Ter tudo o que precisa ao alcance de suas mãos. Essa era a maior vantagem que Tony Stark enxergava no dinheiro. A água caia sobre sua pele, lavando seu corpo de todo o sal que a água do mar havia deixado. Ele estava no banheiro adjacente a sua sala e a única coisa que ele pensava era em Steve.

Aquele beijo despertou nele algo além de um desejo momentâneo, ele sentia um pouco de culpa por ter deixado que aquilo acontecesse.

Culpa era a pior coisa que ele experimentou sentir na vida. Esse sentimento nunca o invadiu antes, como estava fazendo agora.

Porque ele nunca se deu ao trabalho de pensar em suas atitudes antes.

Desligou o chuveiro, secou o corpo e pegou uma muda de roupas limpas da mala que havia feito e levado, há um mês. Vestiu-se e foi para o laboratório. Ele precisava ser muito claro para Bruce. E já que o cientista não havia perdido a oportunidade quando ela apareceu para ele, Tony faria o mesmo.

Bruce estava sentado numa poltrona em frente ao computador que analisava suas pesquisas. Quando ouviu a porta se abrir olhou para trás por poucos segundos para se certificar que quem entrou era mesmo quem ele estava esperando.

− Tony, você precisa ver isso.

− Eu verei. Mas antes acho que eu preciso ser claro com você. – e sem dar chance para Bruce protestar, prosseguiu – Você disse que está apaixonado por mim. E suas ações agora pouco condizem realmente com essa informação. Mas eu não estou. Eu não sinto nada por você, Bruce, além de amizade. Então eu sugiro que superemos o ocorrido. Não vou ser hipócrita dizendo que deve esquecer. Mas não confunda amizade com qualquer outra coisa, pois isso é tudo o que estou disposto a te dar.

− Tony, eu já disse, mas vou repetir – disse Bruce, tirando os óculos – que eu tenho paciência e sei esperar. Se meus sentimentos por você o deixam, de alguma forma, constrangido, o máximo que posso fazer é não demonstrá-los em público, da forma como eu fiz. Mas nada nem ninguém vai me impedir de tentar conquistar você.

Bruce olhava para Tony, muito seriamente. Sim, ele estava disposto a lutar para conseguir o que ele queria. Era similar a luta que travava consigo mesmo para encontrar a cura para sua mutação.

− Acho que não fui claro o suficiente com você, Bruce. Não existe nada que você possa fazer que vá mudar o que eu sinto pelo Steve. Eu sei o que você pensa, que ele e eu somos incompatíveis. Mas não somos. Você nunca vai entender isso enquanto não entender uma coisa. Eu amo Steve Rogers.

Bruce, por um momento, ficou sem ter o que falar. Nunca, em nenhuma das conversas que eles tiveram, o cientista ouviu Tony falar daquela maneira sobre Rogers.

Isso porque Tony nunca falava sobre seus sentimentos, aquilo que estava guardado em seu coração.

Bruce respirou fundo. Levantou, pegando os papéis que a máquina imprimia. Caminhou até Tony, entregou-os na mão do moreno.

− Terminamos. A análise mostra o que eu já suspeitava. Um cromossomo recessivo se tornou dominante quando exposto aos níveis tão elevados de radiação Gama. Cromossomo esse estudado pelo Charles Xavier.

− Não há cura, ainda, Bruce. – falou Tony, examinando os papéis. – Isso não quer dizer que precise desistir.

− Por enquanto, não. – disse Banner, se encaminhando até a porta. – Preciso refazer algumas análises cromossômicas e você precisa ir para sua casa. Não se engane, eu ainda não desisti de você.

− Você está dando um tempo para eu processar todas as informações adquiridas hoje? Não vai funcionar, já aviso logo.

− Não custa nada tentar. – respondeu Banner, virando-se e cruzando a porta.



Tony saia da sala da presidência com certa urgência. Não levou nada do que trouxe, deixou tudo onde estava. Cruzou a porta automática e viu algo brilhando no chão, refletindo a luz solar do fim de tarde. Pegou o pequeno objeto com a mão direita, e ia voltando com ele nas mãos com o intuito de entregar na recepção – caso alguém voltasse ao lugar procurando o objeto – quando observou uma aliança presa entre o chaveiro e a chave.

− Não... não pode ser.

Correu como um desesperado até o carro. Destravou o veículo e sentou em frente ao volante. Olhou novamente para o objeto em suas mãos: um chaveiro com uma letra A maiúscula, que ele identificou como a inicial de Avengers. Uma chave e a aliança de Steve. Ele sabia que era do loiro, pois ele mesmo mandara gravar no par a mensagem que havia pelo lado de dentro da aliança.

Tony nem sequer tinha dúvida do que aconteceu. Ele estava esperando a visita de Steve na companhia esses dias. Só torcia para ainda ter tempo de explicar tudo. Ligou o veículo e saiu cantando pneus no estacionamento de sua empresa.



Rogers estava na garagem da casa de Tony. Estava examinando sua moto Harley Davidson. Procurava um item específico, mas estava difícil de encontrar.

Ele procurava o GPS que Tony instalou em sua moto.

Rogers escutou a porta da garagem ser aberta e viu a Lamborghini de Tony entrar, com o moreno saindo do veículo. Não queria olhar para ele. Steve queria sair dali, ir para bem longe.

− Steve, graça a Deus você ainda está aqui.

− Só me diz onde você colocou.

− Steve, me escuta – disse Tony se aproximando – você entendeu tudo errado...

Steve começou a rir. Ele olhava para a moto e ria da declaração do moreno. Será mesmo possível que Tony iria para cima dele com aquela afirmação e esperava que Steve acreditasse?

− Eu entendi tudo errado? Ah, quer dizer que você e Bruce não se beijaram, tudo o que eu vi foi fruto da minha mente doente. Claro. Faz sentido.

− Você precisa me deix...

− Deixar você falar. Para que vou me dar esse trabalho? – disse Steve, esquecendo a moto e olhando para Tony, pela primeira vez naquela conversa. Os cabelos de Stark estavam úmidos e ele usava uma muda de roupa limpa. – Sabe Tony, eu suportei muita coisa na minha vida. Eu vi meu melhor amigo morrendo na minha frente e eu não pude fazer nada. Eu vivi setenta anos congelado e revivi toda essa dor, além de dores novas, como faltar com a promessa que fiz a uma dama. Mas nada daquilo foi tão ruim, tão dilacerante como ver você nos braços de outra pessoa.

“O pior de tudo, de tudo mesmo, foi você não ter resistido. Você estava correspondendo. Você estava gostando daquilo. – Steve dizia, cuspindo as palavras em meio às lágrimas que ele não queria deixar escapar, mas surgiam a sua revelia – Como você pode fazer isso comigo? Eu te dei tudo de mim, tudo o que eu tinha e era e em troca o que eu recebi? Na primeira oportunidade você troca carícias com outra pessoa. E quando eu achei que não podia ficar pior, você o pegou pela mão e o levou para dentro.”

Stark só ouvia tudo aquilo, calado. Perdera as palavras. O sempre eloquente Tony Stark não sabia o que falar, nem o que fazer. Ele sabia que se tentasse se justificar, só pioraria tudo. Nada do que fizesse iria importar naquele momento. Como dizer que aquilo não havia significado nada para ele?

Que a única pessoa que Tony amava estava bem na frente dele, chorando com o coração em pedaços por culpa dele mesmo? Stark não suportou mais ver toda aquela dor no rosto de Steve. Começou a chorar.

− Você enfiou uma adaga no meu coração, Tony. – disse Steve, secando os olhos com as mãos. – Só me diz onde você colocou o GPS.

− Está no escapamento, Steve. – disse Tony, indicando o local oculto onde havia instalado o equipamento.

Steve voltou para sua moto, arrancando o pequeno equipamento dela e amassando-o com sua mão. O loiro ainda olhou para o moreno, antes de subir na moto. Escutou vindo dele um “eu te amo, Cap.”, que ouviu com um nó na garganta. Colocou o capacete, ligou a moto, acelerou e saiu, sem olhar para trás.


Why do you look at me like I'm so stranger in the night?

Why do you pull away when you used to hold me so tight?

Don't you love me anymore?

Can you like to live your life without me?

Don't you love me anymore?


Notas finais
Sim.

Quer dizer não, o Cap foi embora DDDDDDD:

Steve, volta aqui ç_Ç

Não se váááááááá.

Gente, por que tanto sofrimento? ç.ç

Obrigada por me acompanharem *--*

bjo =*