Dois lados do amor
3 A vida é como uma roda gigante
Notas iniciais
Regina Mills
A vida é uma roda que nunca para de girar, a cada momento uma novidade seja ela boa ou ruim. A vida tem seus altos e baixos, hoje posso dizer que estou no alto, posso afirmar que nunca fui tão feliz como estou hoje, tenho uma carreira renomada, uma vida financeira estável, e o melhor, tenho o amor da minha família, amigos e principalmente dela Emma, com Swan pude deixar de sobreviver e passar a viver, viver de forma intensa, as emoções que ela desperta em mim sempre é novidades. Já a odiei, e hoje a amo como nunca serei capaz de amar outro alguém, foi a ela que me entreguei de corpo e alma, meus medos, desafios tudo. A cada sorriso que vejo dela meu coração se enche de alegria, sabe as borboletas no estômago, só foi com ela que senti essa sensação. Assim que nos conhecemos passamos por muita dificuldade de convivência, sempre batíamos de frente, sei que não sou uma pessoa fácil de lidar, a cada embate entre Emma e eu só faltava sair faísca, ah como eu a odiei, mas não me arrependo dessa época, foi nela que me senti viva, Emma desperta vida em mim. Sei que nos últimos dias algo vem afligindo meu cisne, ela anda calada e pensativa, sei que esta aprontando algo.
Hoje é minha folga, já minha loira essa tem um plantão de trinta e seis horas, ou seja, só a verei amanhã no hospital, mas como tenho a namorada mais perfeita do mundo Swan quando saiu deixou café da manhã pronto com tudo que gosto, aquela loira sabe como me mimar, mas também sei que quando ela faz isso é sinal de alerta algo esta por vir. Tenho um dia relativamente tranquilo, organizo o nosso apartamento, sempre fui muito organizada, mas Emma me surpreendeu a loira era cri cri com esse assunto, nada podia ficar fora do lugar, o engraçado e que sempre achei o contrario, que ela fosse bagunceira mas não. O lugar é tão limpo que ousaria dizer que é possível fazer uma cirurgia aqui sem maiores problemas.
Estava na sala estudando um caso de uma paciente minha quando sinto tudo tremor, um forte barulho como se algo estivesse explodido, foi muito perto, pois tudo tremeu. O odor forte de fumaça, pessoas gritando na rua, o caos estava lá fora, imediatamente vou a varanda ver o que tinha acontecido, mas uma nuvem de poeira e fumaça pouco me deixava enxergar alguma coisa. Resolvo ir lá. Pego minha maleta com quites médicos de emergência e sigo.
Caos era isso que estava nas ruas, pessoa com cortes no corpo, roupas sujas. me senti em the walking dead, confesso que nunca vivi uma situação tão caótica, mas meu dever era ajudar no que podia e era isso que ira fazer. Aproximo-me de um grupo de pessoa que tentavam ajudar uma mulher, pude ver varias lacerações em seu corpo, o pior estava em sua face, estava desfigurada, só sabia que era uma mulher devido a anatomia do seu corpo, uma barra de ferro atravessava seu abdômen o caso era critico, ao lado dela um garotinho que mesmo com toda aquela sujeira sobre ele podia ver que era lindo, me lembrava alguém mas na hora não dei muita atenção, meu foco foi tenta ajudar aquela mulher.
Não sei ao certo quanto tempo se passou, mas já tinha ajuda dos bombeiros e paramédicos, como me identifique como médica eles me deixaram lá ajudando no socorro daquela mulher, o garotinho não saia do seu lado, me olhava com aqueles olhos verdes, tão familiar para mim, acho que ele deve ter no máximo dois anos. O resgate foi difícil os pertences que tinha com ela foi na ambulância junto comigo e o garotinho, que tinha um corte na testa, e o nariz sangrando. A paramédica vasculhou a bolsa atrás de alguma identificação dela, felizmente sua carteira estava dentro, felizmente até eu saber o nome dela. Lilith Page, ex-mulher da minha namorada, vê-la naquela situação não era fácil. Lili me culpa pelo fim do relacionamento delas, e em parte ela esta certa, quando ela e Emma passavam por uma crise, foi nessa época que transamos, a vida da Emma se tornou um inferno, tinha a esposa que descobriu tudo e até minha cara ela bateu, confesso que eu não fui uma mulher muito correta, pois o certo era me afastar dela, dormir com uma mulher casa uma vez pode até ser perdoável, mas varias vezes não, fui literalmente a outra, o casamento delas chegou ao fim e logo em seguida engatamos o nosso relacionamento. Emma nunca mais teve noticias dela, o pedido de divórcio veio por correio. Na época elas até tentaram ter um filho, mas na não vingou a inseminação. se bem que o garotinho é bem familiar, ah não poder ser...
Saio dos meus devaneios com a chegada da ambulância ao hospital, já tinha pedido que levassem para o Boston Hope, varias equipes estavam a postos, inclusive minha namorada, desço com o garoto em meus braços e entrego a loira safada que estava devorando minha irmã noite passada, passei o estado da paciente a equipe, e seguimos para a sala de reanimação. Foi difícil estabiliza-la, mas conseguimos Emma ainda não sabia de quem se tratava seu foco era estabilizar a pressão intracraniana dela, de todos os problemas físicos o coração aparentava estar bem. Foi aí que fui atrás do garotinho, a possibilidade de acontecer o que se passava em minha cabeça me deixava em pânico, procuro a loira no PS quando a acho ela estava finalizando um curativo no menino.
— Qual o estado dele. — pergunto.
— Dra Mills, fora o corte na testa e alguns arranhões ele parece estar bem, vou pedir alguns exames, pois o sangramento no nariz e essas manchas roxas no corpo dele não condizem com o acidente. – Ela me olhava desconfiada, a cena da noite passada foi constrangedora para todas.
— tudo bem, já tem a identificação dele? – já sabia que o garoto estava bem eu mesma fiz sua analise dentro da ambulância, o que me levou lá foi outro motivo.
— sim, ele se chama Christian Page, pai desconhecido, filho da paciente que esta em cirurgia, Lilith Page. Dra Mills tem algo que a senhora deveria saber. – A vejo ficar tensa.
— Diga então.
— o contato dela de emergência dela e a Dra Swan. — por essa não esperava, depois de dois anos ela ainda manteve Emma como contato de emergência, será que Emma sabe disso?
— ok, deixe que eu mesmo a aviso, mas depois da cirurgia. – Vi que ela iria falar mais alguma coisa.
— Dra é que se da Dra Swan tem algum contato mais próximo com a paciente ela não poderia estar cuidado dela! — ela me falava com todo cuidado, parece até que tem medo de mim.
— Sei bem disso, mas ela já esta em cirurgia, Emma é a melhor neurocirurgiã do estado, ela é a melhor opção para a paciente. – Mesmo sabendo que Emma ficará uma fera por não saber na hora de quem se tratava, sei que Emma carrega uma culpa enorme pela forma que seu casamento acabou.
— leve-o para fazer os exames assim que estiverem prontos me avise, mas também comunique a Dra Lucas. – Aloira faz o gesto de positivo com a cabeça enquanto eu vou ajudar as outras equipes.
Sete horas foi o tempo que a cirurgia da ex da minha namorada levou, mesmo assim o seu estado era critico, Emma saiu exausta, Lexa já estava realizando a segunda cirurgia só naquela tarde, enquanto eu e Gold tentávamos por ordem no PS já que ali estava um pandemônio. O serviço social foi chamado, o garoto aparentemente só tinha a mãe, então nesses casos ele ficaria sob a tutela do estado até ela se recuperar, pelo menos era isso que deveria acontecer, mas com a chegada dos exames, a Dra Lucas constatou varias alterações nele e solicitou outros exames e acabou internando o garotinho. Lucas pode ser uma louca depravada, mas quando se trata de seus pacientes ela era a melhor, as crianças a adorava, o setor mais animado era o dela a pediatria.
Agora era hora de dar a noticia para Emma, ela ainda não sabia o nome da paciente, tive que convencer o Gold a esperar mais um pouco, todos sabiam que ela era a melhor na área dela e a melhor chance da Lili. Pedi para chamarem pelo bipe até a sala do Gold.
— mandou me chamar? – Ela entra na sala me olhando com cenho franzido, sua expressão era de cansaço.
— sim querida, preciso te contar algo, mas preciso que fique calma. – Emma sempre foi muito tranquila, mas pude ver sua expressão mudar para apreensão.
— o que aconteceu Rê? Desde de que chegou notei que você esta tensa, e não adianta me dizer que não esta pois eu sei que está. – Emma sempre me surpreende mesmo com aquela correria toda ela ainda notará que eu estava apreensiva.
— Amor é sobre sua paciente, a que você acabou de operar.
— o que tem ela?
— é a Lilith. — Vi Emma ficar chocada, seu semblante mudou para desespero.
— o que? Mas Como... Por que não me avisaram antes, meu Deus Lili. – a vi baixar a cabeça, foi um golpe dura pra ela. Swan se sentia culpada por tudo de ruim que aconteceu no relacionamento delas, e vê minha loira com aquela carinha triste era demais pra mim.
— Amor eu pedi que não a avisassem na hora, pois ela precisava de cirurgia e você é a melhor e sabe disso. – Swan esta com a expressão de derrotada, fui até ela e levantei seu rosto e pude ver as lágrimas no seu olhos.
— céus como isso foi acontecer com ela Regina, Lili é uma boa pessoa não merece estar naquela situação. – Eu entendia a reação dela, Emma sempre foi muito amável, sempre foi muito humana era uma das coisas que mesmo na época que nos odiávamos essa qualidade dela sempre admirei.
A abracei permiti que chorasse em meu ombro, Emma sentiu o golpe da noticia, mas ainda não tinha contado tudo a ela, ainda tinha minhas suspeitas e se já foi difícil contar do acidente imagina quando falar do filho dela. Ficamos abraçadas por alguns minutos até Emma se recompor.
— melhorou? Perguntei dando beijinhos no seu rosto.
— sim, obrigado amor por você me contar. — ela gora limpava os vestígios de lágrimas que ainda tinham em seu rosto.
— querida tem mais uma coisa. – Ela me olhou confusa.
— Lili tem um filho, acho que tem um ano e pouco. – vi Emma empalidecer.
— Filho? Como um filho?
— Amor, era garotinho que eu desci com ele nos braços. – sabia que Emma ainda não tinha ligado os pontos, mas quando ela ligasse temia pela sua reação.
— espera você disse um pouco mais de um ano? – Ela ligou.
— sim. – foi um sim mais incerto da minha vida.
— ela não faria isso, faria?
— Amor, pode ser que sim como pode não ser não vamos julgá-la antes de sabermos a verdade da boca dela. — agora vi a expressão de fúria da minha namorada.
— Regina será que você não entende? Esse menino poder meu filho, que ela escondeu de mim! — ela já falava exaltada e com toda a razão.
— Calma amor olha me escuta. – Emma parecia um animal enjaulado, andava de um lado para outro fala coisas desconexas. – Emma olhe pra mim, amor vamos esperar que ela acorde e conte a verdade para você. – tentei passar calma para ela, mas Emma parecia em outro universo, foi quando ela parou e voltou a me encarar.
— Quero vê-lo, agora Regina. – o jeito era leva-la até o garoto, não tinha como segura-la.
— tudo bem eu levo você até onde ele esta, mas primeiro se acalme ainda não acabei.
— tem razão não posso me aproximar de uma criança no meu estado, mas ele esta bem? – fiz o gesto que sim com a cabeça e me aproximei dela a abraçando novamente, estava vendo o mundo da minha namorada virar de pernas por ar e não podia fazer nada.
Meia hora depois seguimos a ala da pediatria, já tinha contado a Emma do estado do garoto, ela já estava bem mais calma.
— Dra Griffin, onde esta a Dra Lucas?
— Esta em cirurgia Dra Mills, me deixou aqui cuidando do Cris. – a loira tinha jeito com crianças isso era notório.
— Cris? – Emma ainda não sabia o nome do menino.
— Christian Page, filho da Lili. – Vejo um leve sorriso brotar nos lábios dela.
— Esse era o nome do meu irmão que faleceu ainda criança, Christian. – agora entendi o motivo daquele sorriso.
— ele está logo ali, quarto 108. – fomos acompanhadas pela loira até ele.
Ele dormia, agora estava limpinho, tinha os cabelos loirinhos como os de Emma, mas o marcante era a posição que ele dormia era a mesma dela, Lili podia negar o quanto fosse, mas estava na cara, o menino era a copia da de Emma. Vi minha loira se aproximar dele lentamente, parecia não acreditar no que via, ela acariciou os cabelos dele, era notória a emoção dela. Ficamos mais algum tempo com ele, até Emma receber um bipe da emergência.
— tenho que ir, mas antes Clarke você poderia me manter informada do estado dele? — Via loira me olhar e olhar para ela como se não entendesse muito a situação.
— Pode deixar Dra Swan que eu aviso a evolução do quadro dele.
— aqui esta meu numero não hesite de me ligar e avisar qualquer coisa. – ela veio ate mim, selou nossos lábios num rápido selinho e seguiu para o PS.
Vi a jovem loira se aproximar de Cris checado alguns sinais do garoto. Posso até estar enganada, mas ela tinha uma forma de tratar os pacientes muito humana, poucos demonstravam gostar do que faziam como ela. Clarke Griffin guardarei esse nome.
— Dra Griffin, quando a Dra Lucas sair da cirurgia avise que estou a procurando. E Clarke. – Vi ela agora olhar diretamente pra mim. – Continue assim. – ela me sorriu e deixei o quarto do garoto.
A vida é uma roda gigante, a cada volta uma surpresa diferente. Hoje pela manhã era só eu é Emma, mas tudo mudou. E o amanhã não se sabe.
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