Dois tons de amor.

6 Tentando me encontrar.


Abro os meus olhos, hoje percebo que nada foi em vão
O sol que arde invade as janelas do coração
E bate no peito e deixa sem jeito
E te faz lembrar uma bela canção
Porque hoje você faz doce
Nem muda a cara pra pedir perdão
Sei que por dentro leva no peito toda desilusão
Chora em segredo, sofre em silêncio eu sei
Que a vida vai ser bonita e com o tempo eu volto a sorrir

Onze:20 — Não Vai Voltar

Assim que cheguei em casa todos estavam na sala com balões é uma enorme faixa de boas vindas decorava a parede imensa da sala, papai sorria segurando uma balão vermelho, ele tinha lágrimas nos olhos.

— Filho que bom te ver em casa.

— E bom estar em casa Pai.

Minha relação com meu pai sempre foi complicada, ele sempre quis que eu fosse quem ele quisesse, eu aceitei até conhecer a Anne quando ela me mostrou que eu não precisava sempre seguir o que ele dizia que meu coração tinha que ser livre como um pássaro que plana livre pelo céu, então como podem deduzir as brigas em casa começaram a ser constantes, mamãe ficava por diversas vezes ao lado dele difamando Anne dizendo que ela e sua família queria ver a nossa em ruinas, que eles queriam nosso dinheiro e que eu não passava de um cofrinho recheado para ela, nunca entendi isso, mamãe mal conhecia os Mastrovanni, se trocou meia dúzia de palavras com Anne foi muito.

Fui tirado dos meus pensamentos com Marcos meu irmão me apertando o ombro.

— Mano é muito bom ter você em casa, esperava por isso há tempos.

— Eu também irmão — disse sorrindo ao pegar sua mão, quem diria que aquele moleque que deixei há dez anos iria se transformar nesse homem que estava a minha frente. Marcos era cinco anos mais novo que eu, éramos muito parecidos o mesmo tom dos cabelos e o mesmo tom mel da cor dos olhos a diferença eram que meus olhos eram mais escuros e o do marcos eram mais claros. Os empregados de casa me cumprimentaram e em seguida partiram rumo a seus afazeres, ficando apenas Dominique a governanta da casa, ela se abaixou para ficar da minha altura na cadeira e me abraçou, um abraço forte e cheio de amor, senti sua respiração ofegante seu peito descia e subia rápido.

— Dominique não fique assim, eu estou aqui, estou bem.

— Meu menino Elliot! — Ela disse passando as mãos pelas maças do meu rosto e me olhando no fundo dos olhos. Dominique tinha 65 anos seus cabelos brancos estavam sempre perfeitamente penteados puxado num coque firme na nuca, seus olhos negros contrastavam com o branco de sua pele pálida, seu sorriso sempre era doce não importava a situação, mesmo quando criança e que Marcos e eu aprontávamos ela sorria e dizia — esses meninos. — Esse era o tipo de amor e suavidade que sentia falta, passei minhas mãos pelas dela as sentia enrugadas e então passei meus dedos nos olhos dela e sorri.

— Senti falta da senhora. — peguei suavemente suas mãos e as beijei, minha mãe olhava a cena não diria que exatamente feliz, parecia incomodada não agi assim quando a vi no hospital depois que acordei, quando pude falar a primeira coisa que perguntei a ela foi de Anne ela fechou a cara e disse que ligaria depois, só que esse depois nunca chegou.

— Elliot! — ela me chamou me tirando das minhas lembranças.

— Oi mamãe.

— Eu sei que seu quarto era lá em cima, mas devido a sua situação meu filho, não tivemos escolha a não ser transferir ele aqui para baixo.

— Não tem problema.

— Vamos ver se ele está do seu gosto?

— Claro que deve está.

Atravessamos a sala, passamos pela cozinha e chegamos na parte onde os empregados dormiam, minha surpresa foi que eles transformaram toda essa parte, os quartos dos empregos eram pequenos e simples, mas o meu se transformou num pequeno apartamento, tinha um banheiro grande espaçoso com barras por todo o lado para que eu não precisa-se ficar chamando ninguém para me ajudar.

— Mamãe não acha que exagerou?

— Nem um pouco, isso não e nem a metade do que eu queria fazer.

Ela disse afastando uma grande cortina que tinha no quarto, ela encobria uma grande porta que dava vista para o jardim e a piscina, o jardim estava todo decorado com luzes fiquei surpreso.

— O bom mano e que quando trazer uma garota tem entrada privativa, quase construí eu mesmo uma rampa na escada pra eu poder ficar com o quarto.

— Você é muito engraçadinho não e mesmo Marcos? Mamãe será que você é o papai poderiam me deixar a sós com o Marcos?

— Por quê?

— Oras mamãe! Queria conversar com ele no hospital viviam interrompendo a gente.

— Elizabeth querida, vamos deixaremos nossos meninos conversarem.

— Mas é que.

— Mamãe eu estou em casa amanhã você me paparica. — Dei uma piscada para ela é ela sorriu, ela veio ate mim me dei um beijo na testa e passou a mão no rosto do Marcos.

— Não fique até trade acordados, mando servir o jantar pra vocês aqui.

— Obrigado.

— De nada.

Ela disse saindo fechando a porta, Marcos tirou a gravata e os sapato e caiu em minha cama, conversamos sobre a vida dele, de como ele tinha se formado como o primeiro da turma, em como a experiência dele no escritório do papai estava sendo maravilhosa, jantamos tomei um pouco de vinho, me senti tonto e o troquei por refrigerante. Marcos me contou sobre algumas namoradas que teve, mas que não deram em nada segundo ele elas eram artificiais de mais, queria alguém mais espontânea, mais fogo na roupa, alguém que não abaixaria a cabeça nem mesmo para ele. Ele sorriu quando me espreguicei na cadeira.

— Está com sono?

— Não cansado apenas.

— Vou para meu quarto então.

— Não espere.

— Elliot me pergunte logo o que deseja.

— Eu...

— Eu sei o que quer.

— Sabe?

— Sim.

— E porque já não falou?

— Porque é um assunto triste para você.

Ele me olhou com um ar triste e pensativo, como se quisesse omitir a verdade do que eu esperava por tanto tempo.

— Anne se casou Elliot e tem uma filha.

Se ele espera-se que eu fala-se algo sobre pra continuar ele iria ficar parado na porta por dias, porque simplesmente não consegui articular uma palavra apenas.

— Mas tenho que te contar irmão a criança e sua, e só olhar pra ela que da pra perceber.

— Ela? Menina? Minha?

— Sim. — ele disse se sentando na cama. — Quando você sofreu o acidente Anne ficou meses no hospital, ela quase não saia de lá eu estava preocupado com ela porque ela ficou muito abatida, diversas vezes eu escutei ela pedindo, implorando para que acorda-se, mas...

— Isso não aconteceu. — disse abaixando o olhar.

— Não, não aconteceu. — ele fez uma pausa passou a mão no cabelo. — Eu não queria ter essa conversa com você, não hoje que estamos todos felizes porque você esta em casa.

— Mas eu não estou feliz.

— Eu sei, eu sei, por isso estou te contando isso. Um dia eu estava no hospital, aquele era um dia triste.

— Por quê?

— Porque era meu aniversario de 13 anos. E você se lembra do que me prometeu?

— Sim e eu sinto muito por não ter te dado.

— Tudo bem, eu entendo, entendi na época, não era culpa sua, alias de ninguém.

— Foi minha culpa Marcos.

— Se alguém tem culpa nisso tudo foi o destino, ele apenas. Mas deixa eu terminar de te contar o que ouve naquele dia. — Assenti com a cabeça, meu olhos estavam cheios de lágrimas. — Eu sai do quarto furioso porque eu passei o dia pedindo pra você acordar, eu sentia sua falta, sempre fugia para o hospital pra te ver, já que mamãe quase nunca me levava. Nesse dia quando pedi e pedi pra que você acorda-se de presente e não fui atendido sai correndo e entrei no banheiro, foi quando ela entrou, ela chorava muito quis sair do banheiro e correr pra ela e abraçar ela, mas ela começou a conversar com você. Ela pedia pra que você acorda-se que sentia sua falta, pedia pra você segurar a mão dela porque você tinha prometido nunca soltar. — as lágrimas escorriam pelo meu rosto. — Ela disse que te amava, que as duas te amava, não entendi bem até ver ela passando a mão na barriga dela então eu entendi, ela esperava um filho seu. Algum tempo depois ouvi mamãe dizer que ela se casou, Mamãe debochava disse que ela não conseguiu ficar com você então daria o golpe em outro.

Ele fez um pausa longa e eu poda escutar apenas meus soluços, eu era pai, tinha uma filha com ela, e ela não quis saber de mim, colocou outro em meu lugar. Eu não queria dizer nada, queria apenas sei lá me desligar do mundo sumir eternamente, acho que eu deveria ter morrido naquele acidente, pois as coisas seriam diferentes.

— Marcos, por favor, eu...

— Sim eu sei amanhã a gente conversa mais.

— Obrigado, por me contar.

— Não digo de nada porque a verdade te faz sofrer.

— Mas eu prefiro ela do que as mentiras que todos me contam, obrigada irmão.

— Precisa de ajuda pra algo?

— Não eu sei me virar.

— Ok, boa noite.

— Boa noite.

Eu disse batendo a porta do quarto assim que ele saiu, desliguei as luzes e fique no escuro, não completamente, pois as luzes do jardim invadiam meu quarto, sorri um sorriso triste e cheio de pesares um sorriso tão amargo e duro que eu mesmo me espantei com ele.

Fiquei imaginando se eu tivesse morrido toda essa dor nunca estaria em meu peito, eu nunca, nunca teria me decepcionado com ela.

Mas...

Mas isso era uma bobagem, era egoísmo era...

Era a pior coisa que eu poderia pensar, se eu tivesse morrido de certo acabaria com a minha família, mamãe ficaria arrasada e do jeito que ela é poderia ter morrido de tristeza também, se assim fosse o que seria de papai, de Marcos? Apesar de tudo mamãe era o alicerce da família Hans sem ela tudo desabaria, sem ela tudo acabaria.

— Elliot pare de ser egoísta seu sofrimento não é nada comparado ao que poderia ter acontecido. — Disse olhando pra mim mesmo no reflexo da janela que dava para o jardim ter a porra de coração partido não era nada, não seria nada e eu seguiria a vida da forma como eu havia planejado.

Eu seguiria a vida sem ela, sem uma das partes mais importantes para mim.

Me ajeitei na cadeira, precisava de um banho, seria um desafio, mas eu precisava desses desafios pra fazer com que meus pensamentos não fossem de encontro com o passado, e precisava me ocupar com tudo que fosse possível.

Demorou uma eternidade até eu conseguir tirar minha calça, consegui a força suficiente nos braços pra trocar de cadeira e tomar uma chuveirada fria, assim que ela bateu em meus ombros me encolhi e soltei um sonoro palavrão ela estava super gelada, mas ela lavou não só meu corpo, mas minha mente levando ralo a baixo toda a angustia e dor que sentia, quando desliguei o chuveiro outro desafio me esperava como eu colocaria uma cueca? Mais de meia hora se passou até que finalmente eu a coloquei, arrastei a cadeira ate um notebook que tinha em uma mesa perto da cama e o abri fiz algumas pesquisas e acabei tomando uma decisão que mudaria o rumo da minha vida. Sorri satisfeito quando vi que minha vida não seria só resmungos desnecessários ela serviria pra ajudar outros sempre. Desliguei o computador e vasculhei o quarto, queria saber onde tinha tudo, uma das coisas que achei legal quando abri meu armário era que tudo estava ao alcance de minhas mãos sorri ao ver o quanto mamãe se dedicara em me deixar confortável.

Vi uma coberta grossa marrom no armário ela tinha cheiro de coco, quando a puxei uma caixinha caiu aos meus pés assim que a peguei lembrei era nela que guardava minhas recordações não só de família, mas de Anne também, coloquei ela no meu colo e fui pra cama a deixei na mesa de cabeceira e tentei deitar, depois de alguns minutos me ajeitei na cama estiquei a coberta em cima de mim e peguei a caixinha, quando a abri o cheiro de lembrança invadiu o quarto.

Fotos minhas com meu irmão, fotos de mamãe com papai me tiravam sorrisos involuntários minha infância fora ótima eu tinha as melhores lembranças que eu poderia querer. Viajando nas fotografias, e passando por cada uma com calma me lembrando do dia que foi tirada, me deparei com uma minha e de Anne logo no inicio do nosso relacionamento, ela sorria enquanto o sol batia em seu rosto e o vento agitava seus cabelos, eu estava sentado atrás dela com as mãos em sua cintura e beijando seu pescoço.

A foto foi tirada por uma amiga de Anne que não me recordo quem era, alguns dias depois ela me deu a foto com um sorriso lindo nos lábios.

— Para gente se lembrar de como somos felizes. Para gente lembrar de como, a gente faz bem um para o outro.

Ela disse me dando um beijo terno nos lábios, uma lágrima escorreu pela minha face toquei o rosto dela na foto e mesmo me sentindo triste me senti grato, pois em algum momento em minha vida eu fui extremamente feliz.

Virei à foto e reli o que ela escreveu com tanto carinho é amor

Que sejamos doce,
ao ponto que o tempo nunca amargue.
Que a felicidade esteja em nós,
de um jeito que a tristeza nunca estrague. (Hugo Ribeiro)

Te amo pra sempre Anne.

Notas finais
Haha eu to viva o/ DESCULPEM a demora pra postar, tive uns problemas de saúde e depois tive um bloqueio ai e não saia nada. Espero que tenham gostado se puder comenta ai o que ta achando beijocas