Dois lados do amor
25 Passado
Notas iniciais
— “eu tinha uma família perfeita, minha mãe e meu pai me amavam, minha casa era confortável, tinha até um balanço nos fundos do quintal onde eles sempre brincavam comigo, para uma criança de cinco anos era tudo perfeito, até meu pai nos abandonar e nunca mais dar noticias, ele simplesmente se foi, por muito tempo eu me perguntava o que tinha acontecido com ele, culpei minha mãe, me culpei por ele ter partido”.
Olhava para Lexa que estava calada, ela prestava atenção a tudo que eu falava. A mão dela segurava a minha com força.
Respirei fundo e voltei a aquelas memórias
“ depois que Jake Griffin foi embora minha mãe mudou muito, ficou mais distante, eu a culpava e ela me culpava, vi minha mãe se distanciar cada vez mais de mim, ela nunca foi agressiva, mas foi omissa, nunca perguntava se eu estava bem ou se precisava de alguma coisa, minha mãe se foi junto com meu pai o que ficou foi só uma casca vazia, aprendi cedo que as pessoa vão embora.”
— Clarke eu ... – não a deixo falar, sei que Lexa me prometeu de da não partir, mas tinha que contar tudo de uma vez.
— não fala nada me escuta só me escuta depois de tudo você ainda quiser ficar comigo ai te dou um presente. – ela me sorriu e voltou a prestar atenção a minha história.
“ quando tinha treze anos, fui mandada para um colégio interno, minha mãe precisou viajar para o Japão e eu não podia ir com ela. E foi nessa época que ela nomeou um tutor, Sr Jeronyme Weller, ele seria o responsável por cuida de mim nesse período, mesmo em um internato. Acho que o senhor Weller foi o mais próximo de um pai que eu tive, nos finais de semana eu passava em sua casa junto com sua esposa Marcel Weller, ganhei até um cachorro deles o Thor. – foi inevitável não sorri ao lembrar deles. — eles moravam mais afastados da cidade em uma casa nas montanhas, foi a senhora Weller que me ensinou o que uma menina quase moça precisava saber, lembro que aos domingos pela manhã, nos íamos caminhar nas trilhas que tinham próximo de casa. Passava a semana no internato esperando ansiosa pelo final de semana, eu os adorava, mas a vida costuma nos pregar peças, eles tinham um filho Jofrey Weller, que estava na faculdade, era o orgulho dos pais, mais infelizmente não tinha herdado o mesmo caráter, Jofrey sempre me olhava com um olhar de cobiça me espreitava pelos cantos, aos treze anos meu corpo já era praticamente definido como de uma mulher, por causa disso o senhor Weller não deixava me ficar os finais de semana no internato, ele sempre dizia que eu era tão linda quanto uma princesa e isso tinha seu lado positivo mas também tinha o negativo, a cobiça.”
Levanto da mesa, e ficando de costas para Lexa, falar o que viria pela frente não seria fácil, relembrar de tudo aquilo me doía. Sinto Lexa me abraçar por trás colocando sua cabeça em meu ombro direito.
— Leãozinho, tem certeza que quer me contar isso. – ela me pergunta me abraçando de forma protetora.
— Lex eu... preciso. – viro ficando cara a cara com ela, Lexa me olhava como se analisasse cada centímetro do meu rosto. – preciso contar, quero um começo novo, quero o direito de uma vida nova e estou disposta a tentar com você.
— Clarke o passado deve ficar lá, você me disse que matou um homem, não me disso o porquê, mas tenho certeza que tem o forte motivo que a levou a fazer isso, Clarke seja o que for é passado.
— Lexa, um passado esse que me atormenta, então você merece saber o porquê de eu ser assim tão quebrada. – Lexa segura minhas duas mão e as beija, um gesto simples, mas que me transmite segurança.
— venha vamos nos sentar tu não pode fazer muito esforço. – digo a conduzindo de volta a mesa.
— Lexa me ouça atentamente não sei se terei condições de repetir.. – a vi confirmar com a cabeça.
“ foi em um feriado de quatro de julho, eu estava em casa com os Weller, fui caminhar junto com Thor pela trilha norte, ela era a mais acidentada, a mais difícil mais acabava em uma cachoeira, o dia estava agradável, tinha ganhado do senhor Weller um canivete de presente, segundo ele uma moça que se preze tinha que ter um. – vi Lexa da um pequeno sorriso. – mas segundo a senhora Weller era tradição de família e eles me tinham como uma Weller, por isso ganhei o meu. – disse mostrando a Lexa o canivete, ele me olhou surpresa. – então passei a caminhar com ele no bolso, não com intenção de usa-lo mas sim por tradição já que todos os Weller andavam com os seus. Passei a manhã na cachoeira, já era um costume, sempre fazia isso. Quando saí da agua dei de cara com Jofrey, ele estava lá e eu não o tinha visto.
— o que faz aqui?
— nada demais só caminhando quando vi que estava aqui e vi tomar um banho também. – vi que ele não tirava os olhos do meu corpo.
— bom banho então eu já vou. – disse apanhando minhas roupas.
— loirinha, por que não me faz companhia? – vi aquele sorriso asqueroso dele.
— não obrigado – falei já me vestindo, ele andou em minha direção ficando próximo a mim.
— deixe de bobagem meu anjo, vamos nos divertir um pouquinho quero te mostrar o quanto posso ser agradável. – ele falou já segurando minha cintura, eu praticamente já estava vestida.”
Vi Lexa se remexer na cadeira, vi que ela já imaginava que as coisas só piorariam com o andar da história.
Respirei fundo a olhei nos olhos e voltei a contar.
“- não me toque, nunca dei tal liberdade. – disse empurrando ele para o mais longe possível de mim.
— qual é loirinha, você tem a oportunidade de transar com um cara da faculdade e fica dando um de difícil, me deixa te mostra como pode ser gostoso. – o vi andando novamente em minha direção.
— de você eu só sinto nojo, não toque em mim. – vi o rosto dele se transformar, aquele sorriso pretensioso dele deu lugar a uma expressão de raiva.
— é muito arrogante garota, deixa de ser idiota, vou te mostrar muita coisa. – ele disse passando a mão sobre o volume na calça dele.
— és um louco não se aproxime de mim ou eu vou gritar. – ele riu da minha cara, estávamos no meio do nada e eu o ameacei em gritar.
— vai em frente, mas daqui você só sai depois de me dá um agrado aqui. – ele falava e apontava para sua calça.
— eu já disse não se aproxime de mim. – dessa vez eu tinha gritado.
— loirinha vai ser gostoso. – ele correu até onde eu estava, tentei fugir dele mais ele era mais rápido.”
Lexa levantou de supetão da mesa, a respiração dela estava mais difícil, ela passava as mãos pelos cabelos negando com a cabeça.
— Desgraçado. – ele disse quase em um berro. Eu já me encontrava as lágrimas, pois relembrar do meu passado não era fácil.
— Lex.. olhe pra mim. – a vi negar com a cabeça, estava sendo difícil pra ela ouvir tudo, mais difícil era pra mim contar tudo.
— Clarke eu... eu ... – ela me olhou com os olhos marejados, veio caminhado até onde eu estava se ajoelhando com muita dificuldade a minha frente. – Clarke eu sinto muito meu amor, juro que se eu pudesse mudaria tudo, mas...
— eu ainda não terminei meu amor, deixe que eu termine. – ela me abraçou.
Voltei a pedir que aquela teimosa se sentasse, Lexa ainda não estava na sua melhor forma.
— “Foi tudo tão rápido, ele me agarrou a força, foi a pior sensação da minha vida, me senti um lixo, mesmo eu tentando a todo custo me livrar dele foi inútil, aquele mostro me jogou no chão e... – respirei fundo. E... ele conseguiu o que queria, foi a pior dor da minha vida, dor da impotência de ser violada, me senti o pior dos seres humanos, uma humilhação que até hoje eu não sei como definir.— eu já chorava muito, mas senti Lexa segurar forte minha mão mesmo com ela também chorando. — Ele riu da minha cara, e disse que eu deveria ter colaborado que teria sido muito melhor.
— viu loirinha eu disse que seria gostoso, adorei ver você se debatendo, ficou ainda melhor. – um ódio se apoderou de mim, como aquele monstro fez o que fez e ainda se vangloriava.
— seu mostro, vou contar tudo para seus pais vou contar tudo a policia. –e ele riu mais ainda.
— e vai dizer o que? Que eu fiz a força, eles não vão acreditar em você, eu sou o grande modelo de atleta dessa merda de cidade, e você é só uma vadiazinha que nem os pais aguentaram.
— Quando eu levante do chão ele me deu dois tapas e me ameaçou que se eu falasse para alguém ele me mataria, Lexa eu só tinha treze anos, estava com medo e não sabia o que fazer. – Lexa não parava de me olhar, enquanto eu não conseguia encara-la, um sentimento misto de vergonha e impotência sempre vinham e meu coração.
— Ele me empurrou me fazendo cair novamente, tudo que eu mais queria era mata-lo foi quando senti meu canivete no bolso, olhar na cara daquele crápula e vê rindo me deixou completamente cega, ele estava em cima de mim e eu só reagi, enfiei a lamina do meu canivete na lateral da cabeça dele.
— Tudo depois foi no automático, eu andei o caminho inteiro com minhas roupas ensanguentada, quando cheguei a casa, não tive coragem de contar aos Weller, eu fiquei em choque. O casal chamou a policia e horas depois foi que eu tive condições de contar tudo, foi um escândalo, os Weller ficaram em choque, a principio eles não acreditaram, mas depois veio os exames, outras duas garotas tiveram coragem de denuncia-lo, mas mesmo assim não tinha mais clima de ficar com eles, fiquei no internato tempo integral, minha mãe só voltou do Japão seis meses depois, e nossa relação que já era ruim passou a não existir.”
— é isso Lexa, esse é o meu passado, esse é o motivo de eu ser tão quebrada, meu pai me abandonou, minha mãe foi omissa e quando eu achei uma família tudo desmoronou, e eu hoje quero saber se depois de tudo isso eu sou o que você realmente quer? — digo a olhado, Lexa estava com uma expressão indecifrável.
Ela se levantou sem dizer mais nada e se retirou, e foi ali que eu achei que ela me deixaria, vê Lexa me da às costas e me deixar ali sozinha e foi..
— Clarke... – ela me sorria segurando o Juba, ela trazia uma caixa em uma das mãos. – Clarke, eu já disse que não vou fugir que não vou deixa-la sozinha, e não pense um só minuto que iria abandona-la por ter feito justiça, se você não tivesse feito eu mesma o faria, quero que saiba que meu amor por você não diminuiu ele só aumentou.
— Lex... – ela me interrompeu.
— não Clarke, pare, pare de ter medo que a abandone, pois isso não vai acontecer, o que eu te disse quando te dei o Juba? – ela agora estava de frente a mim me entregando meu bichinho.
— você disse que ele vive mais de trinta anos.
— o que mais?
— que seriamos vovós e contaríamos o perrengue que a tia deles passou quando você deu um dinossauro ao filho dela. – Lexa riu gostosamente ao lembrar-se daquele dia.
— isso seremos vovós e estaremos juntas, Clarke eu sei que não foi fácil e você não sabe como me doeu escutar isso hoje. – e os olhos dela não a deixava mentir escutar aquilo não foi fácil pra ela. — eu só quero ser o motivo de você desejar esse furo comigo, meu amor infelizmente eu não posso apagar suas memórias, mas posso te dar lembranças felizes, Clarke é o que eu te ofereço, um futuro eu você o Juba e quem sabe filhos. – meu maior segredo foi revelado, e mesmo assim ela permaneceu e isso é o que importa, Lexa ficou.
— eu aceito sua proposta, mas quero que você aceite isso. – disse a ela entregando-lhe uma caixinha que tinha comigo.
Lexa me olhou curiosa, e não demorou nada para ela abrir a caixinha.
— Clarke isso... isso é... – Lexa ficou sem palavras.
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