Os dias não haviam mudado. O mundo continuava com sua rotina. As pessoas continuavam a sair de suas casas para irem trabalhar, ganhar a vida.

Menos Tony Stark.

Ele não via mais sentido em sair do hotel onde estava hospedado havia seis dias. Desde que Steve Rogers saiu da sua garagem, sem olhar para trás, ele estava fora de casa.

Não suportava a ideia de dormir em sua cama e não sentir o calor do corpo do loiro. Ou ir trabalhar em sua oficina no subsolo da mansão e não ter seu trabalho interrompido por Steve.

Por Deus, tudo naquela casa o lembrava de que sua vida pouco valia a pena sem Steve. E desde que Rogers foi embora, Stark não havia recebido notícias do Capitão.

Nenhuma.

Resolveu também dar espaço para ele. Achou que o loiro precisava desse tempo, e respeitou isso.

− Mas amanhã você não escapa, Steve. – disse Tony, para si mesmo, enquanto rodava a aliança de Rogers entre os dedos.

Há uma semana, Steve convocara todos os membros d’Os Vingadores para uma reunião, a primeira na nova sede. Tony tinha a esperança que lá, depois de todas as formalidades de praxe, eles tivessem algum tempo sozinhos para conversarem com mais calma.

Tony segurou com força a aliança de Steve contra o próprio peito. Beijou-a e a colocou de volta na corrente de ouro em volta do seu pescoço.

− Deus, eu estou parecendo uma moça fazendo essas coisas.

Esperança. Isso era tudo que Tony tinha no momento.

****

Bruce não via necessidade de estar presente na reunião. Mas foi. Havia algumas coisas acontecendo que ele não entendia. Como o fato de Stark ter cancelado por tempo indeterminado a pesquisa, sem grandes explicações.

Esperava encontrar o moreno lá, e quando houvesse uma oportunidade – de preferência sem Rogers por perto – conversaria com Tony. Bruce não achou que revelar seus sentimentos daria tanto trabalho.

− Relações interpessoais sempre são complicadas. – disse para si mesmo, em frente à porta da mansão.

Entrou e encontrou todos os outros Vingadores. Thor, vestido como um mortal, Natasha e Clint conversando animadamente, Tony um pouco afastado de todos eles e Fury, de pé em frente a grande escada no hall de entrada.

− Bem, agora sim, estamos todos completos – Nick Fury disse, chegando ao patamar onde todos estavam – e antes que falem sobre Rogers, ele me pediu para apresentar a mansão a vocês. Como não sou empregada, vão e olhem o que quiserem. Vocês têm quinze minutos. Após essa formalidade, Steve os espera na sala de reuniões, que é a porta à direita.

Bruce observou cada um deles subindo as escadas. Resolveu fazer o mesmo. Andou pelos corredores, foi à sala de controle, à área de treinamento, andou mais e chegou à parte dos aposentos. Cada porta tinha o símbolo pessoal de cada membro. Observou que cada quarto tinha as particularidades de cada um deles impregnado nele.

O seu tinha vários itens de laboratório, como microscópio, tubos de ensaio, lupas... tudo sobre uma bancada de alumínio e próximo a janela. Uma cama confortável bem no meio e uma estante com livros de pesquisadores renomados próxima a porta.

Bruce tinha que admitir, Steve fez um bom trabalho naquele lugar. Observou mais um pouco o ambiente, até que ouviu Thor o chamando da porta.

− Está na hora?

− Sim. Não é educado deixar o líder esperando, doutor.

− Claro que não. – respondeu Bruce, se dirigindo para a porta.

Chegou ao térreo em poucos instantes. Cruzou a porta da sala de reuniões ao lado de Thor e atrás de Tony. Observou os músculos do ombro dele retesarem e pode ouvir a respiração profunda do moreno.

Algo não estava certo.

****

Quando Tony entrou na sala, com seu terno risca de giz italiano e seus óculos de sol, achou que talvez isso fosse contar algum ponto a seu favor, lhe dando confiança, quando encontrasse Steve.

Mas ele havia se enganado, não estava preparado para nada do que estava acontecendo.

Começando pelo fato de ter sido o primeiro a chegar e Steve não estar lá para recebê-lo. Depois soube que teria que ver tudo antes de se encontrar com ele. Não queria. Stark queria encontrar Steve logo e resolver toda a situação, antes de Bruce chegar.

Para Tony, isso era o lógico.

Quando finalmente pode entrar na tal sala de reuniões, viu Steve, de costas para a porta. Seus músculos travaram e sua respiração falhou. Além de saudade, havia dúvida em seu coração.

Steve estava usando seu uniforme militar. Quando o loiro se deu conta de que não estava mais sozinho, voltou o corpo para a direção da grande mesa, onde quase todos se encontravam já sentados. Exceto Stark. Ele não conseguia mexer nenhum músculo após vislumbrar, depois de tanto tempo, os olhos azuis de Steve.

− Estou feliz que estejam todos aqui, nesse momento. – Steve começou a dizer – Como podem ver, depois de muito tempo, trabalho e dedicação, o lugar seguro para as reuniões dos Vingadores está pronto. E espero que todos tenham gostado do que viram.

− Eu estou satisfeita. Gostei muito da área de treinamento e a sessão das armas.

− Certo. Espero que todos aproveitem do lugar e façam valer o que as pessoas esperam. Elas esperam que vocês estejam sempre prontos para salvá-las do perigo. O mundo espera que vocês estejam sempre a postos para que o mesmo não seja destruído.

Tony sentiu um nó na garganta. Percebeu, na fala de Steve, que o loiro não se incluiu nela.

− Estou certo que vocês cuidarão bem desse lugar. E encontrarão um novo líder.

Foi como se uma bomba atômica tivesse caído bem no meio daquela sala. Alguns ficaram atônitos, outros nervosos, mas Tony só sentia sua vida desmoronar diante dos seus olhos.

− Steve, do que você está falando? – perguntou Barton.

− Eu acho que fui muito claro. Eu estou deixando esse grupo. Não pertenço mais aos Vingadores.

− Mas por quê? – perguntou Tony, recuperando a voz.

− Quando motivos pessoais ficam entre a honra e o dever, sr. Stark, nós devemos reavaliar nossas posturas e condutas. Eu reavaliei a minha e percebi que seria impróprio eu chefiar esta equipe.

Todos gelaram diante da afirmação. Mas mais que isso, todos olhavam para Stark. Estava claro para todos os presentes que algo havia ocorrido entre os dois. Mas ninguém disse nada.

− Então, é aqui que me despeço. Vou voltar a servir ao exército. Hoje é o dia da minha apresentação na base. – disse Steve, caminhando até a porta – foi um prazer servir com alguns de vocês – e nesse momento, olhou para Tony. — Até.

Um clima altamente denso se instalou entre os presentes. Ninguém ousava falar nada. Tony Stark nem estava respirando. Ele não estava acreditando. Saiu em disparada atrás do loiro, sem se importar com os que poderiam presenciar a cena.

− Steve, você não pode fazer isso. – disse Stark, segurando o loiro pelo braço.

− Eu já fiz.

− Seu lugar é aqui. Com os Vingadores. Comigo.

− Tony, para. – Steve falou, parecendo cansado. – Eu não posso.

− Cap, você precisa me escutar. Eu dei o tempo que você precisava, mas agora você vai me ouvir.

− Tony, não faça isso. Aqui não é o lugar.

− Onde mais seria então? Você precisa saber que é o único que eu amo.

− Eu sabia. Você me falou isso algumas poucas vezes. Mas isso não te impediu de estar com Bruce – disse Steve, fechando os punhos sobre a camisa de Stark, erguendo-o alguns centímetros do chão – eu não aguento olhar para vocês, não suporto essa ideia. Se eu não for embora, eu vou socar a cara daquele desgraçado com algum osso do seu corpo.

− Você é muito teimoso – disse Stark, se segurando nos punhos de Steve – se quer me bater, anda, faz isso. Talvez eu mereça mesmo. Mas eu quero você.

− Para quê? Me fazer de idiota? Já tive minha cota. – Steve jogou Tony no chão, a alguns metros de distância. – Entenda de uma vez, Tony. Eu não quero mais você.

Steve ajeitou o uniforme. Ainda pode olhar algumas lágrimas surgirem nos olhos de Stark. Era raro, muito raro vê-lo chorar. Por um momento, muito pequeno, muito remoto, teve vontade de esquecer. Esquecer tudo. Só pra poder abraçá-lo de novo.

Mas as memórias, elas não o deixavam em paz. Sempre surgiam em sua mente, lhe lembrando da infidelidade do moreno. E ele não conseguia esquecer isso.

− Eu te amo, Tony. Mas não consigo lidar com o fato de outra pessoa ter tocado em você, beijado você, sentido seu gosto, seu cheiro. Você era para ser meu. Você foi... meu primeiro...

Steve não conseguiu continuar. Bruce apareceu no hall, seguido dos outros que observavam a cena.

Mais uma vez Steve se virou. Stark queria agarrar o loiro e nunca mais soltá-lo. Mas não fez nada. Apenas observou Steve caminhar para a saída. E a última coisa que viu foi às costas de Steve contra a luz do sol. Após isso, com as vistas embaçadas pelas lágrimas, não enxergou mais nada.

Darling… When did the fire go out?

Where did the feeling go?

Why do you pull away,

When you used to hold me so close baby

Notas finais
Pessoas *--* Pois bem, estamos aqui pra mais um capítulo de DylmA. Queria pedir desculpas por ter demorado em responder as reviews. Fiquei sem internet desde sábado, só voltou hoje a tarde. Bem em tempo de postar a fic no dia certo shaushaushua. Obrigada por lerem *--* Bjo =*