Donzela Guerreira
9 Minhas desculpas, outra vez
Notas iniciais
Capítulo 9

Minhas desculpas, outra vez
Horas mais tarde, Lily se movia com irritação na cama, puxando uma e outra vez a manta para tapar-se, James tinha se apropriado da manta. Era impossível dormir com alguém mais na cama, especialmente quando esse alguém era um maldito invasor.
Na verdade, ele poderia ter sido muito mais invasor, recordou a si mesma. E embora ela não quisesse pensar nisso, uma noite ele seria. Não era tão estúpida para acreditar que a consumação nunca aconteceria, não poderia manter seu marido a distância prudente para sempre.
Depois de tudo, seu dever como mulher era produzir herdeiros para Hogwarts. Mas no momento, sua habitação era outra arena de luta onde ele ainda não podia reclamar uma vitória. Ela sentia a dominância escorrendo-se das mãos à medida que ele se metia na administração da fortaleza, do seu povo, dava ordens aos serventes e planejava mudanças para o castelo. Ao menos na cama, ela tinha conseguido manter o controle. Até agora.
Mas se perguntava até quando ele toleraria a negativa dela. Pior ainda, perguntava-se por quanto tempo ela conseguiria recusar-se.
O egoísmo de James em relação a manta não era a única coisa que a mantinha acordada. Não podia deixar de pensar em seu corpo perfeitamente esculpido, em seu cabelo e o olhar. Penetrante. Recordou com vívidos detalhes como suas mãos se sentiam em sua pele, acariciantes e excitantes, recordou como seus lábios a tinham devastado em um beijo. Ainda a pouco, seus sensuais sussurros ecoavam em seus pensamentos. Toda a noite, ela reavivou as intensas sensações que ele tinha provocado: seu polegar estimulando seu mamilo, sua língua cálida enchendo sua boca, seus dedos penetrando-a em suas partes mais privadas.
Toda a noite, sem importar quanto sua mente rechaçasse a horrenda ideia de render-se, seu corpo doía com a fome que ele a tinha deixado. Era uma tortura das piores, perguntava-se que tipo de prazeres se perdeu por sua negativa a consumar o matrimônio.
O céu ainda estava escuro quando Lily decidiu que já não podia estar na cama.
Embora ele não a tocasse, o calor do corpo dormido de James era uma coisa evidente que fazia que sua pele se arrepiasse de um modo anormal, mantendo-a acordada e tão tensa como um gato em uma tormenta. Só havia um modo, e ela sabia, de fazer desaparecer essa sensação.
Com calma, saiu da cama, deixou a roupa interior e às escuras colocou a cota de malha que guardava em um baú. Sustentou a adaga na mão e por um instante pensou que James era um tolo por havê-la deixado ao alcance dela.
Lançando um último olhar a seu marido dormido, Lily saiu do quarto, passou ao lado dos invasores roncando no grande salão, e foi para o campo de treinamento. O amanhecer estava começando a empalidecer o céu, nada cortava o ar tranquilo, nem sequer o canto de um pássaro. Era o tipo de amanhã que agradava Lily, com nada que a distraísse de seus exercícios.
Prendeu os cabelos ruivos em uma trança frouxa, e fez uma série de movimentos de aquecimento para afrouxar seus músculos. Embora odiasse admiti-lo, seus músculos não estavam tão tensos como sempre, provavelmente devido ao trabalho das mãos do Potter.
Tinha eleito sua espada favorita essa manhã, a que seu pai lhe tinha mandado fazer quando ela tinha doze anos. Tinha-lhe esculpido seu nome no punho para distingui-la da de Marlene. Uma vez que teve a arma em sua mão, uma vez que começou praticar investidas, uma vez que seu sangue se esquentou com os movimentos e seus pensamentos se centraram só no assalto e na defesa, ela se esqueceu da noite em branco, de seu marido e de sua rendição ante ele. Ela atacou e retrocedeu, uma e outra vez, desafiando a seus oponentes invisíveis.
Para o momento em que o galo começou a cantar, o suor lhe caía pela face, e seus pulmões ardiam, mas se sentia bem, maravilhosamente. A sensação de poder era intoxidante. A espada assobiou através do ar e apanhou os primeiros raios do sol nascente.
[...]
Sirius despertou nas tranquilas horas antes do amanhecer com o som da respiração de Marlene que não era exatamente um ronco ou um tremor, mas algo entre esses dois. O quarto estava escuro e frio, seu coração de cavalheiro teve piedade da tremente donzela. Curvando sua cabeça para frente, apanhou a beirada de sua manta com seus dentes e, centímetro por centímetro, que a levantou com tão má sorte que caiu em cima dela. Houve um grunhido, ela se deu a volta, e seguiu dormindo.
Enquanto isso, ele ficou quieto e se estremeceu, perguntando-se o que traria esse novo dia.
Estava seguro que se James interceptava a nota de Marlene, ele pensaria que era uma boa brincadeira que Sirius estivesse à mercê da moça. O Potter não se apuraria a cavalgar para resgatá-lo, e Sirius poderia permanecer nesse miserável estado por dias. O que, dado a beleza de sua sequestradora, poderia não ser uma coisa terrível. Mas estavam muito mal providos para permanecer ali por um longo tempo. Ela não havia trazido comida, e sua única arma de caça era sua adaga. Sirius tinha moedas, mas não seriam muito úteis no bosque selvagem.
Ela reconsideraria suas demandas? Poderia convencê-la que James nunca concordaria com seus pedidos? Não era que James fosse irracional, ele era decidido e um líder sábio que defenderia os melhores interesses de Hogwarts. Se fosse qualquer outra mulher, Sirius já a teria comendo em sua mão com apenas uma piscada de olho. Mas esta moça era um desafio. Não era um pimpolho que floresceria com um só toque de seus dedos.
Marlene era mais uma flor selvagem da Escócia, bela e chamativa para olhá-la, mas com traiçoeiros espinhos. Apesar do frio, Sirius voltou a dormir, sonhando que procurava uma valiosa flor em um vasto campo de pálidas margaridas.
[...]
James despertou com o sol. Se decepcionou ao notar que Lily se fora, mas não estava realmente surpreso. Ele mesmo teria abandonado a cama de algumas mulheres antes de que amanhecesse. Mas neste caso não se travava de indiscrição de meia-noite, e Lily não era uma donzela que ele podia usar e atirar para que fosse usada por outro homem. Ela era sua esposa.
Por Deus! Seria melhor que ela fosse acostumando a despertar na cama com seu marido.
O Potter franziu o cenho quando olhou os lençóis manchados com sangue, seu próprio sangue. Fazia esse sacrifício para proteger a honra dela. E como ela lhe devolvia o favor? Abandonando-o. O que aconteceria quando seus homens preparados para felicitar à noiva e ao noivo e para vir buscar os lençóis, encontrassem ao noivo só? Jesus, nem queria pensá-lo.
Tinha que encontrar Lily. Antes que eles o fizessem.
Vestiu-se rapidamente, perguntando-se onde estaria ela. Talvez visitando sua irmã na cela. Ou na cozinha tomando o café da manhã. Ou na capela rezando. James sorriu. Tinha que rezar pedindo forças para manter-se imune à sedução dele.
Olhou o baú onde tinha metido a adaga dela. A arma não estava lá. Abriu a tampa e dentro estava a roupa que Lily tinha roubado dele e de Sirius, as quais ele recuperou. O resto eram coisas de cavalheiro elmo, esporas, luvas de couro mas a cota de malha não estava.
Ele sacudiu a cabeça. A menos que estivesse errado, sua esposa guerreira se pôs uma armadura ligeira para treinar. No momento em que cruzou o jardim, completamente armado, uns poucos serventes tinham começado a mover-se para fazer suas tarefas. Os Cães de caça levantaram suas cabeças quando ele passou. Enquanto se aproximava do campo de treinamento, uma nuvem de pó revelou a presença de um lutador solitário.
Lily.
Escondeu-se nas sombra dos estábulos para observá-la sem ser visto. Estava zangado com ela. Depois de tudo, ela o tinha insultado abandonando-o só com propósitos que, aparentemente, eram de entretenimento para ela. James tinha posto a armadura pesada, possivelmente porque procurava uma briga, ou possivelmente esperando ao menos ter que discipliná-la. Mas agora, observando-a das sombras, encontrou que sua ira se dissolvia e se convertia em fascinação.
Dirigir a espada não era um jogo para ela depois de tudo. O Potter pôde vê-lo imediatamente. A força com a qual ela fazia o exercício era genuína. Ela sabia as posições corretas, e os movimentos corretos. Seu pai obviamente lhe tinha ensinado bem. Apesar de que era uma mulher, ou talvez por causa disso seus movimentos eram rápidos e com graça. Quase parecia que dançava com um equilíbrio e uma precisão assombrosas.
É obvio, era anormal. Combater não era uma prerrogativa de uma mulher. Lily podia praticar, mas as mulheres não eram feitas para questões de guerra.
Entretanto havia algo extraordinário, algo inegavelmente correto sobre o modo em que ela se movia, como tivesse nascido para dirigir uma espada. E enquanto ela continuava sua batalha com os inimigos invisíveis, ele se deu conta que quanto mais a observava mais o deslumbrava. Por Deus! Excitava-o!
As mulheres, ele sabia, raras vezes faziam exercícios mais do que o de lançar um falcão ao ar ou sacudir o braço para dizer adeus a seus maridos ou estirar-se para alcançar uma vasilha de uma prateleira. Era por isso que ele preferia mulheres comuns em sua cama. As mulheres da nobreza eram muito frágeis para os rigores demandantes do sexo.
Pôde ver que Lily não era precisamente uma flor frágil. E não necessitava muita imaginação para vislumbrar o ardor que ela exibia na esgrima transladado à cama.
— Te vais ficar parado aí me espiando todo o dia? — como tinha sabido Lily que ele estava aí, James não podia imaginar, tinha estado absolutamente silencioso e ela nunca tinha olhado nessa direção. Ainda enquanto ela falava, não o olhava e não interrompia sua prática.
— Ou o que? — sua espada girou à esquerda e à direita, fazendo uma grande X no ar antes que ela se desse volta para encará-lo — Ou planeja me desafiar?
Ele riu em voz alta. Sim, queria desafiá-la. Algo a respeito da segurança nos movimentos dela o excitava. Ela era uma zorra tentadora, e James suspeitava que ela sabia. Havia uma faísca em seus olhos.
— Pensa que brinco.
James inspirou profundamente. Deus, ela estava formosa nessa manhã. Cachos de cabelo ruivo caindo descuidadamente, parte de seu cabelo escapando da trança, suas bochechas ruborizadas. Seus peitos subiam e baixavam com cada respiração. Mãe de Deus!
Lily quase não podia acreditar que estava falando com James e muito menos que o estava desafiando. Ela nunca tinha pensado se seria capaz de olhá-lo nos olhos outra vez por sua imensa vergonha. Mas algo que tinha ver luzindo uma cota de malha e dirigir una sua espada lhe tinha restaurado sua sensação de poder e controle. E com essa sensação, ela sentia que podia conquistar algo, ainda que fosse a desgraça.
Ela achava divertido que James não se desse conta como ela o tinha descoberto escondido. Lily conhecia todos os sons de Hogwarts. Pássaros, cães, cavalos, servos. E reconhecia os ruídos não familiares instantaneamente.
Se houvesse um momento e lugar de fazer pagar a James por sua conquista impiedosa da noite anterior, era aqui e agora. Era na arena de combate onde ela poderia superá-lo, onde ela podia confiar em que seu corpo não a trairia, onde ela poderia reparar seu orgulho ferido.
— Assustado? — perguntou ela ecoando de seu desafio do dia anterior.
James se afastou da parede e caminhou até que devagar se apoiou sobre o portão de entrada da área de treinamento.
— Só que posso te danificar.
Por um momento, a coragem dela vacilou. Deus! Ele era tão enorme, ou só lhe parecia isso porque agora usava sua armadura? Ela se forçou a sorrir orgulhosamente. Não se atrevia a mostrar sua dúvida. A metade de uma vitória era o blefe.
— Não poderá chegar o suficientemente perto para me danificar.
— Planeja sair correndo?
— Ora! Eu nunca me escapo.
— Escapou de minha cama essa manhã.
— Possivelmente eu descansei o suficiente.
— Descansar? Vamos, minha lady, deve haver levantado antes do amanhecer.
— E os Normandos ficam na cama até o meio-dia?
— Sim — lançou um sorriso — Se tivermos mulheres bem dispostas em nossas camas.
Sua suave sugestão trouxe calor às bochechas dela, como se ele tivesse sussurrado as palavras contra seu cabelo, do modo em que o tinha feito na noite. Por Deus! Por que pensava nisso? Se ia brigar com ele, ela precisava concentrar-se na batalha por diante.
— Está desviando o tema. Aceita meu desafio ou não?
Ele abriu o portão e entrou no campo.
— Por que não? — passou ao lado dela e sussurrou — Já que não deseja te unir em nossa cama, minha lady, suponho que nos unir no campo de treinamento é uma alternativa razoável — James lhe sustentou o olhar e desembainhou sua espada com sugestiva frouxidão.
Lily tragou com dificuldade. O homem era incorrigível. Ainda no campo de batalha, tentava seduzi-la. E que Deus a ajudasse, porque James estava obtendo certos efeitos. Seus olhos ardiam com a promessa de prazer. E sua boca, com um sorriso ganhador. Ela recordava muito bem como se sentia sobre a dela, cálida, doce e demandante.
Não! Não devia pensar nisso. Tinha que brigar com ele.
Mas ainda, esta vez ela devia ganhar. Com um movimento preparatório de sua espada através do ar, ela flexionou seus joelhos e se preparou para o ataque.
James a estudou lentamente da cabeça aos pés, então a chamou com seus dedos.
— Vem.
Tudo aconteceu tão rápido, Lily quase não soube que a retinha.
Em um momento, ela avançava para o braço direito de James. Mas sua espada seguiu de comprimento falhando o golpe. No instante seguinte, lhe tinha agarrado o braço da espada, tinha-a feito girar e apertava suas costas contra seu peito, retendo-a como um amante contra seu coração. Ela lutou contra seu abraço não desejado, lhe cravando os cotovelos, mas James só sorriu apoiando-se em seu cabelo.
— Minhas desculpas — murmurou ele com falso arrependimento.
Desorientada, ela esperneava. Desculpas, pois sim. Ele não estava arrependido nem um pouco. Passou a língua por seus lábios, preparando para um segundo ataque. Tudo o que ela podia dizer era que James era mas forte que qualquer de seus homens. Talvez os Cavalheiros da Ordem fossem uma força de elite depois de tudo. Se era assim, ganhar dele seria um desafio maior do que ela tinha antecipado.
Flexionou os joelhos, levantou sua espada e apontou à parte medeia do corpo dele. Esta vez ela o surpreendeu. James a esquivou indo para trás quase não escapando a um golpe dirigido a seu ventre. A segurança dela se incrementou, ela pressionou outro ataque, James retrocedeu ante uma série de investidas até que quase esteve preso contra a cerca.
Mas então ele cruzou sua espada. O impacto de aço contra aço lhe produziu um estremecimento de dor com o passar do braço. Lily tinha perdido sua vantagem, e se cambaleou.
— Me perdoe — ele sussurrou, com um piscar de olho — Outra vez.
Lily ignorou sua brincadeira. Não ia ceder à irritação. Não. James podia ser enorme e forte e, agora ela sabia, rápido. Mas não era infalível. Ainda os mais capitalistas podiam cair. E quando o faziam, o estrépito da queda era poderoso. Desta vez quando ele avançou, ela fez um movimento que tinha inventado quando tinha apanhado a um homem roubando ovelhas. Deu um inesperado passo para frente, passou por debaixo do braço dele e apareceu detrás dele. Enquanto James girava confundido, ela rapidamente o atacou no traseiro, lançando-o ao chão.
Enquanto ele jazia atônito no chão, ela se inclinou.
— Minhas desculpas — sussurrou e ele ficou de pé.
A expressão na face dele cheia de pó era uma espécie de confusa irritação e uma doce recompensa. Sem dúvida. Mas a vitória dela estava não assegurada ainda. Por um longo momento, fizeram círculos buscando um ao outro, com seus olhares firmes em seu oponente. Finalmente, enfrentaram-se, suas espadas intercambiaram golpes com inusitada violência.
Cada vez que ela ganhava certo controle, o fazia por uma questão de segundos antes que ele o recuperasse. Nunca tinha brigado por um tempo tão longo contra um oponente tão duro, a não ser com Marlene, sem ter ela a vantagem.
Depois de um longo momento, já sem respiração e desesperada, Lily encontrou sua oportunidade. Lançou-se para frente com uma investida mortal, direta ao coração de James. Mas tão rápido como um látego, ele se moveu para a direita e para a esquerda, bloqueando-a com tal força que a fez cambalear. Ele a apanhou contra sua coxa impedindo que ela caísse.
— Já terminou? — ele perguntou e nem mesmo respirava com dificuldade.
— Não — ela lutou para liberar-se — A menos que deseje te render.
— Me render? — ele sorriu — Um cavalheiro da Ordem não se rende.
— Então continuemos.
Ela se endireitou. Qual sua debilidade? Se perguntou. Onde estava o enguiço em sua armadura? Agarrando a espada com suas duas mãos, ela a levantou disposta a parti-lo dois. Preventivamente, ele levantou sua espada para bloqueá-la. Quando o fez, balançou-se e levantou o pé ao redor para chutá-lo no ventre.
Ele se dobrou em dois. Enquanto o moreno se recompunha, ela aplicou a ponta de sua espada ao queixo dele. Mas não estava tão incapacitado como ela esperava. Com sua mão livre, tirou a espada dela a um lado, então subiu sua própria espada para aproximar a à garganta dela.
— Interessante — disse James comentando o inovador movimento dela — Está segura que não deseja te render? Depois de tudo, eu ainda estou fresco como uma alface. E estivemos combatendo a metade da manhã.
— Isto é só o pré-aquecimento — ela blefou embora ambos podiam ouvir a respiração ofegante dela. Estalando sua língua, James tirou suas costas da garganta dela.
Ofegando, ela se enxaguou o suor de sua cara com o dorso de sua mão e estudou a seu oponente. Ele era um bom lutador. Não havia argumento contra isso. Ele era forte, rápido e inteligente. Mas ela tinha conseguido surpreendê-lo duas vezes. Com uns poucos truques do repertório das Donzelas Guerreiras de Hogwarts, James cairia a seus pés. Estava segura disso.
Sua determinação se renovou, intercambiaram uns golpes, e então, tomando emprestado um truque de sua irmã se lançou para diante rodando pelo chão, planejava levantar-se e levar sua espada à garganta dele. Mas para sua surpresa, James, resistindo o instinto natural de retroceder de um ataque, caminhou para ela. Quando ela saltou para ficar de pé, se chocaram.
Sua cara se estrelou contra o peito sólido dele, James lhe travou o braço da espada e a aprisionou. Ela tratou de soltar-se, mas seu braço a aferrava com força letal.
— Agora te rende? — perguntou ele brandamente e ela tratou de gritar.
— Nunca! — mas as palavras saíram em um tom afogado. Ela seguiu lutando.
Ainda havia um modo mais de soltar-se. Ela e Marlene tinham inventado uma série de mutretas para tais situações nas que a força de uma mulher não podia superar a de um homem Em tais casos a mulher devia ser veloz e ardilosa. Com sua próxima respiração, ela levou seu joelho direito no meio das pernas dele e golpeou tão forte como pôde.
E pôde fazê-lo com muita força.
Mas James deveria ter intuído a intenção dela porque no último instante se correu o suficiente para lhe fazer errar em branco a joelhada. Mas, ela não falhou do todo uma parte de seu joelho alcançou suas genitálias não protegidos pela armadura.
Ela esperava liberar-se de uma vez. Mas seu aperto não se afrouxou nem um pouco, embora se dobrou para frente, gemendo de dor, e a arrastou ao chão com ele.
— Me deixe ir! — disse ela entre dentes, tratando de soltar-se de seu abraço de urso.
— Não? — ele ofegou, apertando-a mais forte ainda.
Lutaram tenazmente até que ele a pôs de costas contra o chão e a aprisionou com seu corpo. E agora ela jazia debaixo dele como uma prostituta libidinosa. Por um momento, enquanto o pó se levantava ao redor deles, James esteve em silêncio. Mas logo que ele conseguiu recuperar a respiração, Lily lutou contra oponente, de repente se ouviu uma risada, tão genuína e encantadora que assombrou a ruiva.
— Moça inteligente — disse ele com um sorriso aprovador — Onde aprendeu isso?
A pergunta a tirou de surpresa.
— Minha irmã e eu o inventamos — James lançou um olhar desconfiado — Fizemo-lo — sua dúvida renovou a irritação dela, e tratou de desprender-se outra vez — Inventamos mais truques — amaldiçoando o aperto poderoso de James, parecia que estava lutando com um urso.
Ela podia sentir seu olhar avaliador sobre ela, como se ele estivesse medindo sua honestidade seu valor como lutadora. Quando ela se atreveu a encontrar seus olhos, o que encontrou era algo mais que uma avaliação. Havia um perigoso brilho de orgulho ou de admiração ou de respeito que ela não esperava. E enquanto ela tratava de absorver essa emoção, outro distinta surgiu, uma muito mais perigosa.
Ele a queria.
A posição em que se encontrava era humilhante. Indicava não só a dominância dele e a submissão dela, e evocava o encontro sexual de um casal em uma cama matrimonial. Ele era pesado em cima dela, apesar de estar apoiado sobre seus cotovelos. Enquanto ela brigava para livrar-se dessa situação ultrajante, estava envergonhada de admitir que uma parte dela ansiava sentir seu peso e sua força, estar na intimidade com ele outra vez. E isso a aterrorizava.
— Te tire de cima mim — sussurrou furiosamente, ruborizando-se completamente.
— Não.
— Isto é vergonhoso.
— Ninguém nos vê.
— Ainda.
Ele baixou seu olhar para a boca dela, olhando-a como se planejasse devorá-la.
— Não há nada do que estar envergonhada. Somos recém-casados.
Lily e sua irmã tinham inventado métodos de escapamento de todo tipo de armadilhas. Mas não dessa. Ela temia que só poderia defender-se com palavras.
— Não tolerarei isto.
— Ah, mas o fará esposa — ele disse com segurança.
Ela tragou com dificuldade. Ele não tinha intenção de tomá-la no campo de treinamento, verdade? Certamente ele não estava tão louco e além disso ainda estava sua promessa no meio.
— Romperá a promessa que fez a minha irmã?
Um lado de sua boca se curvou para cima em um sorriso pícaro.
— Possivelmente.
Poderia não ter intenção de romper o juramento, mas Lily sabia que ele tinha vontades de fazê-lo. Ainda através cota de malha, ela pôde senti-lo endurecê-lo contra sua coxa.
— Só desejava falar com você — ele continuou secamente — Em uma posição onde você não possa me atirar ao chão ou me fazer perder minha masculinidade com uma patada.
Lily grunhiu só interessada em desprendê-lo o mais rápido possível, deixou de lutar e baixou seus braços.
— Fala.
— Tem um pouco de talento.
Ele a surpreendeu, mas ela não queria que ele soubesse isso.
— Como você.
James sorriu, e seu estômago se chocava com o dela com cada suave gargalhada.
— Assim dizem.
Aparentemente, não havia nem um grama de humildade nele.
— Faz quanto tempo que treina?
— Meu pai diz que nasci com a espada na mão — disse ela orgulhosamente.
— Então? — a risada dançou em seus olhos — Esfaqueou até sua babá?
— Aos doze anos, eu cortei os dedos de um homem que tratou de ultrapassar-se com Dorcas nos estábulos, Marlene o matou, mas eu fui a primeira corajosa a avançar.
James franziu o cenho, e seu sorriso se desvaneceu. Ele esteve silencioso por um momento enquanto, estudava-a pensativamente, e ela quase desejou não lhe haver contado esse episódio. Depois de tudo, o homem era só o primeiro de uma larga fila de homens que tinha encontrado desgraça e dor com a ponta de sua espada. Finalmente ele falou.
— Talvez seu pai foi sábio ao te ensinar a brigar.
Lily estava outra vez perplexa. Ninguém nunca antes lhe havia dito isso. Sua mãe, os serventes, ainda seus próprios cavalheiros, eram da opinião que as irmãs nunca deviam ter tomado as armas. Era só pelo pedido de seu pai que os treinamentos tinham sido permitidos. Possivelmente, Lily se atreveu a ter fé nisso, James a entendia. Possivelmente ele reconheceria a sabedoria de permitir que ela estivesse bem treinada para brigar. Possivelmente não seria de todo mal que ele comandasse o exército de Hogwarts depois de tudo.
No instante seguinte, entretanto, suas esperanças desapareceram.
— Mas agora, minha lady — disse o Potter, seu olhar era magnânimo e paternalista — Você e suas irmãs não precisam preocupar suas preciosas cabeças neste tipo de coisas. Os Cavalheiros da Ordem estão aqui para as proteger. Nunca mais precisa usar a cota de malha, nunca mais precisa empunhar uma espada, nunca mais sofrerá as feridas de uma batalha. Desde este dia em adiante — ele jurou — Serei seu campeão e seu protetor.
James sorria meigamente, Lily parecia agradecida por suas palavras, mas não fizera outra coisa se não olhá-lo. Agora que ele e seus homens tinham chegado, ela podia voltar para as tarefas de costura a cuidar das flores ou a qualquer tipo de tarefa feminina. E agora que a tinha onde ele queria ter, terna e agradecida, possivelmente ela aceitaria um beijo.
— Lily! — alguém subitamente chamou.
Ela ficou rígida debaixo dele. Ele levantou sua cabeça para ver de quem se tratava. Maldição, era Dorcas, procurando a sua irmã.
— Lily! Onde está?
Com pânico, Lily lutou para tirar-se James de cima.
— Sei que está aqui, Lily — Dorcas a desafiou, enquanto se aproximava — Ouvi as espadas. Não poderia... Oh!
Os olhos da morena se arredondaram, mas James se negou a saltar como se fosse um adultero apanhado com sua amante. Lily era sua esposa. Este era seu campo de treinamento. E se ele queria possuir a sua esposa em seu campo de treinamento, era seu problema.
Lily aparentemente não coincidia com sua posição. Seus dedos se meteram por debaixo dos protetores e a roupa, e agora lhe dava um forte beliscão. Com um grunhido de dor, com reticência se moveu de cima dela. E com um olhar de desaprovação, ajudou-a a ficar de pé.
Dorcas estava paralisada, sua mandíbula caída. Sua estranha serva grunhiu ao lado dela.
— O que acontece? — perguntou James, seria melhor que fosse importante, ou as penduraria pelas suas tranças.
— Oh... hm... — Dorcas balbuciava, como se ela não entendesse a situação.
A serva caminhou para frente, plantou seus punhos em seus quadris e demandou.
— O que tem feito com Marlene?
James olhou à velha, não estava acostumado a esse tipo de enfrentamento com uma serva.
Dorcas pareceu sair de sua paralisia, colocou uma mão no braço de sua serva.
— Busquei-a por todos lados — explicou a James — Não posso encontrá-la e não posso encontrar a seu homem, Sirius, tampouco.
— O que? — rosnou Lily virando para encarar o marido — Onde estão eles? Que Deus o ajude, se houver tocado um só cabelo de sua cabeça!
— Espera! — disse James tratando de dominar o pânico delas — Não há nada que preocupar-se! Sirius é confiável, disse que a encerrasse na cela, sem dúvida ele a está cuidado aí.
Quase antes de que terminasse de dizer essas palavras, Lily cruzou apressadamente o campo de treinamento. Ele a seguiu de volta à fortaleza, rezando para que Sirius por certo tivesse passado a noite cuidando de Marlene, e para que não tivesse feito nada incorreto ou indesejável.
Mas quando chegaram a cela, seus piores medos se confirmaram.
Estava completamente vazia.
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