Donzela Guerreira

20 Não sou infeliz com meu sacrifício


Notas iniciais
Recuperaram o fôlego? Porque teremos mais momentos Jily +18 nesse capítulo. Antes de deixar vocês lerem o capítulo vinte dedicado as divas que recomendaram a fic, sim LoversLove e Mary, estou falando de vocês, quero falar sobre um MP que recebi e sério, ele me deixou mesmo muito intrigada. Eu sei que em muitas fics a Marlene é morena e aqui a minha Lene é loira, mas isso não da direito de me mandarem um MP dizendo que a Blake não é Marlene e que deveria colocar a Nina Dobrev, geeeente, eu não respondi o MP para não discutir com leitor, mas para explicar o motivo da minha Lene ser a Blake é por causa do tumblr: siriusuntiltheveryend, ele existe desde 2007 e a autora escreve fanfics BlacKinnon e Jily, comecei a amar fanfics sobre a Era dos Marotos através dela e não achei justo trocar a Marlene, tão pouco a Dorcas. E também porque não gosto da Nina Dobrev e isso esta bem explícito no meu perfil. Tirada as dúvidas, quem quiser ler as fanfics dessa DEUSA tenho uma no meu perfil, infelizmente esta em inglês, mas quem quiser a tenho traduzida e é só pedir. Claro se conseguir a autorização da autora. Boa leitura! Ps¹: Capítulo Jily e BlacKinnon, esta meio-a-meio. Ps² Aaron Johnson and Karen Gillan como James Potter e Lily Evans. Ps³: Espero que gostem, boa leitura!

Capítulo 20

Não sou infeliz com meu sacrifício

Marlene dormiu tão profundamente que o sol já tinha saído quando seus olhos finalmente se abriram. A primeira coisa que notou foi a palma de Sirius sobre seus seios. A segunda foi que seu membro pressionava contra suas nádegas. E a terceira, a coisa que salvou Sirius de sua ira, era que ele estava profundamente adormecido. Suaves roncos saíam de seus lábios abertos, e seu corpo era pesado como uma cota de malha.

Ela sabia que devia mover-se. Não era nada cavalheiresco o modo como ele a tocava, quase violando-a. Sua mão se sentia quase agradável aí, encaixava perfeitamente, como se tivesse sido feita para rodear seus seios. Ela respirou profundamente, e esse sutil movimento produziu uma doce fricção entre seus seios e a mão dele. Era como se ele a tivesse acariciado ali, e Marlene sentiu seu mamilo inchar-se debaixo da palma da mão. Uma onda de calidez percorreu seu sangue enquanto saboreava a sensação.

Ela o sentiu respirando, seu peito largo expandindo-se e contraindo-se contra suas costas, enquanto seu membro se aninhava contra seu traseiro. Deus, ele estava tão quente ali, como uma brasa esperando ser avivada. Ela se perguntou o que aconteceria se ela se movesse contra ele?

Sirius deveria ter pressentido sua picara intenção, porque rodou para o lado, afastando-se dela. E embora ela nunca houvesse se deitado com um homem antes, embora sempre dormisse sozinha, seu corpo se sentiu instantaneamente privado de seu contato. Ela cuidadosamente se voltou e estudou o perfil do Black. Era bastante bonito, tinha as feições quase delicadas, e entretanto não havia nada feminino nele.

Seu cabelo era negro, sua pele era mais clara do que a dos escoceses. Marlene se incorporou sobre seu cotovelo para observá-lo melhor. Sua mandíbula era larga e forte, coberta pela barba de três dias, prova de que os Normandos podiam sim ter barbas. Ela olhou seus lábios. Também eram diferentes dos lábios dos escoceses. Os homens de Hogwarts tinham bocas de lábios delgados. A boca de Sirius Black parecia tão suave e desejável. Ela tinha visto seus lábios curvarem-se em desgosto, curvarem-se divertidos, e fazer uma careta de dor. Mas agora, enquanto ele dormia, abriam-se levemente, fazendo-o parecer tão doce e inocente como um menino.

Era uma boca feita para rir, para saborear vinho, para recitar versos, para desfrutar dos prazeres da vida. Era uma boca, ela pensou, feita para beijar.

Ela supunha que isso tinha sentido. Depois de tudo, ele era um sátiro. Sem dúvida Sirius se aplicava poções e pomadas em seus lábios todas as noites para mantê-los suaves para beijar mulheres. Se perguntou quão suaves seriam e mordeu seu próprio lábio. Se atrevia a provar? Já tinha beijado muitos moços escoceses. Uma vez, quando ela tinha doze anos um moço da cozinha tinha apostado que ela podia dar um beijo a um amigo dele que estava dormindo sem despertá-lo. Ela tinha ganho a aposta. Mas os lábios do moço estavam secos e rachados pela secura e o pó.

Marlene passou a língua sobre seus lábios, perguntando-se se podia beijar Sirius sem despertá-lo. Impulsivamente, antes que pudesse mudar de ideia, inclinou-se sobre ele. Em seguida fechou seus olhos e conteve o fôlego, pressionou seus lábios suavemente sobre os dele.

Desta vez, ela tinha perdido a aposta, porque no momento em que suas bocas se encontraram Sirius despertou, agarrou-a pelos ombros, e a volteou apoiando-a com as costas na cama. Pestanejando, ele franziu o cenho, olhando-a seriamente.

— O que está fazendo?

— Nada — ela murmurou. Se esqueceu que ele era um guerreiro, treinado para dormir com um olho aberto, um homem acostumado a reagir primeiro e raciocinar depois. Ela também tinha esquecido quão forte era ele. Por Deus, Sirius a tinha posto com as costas na cama antes que ela pudesse respirar. E ele ainda a mantinha presa contra o colchão.

— O que estava fazendo? — ele demandou novamente. Seu tom ameaçador perfurou seu ouvido. A perplexidade de Marlene se converteu em irritação.

— Estava tratando de te tirar vida!

Ele suspirou.

— Não sabe que não deve despertar a um soldado adormecido?

— Não pensei... — ela agarrou seus braços, tratando de tira-lo de cima. Era inútil. Ele era tão forte como um cavalo de guerra — Algo tão insignificante como um bei... — logo que as palavras saíram de sua boca, ela as lamentou.

— Um quê? — formaram-se rugas no ângulo dos olhos dele e um sorriso insuportável substituiu sua irritação. Ele estalou a língua — Diabinha luxuriosa, estava tratando de me beijar.

— Não!

— Oh, sim.

— Estava tratando de... te chutar.

— Sim? — ele baixou seu olhar para sua boca, e os lábios de Marlene formigaram quase como se ele a houvesse tocado ali.

— E o desfrutou? Do chute?

Nada a enfurecia mais que a burla. Lhe mostraria o que era uma patada. Ela dobrou sua perna com a intenção de chutá-lo. Mas ele adivinhou sua intenção e se deixou cair pesadamente sobre ela antes que Marlene pudesse mover-se.

— Tome cuidado, minha lady, sou um homem ferido — Marlene escutou sua advertência. A última coisa que precisava era lhe dar um golpe que atrasaria a recuperação dele. E entretanto ele insistiu em pôr a prova seu temperamento — Sabe, se quiser um beijo — lhe disse, seus olhos brilhando com malícia — Tudo o que tem que fazer é pedi-lo.

— Não o quero... sátiro... violador... filho de...

— Minha lady! — ele exclamou, fingindo um choque — Foi você quem desejava um beijo de mim, eu estava dormindo tranquilamente quando você veio me violar...

— Te violar? Fiz isso?

— Por todos o Santos! Praticamente se atirou em cima de mim e...

— Oh! — a fúria cresceu nela, o tipo de fúria que a fazia falar sem pensar — Só queria ver se é verdade o que dizem — ela replicou — que beijar um Normando é como beijar um sapo!

A maioria dos homens se refreavam ante seus estalos. Sirius só riu.

— E beijaste muitos sapos?

A ira a cegou. As palavras não lhe saíam. A única reação que pôde ter foi um grito de fúria. Mas antes que ela tivesse terminado, os lábios de Sirius desceram para interromper seu grito, afogando o som que saía de sua boca.

Seu sangue fervia, e ela lutou contra ele, tratando de afastar seus lábios insistentes. Quão único conseguiu foi selar seus lábios para prevenir a entrada da língua de Sirius. Sua respiração pesada se moveu de sua bochecha para seu ouvido, lhe produzindo um estremecimento. Tão forte era seu beijo que nem sequer podia tirar seus dentes para mordê-lo. Mas ela pôde usar seus punhos, golpeou-o nos ombros tão forte como pôde. Mas Sirius não dava sinal que sentia algo, de fato, seu beijo se aprofundou.

Sirius queria deter-se, embora fosse um professor da sedução, não era um violador. A menos que, é obvio, esse fosse um jogo que a moça desejasse jogar. Ele somente tinha querido silenciar seu grito. Mas agora que podia saborear o doce mel de seus lábios e sentir o calor de sua irritação, tão parecido à paixão, era difícil desprender-se dela. Pareceu-lhe notar que Marlene o golpeava nos ombros, mas não era nada comparado com os golpes de seu coração. Sirius aprofundou o beijo, tratando de abrir seus lábios, e um gemido de prazer surgiu de sua garganta. Seus pequenos ofegos de protesto finalmente despertaram sua consciência, e forçou a sua besta interior a acalmar-se. Por Deus! Ele pensou, era um cavalheiro. Não importasse quão grande fosse a tentação, Sirius Black nunca forçaria a uma mulher contra sua vontade.

Mas no momento seguinte tudo mudou. Enquanto ele suavizava seu beijo, a intensidade dos golpes dela diminuiu, e para sua surpresa, ela começou tentativamente a lhe retribuir o beijo. Em algum momento no meio de sua irritação e resistência, Marlene deixou de pensar. Essa era a única maneira de explicar sua falta de vontade para resistir e o modo que suas pernas e seus braços haviam se debilitado. Ela reagia, não usando a razão, mas sim por instinto.

Deus! Os lábios dele eram suaves e quentes, mais quentes do que ela tinha imaginado. Onde a havia tocado, tinha deixado sua carne quente. Sua barba raspava sua bochecha, mas ela apenas o notou enquanto sua língua se deslizava lentamente através de seus lábios. Seu fôlego acariciou sua face, e seus gemidos de prazer despertaram algo muito primitivo dentro dela.

Era como se cada nervo de seu corpo convergisse em um mesmo ponto de contato. Seus seios ansiavam, seu estômago tremia, sua virilha ardia. Seu beijo pareceu trazê-la à vida. Era uma sensação embriagadora, uma que a fazia sentir onipotente. Mas quando ele diminuiu a pressão e retrocedeu brevemente, dando a ela uma pausa, um pouco dessa atmosfera sensual se dissipou, e ela foi capaz de pensar racionalmente. Foi aí que ele murmurou.

— Desfrutou disso também, verdade, Diabinha?

O orgulho de Marlene instantaneamente se elevou em defesa, e ela apertou seus dentes, avivada pela arrogância machista.

Ele pensava que ela era tão fácil de conquistar? Que ela agora seria como argila em suas mãos? Recusava-se a lhe dar essa satisfação. Tratando de parecer aborrecida, ela se encolheu de ombros a maneira de insulto. Ele sorriu calidamente e esfregou seu nariz contra sua bochecha.

— Mentirosa, abriu a boca, e o farei melhor.

Para contrariá-lo, ela apertou seus lábios. Beijá-lo podia ser uma experiência impressionante, algo mais prazeroso que tivesse provado antes. Mas ela não seria dominada por suas próprias emoções e definitivamente não seria dominada por esse Normando arrogante.

— Tem medo? — ele arqueou uma sobrancelha.

— Não temo nada — ela levantou seu queixo. O olhar de Sirius desceu para os lábios dela.

— Então abre a boca.

— Não.

— Penso tem medo de que você goste dos beijos dos Normandos.

— Provavelmente.

— De fato, prefere os beijos inexperientes dos moços dos estábulos — os olhos dele brilharam — Ou todos esses sapos que estiveste beijando.

Ela sorriu travessamente.

— Vais permitir que me levante?

— Sim.

— Não sabia que os Normandos eram tão tiranos.

— E eu não sabia que as mulheres escocesas eram tão obcecadas.

— Só somos obcecadas quando nossa virtude está ameaçada — dessa vez Sirius riu.

— Não estou ameaçando sua virtude. Só te ofereço outro beijo.

— Não te beijaria embora fosse o último homem sobre a Terra.

— E entretanto foi para isso que despertaste, pequena provocadora.

Ela sentiu suas bochechas avermelhar-se.

— Não sou provocadora.

— Oh sim, bem — seus lábios se curvaram em um sorriso ardiloso — Tem medo.

Seu temperamento, que nunca tinha sido estável, ferveu perigosamente próximo à erupção.

— Não tenho medo de nada — ela disse apertando os dentes — Nem dos homens, nem das batalhas, nem da morte, nem de você.

— Prova-o.

— Não tenho nada que provar.

— Verdade — a diversão fez seus olhos brilharem — Mas para sempre saberei em meu coração que tem medo de me beijar.

Em seguida ele sorriu e a deixou ir-se. Rodando para um lado, ficou com as costas na cama e entrelaçou seus dedos atrás de sua cabeça, olhando fixamente o teto. Ela deveria estar satisfeita. Depois de tudo, tinha ganho. Ele a tinha soltado. E entretanto o brilho em seus olhos lhe disse que de algum jeito Sirius acreditava que ele era o ganhador.

— Espera! — ela disse, sabendo que estava a ponto de meter-se em problemas — Faça-o.

— O que?

Ela se estremeceu.

— Me beije.

Depois de um momento de consideração, ele suspirou parecendo entediado.

— Não.

— O que quer dizer com NÃO? — ela girou sua cabeça para fitá-lo mortalmente.

— Não — ele deu de ombros — Não gosto de assustar a damas pudicas.

— Não sou pudica.

— Se você diz isso.

— Maldição! — ela grunhiu frustrada — Me beije, canalha arrogante.

— Não ao menos que o peça por bem.

— Filho de... — ela se incorporou furiosa — Pela última vez, não tenho medo de você — e para prová-lo, inclinou-se para frente e esmagou seus lábios contra os dele com força lhe dando um desapaixonado beijo. Ao menos começou sendo desapaixonado. Mas quando ele afundou seus dedos em seu cabelo, acariciando seu pescoço, e em seguida envolveu seu braço ao redor de suas costas, atraindo-a mais perto, seu corpo começou a afrouxar-se.

Sirius parecia envolvê-la, acariciá-la, embalando-a, murmurando palavra doces. E lentamente, gradualmente, indevidamente, ela começou a apaixonar-se.

— Te abra para mim — lhe pediu suavemente.

E, amaldiçoando-se por ser uma tola, ela o fez.

Ela tinha pensado que seus lábios eram suaves, mas não eram nada comparado com a suave e úmida exploração de sua língua. Sua invasão era gentil, e ela encontrou desejando mais.

As mãos dele deslizaram mais abaixo, agarrando as nádegas dela, empurrando-a firmemente contra sua entreperna. Seu membro rígido pressiono sobre a virilha da loira e ela ofegou quando a pressão lhe produziu um estremecimento de prazer.

Sirius apanhou o ofego dela em sua boca e o respondeu com um gemido. O som a afetou como os trovões às vezes o faziam, enviando um estremecimento de excitação ao longo de sua espinha dorsal. Só meio consciente do que fazia, ela afundou suas mãos dentro do cabelo dele, enterrando seus dedos e aprofundando o beijo.

O polegar de Sirius roçou o ângulo de sua boca, e ela girou sua cabeça para mordiscá-lo. Sirius o colocou entre seus lábios. Ela o mordeu levemente com seus dentes, em seguida o lambeu, e depois chupou todo o dedo, chupou-o com força.

Sirius se estremeceu, e ela espiou o efeito prazenteiro que estava tendo nele. A testa dele se enrugou como se estivesse sofrendo uma grande dor. Por que ele estava tão excitado, ela não sabia, mas gostava de ser a que comandava a situação. Isso durou uns poucos momentos. Ele grunhiu e deslizou seu polegar para fora de sua boca.

— Diabos! — Que provocadora que és, moça — ele disse ofegando.

Ela franziu o cenho, insegura do que ele queria dizer com isso. Mas quando ele a afastou gentilmente, mas firmemente de seu corpo, ela se sentiu insultada e insatisfeita. Era como se ele a tivesse desafiado a brigar, e se tivesse retirado justo quando ela estava a ponto de ganhar. Portanto, sua insatisfação foi mais além de uma decepção, era uma irritação evidente. Todo seu corpo pulsava, seu coração acelerado em antecipação, e sua pele estava incomodamente quente.

Enquanto Marlene se movia da cama, Sirius se mordeu o interior de sua bochecha, esperando que seu desejo se apaziguasse . Mãe de Deus, o que estava mal? Tinha passado tanto tempo sem deitar-se com uma mulher que tinha perdido todos os freios? Por Deus! Eram só uns poucos beijos. Tinha beijado centenas de mulheres, moças, servas, putas, escravas... Mas nenhuma o tinha afetado tão profundamente. Nem tão rapidamente.

Desde o primeiro contato, seu sangue tinha corrido mais rápido em suas veias. Mas quando ela chupou seu polegar em uma sugestão muito óbvia, como se estivesse chupando... Deus, não se atrevia a permitir que essa ideia entrasse em sua mente. Seu membro já estava inchado demandando com urgência, demandando alívio imediato. A razão o tinha salvado de desonrar seu cavalheirismo. Amaldiçoou a provocação dela, a pequena zorra sabia o que fazia. O triunfo era óbvio em seus olhos brilhantes. Ela o tinha atormentado, lhe fazendo promessas libidinosas com seu corpo, promessas que ela não tinha intenção de cumprir.

Perguntou-se se ela torturava assim aos moços dos estábulos. Se perguntou se alguma vez ela tinha sido tomada contra sua vontade devido a esse tipo de provocação.

Por sorte para ela, Sirius era perito em controlar suas paixões assim como em controlar cavalos selvagens. Mas observando-a enquanto ela se movia pelo quarto agitada, com suas bochechas ruborizadas, sua respiração acelerada, e seus cabelos desordenados, era difícil não desejar que ela voltasse para a cama.

— Vou pescar — ela anunciou de repente.

— Sozinha? — ele se levantou sobre um cotovelo — Parece-te seguro?

— Quero estar sozinha.

Sua resposta provavelmente tinha um significado mais profundo, mas nesse momento, lhe prestou pouca atenção.

— Não acredito que deveria ir sozinha.

— Disse-te — ela disse, pondo duas espadas em seu cinturão — Não tenho medo de nada.

— Isso é temerário.

Ela abriu a porta.

— Não, te permitir que me beije foi temerário — ela golpeou a porta atrás de si antes que ele pudesse responder.

[...]

O primeiro raio de sol penetrou na manhã nebulosa, Lily levantou a vista, já amanhecia. Ausentemente seguiu limpando sua espada, quando terminou com a tarefa voltou a caminhar impacientemente no campo de treinamento.

James chegava tarde.

Era suficientemente mau ter que enfrentá-lo depois das perturbadoras intimidades que eles tinham compartilhado na noite anterior. Mas o fato de que ele demorasse essa confrontação a punha ainda mais ansiosa e a conduzia a uma perigosa introspecção.

Sua relação tinha trocado? Ela agitou sua espada passando-a no chão, cortando umas flores. Sua rendição na cama provava a dominância dele? Ela se mordeu o lábio.

E se James a tratasse com a condescendência para o inimigo conquistado? Olhou a seu redor procurando furtivamente a presença de testemunhas.

O que mais a preocupava, o que acelerava seu pulso e o que a fazia esticar seus punhos, era dar-se conta que sua relação tinha trocado, mas de um modo que ela nunca tinha previsto. Tão incrível como parecia, quando ela tinha despertado essa manhã e viu os indícios do ocorrido: a banheira com água, as velas derretidas, os lençóis da cama enrugados, não sentiu arrependimento.

De fato, suas lembranças se fizeram mais prazerosas quando olhou James, dormindo em uma enganosa inocência ao lado dela. Seu coração bateu as asas, e ela desfrutou da visão de seu cabelo desordenado, sua boca sensual, seu queixo firme e as palmas abertas de suas mãos. A coxa nua dele tinha roçado a sua e um comichão quente lhe percorreu o corpo tão rápido como um fogo selvagem.

Sim, ela conhecia seu inimigo agora, completamente. Conhecia-o e o desejava.

Era a espantosa realidade, uma que a deixava temerariamente vulnerável, porque James sabia que sua debilidade era ele. E se ele se desse conta de quão facilmente ela podia ser vencida, quão facilmente ela podia ser controlada... Lily soltou um suspiro. Não devia deixar que ele o descobrisse. Devia parecer indiferente pelo que tinha acontecido a noite anterior. Devia atuar como se eles nunca tivessem se beijado. Que Deus a ajudasse! Que nunca tinham compartilhado seus corpos.

Cortou um girassol pela metade com sua espada, girou, e praticou alguns movimentos no ar, tratando de focalizar-se em algo que não fosse o magnífico normando, que a tinha beijado tão pecaminosamente e a tinha enchido de si. Com seu poder. Com seu amor.

— Veio cedo.

Lily conteve a respiração, quase tropeçando-se com sua espada. Aí estava parado o homem, vestido de azul, bonito como o diabo, e tão resplandecente como o amanhecer.

Pela cruz de Cristo! Sua memória não lhe tinha feito justiça. Verdadeiramente ela se rendeu a esse Adonis ontem à noite? Tinha jazido, boca contra boca, peito contra peito, carne contra carne, com esse esplêndido corpo?

Sentindo que seu sangue lhe subia à face, ela desviou seu olhar, examinando o punho de sua espada como se nunca o tivesse visto antes.

— Chega tarde — ela conseguiu dizer.

Ele sorriu brandamente, um som sedutor para os ouvidos dela.

— Dormi profundamente ontem à noite.

O olhar dela foi para cima, conseguindo ver o sugestivo sorriso dele. Suas bochechas ardiam e seu coração cavalgava a todo galope. Deus! Ele era irresistível. Seu sorriso preguiçoso era encantador. A piscada em seus olhos a enterneceu. Ainda seus cabelos rebeldes causaram-lhe um torvelinho de luxúria. Doce Jesus! Como conseguiria esconder a atração por ele?

Distração, ela decidiu. Algo que tirasse esse homem de sua mente. E a melhor distração era treinar. Havia um só problema. Obviamente James não tinha vindo para brigar.

— Não traz armadura.

James se encolheu de ombros.

— Não tive tempo, mas não importa, posso-me defender bem em um treinamento — então estreitou seus olhos com fingida reserva — A menos que tenha a intenção de me matar.

Sorrindo fracamente, ela sacudiu a cabeça.

— Começamos?

James abriu o portão do campo de treinamento para ela, e murmurou quando ela passava.

— Está dolorida? — Lily ruborizou violentamente. Era típico de um libertino perguntar esse tipo de coisa. Sim, havia uma leve dor entre suas pernas, mas... — A massagem te ajudou?

Ela pestanejou. Seus músculos. É obvio. Falava de seus músculos.

— Sim — murmurou envergonhada — Obrigada.

Deus! Seria um desafio manter a mente concentrada.

Contrariamente a suas expectativas, mais que distrair a seus pensamentos, combater com James lhe trouxe alívio. Nunca tinha dado conta de como a esgrima se parecia com o ato sexual: avançar, retroceder, investir, voltar a retroceder e tratar de entrar no corpo de outro. James brigava do mesmo modo que fazia amor, com paixão, habilidade e paciência. Movia-se com graça, entretanto esbanjava sua energia. Cada grunhido, cada lance, cada investida lhe recordava a união apaixonada deles. E, apesar da dor residual entre suas coxas, apesar do lugar errado e do momento, e apesar de sua férrea determinação, ela o desejou.

Despi-lo não era uma decisão consciente dela.

Tudo começou de maneira inocente. A ponta de sua espada apanhou seu plaid e lhe cortou o ombro deixando a camisa pendurada.

— Ora! — James levantou suas mãos para fingir desprazer — É meu melhor plaid, minha lady — ele grunhiu, mas apesar de seu ultraje havia diversão em seus olhos quando a olhou.

Seu coração se acelerou ante a impulsividade que subitamente pareceu dominá-la, e ela o atacou outra vez, esta vez rasgando o outro ombro. Com apenas seu cinturão de couro, o plaid caiu de seu peito, expondo a camisa de linho que levava debaixo.

— O que?! — explorou ele surpreso e retrocedeu — Minha lady, o que faz... ?

Antes de que ele pudesse terminar a frase, ela deslizou sua espada entre os laços de sua camisa, cortando-os e abrindo o objeto. A camisa caiu de seus ombros, pendurando debaixo de seus cotovelos. Então, enquanto James estava parado com a boca aberta de assombro, lhe arrebatou sua espada com um golpe mandando-a a golpear contra a cerca.

Sem respiração por seu próprio atrevimento aberrante, Lily apoiou a ponta de sua espada contra seu peito, seu magnífico peito, e o fez retroceder um passo, logo, dois.

James franziu o cenho preocupado.

— Minha lady, o que te passa?

— Vêm — ela disse, sua voz estranhamente rouca — Dentro do estábulo.

Como pôde, James levantou suas mãos em um gesto de concessão, fazendo recordar a ela sua própria rendição depois das explorações de ontem à noite. Passo por passo, fez-o retroceder até levá-lo através da porta do estábulo.

Durante o trajeto se questionou sua própria sanidade mental.

O doce aroma do feno fresco e a sombra do interior do estábulo a inspirou. Seu coração começou a golpear contra suas costelas, e sua intimidade pareceu pulsar em antecipação do que viria. James deveria ter adivinhado suas intenções, porque soltou um gemido, e um suspiro enquanto ela o abandonava contra a parede do estábulo.

A respiração dela era febril, sustentava sua espada em uma mão e usou a outra para alcançar a fivela de seu cinturão. James apertou seu queixo quando lhe desabotoaram o cinto de couro. Os restos do plaid caíram, mas sua camisa ainda estava em seus braços. Lily deixou sua espada de lado. Então ela apanhou o tecido de sua camisa com ambos os punhos e a rasgou.

— Ah, esposa — ele suspirou, seus olhos eram fogo líquido.

Mas ela estava muito longe de ser terna. O combate tinha esquentado seu sangue. Era impossível domar os selvagens instintos clamando liberação dentro dele.

— Deite-se — ela conteve a respiração, empurrando seu peito com a palma da mão.

James cambaleou e caiu em um montículo de palha. Então, apoiando-se em seus cotovelos, com sua roupa rasgada, seu peito respirando pesadamente, olhou-a com crua luxúria. A respiração a abandonou, e o ar tremeu com tensão. Atuando seus instintos, ela de ajoelhou ante ele, medindo suas calças e logo rasgando-os para liberar o enorme e delicioso membro dele.

Seus próprio objetos de vestir a incomodavam. Não tardou em despir-se suficientemente rápida dando um grito de frustração para afrouxar o cinturão da espada, mas seus desesperados dedos estavam torpes para essa tarefa.

As mãos dele se fizeram cargo do trabalho, e lhe tirou o cinturão. Então ela tratou de tirar o protetor do peito e logo James a liberou da roupa interior, a última barreira entre eles.

— Ah, esposa — ele suspirou novamente, seus olhos contemplando o cabelo ruivo que descia em breves cachos cobrindo parcialmente os seios rosados, a face rubra dela, mas foi o que havia nas orbes verdes que o fez arfar. Desejo cru a dominava assim como ele.

Lily não podia esperar mais. Seu sangue era fogo. Sua pele ansiava seu contato. Sua intimidade lhe doía de tanta necessidade. O montou, sentando-se sobre seu membro.

— Ah! — ele gritou forte, arqueando sua cabeça para trás como se ela o tivesse ferido mortalmente. Sua boca se abriu com assombro. Não haviam palavras para descrever a paixão de sua união, o ar triunfal com o que ela o mantinha aí debaixo. Lily iniciou os movimentos, adquirindo a cadência e o meneio tão antigos como o mar.

Os gemidos dela soavam alto a cada investida, como campainhas acompanhando sua tempestuosa dança. O sangue dela, já avivada pelo combate, fervia agora como lava em suas veias. A deliciosa fricção do membro dele dentro dela incrementou seu desejo. Um estranho zumbido começou a soar em seus ouvidos, era a sensual música da euforia que estava por chegar.

James pôs suas palmas sobre seus ombros, tratando que ela diminuísse o ritmo.

— Não posso... esperar... — James conteve a respiração.

Para que ele queria esperar, ela não sabia, ela o queria agora. Lily apanhou suas mãos e forçou seus braços para trás. Isso pareceu perturbá-lo ainda mais.

— Ah, Deus, esposa! — seus olhos se obscureceram de luxúria — Ah, Deus!

Mas não lhe importava. Este era seu momento. Hoje teria sua deliciosa vingança.

Hoje ela era o amo.

James apertou seus olhos e virou sua cabeça a um lado. Seu queixo firmemente tenso, enquanto tratava dominar a maré inevitável. Lily, entretanto, mantinha seus olhos abertos.

Ela queria ser testemunha de sua derrota, de sua rendição, de sua humilhação.

Uma gota de suor caiu da ponta de seu nariz sobre a bochecha dele, e subitamente seu corpo se congelou. Debaixo dela, James esticou punhos, e uma expressão de intensa agonia retorceu sua face. A doce imagem catapultou sua própria paixão mais além do céu. E quando James se arqueou, ela o seguiu com um violento orgasmo.

Momentos mais tarde, esgotada, Lily se deixou cair sobre ele, escutando como baixava as pulsações do coração de James. Sim, ela se sentiu poderosa. E dominante. E vencedora. Mas ela não tinha ganho uma vingança, e nunca o faria, porque tinha descoberto que o triunfo de fazer amor não era seu somente. Era um triunfo compartilhado. Era uma coisa curiosa.

— Mataste-me, minha lady — ele murmurou exausto e ela sorriu.

— Não, ainda posso ouvir seu coração pulsando.

— Sim, meu coração pulsa por você. Mas te asseguro, que o resto de mim está morto.

O sorriso dela aumentou.

— Conheço um modo de ressuscitar aos mortos — ela correu seus dedos ao longo de suas costelas. James arrebatou sua mão de uma vez, gemendo.

— Oh não. Piedade, rogo-lhe isso.

Lily teve piedade dele aconchegando-se inofensivamente contra seu peito. Seus braços a rodearam, e por um momento de paz, flutuaram juntos.

— Sabe o quão provocadora é? — ele sussurrou, ela não sabia como responder.

Mas antes que fosse compelida a responder, James agarrou sua nuca gentilmente.

— Estou verdadeiramente agradado, fiz bem em escolher me casar com você.

Ela levantou sua cabeça e franziu o cenho.

— Não me escolheu — corrigiu a ruiva — Eu escolhi a você.

— Seguro? — seus olhos faiscavam enigmaticamente.

— Sim — lhe assegurou e ele levantou as sobrancelhas.

— Suspeito que foi mais um sacrifício que uma eleição.

Ela seguiu o traço da cicatriz sobre seu peito.

— Não sou infeliz com meu sacrifício.

— Não é infeliz — seu sorriso fez que as palavras dela soassem débeis, inadequadas, ele adicionou amargamente — Agrada-me ouvi-lo.

Ela se acomodou para escutar seu coração, era um som confortante, forte, rítmico e tranquilizador. James acariciou seu cabelo.

— Sabe o que estou pensando?

— O que? — ela disse adormecida.

James enrugou pensativamente suas sobrancelhas.

— Talvez uma sessão de treinamento por dia não seja suficiente

Ela se incorporou e o olhou maliciosamente, beliscando-o no braço.

— Libertino! Ambicioso! Não me diga que já pode... ?

A mão dele abruptamente se moveu para cobrir a boca dela. James tinha ouvido algo. Ela se calou instantaneamente. O Potter estava agradecido pelos instintos guerreiro de Lily. Ela sentiu o perigo também. Ela sabia quando devia ficar quieta.

Vozes vinham do campo de treinamento. Vozes de homens. James se esforçou para ouvir, então as reconheceu, seus próprios cavalheiros, Caradoc e Amus. Tirou sua mão da boca de Lily, deixando um dedo sobre seus lábios para que ela fizesse silêncio enquanto ele escutava.

— Vamos — Caradoc o convencia — Pagarei-te em duas semanas, sabe que o farei.

— Não posso acreditar que estou fazendo isto — Amus murmurou.

Houve sons de moedas.

— Não é minha culpa, você sabe — continuou Caradoc — O ladrão no bosque me apanhou, era como... como a uma...

— Como uma sombra? Assim é como o chamam. O que estava fazendo no bosque?

— Nada.

— Nada — Amus repetiu — Não estava sozinho, verdade? Estava com a moça que serve as mesas ou com as da cozinha?

— Idiota, com nenhuma das duas, por isso é que não posso me dar conta como roubou.

— Bem, merecia que lhe roubem — Amus disse — Depois de que a doce Lady Dorcas nos rogou que devolvêssemos os lucros do jogo e você não tinha dado as tuas.

— Isso é o cruel de tudo. Juro-o, estava tão bêbado, nem sequer recordava ter ganho dinheiro, quando o ladrão encontrou a prata em minha bolsa, não tinha ideia de onde tinha vindo.

— Até que Lady Dorcas lhe recordou isso.

— Não, até que a mulher que levei a bosque me recordou isso. Ela me viu ganhá-lo.

— Sabia! — gritou o Diggory — Fornicou no bosque.

Suas vozes se fizeram mais fortes, e Lily começou a mover-se inquieta. James sabia que se seus cavalheiros entravam em estábulo, não haveria modo de esconder o que havia aí. Depois de tudo, a roupa estava esparramada por todos lados, o cabelo de Lily tinha restos de palha, e James não podia apagar o sorriso de satisfação de sua face. Era inútil entrar em pânico e tratar de esconder-se.

Mas, é obvio, essa seria a intenção de Lily, e foi impossível freá-la. Parou e recuperou sua espada do piso. Então, para surpresa dele, ela se deu volta para enfrentar aos intrusos, ficando a si mesma entre eles e ele como se pudesse proteger sua honra. Foi comovedor, mas desnecessário.

— Não acreditaria — Caradoc disse enquanto sua sombra se viu na entrada do estábulo — Era todo negro como Lúcifer. Se movia tão veloz como o diabo, também sabia como saltar e chutar. Poderia ter apanhado ao bastardo se não tivesse tido que proteger minha dama.

— Os espíritos não podem ser apanhados — Amus disse — São de outro mundo.

— Bem, mas se for de outro mundo, então para que necessita minha prata?

Caradoc encheu o marco da porta e, como um confiável Cavalheiro da Ordem, logo que viu Lily e principalmente como ela estava, desembainhou sua espada. A ruiva começou a inventar uma história enquanto se agarrava no vestido para se cobrir.

— Vê! Busca roupa para Sir James. Seu... seu... cavalo o atacou e... e... rasgou-lhe o plaid e... e...

James não sabia o que era mais divertido, se o patético intento de Lily ao mentir ou a expressão de Caradoc de descrença, dado que o cavalo mastigava placidamente no estábulo. James estalou em risadas. O olhar letal que Lily lhe lançou poderia ter derretido o aço.

— Meu lorde? — Caradoc perguntou, claramente confuso.

James sorriu, tomando um montão de palha para esconder sua nudez enquanto se sentava.

— Busca-me uns objetos de vestir e para Lady Lily também. E vocês dois nenhuma palavra a respeito disto ou lhes cortarei as cabeças.

Lily ficou vermelha.

— Sim, meu lorde — a face de Caradoc era uma máscara de decoro enquanto embainhava sua espada, havendo sem duvida, passado muitas situações incômodas como estas. Quanto a Amus, o sorriso de “eu entendo tudo o que passou aqui” lhe custaria tarefas extras na armería mais tarde, James jurou.

Finalmente, a dignidade de Lily foi recomposta, e apesar das suspeitas dela de que todo o castelo logo saberia de sua perfídia, Caradoc e Amus cumpriram suas promessas. Não havia cochichos entre as servas, nem sussurros na armería. E se James estava um pouco triste porque era altamente provável que ela nunca mais cometesse o engano de atacá-lo sexualmente nos estábulos, consolou-se com o fato que a ela não parecia temer atacá-lo em outros lados.

Em muitos lados.

Repetitivamente.

Exaustivamente.

Sexualmente.

E amorosamente.

Notas finais
Estou atrasada, atrasada, atrasada. Comentem, preciso ir porque estou atrasada pra facul. Socooorro! Beijos!