Dois tons de amor.

5 Novos caminhos Parte 1


Notas iniciais
Nós vemos lá embaixo u.u

No espero amor ni odio

Ya tengo bastante con mi dolor

Maldigo el episodio

Lo peor es que yo fui quien lo escribió

Me esperan los demonios

Que deja tu olvido que juegan conmigo

Ya sé que es cobarde pedirte en una canción

Perdón... perdón

Camila — Perdón

Naquela noite não consegui dormir as palavras de Amélia me assombravam a cada segundo, o choro que eu prendi por tanto tempo veio à tona, a dor e o arrependimento também tinha que aprender a me fazer de forte, a engolir o choro, a não deixar aqueles que eu amava me verem triste afinal vi tanto eles derramando lágrimas de dor e de angustia por minha causa que eu não achava justo eles se preocuparem comigo agora que eu estava acordado, de agora em diante seria assim, engoliria toda dor pra mim esperaria dez, vinte minutos pra desabafar ou só desabaria quando estivesse só no meu quarto. Suspirei pesadamente e fechei meus olhos.

Meus pensamentos me deixava confuso...

Eu via o acidente de fora, como se fosse outra pessoa, eu via Anne sorrindo, eu a via chorando eu a via no telefone com Amélia, eu ouvia sua voz, ouvia os soluços e lágrimas e eu conseguia sentir toda a dor e frustração.

— Alô.

— Por favor, Anne Mastrovanni.

— Sim é ela.

— Olá Anne, meu nome e Amélia sou fisioterapeuta do hospital Albert Einstein.

— Desculpe, mas eu não tenho ninguém internado nesse hospital.

— Tem sim, Elliot Rans, ele acordou e espera ansioso que a senhora venha lhe fazer uma visita ele sente muito a sua falta e...

— Desculpe, mas...

— Anne ele chama por você sem parar, ele anseia o dia que ele ira te reencontrar.

— Eu não sei por que, não somos nada, entendeu? Nada, eu não o quero ver, eu o esqueci, não quero ele em minha vida, e, por favor, não me ligue mais, diga a ele para me esquecer.

Acordei suado, com o coração aos pulos, os raios de sol entravam pela fresta da cortina do quarto, ao lado da minha cama uma bandeja com frutas e um suco me esperava para o meu desejum.

Fitei o teto e pensei em Amélia em como ela me contou sobre a conversa dela com Anne, de como ela queria me fazer uma surpresa, e de como Anne foi fria ao atendê-la me senti rejeitado, me senti desprezado, abandonado e sozinho, eu teria dado tudo a Anne, eu teria lhe dado minha vida e de fato eu dei. Eu sei que a culpa do acidente foi minha eu fui imprudente, estava feliz de mais pra prestar atenção na estrada, mas eu não queria isso, não queria que nada disso tivesse acontecido, queria ter vivido minha vida sem ter passado dez anos dormindo, queria ter tido tempo.

Tempo pra viver.

VIVER...

Fiquei pensando fitando o teto, será que se esse acidente não tivesse acontecido eu e Anne estaríamos juntos?

Será que aquele amor tão grande que ela tinha por mim não era apenas amor de adolescente?

Sabe aquele “amor“ que você faz questão de viver porque e proibido pelos pais.

Será que Mamãe tinha razão em relação à Anne?

Acho que sim, pois algumas vezes ela me falou que algum dia ela iria partir meu coração em tantos pedaços que eu não conseguira o juntar novamente, é era isso que estava acontecendo.

Meu coração estava partido em um milhões de pedacinhos e eu não sabia como juntar esses cacos para continuar a viver.

As decepções vêm como lembretes, uns suaves outros mais duros, para que a gente aprenda a lidar com as pessoas, com a dor que elas causam em nós. Decepções nunca vem de quem a gente espera, daqueles que sabemos que irão nós machucar, elas vem sempre daqueles próximos daqueles que a gente ama daqueles que passamos momentos especiais, momentos de impactos, daqueles momentos que se passa na tela e que você revive e revive, esse momento o de decepção eu iria reviver por várias vezes e eu sabia que quanto mais eu revivesse ele, ele não ficaria mais fácil, muito pelo contrario ele ficaria cada vez mais difícil e machucaria cada vez mais.

Anne nunca me amou como eu a amei, mas o fato é que eu ainda a amava e ainda estava vivendo por ela, e sempre viveria, não importasse o quão ferrado fosse nosso passado, e o quanto eu tinha me decepcionado com ela, meu amor por ela era verdadeiro, meu amor por ela, era meu somente meu...

Na manhã seguinte.

Quando Amélia chegou ao meu quarto eu já estava sentado na cama, estava com a calça do hospital e sem camisa, ele ficou vermelha ao me olhar.

— Qual é Amélia já me viu mais nú do que estou, está vermelha por que?

— Oras, não estou vermelha, só um pouco corada.

Eu ri do jeito dela, Amélia era apenas dois anos mais velha que eu, tinha longos cabelos vermelhos e olhos tão Azuis que às vezes parecia dar para enxergar através deles, tinha algumas sardas espalhadas pelas bochechas, sobrancelhas finas e arqueadas, pele branca como algodão, seus lábios eram finos e muito vermelhos, dentes perfeitamente alinhados e muito branco. — suspiro. — sorriso doce ela sempre conseguia me passar doçura quando sorria. Eu gostava de olhar para ela, ela era muito bonita. Tinha um corpo lindo era pequena, cintura fina seios pequenos.

— Onde está com a cabeça hoje Elliot?

— Desculpe, o que?

— Eu estou pedindo pra você relaxar, sua perna está dura, precisamos fazer os exercícios antes da sua alta.

— Ah! Desculpe, estava pensando.

— No que? — Ela perguntou enquanto dobrava minha perna.

— Em você. — Ela soltou a minha perna com rapidez deu um passo para trás e me encarou, comecei a rir, era desse jeito que pensava nela, como ela imaginava, mas desconversei ao ver que ela ficou muito tensa. — Não, não assim.

— Assim como?

— Desse jeito que está pensando Amélia. — ela me olhava desconfiada. — Não romanticamente entende? — ela continuava a me olhar — Estava pensando que vou precisar de ajuda em casa, de uma pessoa que faça o que você faz aqui, eu sinto que estou indo bem e não queria parar com o tratamento que você faz, não queria vim apenas duas semanas ao hospital.

— Está me oferecendo um emprego? — Ela disse se aproximando e pegando a minha perna de novo.

— Sim sei que já tem um, mas acho que eu ficaria melhor sobre seus cuidados.

— Não vou abandonar meu emprego no hospital.

— Mas...

— Não tem mais, você não é o meu único paciente Elliot.

— Eu sei.

Mais uma vez o elefante branco se sentou entre a gente, eu sabia que ela queria dizer, mas não queria aceitar.

— Não quero esse Elefante branco entre a gente. — disse sem pensar, ela sorriu e me olhou.

— Desculpa, mas não entendi.

— Esquece.

— Venha vamos dar uma volta lá fora hoje o dia está como você gosta ensolarado.

Ela me ajudou a subir na cadeira, colocou um livro no meu colo e saímos à manhã estava um espetáculo o céu azul salpicado por algumas nuvens brancas o jardim do hospital estava cheio de pássaros que cantavam a belos pulmões, respirei fundo e comecei a prestar atenção na voz da Amélia lendo o livro em voz alta.

— Eu não entendo. — ela me encarou fechou o livro e colocou no colo.

— O que não entende?

— Esse livro. — Ela sorriu e eu continuei. — Ok ele perdeu tudo, mas ele precisa ser tão amargo assim?

— A vida deixa as pessoas amarga Elliot, algumas pessoas não entendem do por que, que as coisas acontecem, acham que é castigo, crueldade, que Deus as abandonou, mas ás vezes precisamos ser virado do avesso pra entender, é isso e mágico.

— Não vejo nada de magico em sofrer.

— Mas tem, quando as coisas inesperadas acontecem em nossa vida, descobrimos quem e pra sempre é quem não é. Pense comigo Elliot somente quem realmente é pra ser permanecera em sua vida independentemente da sua situação.

Eu não disse mais nada, fitei o céu e pensei em Anne. Amélia tinha voltado a ler o livro, mas eu já não a ouvia sua voz estava distante, suave fechei os olhos.

Assim que voltamos pro quarto mamãe já estava a minha espera com alguns médicos eles conversavam sério, mas quando me aproximei ela sorriu.

— Meu querido, está corado. — Ela me deu um beijo na bochecha

— Que horas vou embora?

— Já esta de alta meu rapaz, espero que aproveite a vida a partir de agora e agradeça a segunda chance que está tendo.

— Sim eu agradeço sempre.

Me despedi de algumas pessoas no hospital e assim partir.

RECOMEÇAR...

Recomeçar sempre que preciso da forma que for da maneira que for, na vida em algum momento precisamos de recomeçar, deixar coisas para trás e seguir em frente sempre. Uma das coisas que mais tinha medo antes do acidente era de que a minha vida mudasse radicalmente e eu não aguentasse, sofrer sempre foi meu calcanhar de Aquiles. Pois bem cá estamos com uma condição bem diferente de quando fui dormir, minhas pernas não tinham força para sustentar mais meu corpo, meus pulmões se negavam a fazer sua função assim como meus rins, e eu estava sem ela sem a parte que mais me era importante, eu estava sem meu coração.

Pensava que esse seria meu fim, que isso me faria acabar, mas ao contrario de tudo eu sobrevivi ao temporal, sobrevivi minha tormenta, sobrevivi a minha provação e eu estava aqui, e mais nada me faria parar, nem minhas pernas não funcionarem, nem meus órgãos parando de funcionar, nem um coração partido, eu daria a volta por cima e recomeçaria minha vida de onde parei, tiraria cada sonho que guardei na gaveta e partiria para o mundo.

Até onde eu esperava chegar?

Não sei.

Só sei que o céu seria meu limite.

Sim, este é o fim dos ventos

Que uivam sem direção
Tocam-me
Mas não me conduzem mais.

Rosa de Saron — O Mestre dos ventos

Notas finais
Algumas pessoas me perguntam por que eu uso tanta música nas coisas que eu escrevo. Pois bem a música cria um ambiente incrível pra a história e por mais que achem que e desperdício de tempo por elas no meio do texto eu continuo achando que ela é uma das melhores formas de demonstrar o que o personagem sente. Espero que vocês gostem disso rsrs. Espero também que estejam entendendo a história porque as primeiras partes é Elliot e Anne relembrando o passado. Bem é isso ae galera se puderem deixem um comentário pra saber o que estão achando. Obrigada bjs