Donzela Guerreira

3 Preparados, acordados e assinados


Notas iniciais
Que comentários perfeitos, não foram o dobro que eu pedi, mas me animaram para postar. FilipaBlack, thalielen, Green Day Girl, 4real black star capítulo para vocês que favoritaram a fic. Leitores maravilhosos, sigam o exemplo deles, favoritem. Façam uma autora amadora feliz! Ps¹: No gif: Ben Barnes como nosso gostoso Tenente Sir Black, ou Sirius. Ps²: Dobrei o capítulo, espero que a leitura não fique cansativa, mas se ficar é só me avisar. Boa leitura!

Capítulo 3

Preparados, acordados e assinados

— Outra vez! — ordenou Lily levantando o braço e fitando a irmã para um contra-ataque.

Marlene investiu com um sorriso selvagem e suas espadas se choraram produzindo uma série de faíscas. A violência era catártica, algo que lhe revitalizava depois do encontro perturbador da manhã. A ruiva não tinha falado com suas irmãs de seu encontro com o Normando, tampouco tinha intenção de fazê-lo. Ela preferiu lidar sozinha com o episódio, ao menos Marlene e Dorcas passariam suas últimas horas como as administradoras de Hogwarts com uma piedosa ignorância.

O escudo de Marlene se chocou subitamente contra o de Lily, sacudindo seus ossos, mas ela se equilibrou, devolvendo um golpe horizontal de sua espada que teria talhado a qualquer um pela metade. Mas Lene fora rápida, saltou para trás com um grito curto e se agachou bem a tempo para ficar debaixo da espada da irmã.

— Aha! — gritou a loira, a ponta de sua espada sobre o queixo de Lily, seus olhos acesos com a vitória.

Mas a alegria na face de Marlene, que estava poeirenta pela prática em campo, não diminuiu o peso do sinistro destino no qual Liy nem podia deixar de pensar. Ele viria. Talvez não esta noite. Talvez não amanhã. Mas ele viria por ela.

A ruiva tinha certeza que no instante em que cruzou seus olhos com os de James, ela devia ser a filha a se casar com ele. Dorcas não podia, porque desapareceria debaixo da sombra poderosa desse homem. Lene não podia, porque um deles terminaria morto ao final de sua noite de núpcias, e ela temia agora que não seria o normando.

Não, ela devia sacrificar-se. Seria um matrimônio infernal, estava segura, mas sobreviveria. Por Dorcas. Por Marlene. E por Hogwarts.

Lene interrompeu seus pensamentos, aplaudindo a bochecha de Lily com a mão enluvada.

— Trabalha em sua velocidade, preguiçosa — provocou ainda com o sorriso vitorioso — Devemos ao menos fazer que o bastardo normando tenha que caçar a sua noiva.

As palavras da loira ecoaram em sua alma como sinos discordantes. Não haveria caçada de noiva. Não com James. Ele viria e a reclamaria. Simplesmente. Rapidamente. Irrefutavelmente.

Sua imagem, gravada de maneira indelével em sua mente como os desenhos no punho de sua adaga, assaltou-a outra vez: sua aparência orgulhosa, seu sorriso zombador, seu olhar desdenhoso, e seu pulso começou a acelerar-se. Por Deus. O que lhe passava? Ela não era uma donzela frágil que se intimidava quando enfrentava um perigo. Ela era Lily. Tinha açoitado ladrões e domado feras e ferido bandidos. Não permitiria que o endiabrado normando a esmagasse.

A fúria esquentou suas bochechas, empurrou a espada de Marlene a um lado com seu escudo.

— Outra vez!

Faíscas explodiram quando suas espadas se chocaram mais uma vez. Lene girou e saltou, revolvendo sua espada como se fora de brinquedo, mas o escudo de Lily estava sempre lá para responder. Enquanto a loira mostrava todos seus truques, a ruiva poderosamente rechaçou os golpes com sua própria espada, mantendo longe a Lene com sua força superior e uma crua determinação que não permitiu que fosse derrotada. Mas não era a sua irmã a quem ela procurava conquistar, a não ser os demônios que habitavam seus pensamentos.

Esta, ela pensou, golpeando diagonalmente para baixo, é por me espiar como um jovenzinho. E esta? Ela se equilibrou para diante, errando Lene por centímetros, é por burlar com o truque da adaga. Ela desviou a espada de Marlene que ia para sua cabeça. E esta outra? Ela avançou incansavelmente, golpeando a mão direita e sinistra em rápida sucessão, até que Lene esteve abandonada contra a cerca. Esta é por me olhar com esses olhos implacáveis, sedutores, e perturbadores.

— Lily! Lene! — Dorcas as chamou do portão, tirando a ruiva abruptamente de seus pensamentos. A morena levantou suas saias para caminhar pelo campo de prática. Lily e Lene fizeram uma pausa em sua briga suficientemente longa para ver que, correndo servicialmente detrás dela, como sempre, estava Sung Li. Dorcas havia conseguido a criada anciã anos atrás, junto com várias armas do Oriente, que formavam sua extensa coleção.

A loira usou a distração para deslizar-se por debaixo da guarda de Lily e debaixo dela, para golpear as costas da mesma com o anverso de sua espada. A ruiva girou e se lançou para diante, mas Lene a evitou com um malicioso sorriso.

— O que estão fazendo vocês duas?! — gritou Dorcas, suas mãos em seu quadril.

Acostumadas à desaprovação da morena, Lily e Lene a ignoraram. A ruiva investiu aos joelhos de Marlene, a loira limpamente saltou por sobre a espada e devolveu um golpe que se Lily não evitasse agachando-se teria arrancado sua cabeça.

— Por que se banharam antes? — grunhiu Dorcas em desgosto — Agora estão imundas! Foi desperdício de sabão — a serva estalou a língua ao fim da frase da morena. Marlene apenas rodou, se arqueou e saltou ficando de pé outra vez, pronta para batalhar. Lily se levantou, lançando sua trança sobre seu ombro — Parem, irmãs — rogou a irmã menor outra vez.

— Volta para dentro Doe, acabará sujando suas sais — avisou Lily bloqueando o próximo golpe de Marlene.

— Mas Papai me pediu para chamá-las! O jantar!

— Jantar? — Lily girou e então lançou um olhar ao sol, estava baixo no céu.

— Sim, já é tarde — insistiu Dorcas.

— Só mais um pouco — pediu Marlene passando a espada à mão direita para desviar o anvanço de Lily — Não se preocupe, assim que acabar iremos jantar.

— Mas papai diz que devem vir agora! O novo administrador chegou e esta aqui faz mais de uma hora, vocês nem sequer estão vestidas adequadamente!

James estava ali? Já? As palavras de Dorcas assombraram Lily, e esse instante de distração lhe custou um pequeno corte na bochecha da espada de Marlene. Fez um gesto de dor, apertando os dentes.

Dorcas conteve a respiração.

— Oh! Lily! — Marlene baixou sua espada de uma vez — Perdão.

— Não — a ruiva apenas balançou a cabeça negativamente, não seria o primeiro arranhão que as irmãs se proporcionavam — Minha culpa, pequei na atenção.

— É melhor entrarmos — aconselhou a loira.

— Não os faça nos esperarem para o jantar, lavaremo-nos e iremos em seguida — disse Lily.

Dorcas as estudou desconfiada, possivelmente perguntando-se se alguma vez conseguiriam lavar-se de toda essa imundície.

— Apressem-se, Sir James parece ansiosa em conhecê-las — a morena correu afastando-se.

— Muito ansioso — murmurou Marlene quando a irmã menos não era mais vista — Sem dúvida o bastardo quer casamento rápido e cama rápido também — tirou as luvas desviando o olhar para a irmã — Vamos então, antes que o velho normando comece a montar-se aos cães.

Lily estava muito distraída para apreciar o sarcasmo de Marlene. O temor enchia suas veias. A hora do encontro havia chegado. O homem certamente não tinha desperdiçado tempo, pensou. Tinha a esperança de ter um dia ou dois para que sua ira se esfriasse. James tinha descoberto quem era ela? Mas a ruiva se negou a entregar-se a temores típicos de donzelas. Ela era uma guerreira, depois de tudo.

— Sim — confirmou com a irmã deixando sua espada e limpando o sangue de sua bochecha com a manga de sua roupa. Ela se endireitou acomodando seus ombros. Era hora de confrontar o diabo que em pouco tempo seria seu marido.

[...]

— Está arrumado então — o tabelião murmurou.

James observou o homem escrever velozmente no documento sobre a mesa ante o velho lorde colocasse seu jantar nele, apoiou com força o selo de cera para acentuar o escudo de Hogwarts.

O velho lorde havia insistido que os papéis fossem assinados de uma vez, apesar de que todos estivessem no meio da comida. O lorde sorriu vagamente, dispensando ao tabelião do grande hall ruidoso com um gesto de sua mão ossuda, então voltou sua atenção à carne assada no prato ante ele.

James revolvia os pedaços de carne sem comê-los, não podia evitar sentir pena pelo velho Lorde de Hogwarts. Certamente ele tinha sido um guerreiro formidável em sua juventude, porque sua grande espada estava pendurada na parede por cima de uma dúzia de escudos conquistados pelo cavalheiro. Era de ossos compridos e largo de ombros, com dedos suficientemente compridos para enforcar a um homem com uma só mão. Os poucos fios que ficavam de seu cabelo eram claros, e seus olhos eram azuis, indubitavelmente filho de Vikings. Mas o tempo o tinha deteriorado como o rio carcome a rocha, suavizando sua aparência e infelizmente suavizando sua mente também.

Era penosamente claro agora que o rei tinha cedido as rédeas de Hogwarts a James não como um presente, mas sim como uma tarefa a cumprir. Porque nas mãos de um lorde senil com três filhas e um grupo de cavalheiros faltosos de treinamentos pela paz em que viviam, Hogwarts certamente seria presa fácil dos ingleses. E isso seria uma tragédia. O castelo era magnífico, sua localização invejável.

Por pedido do Potter, a filha mais jovem e sua camareira o tinham guiado pela fortaleza para conhecê-la. Ele se deu conta de que havia mudanças que se precisavam fazer. Algumas das construções exteriores estavam deterioradas e necessitadas de reparação. Não havia suficientes depósitos de armazenagem. E as muralhas que rodeavam a fortaleza e seus amplos jardins deviam ser fortificadas.

Mas essas paredes encerravam tudo o que alguém necessitava para sobreviver na área selvagem de Escócia. Uma tosca capela de pedra se erguia no meio do jardim, flanqueado por uma fonte. Um extenso pomar provia maçãs, nozes, avelãs, ameixas, e cerejas, e uma grande variedade de vegetais. Estavam os estábulos, o posto do ferreiro, o depósito de armas e as cozinhas. Atrás da fortaleza se achava o lugar dos animais: os cães, os cavalos, e os falcões. E mas além, um extenso campo de prática. A fortaleza em si mesma era um castelo que seria o orgulho de qualquer homem. Um prêmio, ele supôs, que valia o preço de um matrimônio.

— Ah sim, está tudo arrumado — lorde repetiu, dando ao Potter um sorriso distraído enquanto ele carinhosamente aplaudia a mais jovem de sua filha.

A pobre donzela estava pálida como o leite, mas James não podia lhe dar um sorriso de segurança. Sentiu-se subitamente esmagado com um peso que lhe tirava o apetite.

— Não te arrependerá de sua decisão — Sirius resolveu abrir a boca, tratando de afrouxar os medos da donzela com uma palavra amistosa e um piscar de olho — Apesar que várias donzelas estarão tristes de saber que o coração do Sir James Potter finalmente foi conquistado.

A moça respirou com dificuldade e baixou seu olhar úmido à taça de cerveja que tinha a frente dela, a qual ela não havia tocado.

— A sua saúde! — o pai gritou, sobressaltando a pobre jovem e levantando sua taça tão bruscamente que a cerveja se derrubou sobre a branca toalha de linho.

As pessoas do castelo estavam sentadas ao longo de diversas mesas no grande salão e não estavam conscientes da causa do grito do lorde, entretanto o felicitaram. James levantou sua taça, embora seu coração, tampouco, estivesse para brinde. Por que ele estava descontente, não sabia. Depois de tudo, não tinha o que queria? O Lorde de Hogwarts o tinha recebido generosamente, e a noiva escolhida parecia totalmente doce.

Entretanto ele estava vacilante a respeito de reclamá-la como sua. O fato que James virtualmente tinha vindo a usurpar a fortaleza do Lorde era um soco na cara do velho. Mas apropriar-se de uma de suas filha... não seria muito? Finalmente, James tinha decidido fazer algo nobre, deixar que o pai escolhesse qual da donzelas desejada dar em matrimônio.

Então, para sua surpresa, antes que o lorde pudesse fazer essa decisão, antes que as outras duas irmãs tivessem aparecido para jantar, a mais jovem humildemente se ofereceu a si mesma. James não era tolo. Podia adivinhar instantaneamente pelo tremor em sua voz que ela se sacrificou não por desejo por ele, mas sim fazia certo tipo de sacrifício honorável. Era uma situação trágica, e entretanto não podia fazer nada mais que aceitar sua oferta. Se não a aceitasse não só a insultaria, mas sim mancharia a grandeza de seu gesto.

Seu pai naturalmente aprovou a união. Porque para todo lorde, a filha mais jovem era obviamente a mais dispensável. Era o mesmo nos lares Normandos. O primogênito era criado para mandar, o segundo, para brigar, mas o terceiro só podia ambicionar algum lugar na Igreja ou um matrimônio proveitosos. Certamente, o matrimônio com James seria proveitoso para ela.

Ainda, assim, não foi com felicidade que o Potter olhou à sombria moça que temia encontrar seus olhos, nem ao senil lorde com um bigode de espuma de cerveja por cima de seu lábio, nem ao grupo de Escoceses a seu redor que o olhavam com uma combinação de adoração e desconfiança.

Só Sirius parecia cômodo entre as pessoas do castelo, mas ele sempre parecia estar cômodo e depravado, o Black podia cercar uma conversa tão facil com uma nobre lady como com uma serva. James poucas vezes procurava os afetos de uma mulher, mas seu atrativo sempre tinha sido a base de suas conquistas, nunca seu encanto.

Esta vez, entretanto, seu atributo falhou em diminuir o terror dos olhos de… oh… qual era seu nome? Maldição, se queria diminuir o terror da dama, seria melhor que recordasse seu nome.

— Vamos — Sirius o acotovelou nas costelas — Não franza o cenho ou assustará Dorcas.

Dorcas! Era isso. Desde que se enfrentou com a ruiva essa manhã, sua mente tinha estado confusa e intranquila.

— Além disso — continuou Sirius — Ele tem uma alma gentil, minha lady, apesar de sua face severa, ele é conhecido por seu amor pela música e sua doçura com os animais pequenos e os bebês.

A irritação de James aumentou. Que idiotices estava falando Sirius agora? O único uso que encontrava aos pequenos animais era comer-lhe e quanto à música...

— Ah! Chegam tarde! — grunhiu o lorde abruptamente.

James levantou a vista da carne assada. Meu Deus! Era hora! Caminhando com calculada lentidão para a mesa central, com suas faces orgulhosas e formosas, vinham as irmãs de Dorcas. Se chegassem tarde assim para jantar quando ele fosse lorde, decidiu, deixaria-as ir dormir com fome.

James pensou que tinha gravado a face da ruiva em sua mente, mas viu que sua memória não lhe fazia justiça. Ela não só era bela, era de uma beleza que paralisava, esbelta e elegante em um vestido de seda azul, deslocou-se como flutuando pelo piso de pedras com a graça de um gato. Sua irmã a seguia, vestida com um túnica de cor açafrão pálido, como se dada a apropriada provocação, estivesse pronta para saltar subitamente sobre uma das mesas.

A conversa de Sirius se diluiu enquanto as magníficas irmãs abriam caminho através do hall. Inesperadamente, o pulso de James se acelerou, e ele sentiu a ferida que a ruiva lhe havia infligido, latejar debaixo de sua túnica.

Por horas, ele tinha imaginado o choque absoluto em sua face quando ela descobrisse sua identidade. Gozaria ao ver sua mortificação quando ela se desse conta que tinha atacado a seu futuro lorde. Mas sua sede para ver a humilhação dela não ia ser saciada. Sua expressão calma com a que ela encontrou seu olhar foi tão fria como o gelo. Não só ela não parecia surpreendida por sua presença, mas sim completamente desavergonhada. Moça atrevida! Sabia todo o tempo quem era ele? Se era assim, então suas ações tinham sido frias e calculadas. A bruxa o tinha provocado deliberadamente.

Enquanto ela se aproximava, seus olhos brilhando como estrelas de gelo, a antecipação da deliciosa vingança acelerou seu coração. Toda a tarde, enquanto sua ferida supurava, ele se tinha imaginado como domar a essa moça. Ele tinha pensado em encerrá-la com nada mais que pão e água. Tinha ponderado a ideia de cortar uns centímetros de sua apreciada cabeleira ruiva cada dia até que ela se rendesse a ele. E agora que sua vingança estava tão perto, resultava-lhe natural o desejo de saboreá-la como a um bom vinho espanhol.

Mas de algum jeito, ele a observou aproximar-se, seu cabelo brilhando à luz das velas, seus peitos pressionando gentilmente contra o decote baixo de seu vestido, seus lábios cheios, carnudos e rosados, seus pensamentos a respeito de castigos adquiriu claramente um ar sensual. Abruptamente foi assaltado por visões dela mordiscando pão de seus dedos enquanto estava ajoelhada e encadeada na torre. Ele imaginou tremendo em sua regata enquanto o vento sacudia a pecaminosa transparência contra suas curvas nuas. Ele viu suas próprias mãos tocando suas sedosas tranças enquanto extraía uma faca para as cortar centímetro a centímetro.

Amaldiçoou a seus erráticos pensamentos que estavam esquentando seu sangue. Merda! Havia só uma coisa pior que ser submetido por uma mulher com uma arma, ele decidiu, E isso era ser subjugado pela própria luxúria por ela.

— Minhas filhas maiores — o velho lorde disse a modo de introdução, lhes fazendo gestos com um osso de cordeiro de seu prato.

James brevemente encontrou o olhar da ruiva. Aparentemente ela não tinha intenção de revelar o encontro dessa manhã. Ele notou que desde que a tinha visto pela última vez, ela se tinha feito um pequeno arranhão ao longo de sua bochecha. Se perguntou onde o teria feito.

— Perdão, papai — a segunda irmã disse, tomando um assento perto de Dory? Dorea? Dorethe? Por todos os santos, por que não podia recordar o nome de sua noiva? — Estávamos no campo de prática — a loira adicionou, lançando um olhar desafiante a Sirius e a ele.

— Ah — disse o lorde mastigando um pedaço de carne — Quem ganhou?

— Marlene ganhou, pai — a beleza ruiva respondeu, deslizando-se no banco entre suas irmãs — É obvio, deixei-a ganhar. — e um sorriso presunçoso delineou os lábios dela.

— Me deixar ganhar? — Marlene chiou ofendida — Claro que não! Eu...

— Marlene! — Dorcas interviu brandamente — Temos convidados.

— Oh — desdenhou a loira, seu olhar passeou até o par de homens como se estivesse avaliando cavalos de guerra para um combate — Ah sim.

— Este é Sir Sirius Black — a bela morena continuou — E este é... — ela não estremeceu, mas James podia sentir seu desgosto enquanto o apresentava — Este é Sir James Potter. Sir Black, Sir Potter, estas são minhas irmãs mais velhas, Lady Marlene e lady Lily.

Lily! Ah, ele tinha esperado que seu nome fosse de origem Viking, algo horrível como Grimhilde ou Gullveig, mas se surpreendeu por ser o nome de uma das flores mais bela. James baixou seu olhar, a gargantilha com o martelo de Thor estava ainda aninhado no doce decote do seio dela. Sirius, como sempre, recuperou sua voz primeiro.

— É um imenso prazer conhecê-las, miladies.

Marlene sorriu em falsa cortesia, estendeu o guardanapo e logo a acomodou sobre sua saia.

— Sabe que sou melhor que você Lils, deixar ganhar... a mim justamente — desdenhou cotovelando a irmã ruiva, a loira percebeu o olhar do moreno em si.

— Ganhar, minha lady? — Sirius se interessou enquanto fitava o belo decote dos seios dela. Viu a loira o fitar, com sua total atenção, como se tivesse esperado essa chance para impactá-lo.

— Briga com espada.

— Briga com espada? — o Black sorriu desconfiado. Sem dúvida ele pensou que ”Briga com espada” era algum tipo de jogo escocês. James pensou de outra maneira.

Marlene lançou a Sirius um sorriso travesso. James franziu o cenho, preocupando-se com sua astúcia e seu atrevimento. Eram coisas das que ele teria que cuidar-se no futuro. Ao menos Lily, apesar do sangue-frio em suas veias, parecia honesta e direta.

A loira fitou seu pai, embora claramente falasse com Sirius.

— Deveria ter visto, Pai, Lily veio em cima e me teria arrancado a cabeça, mas a atirei a um lado, evitei seu ataque, fiz-lhe uma ameaça à esquerda e à direita, então avancei e a pus contra a cerca e minha espada foi direto a sua garganta.

Pela primeira vez em sua vida, Sirius ficou sem fala, mas James olhou para Lily. Seu sorriso confirmava tudo. Oh sim, era verdade, as moças eram duas guerreiras dos pés a cabeça. E agora, pela estranha tensão na nuca, ele começou a entender por que o rei tinha devotado a ele, Sir James Potter, capitão dos Cavalheiros da Ordem, esse particular presente: o de escolher entre três bombons um como sua esposa, estavam envenenados com um veneno que nenhum homem por mais forte que fosse poderia sobreviver. Só o mais inteligente, o mais capaz, o mais competente dos comandantes poderia ter esperança de domar a essas moças guerreiras.

— Alguma vez ouviram falar das Donzelas Guerreiras de Hogwarts? — Marlene perguntou, um ângulo do lábio de James se levantou em um sorriso sardônico.

— Os contos de suas façanhas não alcançaram o grande mundo ainda — ele provocou.

Lily levantou sua taça em um sutil gesto de admissão. Sua ironia tinha sido captada. Marlene, entretanto, não deixou passar o insulto.

— Bem, nós nunca ouvimos falar dos Cavalheiros da Ordem.

— Não? — questionou Sirius genuinamente surpreso.

— Hogwarts esta um pouco... isolada — resmungou James arqueando uma sobrancelha.

Lily viu o punho fechado de Marlene ao redor de sua faca e apoiou sua mão para freá-la sobre o antebraço da irmã. Parecia que ela devia admirar ao normando. Ele era mais preparado e mais inteligente que a maioria. De fato, estava começando a pensar se o exército de cavalheiros dele dizia comandar realmente existia. Possivelmente consistia somente deste par de canalhas viajando através das terras, chamando a si mesmos ”Os Cavalheiros da Ordem” e inventando lenda de valentes façanhas.

Permitiu que seu olhar observasse as curiosas roupas de James. O homem era aparentemente tão criativo como engenhoso. Ele tinha usado o que poderia considerar um episódio humilhante para sua vantagem. Ele e seu companheiro tinham encontrado um par de xales escoceses em algum lugar, os colocaram sobre seus ombros e o sujeitaram à cintura, ao estilo escocês, não só dissimulando sua falta de roupa interior mas também obtendo que as pessoas de Hogwarts os aceitassem com afeto pelo fato de vestir-se como eles.

Ao menos, Lily refletiu, se casaria com um homem com um pouco de miolos.

Enquanto Marlene continuava torturando aos convidados, tratando horrorizá-los com espantosas histórias de suas batalhas, Lily bebeu sua cerveja, estudando ao homem que logo seria seu marido. Ele era incrivelmente bonito. Seu cabelo, de cor carvalho escuro, porém era espetado para todos os lados. Sua pele parecia brilhar com a luz do fogo, seus olhos, agora focalizados em Marlene, recordavam a floresta que rodeava Hogwarts, castanho e de um brilho verde escuro, traiçoeiros. Uma mulher poderia perder-se nessa floresta, recordou a si mesmo, separando seu olhar para concentrar-se na cerveja de sua taça.

— Veste-se todo de negro — Marlene contava a Sirius Black servindo uma segunda porção de carne — A gente o chama “A Sombra”, se esconde nas árvores, esperando vítimas e ninguém foi capaz de...

Lily deixou que seu olhar vagasse novamente para o Sir Potter enquanto ele escutava a história de Marlene sobre o bandido local, possivelmente surpreso por seu saudável apetite e por sua anedota, vagarosamente passava um dedo ao redor do bordo de sua taça. A ruiva encontrou a si mesma fascinada pelo movimento. Suas mãos pareciam brutais e pesadas, cheias de cicatrizes e calosidades, e ainda assim capazes de gestos sutis? Seu coração se acelerou inexplicavelmente, e ela enlaçou seus dedos ao redor de sua própria taça ainda tremendo.

Enquanto Lene afundava nos detalhes do misterioso ladrão que vivia no bosque, Lily viu a boca de James torcer-se quase imperceptivelmente, havia certa desaprovação e logo suavizou a expressão, a boca se curvou levemente para cima. Lily levantou seus olhos com surpresa. Por Deus! O homem a estava olhando fixamente. E sorrindo. Um sorriso secreto, cúmplice, cheia de promessas e de uma evidente ameaça. Desviou o olhar, apertando a taça de prata com tanta força que sentiu que o metal cedia. Poderia casar-se com esse homem, mas nunca lhe deixaria acreditar que tinha algum tipo de controle sobre ela.

Deixaria claro a ideia de casar com ele como algo completamente deplorável. Não, ela devia tomar as rédeas agora, antes que ele tomasse em suas próprias mãos e a jogasse a algum escuro calabouço para concretizar sua vingança. Respirou profundamente, para estabilizar sua respiração, deixou a taça sobre a mesa, e interrompeu o discurso de Lene, que estava pondo a Dorcas tão branca como seu guardanapo.

— Então, Pai — disse desviando o olhar para o velho lorde — Já tem os documentos do matrimônio preparados?

— Oh sim — assentiu o homem com a boca cheia — Preparados, acordados, e assinados.

— Acordados e — Lily intercambiou um olhar com o Lene.

— Assinados? — completou a loira quase engasgando-se com um pedaço de carne.

— Sim — ele lhes disse alegremente — Não há necessidade de preocupar-se, Edwina, chamei ao sacerdote, e teremos o casamento amanhã. — Lily pestanejou quando ele a chamou pelo nome de sua mãe, a primeira esposa.

— Amanhã? Mas não fomos consultadas, Pai. Qual de nós?

— Concordei me casar com ele — Dorcas disse rapidamente.

Por três segundos, Lily e Lene só puderam olhar a sua irmã menor.

— O que? — a ruiva finalmente conseguiu murmurar com descrença — Dorcas? Devia ter sido uma de nós duas...

Marlene golpeou seu punho na mesa, fazendo tremer os pratos.

— Não! — dirigiu-se a James. — Maldição, normando! Não podia esperar até conhecer as três? Por que escolher tão apressadamente?

Dorcas apoiou seus dedos levemente no antebraço de Marlene.

— Lene, não te zangue com ele, não foi sua escolha —disse brandamente — Foi minha.

Outro silêncio seguiu enquanto as palavras de Dorcas eram assimiladas.

— Sua escolha — Lene finalmente ecoou com assombro.

Lily não disse nada, sentiu-se subitamente doente, como se seu mundo tivesse dado volta. Um olhar aos grandes olhos avelã de Dorcas e seus lábios trementes lhe disseram a verdade. Sua irmã menor se sacrificou antes que Lily sequer tivesse uma possibilidade de salvá-la.

— Como pode deixá-la fazer isso? — rosnou Lene para o pai.

— Marlene! — Lily repreendeu a sua irmã, mesmo irresponsável como seu pai tinha sido ultimamente, ainda assim era o lorde do castelo, merecia respeito — O matrimônio foi assinado e selado, então? — questionou Lily tão neutralmente como pôde.

— Oh sim, tudo preparado — seu pai respondeu alegremente, sem dar-se conta do desgosto das filhas. — Teremos o casamento amanhã.

A ruiva lançou um olhar severo a Lene, cujos olhos ardiam como brasas.

— Então o que está feito, está feito. — murmurou.

Um detestável silêncio encheu o ar, só interrompido pelo suave som das taças, os talheres e o bate-papo das pessoas comuns nas mesas mais afastadas. Eles jantavam, ignorando o drama que estava passando entre os nobres, todos menos Sung Li, a quem, Lily notou, observava os fatos à distância com uma intensidade quase sobrenatural.

Lene continuava contendo sua língua, como fazia Lily. James obviamente tinha aprovado a união. Depois de tudo, era para seu benefício, casaria com Dorcas, a jovem que nunca questionaria sua autoridade. Mas Lily não tinha intenção de deixar que isso acontecesse. Embora mantesse uma expressão serena, interiormente seus pensamentos se formavam redemoinhos furiosamente. Para o final do jantar, ela já tinha um plano.

[...]

— Não posso acreditar! Não posso tolerar! — Marlene disse arrastando as palavras, enquanto caía da cama de Lily, aterrissando no piso de madeira sua habitação.

Lily resgatou a taça semi vazia da loira antes que o vinho se derrubasse, então agarrou a sua irmã por debaixo de seus braços e a arrastou outra vez até a cama. Lene se inclinou por um momento, e logo e continuou com seu discurso.

— Devemos fazer algo, Lils, devemos nos ocupar desses miseráveis filhos... filhos de...

— Filhos de normandos? —sugeriu a ruiva, preenchendo a taça da irmã.

— Sim — resmungou Lene agarrando a taça e tomando outro generoso gole. Limpou a boca com sua manga enquanto Lily levantava a própria taça ainda cheia.

— Sim, as donzelas guerreiras de Hogwarts sempre triunfam.

Lene assentiu, seu queixo tremendo com orgulho enquanto brindava com Lily. Beberam juntas, mas enquanto Marlene esvaziava sua taça, Lily só tomou uma pequena quantidade. Ela precisa estar alerta e consciente essa noite.

Depois de um momento, os olhos de Lene já estavam nublados pela bebedeira, e sua taça vazia caiu ao piso. Lily esperava que sua irmã caísse em um sono profundo. Mas a loira podia beber tanto como a maioria dos homens. Ela suspirou e começou a murmurar outra vez, inventando novos insultos para os normandos.

A ruiva olhou pela janela de sua habitação observando a posição da lua cheia, calculou a hora. Devia apurar o processo de Lene, não tinha muito tempo, encheu de novo a taça da irmã.

— Brindemos por Dorcas!

— Pobre Dorcas — lamentou Lene — Lils, se esse degenerado alguma vez levantar a mão para ela... te juro... te juro...

— Juremos juntas então — Lily levantou sua taça.

— O mataremos — completou Marlene bebendo um generoso gole.

Lily fez uma pausa, então tomou um pequeno gole, James nunca tocaria em Dorcas. Nunca lhe daria a oportunidade.

— Oh! — exclamou Lene pressionando a mão entre suas pernas, possivelmente porque precisava urinar — Melhor eu ir — a loira riu e se levantou da cama, cambaleou-se por um momento até que pôde estabilizar-se, e caminhou em zigue-zague para a porta — Boa noite, e não se esqueça, Lily, você também jurou!

A última vez que viu Marlene, a loira se cambaleava ao passar no corredor a caminho de sua própria habitação, onde com sorte encontraria o urinol a tempo. Depois disso cairia em estupor a cama e dormiria até bem avançada manhã.

Agora Lily se ocuparia de sua irmã menor. Separar Dorcas da serva intrometida seria difícil, a estranha mulher a seguia por todos lados, mas não havia tempo a perder. Procurou uma pequena bolsa com suas provisões e partiu para o quarto de Dorcas, tanto como a incomodava fazer algo contra seu sentido de honra, Lily supunha que devia enganar a sua irmã menor. Posto que era para seu próprio bem.

Parada ante a porta com sua mão levantada, Lily vacilava. Estava fazendo o correto? Talvez Dorcas estivesse contente por ter James como marido, talvez sua própria doçura faria surgir a decência nele, talvez Dorcas chegasse a afeiçoar-se a ele, e James se renderia a sua natureza gentil. Então Lily recordou o sorriso malicioso que James tinha enviado a ela durante o jantar, o sorriso com a ameaça implícita. Não, o homem era muito inteligente, muito ardiloso para sequer compreender esse tipo de inocência, se ele o permitia casar-se Dorcas, lhe romperia o coração sem piedade.

Com resolução, ela golpeou a porta.

Dorcas ainda não estava vestida para dormir, mas, prestativamente, Sung Li estava estendendo sua camisola que ela sempre insistia que Dorcas usasse para dormir.

— Entre Lily — Dorcas abriu um pouco mais a porta para entrar.

A ruiva estava tentada de simplesmente agarrar a sua irmã pela mão e sair correndo. Seria tanto mais direto e honesto que toda essa armadilha. Mas Sung Li, apesar de sua boa educação, era capaz de armar uma gritaria pior que um galinheiro ameaçando por uma raposa, e a última coisa que Lily precisava era um batalhão de serventes caindo sobre elas.

— Trago uma mensagem de seu… de Sir Potter — mentiu a ruiva — Ele demanda sua presença! — Não, isso soava muito duro — Requer sua companhia.

— Agora? — questionou a morena disse perplexa.

Lily podia sentir o olhar desconfiado de Sung Li, se havia uma coisa no mundo que a ruiva não era boa, com certeza era mentindo. Mentir fugia de seus princípios, exigia honestidade.

— Eu devo te levar até ele.

Dorcas tragou com dificuldade, obviamente reticente, reforçando assim a determinação de Lily de levar a cabo seu plano. A pobre moça estava verdadeiramente temerosa do administrador, era um nobre serviço o que a ruiva estava fazendo.

Lily deu um sorriso de segurança a sua irmã.

— Está tudo muito bem, não fará nada mal, talvez ele só deseje te conhecer um pouco melhor antes do casamento.

Dorcas assentiu e então Lily arriscou um olhar para Sung Li, quase esperando que a mulher lançasse um intenso protesto. Mas a serva curiosamente estava silenciosa, baixando seus olhos e passando sua mão carinhosamente sobre o tecido da camisola de Dorcas.

— Sung Li — chamou Dorcas — Vem?

Antes que Lily pudesse intervir, a serva sacudiu a cabeça.

— Muito ocupada, muito ocupada, muito que fazer para o casamento. Anda você.

Era muito estranho que Sung Li deixasse Dorcas ir sem sua companhia. Lily estreitou seus olhos e olhou a serva, possivelmente a velha fosse o suficientemente ardilosa para reconhecer que a obediência de Dorcas agora era basicamente para seu noivo e futuro marido. Com um pouco de sorte, a velha não ia questionar o fato que a morena não voltasse para sua habitação essa noite.

Em todo o caminho pela escada, Dorcas falava nervosamente, fazendo a tarefa de Lily muito mais fácil, dado que não notou para onde a irmã a estava levando. Quando chegaram à porta da torre, o coração de Lily se paralisou, por isso ela estava por fazer, extraiu a chave de ferro e abriu a porta. Só então Dorcas franziu o cenho confundida.

— Ele queria encontrar você aqui — sem esperar a resposta, a ruiva empurrou gentilmente mas firmemente a irmã dentro da habitação vazia da torre, um recinto com janelas muito estreitas.

— Mas aonde está ele? — Dorcas perguntou — Onde está ?

Antes que a culpa apagasse sua determinação, Lily tomou sua bolsa do quarto e começou fechar a porta que agora se interpunha entre elas.

— Lily?

Lily não podia dar o luxo de sentir piedade, não nesse momento.

Notas finais
Quem acha que o plano da Lily vai funcionar? E a Marlene? Acreditam que ela aceitou simplesmente e foi dormir? Isso sem falar na Doe que teve o noivo roubado. Tsc, tsc, quem acertar o que vai acontecer ganha o próximo capítulo enviado por MP antes de todo mundo. Não parece legal? Já o escrevi, então não tem como mudar. Beijos e comentem!