dela. Estava completamente equivocado.
Nenhum remorso suavizou o olhar tranquilo da ruiva, nada de piedade, nada de clemência, poderia matá-lo sem pestanejar.
Nunca tinha visto tanta força de vontade em uma mulher. E só nos mais desumanos guerreiros tinha visto esse tipo de fria determinação. Ele se impressionava e se enfurecia. Dobrado em dois, desamparado, olhando-a fixamente com ira silenciosa, não podia decidir o que sentia por ela, admiração ou ódio.
— Mãe de Deus — disse Sirius balbuciando a donzela — Sabe o que fizestes, lady?
— O dei uma advertência prévia — a voz dela soou dura sem nem mesmo desviar as orbes verdes das cor avelã de James.
— Oh, minha lady — continuou Sirius, sacudindo sua cabeça — Provocou o cervo.
— É só um arranhão — se adiantou ela estreitando seu olhar no Potter — Para lhe recordar quem tenho uma espada aqui.
— Mas, minha lady — Sirius parecia surpreso demais — Sabe quem é ele?
— Deixa-a — interrompeu James, sem deixar de olhá-la e se permitindo um sorriso malicioso — Farei o que minha lady quer.
Por agora, ele pensou. Mas em uns poucos dias, não, amanhã, ele reclamaria Hogwarts para si próprio. Já tinha eleito sua noiva. Se casaria com a terceira irmã, a pequena, delicada e dócil, a que parecia incapaz de matar uma mosca. Quanto a ruiva, encerraria-a por sua rabugice. Mal podia esperar para ver o gelo da compostura dela quebrar-se quando lhe informasse que ela passaria um mês em calabouço de Hogwarts.
O coração de Lily pulsava ferozmente, e desejava que seus ossos não tremessem, o mais leve tremor em seu olhar podia ser mortal. Tinha chegado ao extremo, e agora, sabendo quem enfrentava, não se atrevia a retroceder, menos ainda ante o normando que presumia quem ela era.
O tipo de mulher que ele podia intimidar.
Ainda assim, ela desejou ter lutado com seu desafio de um modo mais diplomático. Respondendo com semelhante golpe não era digno dela; esse tipo de reação violenta era mais próprio da volátil Marlene. Envergonhava-lhe admitir que tinha atuado de maneira irracional. Mas ao ouvir o nome Potter referindo-se ao homem que ela tinha acreditado ser um inofensivo e travesso moço foi um grande choque. E suportar o escrutínio desses olhos ardentes, tão temerários, tão insolentes, tão atrevidos tinha-a perturbado completamente. Debaixo de semelhante pressão, ela o tinha talhado.
Tinha esperado terminar com o assunto dos espiões rápido e facilmente. Com a primeira impressão, ela tinha adivinhado que o sorridente cavalheiro de cabelos escuros era inofensivo, por isso tinha apontado sua espada ao outro, que lhe tinha parecido mais perigoso. Mas tinha subestimado a extensão de sua periculosidade. E embora ela preferisse morrer antes de admiti-lo, quando finalmente pode ver a face do Potter, estremeceu-se pelo fato de que fosse o homem mais bonito que tivera visto. Tinha esperado que o normando que viria como administrador fosse muito mais… feio. E muito menos jovem, e menos magnífico.
Era difícil olhá-lo sem notar o tom castanho esverdeado de seus olhos, seu cabelo brilhante, sua boca curvada que parecia chamá-la, tentá-la, convidá-la a…
Voltou a focalizar seu olhar nos olhos dele. Por Deus! O que estava pensando? Não importava se ele era bonito. Ele era seu inimigo. Era o bastardo normando que tinha vindo a ocupar seu castelo e suas terras. Estremeceu-se ao recordar o que mais ele tinha vindo tomar.
Forçou suas sobrancelhas a franzir. Ele havia se dado conta de sua distração? Da vacilação de sua determinação? Uma luz sutil alterou o olhar dele. Podia ser diversão ou satisfação, nenhum bom presságio.
Lily se endireitou e se esticou enquanto ele tirava suas botas, desabotuava seu cinturão, e começava a tirar suas calças, tudo com deliberada tranquilidade. Maldição, as palmas de suas mãos estavam suando, o cabo da espada estava escorregadio em sua mão.
— Te apresse — ordenou irritada com as sensações que passavam em seu corpo.
As pestanas dele se baixaram em sugestiva insolência terminando de tirar as calças.
— Paciência, minha lady — murmurou.
Lily desejou golpeá-lo outra vez, mas afogou esse impulso, ele não devia descobrir como a provocava ou ela nunca conseguiria dobrá-lo. Nunca. Ainda contra sua vontade, seu olhar permanecia fixo onde os dedos dele distraidamente afrouxavam os cordões de sua roupa interior. Seus nódulos mostravam cicatrizes próprias de um guerreiro, mas suas mãos se moviam com graça e habilidade que fez que seus joelhos se debilitassem.
Então, sem cerimônia e antes que ela pudesse recuperar-se, ele baixou o último objeto.
Ela se afogou. Era como se não tivesse visto centenas de homens nus antes. Tendo passado a metade de sua vida entre homens, vê-los sem roupa tinha sido inevitável. Mas o olhar que lançou ao membro dele, parecia dizer o contrário. O olhou com desejo.
O que significava que ela tinha uma arma a menos em seu arsenal.
Maldição.
— E agora? — perguntou ele, os olhos faiscando perigosamente. — Gostaria de ver se te cabe?
Se ele queria insultá-la, tinha falhado. Do primeiro minuto em que Lily tinha levantado sua primeira espada e usado sua primeira cota de malha, tinha sofrido a ridicularizarão por parte de homens e mulheres por igual. Se foi acostumando com os anos de insultos, ao que ela tinha aprendido a responder, ao princípio com a espada e mais tarde com a indiferença.
— Perdoe a meu amigo — a voz de Sirius soou divertida no silêncio da resposta dela — É lento mentalmente e muito rápido com a língua. Ganhas-te. Rogo-lhe, deixe-nos ir em paz.
Apesar dela ter ganhado e que estava exercendo sua vingança ao condená-los a uma tarde humilhante caminhando pelo campo com nada para cobrir-se, Lily não podia sobrepor-se à ideia de que de algum jeito ela estava sendo refém da situação.
O normando ainda a olhava com olhos penetrantes, e não importava que ela o estivesse ameaçando a ponta de espada. Não importava que ele estivesse nu. Tampouco importava que ele estivesse marcado pelo fio da espada dela. Havia um olhar de vitória em James, e ela sabia que nunca tinha enfrentado a um inimigo mais formidável.
Por Deus! Que passaria quando ele descobrisse quem era ela? O que seria de Hogwarts quando esse bruto viesse reclamar seu lugar no grande hall do castelo?
E o que seria dela quando devesse reclamar seu lugar em sua cama?
Rapidamente, antes que um tremor pudesse traí-la, ela tomou a roupa interior de James e de seu companheiro com sua mão livre, as pondo logo sobre seu ombro. Então saudou os homens com uma breve sacudida de cabeça e se apressou a sair dali. Estava afastando-se quando o Potter a chamou.
— Se esqueceu de algo, minha lady?
Sempre em guarda, ela girou com sua espada pronta para atacar. Muito tarde. Algo passou assobiando perto de sua orelha e se alojou no tronco da árvore ao lado dela. A adaga da bota dele.
Lily se sobressaltou. A adaga não lhe tinha acertado por uns poucos centímetros. Mas quando ela fixou seus olhos em James, parado ali em aberto desafio, soube em um segundo que ele tinha tido a intenção de errar. O que era ainda mais ameaçador.
Sua mensagem era clara. Ele podia tê-la matado. Ele simplesmente escolheu não fazê-lo.
Ela embainhou sua espada e se afastou com toda a calma que pôde fingir, silenciosamente amaldiçoando ao normando em todo o trajeto de volta a sua casa.
— Maldição! O que nos passou? — Sirius rosnou quando a moça havia desaparecido.
James ainda fervia pela traição de Sirius.
— Perdemos nossa roupa, e em parte graças a você!
— Nossa roupa? James, perdeste a cabeça — Sirius baixou com tropeções pela colina até o lugar onde estavam suas armas. — Sabe, se queria escolher uma noiva por eliminação, poderia ter me dito isso, não precisava matá-la, eu estaria encantado de tomar a uma delas.
O Potter seguiu o amigo.
— Não ia matá-la. Tenho algo muito pior para ela.
— Não brinque — disse o Black, saltando em um pé — Vai se casar com ela!
— Agora foi você que perdeu a cabeça — James não podia negar que o pensamento de deitar-se com a donzela era diabolicamente tentador. A beleza dela naturalmente o tinha excitado, apesar de sua determinação de não demonstrá-lo. Mas havia algo mais. A maioria das donzelas o fazia sentir-se superior, forte e inteligente. Esta desafiava sua dominância. Pela primeira vez em sua vida, havia-se sentido de igual para igual com uma mulher, fisicamente e mentalmente, e a ideia de deitar ao lado dessa mulher o excitava.
Mas em um instante, com o ataque de sua espada, ela tinha mostrado seu frio coração.
— Vou encadea-la, quebrarei seu espírito, irei ensiná-la o que é obediência.
— Ah sim, como disse — continuou Sirius — Vais casar com ela então.
— Vou casar com a tranquila e dócil — declarou o Potter, embora a ideia lhe trouxesse pouca alegria — Sem dúvidas ela provará ser uma esposa devota, agradecida e obediente, feliz de agradar meus pedidos. É a mais frágil das três, não parece capaz de levantar uma espada, e muito menos de me atacar com uma.
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