Don't let me down

1 Capítulo 1: Melissa- Aposto 50 pratas


Notas iniciais
Bem, por favor comentem e nós esperamos que vocês gostem!!!!! Esse capítulo foi escrito por mim, Butterfly!

POV Melissa

Um fato sobre mim: Eu odeio filas.

O fato de ter que esperar 10 minutos na fila daquele maldito cinema, lotado por sinal, de ter que suportar a demora da minha melhor amiga Lily voltar com a bendita pipoca, ainda era algo torelável.

Mas ter que aguentar a lentidão da senhorinha idosa na minha frente, para andar na fila, que por sinal já tinha andando a muito tempo, enquanto ouvia ela falar safadezas no telefone com não-sei-quem, era demais. Intolerável.

–Eu sei, eu sei...estou usando a combinação que você me deu, e aquele batom de cacau que você ama. Eu sei que você ama. E quando eu troquei sua frald-

–CHEGA! CHEGA! AI JÁ É DEMAIS SUA VELHA TARADA!

Ai vocês pensam, “que exagero”. A situação é que, eu sempre exagero.

Segundo fato sobre mim: Sou a rainha do drama.

Todos na bilheteria do cinema olharam para mim, com olhos acusadores e expressões severas. Por um instante, quase cheguei a me sentir imponente em minha altura mediana, ao ser julgada com palavras mudas de todos ali presentes. Quase.

A senhorinha de cabelo branco, com roupas extravagantes, maquiagem equivalente ao patati e patatá, e com sua pele pálida e extremamente fina me olhou com o cenho franzido, logo em seguida o desmanchando e assumindo uma expressão acuadora. Poderia até dizer que, cavada. Seus olhos castanhos me fitaram cruéis para depois assumir um tom falso de melancolia. Eles marejaram, em um átimo de segundo, e naquele exato momento, percebi qual era o joguinho dela. Estava se fazendo de boazinha apenas para conquistar a peninha de todos ali presentes. Infelizmente, também constatei o seguinte:

Eu havia feito merda.

Percebi isso quando uma mulher que aparentava ter 30 anos de idade, se aproximou de mim, soltando aquelas palavras que por um instante, me surpreenderam.

–Quem você pensa que é garota para falar com essa senhora assim? Hein?

Recuei um pouco quando ela falou aquelas palavras para mim, enquanto remexia na borda do meu casaquinho preto de renda, sobre minha camisa regata branca.

Ai vocês pensam, que eu provavelmente deveria estar totalmente vermelha e envergonhada.

Errado. Eu nunca coro. Nunca.

A única vez que eu corei foi por ter rido muito, e depois ter gritado, mas nunca...por outras coisas, como essas que estavam ocorrendo agora.

Meu olhar era acusador e fatal, dando a entender todo o meu ódio direcionado a ela. Eu sou como uma panela de pressão fervendo sobre um fogão, com laberadas de fogo por suas bordas. E uma hora ou outra eu tenho que explodir.

Porque não, Melissa não é de aguentar calada.

–Quem você pensa que é para me repreender?! Vai cuidar da tua vida, sua mulher degradante e enxerida!

Pois sim, não basta eu reclamar, eu reclamo com palavras cultas, e sim eu falei gritando, e não, não me orgulho TANTO assim. A mulher recuou um pouco, e se afastou mais de mim, enquanto todos olhavam com olhares mais aguçados.

–E vocês estão olhando o que?!

Gritei para todos que estavam presentes naquela bilheteria.

Aos poucos todos voltavam aos seus lugares, olhando de vez em quando de relance para mim e meu olhar intolerante.

Quando Lily voltou ao meu lado na fila, estava se segurando para rir.

–Melissa Mayer, o que foi isso?- e então começou rir descontroladamente enquanto seus cabelos negros lisos caiam pra frente a todo momento que ela se curvava para rir.

Tomei de suas mãos a pipoca tamanho gigante e os dois copos de refrigerantes grandes, antes que ela os derrubasse no chão.

–Uhg!- ela praguejou com nojo quando sua mão encostou brevemente na minha pipoca encharcada de manteiga.

–Não entendo você Mel, você é a única pessoa na face da terra que ama pipoca de cinema entupida de manteiga.

–Exato- falei enquanto colocava uma pipoca na boca.

Ouvi um assovio ao longo, não, não aqueles assovios de quem está imitando um passarinho ou tentando passar despercebido, mas sim aquele assovio que todo cafajeste dá quando vê uma mulher bonita passando e tenta a paquerar desinibidamente.

Olhei para onde vinha o assovio e como você já podem imaginar, eu estava certa.

Um grupo de garotos patéticos olhava para ninguém mais, ninguém menos que Katherine Muller, um projeto plastificado e barato da Barbie e uma imitação barata e banal de Tara Banks.

Tudo nela é plastificado, sério mesmo, não consigo enxergar uma só coisa que seja natural. E aqueles idiotas bombados e cegos ainda babam por ela.

–Quanto será que ela gasta na academia?- Lily perguntou olhando para a mesma direção que eu e aparentemente pensando a mesma coisa.

–Provavelmente uma fortuna, com aquele pai riquinho dela, é capaz de comprar até o oceano pacífico- disse enquanto andava mais na fila que aos poucos diminuía do filme Anoitecer- Parte 2.

–E aqueles olhos, são tão lindos! Eu queria ter olhos assim- Minha melhor amiga disse enquanto admirava a beleza falsa de Katherine Oferecida Muller.

–Relaxa, são lentes- disse observando as pessoas ao meu redor, uma mania minha.

–Os cabelos?

–Aplique.

–E as roupas? Não tem como elas serem de um tecido ruim, me disseram que ela só veste roupas de marca.

–Chama isso de roupa? Com aquela saia dá pra ver o útero dela! E aquele decote? Ela se inspirou no que?! No Grand Canyon?!

Lily riu um pouco com meu descontrole, e colocando um punhado de pipoca na boca, proferiu aquelas palavras que me fizeram pensar.

–Você só ta com inveja por que seus peitos são em tamanhos medianos e ela pode formar o Grand Canyon...

E como eu sou uma garota muito simpática e educada, respondi ela com educação e bons modos...

–VOCÊ FUMOU O QUE? TÁ DOIDA? PIROU? SUA DROGADA!

Sim, eu gritei e sim, o que eu falei antes era só ironia.

O cinema novamente fez silêncio, e eu novamente era o centro das atenções.

–VÃO TUDO TE CATAR!

–Lily continuou imóvel, com um sorriso de canto, sem se importar muito com meu ataque de raiva.

Olhei ao redor, por decorrência da minha mania e avistei o grupo que antes estava cantando Katherine Muller.

Um deles é bombado, e os outros dois que ali se encontravam nem tanto. O bombado tinha o cabelo rente à cabeça estilo militar, outro tem a pele um pouco mais morena e cabelos meio acobreados, e o terceiro tem olhos cinzas, tão profundos quanto sombras da noite, cabelos negros bagunçados do gênero “acordei assim, vai ficar assim” e um maxilar tão definido que parecia estar a cada momento trincado. Sua barba por fazer dava uma coloração esverdeada à essa área da pele e contrastava extremamente bem com sua pele bronzeada naturalmente que também era o tom de pele do bombado.

A beleza deles é equivalente a seus egos, absurdos.

E como eu sei disso? Eles são o que posso chamar de “ERCF”.

Elite Ridiculamente Cafajeste da Faculdade.

Ele e sua gangue ficavam com as garotas, as mais superficiais e desafiadoras, as diziam juras de amor, as faziam sentir-se especiais e únicas e depois quebravam seus corações sem pestanejar.

E elas, essas garotas, se derretem por esses caras, e se entregam, mesmo sabendo que será tudo uma farsa, mas achando que serão uma exceção, se permitem ir pela forma mais sádica e nojenta de amar. Se é que posso chamar isso e amor.

O de cabelos negros e olhos cinzas, que sabia ser William, olhava para Katherine, enquanto seus dois amigos, John e Lucas, negavam com a cabeça e riam, como se não acreditassem no que quer que o amigo fosse fazer.

Os olhos de William estavam centrados na garota sentada no banco, que lia a programação de filmes mal sabendo que será em breve mais uma presa da garras sádicas e cruéis de mais um idiota. Quase podia ver as engrenagens se mexendo na cabeça do líder da gangue e até já sabia o que ele ia fazer.

–Lily, aposto 30 pratas que eles estão apostando para ver quem consegue ficar com Katherine Muller- falei dando um sorriso de canto enquanto meus olhos continuavam focados nos três garotos.

–Eu aposto 50 que ela o rejeita- Lily falou animada com um desafio.

Nossos olhos estavam focados naquela gangue, espremidos, com nossas mentes imaginando qual seria o próximo passo.

William se moveu até a garota, com passos lentos e planejados, como se fosse um leão e ela um simples cordeiro, uma simples presa. Ele bagunçou ainda mais os cabelos negros e colocou um breve sorriso nos lábios.

Assim que ela o viu se aproximar ela sorriu, como se já esperasse essa atitude de algum garoto. Mas também, vestida daquele jeito ela não estava ali apenas para assistir um filme, ela queria chamar atenção. Ela voltou a ler a programação de filmes tentando parecer despreocupada, mas seu pé direito começou a balançar desenfreadamente transmitindo sua ansiosidade.

Ela queria bancar uma de “eu sou difícil mas nem tanto assim”, estava óbvio pela sua linguagem corporal, e ele estava amando isso.

Cafajestes amam desafios, porém são idiotas o bastante para não perceberem quando a garota está apenas se fazendo de difícil, quando na verdade já entregam todo o jogo de bandeja, os fazendo se sentir a última bolacha do pacote.

Eles se acham os caçadores, mas na maioria das vezes, eles que são as presas.

Os dois começaram a conversar, com uma linguagem corporal que transmitia casualidade e ganância.

–Ele está provavelmente elogiando ela pela roupa que ela está usando- afirmei os olhando atentamente sem desgrudar o olhar dos dois, com minhas orbes atentas a tudo.

Ele ergueu uma sobrancelha e falou algo que a fez rir.

–Ele agora está provavelmente a dando uma cantada barata, que ele sabe ser péssima mas apenas a está falando para a conquistar. Bem, senso de humor é uma das características que as garotas mais gostam, ele está amostrando que tem isso. Nesse caso, ela é a presa...

–Ele a está fazendo sentir-se especial e no controle da situação...-Lily afirmou percebendo do que eu estava falando- Mas, peraí Melissa...-

A interrompi perdida demais em meus devaneios.

–Ele provavelmente tem um tempo até conquistá-la, menos que o tempo da próxima sessão de filme e tempo suficiente para ele convencê-la. Razoavelmente de 5 a 10 minutos.

–Como você sabe disso?- ela perguntou espantada, observei sua expressão pela minha visão periférica mas não me virei.

–Linguagem corporal baby, ele está impaciente e olhando de 5 em cinco segundos, disfarçadamente para os amigos. Ele tem um prazo a cumprir.- disse, ainda sem olhar para ela.

Eles se levantaram, e juntos eles entrarão na fila do cinema...

Ela estava com um sorriso de orelha a orelha, como se dissesse para todos que tinha conquistado ele, se achando mais uma exceção, já ele estava com um sorriso de canto olhando para os amigos com um olhar de satisfação e orgulho, por tê-la conquistado, e a tratando como um troféu, feliz por todos os homens ficarem com inveja dos dois.

Ela mal sabia que ele a tratava como um troféu que aos poucos seria trocada por uma medalha, e que para ele, era apenas uma presa que tinha cedido ao seu bote.