Dois Lados
1 Incrível
Notas iniciais
Às vezes nós sonhamos grande, mas existem pessoas que sonham o impossível. Júlia é uma dessas pessoas. Era fim do ano, quase Janeiro. Júlia havia acabado de sair do Ensino Médio e agora estava trabalhando, juntando dinheiro para a faculdade. Naquele dia ela havia saído cedo de casa e já fazia caminho para um terminal onde pretendia pegar o metrô para a Estação da Luz. Ao chegar lá a menina foi até a parte onde ela pegaria o trem e ali ela se pôs a esperar. Claro que ninguém poderia esperar pelo que aconteceria naquele momento.
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“Mãe?” Chamou uma pequena Júlia, de apenas seis anos. “O que aconteceu com o meu pai?” Ela dizia com os olhos brilhando esperando uma boa resposta da mãe.
“Uhm...” Helena parou um pouco, pensando no que dizer. “Por que a pergunta, pequena?” Ela agora tinha um olhar preocupado. “Aconteceu alguma coisa na escola?”
“As meninas estavam rindo de mim porquê eu disse que não tinha pai quando elas me perguntaram.” Ela disse com as mãozinhas atrás das costas e encarando o chão como se estivesse com medo que ele fosse desaparecer sob seus pés.
“Bem, depois conversamos sobre essas meninas. Seu pai era muito bom para mim, querida, mas não podíamos ficar juntos. Ele sabia que você estaria bem comigo e partiu logo depois de você nascer.” Ela disse com o rosto sonhador olhando para a luz do crepúsculo através da janela da pequena casa.
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“Mãe?” Uma Júlia agora com seus quatorze anos chamava a bela mulher de cabelos castanho que aos olhos da adolescente não era afetada pelo terrível tempo.
“Sim, minha pequena, o que foi?” A mulher disse a observando com olhos cheios de nostalgia.
“O que realmente aconteceu com o meu pai? Por que ele desapareceu? O César pelo menos sabe quem é o pai dele mas eu nunca nem vi uma foto do meu.” O garoto a quem ela se referia era seu meu irmão mais velho que ela amava como se fosse filho do mesmo pai.
“Bem, tenho certeza que um dia você vai descobrir, continue sonhando alto, siga aquilo que você acha certo e se divirta.” Helena disse da forma mais natural possível.
“Ta, mas isso não responde minha pergunta.” Disse Júlia sem paciência.
“Talvez não, mas para encontrar um tesouro precisamos primeiro de um mapa” Assim que terminou de falar a mulher beijou a testa da garota e foi dormir.
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Anos depois de todas aquelas conversas, já com dezoito anos aqui estava Júlia, mal acreditando no que via diante de seus olhos castanhos. Ali, na frente dela, havia uma criatura imensa, com escamas brancas e brilhantes cobrindo todo seu corpo, garras e presas que pareciam capazes de rasgar um elefante, olhos amarelos penetrantes, asas enormes como as de um morcego e uma cauda poderosa que parecia capaz de destruir concreto com a mesma facilidade que se abre uma garrafa de refrigerante. Paralisada Júlia assistia enquanto todas as pessoas corriam com medo da criatura. Depois de alguns momentos que pareceram uma eternidade ela finalmente percebeu o que estava na sua frente.
“Eu sabia! Eu sabia!” A garota que desde criança sonhava com criaturas mágicas e bem no fundo acreditava que talvez elas existissem, agora pulava e vibrava de felicidade por saber que seu coração esteve certo esse tempo todo.
Sem que ela percebesse o movimento, a criatura se aproximou dela com o focinho fazendo a pular pelo susto. Assim que o coração de Júlia desacelerou o suficiente ela começou a olhar para os olhos daquilo tentando entender o que estava pensando ou tentando dizer para ela. Logo a menina sentiu um vento gelado saindo da boca da criatura, um vento que parecia mais uma brisa e que envolveu todo o corpo dela. Uma sensação estranha de libertação fez-se sentir no interior de Júlia como se o tempo todo ela estivesse prendendo um dos braços e agora finalmente tivesse o libertado. Ela tocou o focinho do ser com a mão e aceitou quando ele estendeu a pata para que ela subisse em suas costas. Assim que ela se arrumou e se prendeu aos espinhos dorsais da criatura ele alçou vôo levando os dois para a imensidão azul que chamamos de céu.
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