Donzela Guerreira

12 Não brigará mais


Notas iniciais
Como prometido o terceiro e último capítulo do dia, espero que a leitura não tenha ficado cansativa para vocês meus leitores lindos! Sei lá, são mais ou menos 50 páginas para se ler de uma vez, tendo em conta que cada capítulo tem pouco mais de quinze. Esse, para mim, é "o" capítulo. Marca de vez a opinião da Lily quanto ao James e antecede o meu capítulo tão esperado da "Proposta", é serio, quando lerem vão adorar, não esse, o próximo HAHA Boa leitura! Ps¹ No gif Aaron Johnson e Karen Gillan como James Potter e Lily Evans, eles não ficam lindos como casal? Oh Deus, alguém me diz o que a esposa do Aaron tem para ele continuar casado com ela? O amor é cego, fim.

Capítulo 12

Não brigará mais

A luz do amanhecer despertou Lily na segunda manhã de seu matrimônio, a paz foi quebrada por um abrupto ronco, James roncava ao lado dela, sua face esmagada contra o lençol. Tinha vindo à cama muito tarde, ela parecia recordar que tinha sido cuidadoso de não despertá-la. A ruiva não seria tão cuidadosa. Depois de tudo, era de manhã. Se James queria ser um bom administrador, seria melhor que começasse a levantar-se cedo. Ela girou na cama, bocejou sonoramente, sacudiu o travesseiro, tirou-lhe todas os lençóis que ele monopolizava, e, ruborizando-se ante o que tinha revelado ao tirar os lençóis, cobriu-o novamente.

Deus! Perguntou-se se esse homem seguiria dormido se lhe batesse a porta do quarto. Muito bem, ela pensou, se James era muito preguiçoso para levantar-se cedo, ela estaria feliz de desempenhar suas tarefas habituais sem sua interferência.

Ainda o ruído da cota de malha sendo tirada do baú não perturbou o Potter. Ela sacudiu a cabeça com desgosto. Juntou suas coisas e se deslizou fora do quarto, resistindo a vontade de dar uma portada quando saiu. Caminhou através de dúzias de Normandos roncando esparramados no salão até que encontrou ao escudeiro de Hogwarts. Queria que a ajudasse a armar seus homens.

Seus cavalheiros dormiam na armeria, e ela conseguiu despertar a cinco. Os cinco que não estavam tão bebidos para conseguir ficar de pé. Foi óbvio por seus olhares zangados, não estavam muito felizes de serem levantados tão cedo. Era essencial para os homens de Hogwarts estarem preparados para uma batalha a qualquer momento, particularmente desde que notícias de novos ataques Ingleses no Cruichcairn, tinham-lhes chegado. Logo ela estava treinando, cruzando espadas com seus homens, inventando novas manobras, gritando vitória enquanto abandonava ao Malcolm contra a cerca.

Com seu espírito alegre, ela temerariamente os convidou a que a atacassem todos de uma vez. E obvio, por uma questão de cortesia, avançaram um por vez. Nem o mais capaz dos guerreiros podia efetivamente batalhar com cinco oponentes ao mesmo tempo, mas era um desafio para ela. A luta a eletrizava, e a vitória era o êxtase. Para Lily, não havia diversão maior que combater com a espada.

Tão perdida estava em sua alegria que foi tarde que ela notou a quão brutos deviam interromper seu entretenimento e a danificar seu bom humor.

Bang, Bang, Bang, Bang, Bang!

James murmurou algo e esfregou os olhos. Jesus! Quem estava golpeando a porta? Foi até que se sentou que recordou onde estava. Uma pálida luz solar banhava a habitação, mas ele sentiu como se não tivesse dormido nada. Olhou ao lado na cama. Foi-se outra vez. Maldição!

Bang, Bang, Bang, Bang!

— Maldição! — grunhiu ele.

Bang, Bang, Bang!

— Um momento — correu os lençóis da cama e avançou para a porta.

Bang, Bang!

Antes que outro golpe se ouvisse, abriu a porta abruptamente.

— O que!?

Era Dorcas. E ela quase caiu dentro do quarto quando seu punho golpeou no vazio. Seu olhar atônito se dirigiu ao corpo nu, e ele rapidamente pôs o lençol sobre os genitais.

— Eu… eu… — ela parecia tratar de recompor-se e poder olhá-lo aos olhos. Sua face adotou uma expressão séria — Acredito que é melhor que venha.

— O que acontece? — o aspecto sombrio de seus olhos o sacudiu.

— Não me querem escutar. Não escutam a ninguém.

— Quem? Quem não escuta?

Te apure! — ela se deu volta o dando as costas, obviamente esperando que ele se vestisse — Te apure ou alguém acabará morto!

Maldição! Do que estava falando? Não se atreveu a perder tempo fazendo perguntas. Em troca, colocou a camisa, e se atirou o plaid sobre o ombro, e ajustou o cinto de sua espada.

— Onde está?

— No campo de treinamento — disse ela.

James passou quando desciam as escadas, com o coração na boca. Tivesse chamado a seus homens, mas curiosamente, nenhum deles estavam no salão. Todas as que ficavam eram mulheres, serventes e meninos. Ainda a armeria estava vazia. Correu para o jardim e cruzou a extensão de pasto até o campo de treinamento. Quando ele chegou, só pôde olhar em êxtase. O que viu era muito incrível para ser compreendido.

Meia dúzia de homens de Hogwarts, em suas cotas de malha jaziam no chão como se estivessem mortos. Seus escudos a um lado, suas espadas silenciosas. Os cavalheiros da Ordem, ao meio vestir, e nenhum deles armado, estavam parados em um semi círculo no campo. E contra a cerca, Sir Caradoc e Sir Diggory furiosos, olhavam com os olhos muito abertos para Lily. Ela estava vestida com a armadura completa exceto pelo elmo. Enquanto soltava sua trança e sacudia sua espada seus olhos cintilaram com um brilho assassino. James não podia começar a adivinhar o que tinha acontecido. E não podia, se quisesse articular as palavras para perguntar. Felizmente, Sir Rauve se aproximou para dar uma explicação.

— Meu lorde — ele balbuciou enquanto lutava por conter a sua escorregadia cativa — Resgatamos a sua esposa.

Resgatado? Ela parecia algo menos que uma agradecida donzela resgatada de uma situação perigosa.

— Resgatada! — Lily gritou — Estúpido grandalhão!

Caradoc diplomaticamente lhe tapou a boca com sua mão antes que ela pudesse terminar de insultar. Mas James estava mais preocupado pelos cavalheiros Escoceses atirados no campo de treinamento.

— Estão... ?

— Oh, não! — disse Caradoc — Só lhes demos um pequeno golpe, nas bolas, porque não estávamos armados. Eles só... — ele soltou um súbito grito e retirou sua mão abruptamente. Lily não só tinha garras, James notou, também tinha dentes. E os usava.

— Estavam atacando-a, meu lorde, seus próprios cavalheiros — continuou Sir Diggory sacudindo a cabeça com descrença — Cinco deles contra a moça.

— Imbecis! Idiotas! — gritava Lily lutando contra o aperto de Caradoc.

Os homens começaram a comentar entre eles. Claramente não esperavam insultos, a não ser gratidão, da beneficiária do resgate. James levantou uma mão para pedir silêncio. Todos menos Lily obedeceram.

— Me soltem, idiotas! — gritava.

James assentiu a Caradoc, e a soltaram.

Amaldiçoando entre dentes, ela sacudiu sua cabeça e os empurrou a um lado para abrir-se caminho para os cavalheiros caídos. James a teria deixado passar, mas quando esteve ao lado dele o lançou um olhar de ódio como se ele de algum jeito fosse culpado do ocorrido. Irado, o Potter a apanhou pelo braço.

— Me solte! — ela gritou.

— Te explique. O que é tudo isto?

— Me diga, que tipo de bárbaros formaste, Normando?

Doía-lhe a cabeça, e já tinha ouvido suficiente dos insultos dela, seu aperto se esticou.

— Não difame a meus cavalheiros, moça.

— Cavalheiros? Como podem chamar-se cavalheiros quando têm feito isto! — ela assinalou aos escoceses no chão.

— Então me diga. O que aconteceu?

— Seus cavalheiros atacaram a meus — replicou a ruiva — Asquerosamente e sem a menor provocação.

— O que? — gritou Caradoc com descrença — Isso não foi assim por nada, meu lorde.

— Salvamo-la, meu lorde — adicionou Diggory — Salvamo-la porque estava em perigo.

— Idiotas! — disparou Lily — Nunca estive em perigo, meus homens sabem perfeitamente como...

— Basta! Todos! — demandou James, estava começando a entender o que tinha acontecido, e já via o começo de sua primeira grande briga com sua esposa. Soltou um esforçado suspiro — Estava treinando com eles?

Ela levantou orgulhosamente seu queixo.

— É obvio! Estava treinando com eles, verdadeiramente crê que meus próprios homens me atacariam?

— Treinando? — perguntou Diggory enquanto Caradoc deixou cair sua boca.

— O que? Oh, não, não, meu lorde — ele sacudiu a cabeça veementemente — Foi um ataque, cinco contra ela, completamente armados, com espadas afiadas, não era um treinamento.

— Oh — desdenhou Lily — E com o que treinam os Normandos? Com plumas?

Caradoc cuspiu no pó.

— Direi-lhe isso com o que os normandos não treinam. Não treinamos com moças.

Os olhos de Lily se estreitaram, e James viu um brilho perigoso neles.

— Talvez gostaria de tentá-lo — ela desafiou.

— O que? — Caradoc a olhou horrorizado, como se ela sugerisse comer gatinhos vivos.

James tinha que parar esse intercambio sem sentido.

— Escutem! O próximo homem que tire sua espada terá que responder ante mim.

Hogwarts e os Cavaheiros da Ordem eram aliados, e por ordem do rei era James quem devia unificar os escoceses aos normandos em uma força coesiva. Não tinha tempo para brigas infantis. Tampouco tinha paciência para uma esposa que desejava brincar de soldado com homens duas vezes maiores que ela. Além disso, estava irritado pelo rechaço de Lily. Se a moça queria um pouco de ataque e investida, ele estaria encantado de dar-lhe na cama.

— Caradoc, ajude esses homens a levantar-se, deixem-nos descansar, treinaremos à tarde com os Escoceses, quando estiverem mais descansados — estalou sua língua, e murmurou — Sem dúvida será um desafio pô-los em forma, considerando que ainda completamente armados, não podem defender-se de homens semi nus.

Lily rara vez perdia o equilíbrio, era algo do que se orgulhava. Diferença de Marlene, ela mantinha o controle de suas emoções, apoiando-se no uso da razão antes que o coração. Mas essa manhã, sua capacidade de controle estava sendo seriamente posta a prova. Com o insulto de James, lentamente se deu volta para encará-lo, e levantou sua espada. E se tinha que responder ante ele por isso, faria-o com gosto. Com muito prazer.

Seus homens imediatamente congelaram, alguns deles retrocederam, confirmando a Lily que eram um punhado de covardes.

— Os Escoceses não necessitam nenhum treinamento de sua parte — ela olhou a seus cavalheiros, quem já estava de pé com a boca aberta pela perplexidade — Nem de seus homens.

Um pequeno músculo se moveu na mandíbula de James, e enquanto ele só a olhava, sua expressão era indecifrável. Sua boca se curvou para cima em um lento sorriso de desdém. Ela se deu-se conta que James não tinha a coragem de brigar com ela diante de seus homens. Mas justo quando ela suspeitava que ele estava por se conceder derrotado, o Potter a surpreendeu desembanhando sua espada.

— Limpem o campo! — ordenou ele.

Todos ao redor dele, apressaram-se a obedecer, alguns deles transportando aos homens de Hogwarts ainda inconscientes. Era uma pena que James tivesse feito ir a seus homens. Ela desejava lhe provar, não só a James, mas também a todos seus cavalheiros, que os Escoceses eram feitos de boa madeira, de uma madeira forte e resistente.

Enquanto os cavalheiros da Ordem se apressavam a esvaziar o campo, James fixou um olhar sombrio nela. Ela encontrou seu olhar, e o sustentou. Mas a coragem indiscutível e a crua determinação em seus olhos eram inquietantes. Ela recorreu a distraí-lo com palavras.

— Meus cavalheiros jamais fugiriam assim — disse ela, olhando aos homens dele esvaziando o campo de treinamento — Brigam até o final.

— Possivelmente lhe temem, minha lady — ele disse com calma.

Ela sorriu. Era fanfarronice infantil.

— Bem, não precisam fazê-lo. Você e eu, sabemos que somos bastante hábeis com a espada, verdade normando? — as sobrancelhas dele se levantaram.

— Não te referirá a mim dessa maneira. Pode me chamar meu lorde ou me chamar por meu nome, mas não usará esse término depreciativo outra vez.

— Quando te tiver ganho meu respeito então o farei.

A espada dele se dirigiu a garganta dela com tal velocidade que assobiou no ar, fazendo-a conter a respiração. Meu Deus! Ela nunca tinha visto algo mover-se tão rapidamente.

— Tens muito que aprender a respeito de respeito, não se trata de quem é o mais veloz ou o mais forte ou quem derrotou mais homens em batalha. Está relacionado com a honra.

Lily tragou em seco. Seu coração pulsava contra suas costelas. Ainda não podia compreender como a espada dele tinha ido parar a sua garganta tão rapidamente.

— Agora, eles se foram. Queres retirar seu desafio?

— Não! — grunhiu a ruiva.

— Fiz ir a todas as testemunhas, para te economizar a vergonha da rendição.

— Rendição? — não lhe acreditava nem por um momento, ninguém podia ser tão cavalheiro. Estreitou seus olhos, tratando de adivinhar seus pensamentos. Finalmente ele tinha prevalecido sobre ela ontem, mas não tinha sido uma vitória fácil — Não, penso que me teme, tem medo de perder ante uma mulher em presença de seus homens.

Mas James não riu dela, só um gesto de ironia cruzou sua face e com uma sutil sacudida de sua cabeça, ele tirou sua espada da garganta.

— Bem...

— Esperarei enquanto te põe a armadura — ela disse.

Ele sacudiu a cabeça e ela franziu o cenho.

— Não tolerarei que depois diga que nossa briga foi injusta!

— Oh, não me interessa fazer comentários sobre nossa briga para nada — murmurou ele — Obrigado por sua cortesia.

Ela pigarreou. Não era nada menos do que um cavalheiro faria.

Assentindo com a cabeça, a ruiva se plantou no terreno, levantou sua arma, e começou a briga mais curta de sua vida. James estava ansioso de pôr um ponto final a essa estupidez e mas ainda mais ansioso de voltar para a cama para dormir umas horas mais. Lily tinha que aprender que uma mulher de seu tamanho nunca poderia ganhar de homens como os cavalheiros da Ordem. Ela era uma pessoa determinada, sim, incansável sim, e tinha uma série de truques ardilosos em seu haver, mas seu entusiasmo excedia por muito suas habilidades e sua força. James tinha jogado com ela em sua primeira briga. Era uma questão de cortesia não ultrapassar o nível de um oponente em um combate amistoso. Provavelmente todos os rivais de Lily fizessem isso, fazendo-a ter uma segurança em si mesmo que finalmente poderia resultar mortal para ela.

Travou seu olhar com sua esposa bela e cabeça dura. Seria uma tarefa não prazenteira, mas devia desarmar a essa a moça antes que ela resultasse ferida. Ele não ia cruzar espadas com ela. Em troca, apanhou-a pelo braço com que ela dirigia a espada, à altura do braço obrigando-a a arrojar a arma com uma força brutal. Então a empurrou contra a parede do estábulo, pressionando-a até que se olharam aos olhos.

James pôde ver o pulso acelerado na veia torcida do pescoço dela, sua respiração era superficial e errática, sua boca ao meio abrir pelo choque, mas contrariamente do que esperava, não havia uma gota de medo em seus olhos. Não podia dizer porquê, mas isso o aliviou.

Estava o suficientemente perto para sentir o calor que vinha de seu corpo, o suficientemente perto para que a respiração dela se misturasse com a sua, o suficientemente perto para sentir-se tentado de cortar a distância entre eles e lhe demonstrar sua opinião sobre o assunto com um beijo triunfante. Terei que arrumar as coisas de uma vez e para sempre.

— Agora segue acreditando que tinha medo de perder de você?

Ela tragou, ainda obviamente comovida.

— Estaria de acordo em afirmar, que eu sou o mais capaz de proteger a fortaleza?

Ela franziu o cenho e se mordeu o lábio.

— E depois do incidente dessa manhã, não confia em que meus homens cuidarão seu lar com suas próprias vidas?

Depois de um longo momento, ela assentiu com reticência.

— Então me deixe fazer o que vim fazer aqui, sou a melhor defesa que tem neste lugar.

— Pode ser maior — ela murmurou — E mais forte, e mais perito, mas eu conheço este castelo, conheço estas terras e conheço às pessoas daqui, não pode desprezar minha experiência, sei como comandar a meus cavalheiros!

James sabia que devia discutir esse argumento, mas estava começando a se sentir como um cão tratando de chegar a um osso que estava fora de seu alcance. Seu meio da perna não pôde evitar responder já que Lily estava tão tentadoramente perto e tão suave e sedutora. E sentir seu corpo tão vivo contra seu peito, gerou-lhe um eriçamento erótico em sua pele.

— Sabe, minha lady — sussurrou ele baixando seu olhar para os lábios convidativos — Estaria disposto a te permitir brincar de soldado, se estivesse disposta a jogar de minha esposa.

Ela conteve a respiração e apertou os dentes.

— Meus afetos não se negociam.

— É uma pena — disse ele lhe dando sorriso carregado de maldade — Descobriria que seus afetos têm muito valor em uma negociação comigo.

Seu olhar baixou então até a boca rosada, e ele quase podia sentir que ela estava reconsiderando a oferta. Mas subitamente James se deu conta que não queria Lily dessa maneira. Podia ter pago a uma mulher por seus favores no passado, mas Lily era sua esposa. Queria que ela viesse a ele por sua própria vontade, e não porque lhe prometia a permissão de comandar um exército. Antes que a luxúria superasse sua razão, James a soltou e retrocedeu.

— Brigas admiravelmente por ser uma mulher Lily, mas não brigará mais.

Lily respondeu com um grunhido. Então o empurrou para tirá-lo de seu caminho, recolheu sua espada, e a embainhou. Por um momento, James pensou que ela ia falar, mas ela apenas franziu seu cenho e estreitou seus olhos, seus lábios formaram uma linha expressando sua irritação. Sem uma palavra, afastou-se tão zangada como uma prostituta rechaçada.

James a observou ir-se. Por todos os Santos! Ela era muito mais complicada que qualquer mulher que jamais tivesse conhecido. Odiava admiti-lo, mas ela parecia ter talento genuíno para combater. Sim, era muito magra para uma batalha verdadeira, mas tinha habilidades únicas e uma mente ardilosa. Com um pouco de treinamento... Guardou a espada na vagem, por sorte não estava manchada com o sangue de Lily. Essa ideia o estremeceu. Não, decidiu, o campo de batalha não era lugar para uma mulher.

Não lhe importava se ela tinha treinado com os camponeses quando era garota, era uma profissão muito perigosa para uma donzela. James tinha suficiente coisas para preocupar-se, tratando de pôr em forma para o combate aos cavalheiros de Hogwarts, para em cima ter que ocupar-se de uma moça que se acreditava invencível. Ele havia visto muitas guerras, tinha visto o que as batalhas faziam aos corpos mais saudáveis e aos espíritos mais indomáveis.

E não queria que nada disso acontecesse a sua esposa, não veria Lily cair sob o fio de uma espada, nem a ela nem a sua irmã.

[…]

— Marlene — murmurou Sirius através do quarto sombrio — Marlene...

Não houve resposta.

Já tinha amanhecido a muito tempo, deveriam estar levantados. Sua maior esperança de apanhar uma truta era ir de manhã cedo, quando as truta estavam mais famintas.

— Marlene, te levante.

Ainda sem resposta.

Deus, essa mulher dormia como uma rocha, não era estranho que ela o quisesse ter amarrado, facilmente poderia ter saído na porta enquanto ela dormia profundamente. Ele se esfregou os olhos, em seguida lançou a manta e ficou de pé. Estirou-se e passou a mão por seu cabelo despenteado.

— Ei, pequena Diabinha — ele a provocou — Parece-me que seu refém está escapando.

Ela seguiu dormindo e ele sorriu dando um passo para se aproximar para observa-la. Que inocente parecia, suas pestanas roçando suas bochechas, seus lábios abertos como os de um bebê.

— Será que cheira a bolo de cerejas? — murmurou novamente — E presunto defumado? Bolinho com passas de uvas e pudim?

O cenho dela se enrugou levemente, mas para sua diversão, ela não despertou.

O sorriso de Sirius se alargou.

— Acorda, moça! Os normandos estão chegando, te apure, antes que lhe forcem a usar perfume e a dormir em lençóis de seda.

Para seu assombro, nem isso a despertou. Sacudindo sua cabeça, ele decidiu que se ela continuasse dormindo, ele poderia tirar vantagem do estado inconsciente dela. Viu sua boca, tão suave, tão convidativa, e em seguida baixou sua cabeça para saborear os lábios dela. Logo que fez contato com os lábios, ela despertou, levantando a faca encerrada em seu punho. Ele retrocedeu e ofegou em choque enquanto a ponta da arma se deslizou através de sua bochecha.

Por Deus! Se seus reflexos tivessem sido mais lentos, poderia ter perdido um olho.

— Jesus! — Marlene parecia tão atônita como ele — Te retire!

— Maldição! — ele pressionou seu polegar na beira da ferida. Ardia como o demônio.

— Para trás! — ela brandiu a faca.

— Eu só...

— Para trás!

Ele obedeceu, dando um passo para trás, e ela se sentou, tirando o cabelo de seu rosto com sua mão livre. Deus, ele pôde ver pelo olhar nublado em seus olhos que ela nem sequer estava completamente acordada. Ela o tinha atacado por reflexo.

— Por todos os Santos! Moça! Baixa a arma. Só estava tratando de despertar-te — ele examinou o sangue em seu polegar — Merda, dorme como se estivesse morta.

— Se durmo tão profundamente, por que está sangrando por um corte de minha faca?

Ele enrugou suas sobrancelhas.

— Devia ter sonhando que matava Normandos.

Aparentemente considerando que ele não era perigoso, ela guardou a faca na capa.

— Na próxima vez, trata de me chamar por meu nome.

Ele só sacudiu a cabeça.

— Deve-me uma excursão de pesca — murmurou.

O corte resultou ser superficial. Nem sequer deixaria uma cicatriz. Mas a lembrança ficaria para sempre gravado em sua memória. Nunca mais tentaria despertar a uma serpente escocesa com beijos.

O sol se filtrava através dos pinheiros enquanto Marlene o guiava ao lado do arroio, com toscas varas de pescar feitas com ramos pendurados em seus ombros. A Escócia era verdadeiramente um belo país, Sirius decidiu, com suas paisagens rochosa e suas magníficas cascatas, e seu vastos vales verdes. Mas Hogwarts, era uma joia encrustada no centro dessa paisagem, enriquecida pelo bosque e uma série de mananciais e riachos que o cruzavam como fios de seda dourada. Ele via agora por que o rei queria essa terra defendida.

Marlene parecia conhecer bem essa área. Ela o guiou para um lugar onde o arroio se alargava e se convertia em uma lagoa, perfeita para a pesca. Mas cedo, ele tinha esculpido anzóis primitivos de madeira, e os ajustou as varas, atando fibras de vegetais que cresciam ao lado da água para fazer as linhas de pesca. Enquanto Marlene preparava seu anzol com uma lombriga, Sirius sorria. Se perguntou se todas as mulheres escocesas eram tão intrépidas.

Logo se sentaram um ao lado do outro sobre uma grande rocha na beira da água, tão companheiros como amigos de toda a vida, suas linhas de pesca flutuando na corrente preguiçosa. Ninguém teria adivinhado que era sequestradora e refém.

Um quarto de hora mais tarde, Marlene apanhou seu primeiro pescado. Com um sorriso satisfeito, lançou a truta sobre o pasto. Sirius não pôde evitar rir deleitado.

— Vieste a pescar antes?

— Uma vez ou duas — ela disse, levantando-se para recolher seu pescado.

— Bem, estava tratando de ser galante, te permitindo que apanhasse o primeiro — ele a provocou — Mas vejo que é moça com experiência, penso que deveria te fazer um desafio.

— Um desafio? — ela sustentou a truta em uma mão e desenganchou o anzol, como se fosse algo que fizesse todos os dias.

— Oh, sim. Lhe desafio que me empates.

— Te empatar? Eu já estou ganhando um a zero.

— Não por muito tempo — ele prometeu.

— Pesquei nestes arroios toda minha vida — ela se vangloriou, voltando para seu posto — O que poderia saber um Normando sobre trutas escocesas?

Ele acariciou seu queixo pensativamente.

— Suspeito que são bastante parecidas com as moças escocesas.

— Hm?

— Ardilosas. Elusivas. Obcecadas. Impulsivas — ele sentiu o puxão em sua vara — Mas lhes ponha o anzol adequado e...

Nesse instante, para a consternação dela, uma truta apareceu na ponta da linha de Sirius.

— Vê? — disse o Black sorrindo — É tão fácil como seduzir a uma donzela.

Sua boca havia se aberto de surpresa. Agora se fechou.

— Sim, se a donzela for tão estúpida como um pescado.

Ele sorriu, desenganchando a truta e lançando-a ao lado da dela.

— Bem, estamos iguais agora.

Ela apanhou as próximas duas, embora ele argumentou que só deviam contar por uma já que eram muito pequenas. Sirius não poderia ter pedido por um momento mais agradável que passar a manhã em amigável rivalidade com uma bela donzela. Ele olhou à bela donzela com brilhantes olhos cor esmeralda, lábios carnudos e os cabelos cor mel. Sem dúvida ela era um prêmio, uma beleza feita para adornar a cama de um homem. Marlene mordeu o lábio concentrada, e enquanto ele continuava observando-a, sua saia se amontoava ao redor de seus tornozelos nus e quando ela se agachava, seu vestido se abria levemente para revelar a curva de seus seios. Oh, sim, havia algo que poderia fazer a manhã ainda mais agradável, algo que a faminta besta dentro suas calças ansiava desesperadamente.

— Vais tira-la? — ela perguntou — Ou somente está brincando com essa pobre coisa?

Dado o conteúdo de seus pensamentos, a pergunta dela o paralisou. Por um momento, ele só pôde olhá-la fixamente, perguntando-se pela candura dela. Em seguida seu olhar foi para a água. Uma grande truta balançava na linha. Assombrado, rapidamente a tirou do arroio. Mas lhe levou mais tempo para poder concentrar seus pensamentos de novo na pesca.

Enquanto isso, a infame moça, no tempo que ele levou para desenganchar o pescado e encontrar uma lombriga para o anzol, apanhou duas trutas mais. Marlene lançava a linha novamente, quando Sirius a chamou a atenção.

— Por que não fazemos o desafio mais interessante?

Ela sorriu travessamente.

— Soa desesperado por medo de perder.

— Talvez — ele concordou — Mas, que tal se o que apanhar mais trutas até o momento em que o sol alcançar as copas das árvores...

— Sim?

Milhares de possibilidades, todas pecaminosas, alagaram sua mente, mas ele não disse em voz alta nenhuma delas. Marlene ainda tinha a faca de A Sombra, e Sirius não estava de humor de ser cortado.

— Ganha uma canção vitória de parte do perdedor.

— Uma canção?

— Sim, uma canção triunfal e estimulante.

Ela sacudiu a cabeça.

— Eu não canto.

— Se ganhares, não terás que fazê-lo — disse sorrindo.

— Verdade.

— É uma aposta, então?

— Muito bem — um pequeno sorriso apareceu em sua boca — Mas não assuste às truta escocesas com sua canção normanda.

— Quando eu canto, minha lady — ele fanfarroneou — As criaturas do bosque se reúnem ao redor de mim para me escutar.

A ela lhe escapou uma risada curta, e Sirius de repente desejou ouvir mais desse som. Havia poucas canções tão estimulantes como uma risada espontânea de uma mulher. Portanto, um novo desafio deu voltas em sua cabeça, um que estimulava seu sentido de competição. Poderia dever a Marlene uma canção até a metade da manhã, mas em troca, ocuparia-se de que ela o premiasse com uma risada.

[...]

Um grito de fúria cresceu na garganta de Lily enquanto golpeava o portão detrás dela. Um grito que ela temia lhe pudesse escapar se não matava a alguém antes. Felizmente, pôde controlar sua irritação antes de que alguém cruzasse seu caminho. Mas o mero feito de que ela sentisse tal fúria significava que estava perdendo o controle, o que a punha mais furiosa ainda. Devia recompor-se, recuperar o equilíbrio de seu temperamento, de seu corpo e de seu castelo.

Não brigará mais! Como se atrevia determinar o que ela faria ou deixaria de fazer? Maldito! Ela não necessitava que nenhum homem a protegesse. Não importava se ele era capaz. Ou valente. Ou bonito.

Por Deus! O que ele pensava que ela tinha feito antes dele chegar a sua vida? Como acreditava que tinha sobrevivido sem ele? Jesus! Sua arrogância era insofrível. Devia haver dito isso a ele. Mas tendo-o parado tão perto, fascinada com a força de seu olhar, consumida pelo poder de seu desejo, afligida pela essência masculina que destilava de seu corpo, ela tinha sido incapaz de raciocinar.

Lily chegou a um curral abandonado e entrou, desejosa de estar muito longe dos olhos da gente do castelo quem poderia divulgar rumores sobre o estado de perturbação em que se achava. O aroma de mofo era intenso, e embora seus olhos não vissem bem na escuridão, ouviu ratos correndo. Fechando a porta detrás dela, começou a caminhar de uma ponta à outra do lugar.

Maldito normando! Ele não era outra coisa que um invasor tal igual aos Ingleses.

Chutou um fardo de palha.

James podia afirmar que estava fazendo uma honra a ela sendo seu... o que havia dito ele ontem...? Seu campeão! Mas ela podia ver a trama detrás desse engano. A raposa tinha a intenção de minar o poder dela.

Chutou outra vez o chão imundo, fazendo que o pó se elevasse.

Deus! Ainda nesse curral frio, ela se sentia intoleravelmente quente. Possivelmente o sangue fervia em suas veias, ela pensou. Deixou de caminhar e suspirou, tratando de acalmar-se. A fúria não lhe serviria de nada. Precisava esclarecer sua cabeça para considerar suas opções.

Não tinha intenção de submeter-se aos desejos do normando. Este era seu lar. Ela era a senhora dessa fortaleza. Se queria comandar a seus cavalheiros ou mandar sobre todo o maldito castelo, então por Deus, que o faria. Golpeou seu punho contra a parede para dar ênfase a sua determinação e subitamente um grupo de pombas levantou voo criando um redemoinho de pó e plumas sobre a cabeça de Deirdre. Ela gritou surpreendida, as assustando ainda mais.

Maldição! Os normandos haviam trazido suas pombas com eles. Nem sequer esse curral estava livre sua invasão.

— Shh! — ela estendeu suas mãos, as palmas para frente, como se com esse gesto pudesse acalmar às aves. Tivesse sido mais fácil voltar a prender uma flor a sua planta do que sossegar a essa pombas Ou, ela pensou, que restaurar a Hogwarts ao estado anterior à chegada dos normandos.

Com a mandíbula firmemente determinada, Lily se deslizou cuidadosamente pela porta para que nenhuma das pombas histéricas pudesse escapar. Estava começando a pensar que tivesse sido mais sábio adotar a ideia de Marlene desde o começo. As irmãs deveriam ter emboscado aos malditos normandos no bosque antes que chegassem aqui.

[...]

Sirius Black era divertido, Marlene tinha que admiti-lo. Embora fosse um tenente. E um normando. E um sátiro. Também tinha sido fiel a sua palavra. É obvio, ela teria esperado isso mesmo de qualquer dos cavalheiros de Hogwarts. Mas o sentido da honra de Sirius tinha sido uma surpresa, dado que ele era estrangeiro e seu refém. Ele tinha feito uma tentativa de escapar, também poderia havê-lo feito quando ela descuidadamente dormia na noite anterior na cabana. E não a tinha machucado. De fato, ela lamentava havê-lo cortado impulsivamente. Obviamente Sirius tinha tentado beijá-la, e parte muito perversa dela estava curiosa por descobrir se um beijo Normando era diferente de um beijo de um homem escocês.

Ainda assim, não podia se dar o luxo de sentir da maneira em que estava começando a sentir-se. Companheira. Compreensiva. Piedosa. Humana. Ela tinha que recordar a si mesmo, enquanto olhava de esguelha a esse bonito cavalheiro, que ele era seu inimigo. Poderia estar passando horas deliciosas nesse momento, mas quando Lily chegasse, Sirius Black teria que converter-se na peça sacrificada no jogo dela, nem mais nem menos.

No momento em que o sol tocou as copas das árvores e que a competição terminou, Sirius tinha apanhado duas trutas mais. Mas ainda tinha uma menos que Marlene, fazendo-a a ganhadora.

— Essas duas quase não deveriam contar, não encheriam nem o estômago de um menino.

— Se não quiser cantar?

— Não, não, não. Sou um homem de honra. Devo-te uma canção, e uma canção é o que te darei — pôs de lado sua vara de pescar e franziu o cenho. Sentado com as pernas cruzadas ao lado dela sobre a rocha, ele olhou pensativamente a água — Ah, aqui está — ele se esclareceu garganta e começou a cantar. Sua voz não era desagradável, embora por certo não fosse um cantor. Mas o que lhe faltava em melodia o compensava em volume de voz.

Todos meus elogios a Marlene

Rainha das trutas

Que hoje provou sua habilidade!

Corajosamente tomou a vara

Em sua mão,

E com coragem

Lutou contra os

monstros marinhos...

Uma risada lhe escapou. Monstros marinhos? Ele fez uma pausa para olhá-la com fingida severidade, para retomar sua canção.

O primeiro peixe em descobrir seu destino

jazia escondido atrás de uma pedra.

Mas Marlene, a donzela inteligente,

Sabia como usar o anzol.

Enquanto Sirius adoecia

sem nenhuma truta em seu haver,

pois nenhum peixe

queria tocar seu grosso pau.

Lhe deu uma cotovelada acusando-o da óbvia vulgaridade.

— De pescar — ele corrigiu, embora não houvesse dúvida de sua intenção no pícaro brilho de seus olhos — Quis dizer vara de pescar — seus lábios sorriram enquanto ele continuou.

As outras duas que

ela orgulhosamente pescou,

foram motivo de luta,

Sirius disse que elas eram muito

Menores que seu... que seu ...

Ela ofegou antes que ele pudesse dizê-lo e lhe deu outra cotovelada. Ele sorriu e a empurrou a modo de brincadeira. Em seguida, um brilho de vingança em seus olhos, ela o empurrou com força, fazendo-o cair da rocha dentro da água. Sirius caiu produzindo um grande mergulho de cabeça. Quando apareceu na superfície, seu olhar atônito foi a doce vingança.

Ela ficou de pé, observando-o triunfal.

— Isso deveria limpar sua suja língua, Normando.

— Não me chame de Normando — ele sacudiu a água de seu cabelo e sorriu.

Em seguida, sem advertência, ele começou a salpicá-la com água. Antes que Marlene pudesse retroceder, estava completamente ensopada. A mandíbula dela caiu, e ofegou perplexa. Como se atrevia? E apesar desse sentimento de ultraje, pareceu-lhe divertido.

Os homem geralmente respondiam a sua agressão em uma de duas maneiras. Se afastavam da briga, temerosos de machucá-la ou de perder ante uma mulher. Ou atacavam-na com enorme fúria, procurando matar o que não compreendiam.

Esse normando, simplesmente não duvidava em provocá-la. E isso era algo... fascinante. Então, ele queria brigar? Ela brigaria com ele. Com gosto. Um sorriso floresceu em seu rosto, e ela flexionou seus joelhas, preparando-se para mergulhar-se no arroio.

Mas neste momento ouviu um ramo mover-se atrás dela, um suave murmúrio no bosque de pinheiros, mas suficiente para alerta-la da presença de um intruso. Sua mão foi instintivamente par a sua faca, e se voltou-se com sua arma pronta para atacar.

Notas finais
Mando spoiler por MP para quem adivinhar quem esta atrás da Marlene! HAHA Obrigada mesmo por lerem, e comentarem, o que provavelmente fizeram. É muito importante pra mim cada comentário lindo que eu recebo e sei que não tenho respondido eles, mas é justamente pela minha falta de tempo, assim que chegar o feriado do carnaval prometo deixar tudo em dia, responderei cada comentário. Beijos, se aprontar o próximo amanhã já posto amanhã mesmo. Comentem!