Bruce observava o trânsito pela janela do pequeno apartamento que alugou, num ponto da cidade de Nova York não tão cheio de gente. Ele podia ter paz lá.

Diferente da Mansão dos Vingadores.

Desde a saída de Rogers, há dois meses, as coisas não eram mais as mesmas entre os membros. Tony não falava mais com ele. Thor, Natasha e Barton não tinham nada contra ele, mas ele percebia o clima constrangedor que acometia a todos nas reuniões, quando ele estava presente.

Então havia combinado com os três últimos que não iria mais frequentar a mansão, por enquanto. Pelo que soube, Tony assumiu a liderança do grupo, logo não poderia aparecer, de qualquer forma.

− Talvez, só talvez, se eu tivesse sido mais cuidadoso... – dizia para si mesmo – mas a quem estou tentando enganar. Eu teria feito da forma que fiz. Infelizmente, quando sou aceito em um grupo, onde as pessoas não me julgam, sou capaz de arruinar tudo. Parece até que ativei meu “fator raiva” pra destruir um pouco da vida de cada um.

Deixou a janela por um momento, sentando no sofá e olhando, mais uma vez, a capa do jornal do dia.

Stark estava bêbado, seminu e deitado no chão do salão de festas de um evento beneficente. E havia sido assim há cerca de um mês e meio. Stark estava sempre envolvido em algum escândalo, estava cercado de mulheres lindas e sempre com um copo de whisky na mão.

− Quando eu resolvi me declarar, não era bem isso que eu tinha em mente. Eu esperava ver você comigo, não com elas.

Mas Bruce sabia, aquilo era só ostentação. Era só uma forma de fugir da realidade. O pior é que Bruce sabia que havia perdido aquela guerra.

Stark nunca seria dele, afinal.

****

Tony abriu os olhos, a claridade do sol da tarde fazendo suas pupilas doerem. Observou ao redor, estava em seu apartamento, em Nova York. Mais precisamente, na sala. Estava deitado ao redor de três mulheres. Olhou para o próprio corpo, estava vestido.

Agradeceu internamente o fato de não ter feito nada com elas. Mesmo se quisesse, ele não poderia. Ele não conseguia.

É, ele havia tentado, uma vez, com a primeira que encontrou numa balada. Falhou miseravelmente. Depois disso só saía com elas, bebia e dormia, sem nunca se lembrar de nada depois.

− Andem, meninas, acordem. – disse, sem muito interesse, despachando as mulheres de sua casa. Antigamente era Pepper quem cuidava desses detalhes. Mas ela estava em Malibu, cuidando da empresa que ele não tinha mais vontade de administrar.

Assim que as mulheres foram embora, ele abriu uma garrafa de whisky. O destilado descia rasgando em sua garganta, e ele gostava daquela sensação.

Ela encobria a dor que nunca havia sumido do seu peito, nem por um minuto. O milagre que havia entrado em sua vida e tinha ido embora.

Stark se perguntava como conseguia ficar de pé todos os dias.

Tomou mais uma dose, e encheu o copo com uma terceira. Analisou a coloração caramelo do whisky escocês doze anos de sua reserva especial.

Analisou como havia chegado até ali. Um mal entendido, é claro. Tudo culpa de uma única pessoa. Um único homem.

Bruce.

Levantou do sofá, andou cambaleante até a mesinha ao lado da porta. Pegou as chaves do seu carro, bebeu a terceira dose de whisky, depositou o copo em cima da mesa, abriu a porta e saiu.

*****

Banner ainda lia a notícia do vexame de Stark na noite de ontem quando ouviu batidas na porta. Dobrou o jornal e o deixou na mesa, em frente ao sofá. Levantou e abriu a porta, se surpreendendo com quem via. Não esperava ver Tony na sua porta àquela altura do campeonato.

− I-isso Bruce – disse Stark, apontando para si mesmo – é tudo culpa sua.

− Boa tarde pra você também, Tony.

Stark não esperou ser convidado, entrou e sentou no sofá. Bruce sentou-se ao seu lado, logo depois.

− Vejo que já sabe das novidades. – Tony falava, apontando para o jornal – A imprensa é minha puta, e eu nem preciso pagar para fazê-la me amar, sabia?

− Eu acho melhor fazer um café pra você.

− Eu não quero café, Banner. Eu quero sentir. De novo.

Bruce não estava entendendo o rumo da conversa, nem onde Tony estava querendo chegar. Bruce também não estava esperando o que aconteceu a seguir.

Tony puxou o cientista com as mãos, trazendo o corpo dele para mais perto do seu. Selando seus lábios nos dele, aquela mesma sensação do primeiro beijo, com a variável de Bruce, agora, tentar repelir Tony.

Mas era difícil, porque Bruce queria aquilo. Muito. Queria Tony. Queria cuidar dele, sentir outra vez o gosto dos lábios dele. No primeiro beijo havia gosto de água do mar; agora o cientista sentia um gosto amargo, de whisky misturando com tabaco.

Não era ruim, era diferente. Era conflitante.

Bruce deitou Tony no sofá, sem largar os lábios do moreno. Relaxou todo o corpo sobre o de Stark. O moreno apenas chiou baixo, de olhos fechados, quando Banner separou os lábios dos dele, para tirar os óculos. Mas logo voltou a respirar fundo quando sentiu os lábios do cientista percorrendo seu queixo e seu pescoço. E novamente sentindo Bruce preencher sua boca com a língua. Stark apenas recebia tudo aquilo, aqueles carinhos, toques, o arfar do cientista sobre seu corpo. As mãos dele percorrendo suas coxas, a língua de Bruce explorando todo o interior da boca de Stark. O corpo dele encontrando o seu e Tony sentindo os espasmos do corpo de Bruce.

Tony não fazia nada além de pousar as mãos espalmadas nas costas de Bruce. Ele só queria sentir, de novo.

O que era ser amado.

Mesmo que ele não sentisse amor naquele momento. Mesmo que, no seu íntimo, seu ser, sua alma, tudo dentro dele, suas células, sua epiderme, tudo clamasse por carinhos e afagos de outra pessoa.

Ele só queria sentir novamente, aquele bater de coração. Ele queria acordar do pesadelo e ver, de novo, o milagre.

Notas finais
Olá gente *---*

Vocês estão bem? Tudo certinho? Têm se alimentado direito?

E com isso estamos nos encaminhando para a reta final da fanfic. Já quero agradecer desde agora a companhia de todos vocês, viu.

Bjo =*