Dois Lados
2 Pra onde estamos indo?
Notas iniciais
Júlia sempre imaginou que algo assim fosse realmente acontecer na sua vida, lá estava ela montada em um dragão voando para sabe se lá aonde com o vento batendo em seus cabelos e fazendo com que ela tivesse que fechar suas asas para não sair voando de cima do ser. 'Espera aí' Ela pensou. 'Asas?' Júlia olhou para suas mãos e viu que elas estavam cobertas de escamas de um azul tão claro que parecia da cor de gelo, suas unhas tinham virado garras e seus tênis estavam destruídos pelas garras que nasceram também nos dedos dos pés, ela podia sentir e ver um pouco das asas que agora ela tinha nas costas e com a língua sentia que os dentes haviam virado presas.
“Essas é sua verdadeira aparência, eu tirei a máscara mágica que havia posto em você há tantos anos. Ela não é mais necessária.” Disse uma voz retumbante como um trovão dentro de sua mente, Júlia sabia que a voz vinha do dragão.
“Quem é você, afinal?” A menina disse desconfiada.
“Eu sou Redhunter e seu pai.” Disse o dragão.
“Hein?” Disse Júlia, surpresa e confusa. Sim, ela nunca teve um pai mas de repente um dragão aparece dizendo que é ele?
“Pode até ser difícil de se acreditar, mas é a verdade. Eu e sua mãe escolhemos um nome quando você nasceu e decidimos que ele só seria seu novamente quando você pudesse ser você mesma.” Ele disse chamando a atenção da menina. “Nós a chamamos de Eileen, que significa luz. Agora esse nome é seu mais uma vez."
“Uau.” Ela nunca havia gostado de seu nome, pensar que ele não era realmente dela era uma sensação estranha mas reconfortante. “Por que seu nome é Redhunter? O senhor é branco, não vermelho.”
“Bem..." O dragão fez um som que parecia risada. "Todos os Dracas tem o dever de caçar criaturas chamadas ‘Mortes’, quando um Draca mata um ele recebe o nome de acordo com a cor do fogo do Morte caçado. Eu matei um na minha juventude que tinha chamas vermelhas e por estar na região da Inglaterra recebi esse nome nessa língua. Meu nome antigo foi esquecido e eu me tornei parte dos raros Caçadores.” Ele contou com orgulho.
“Deve ter sido incrível a sensação de caçá-lo.” Eileen se sentiu estranha depois de ter falado isso; por que de repente ela acharia incrível algo que nunca fez nada vida? Apesar de ter orgulho de ser filha de alguém como Redhunter ela ainda estava muito confusa com toda a informação que estava recebendo e todas as novas sensações que estava experimentando. Podia sentir cheiros no ar, perceber a umidade; olhava para baixo e enxergava mais do que jamais pensou que enxergaria; se sentia mais forte, mais segura de si.
“Está no seu sangue.” Disse o draca como se lesse seus pensamentos. “Nascemos caçadores, seus instintos estão confusos pela súbita mudança mas logo você se acostuma. Instinto é o que nos mantém vivos em uma batalha, logo, pequena, você vai entender o que eu quero dizer.”
Com aquilo dito os dois mudaram de assunto. Redhunter explicou a ela como conheceu sua mãe, que através da magia ele podia mudar de forma e que naquela hora ele estava com a sua forma humana costumeira e os dois se apaixonaram no primeiro encontro. Explicou, também, que mesmo depois de descobrir que ele era um draca a mulher continuou com o mesmo sentimento e assim eles a tiveram. Também disse que explicaria depois como funcionava a magia para os dracas e que logo Eileen aprenderia a usá-la. Algum tempo depois Redhunter começou a descer e a garota viu o chão de um deserto laranja se aproximando deles enquanto Redhunter incidia.
“Onde estamos?” A garota perguntou com curiosidade.
“Estamos nos Estados Unidos.” E como se murmurasse ainda disse. “Acham que mandam em tudo. Volto mais tarde pra te buscar”
Eileen olhou em volta um pouco assustada mas o que via era apenas quilômetros e mais quilômetros de rochas debaixo do sol escaldante. Estava a ponto de gritar para chamar o pai de volta, não tinha nada, nem ninguém ali, por que ele a trouxera para lá? Talvez conseguisse voar com suas novas asas, mas ela não tinha tanta certeza disso. Antes que pudesse fazer qualquer coisa ela sentiu o chão tremer. Ao olhar para uma das montanhas ela viu que a parede da rocha começava a se abrir e de lá estava saindo um homem de terno preto e óculos escuros. Ele também tinha cabelo preto, ralo, quase careca.
“Eu sou o agente Thompson, prazer em conhecê-la, Eileen.” O homem disse se aproximando da menina. Quanto mais perto ele chegava mais ela percebia que ou havia ficado mais alta com a transformação ou aquele agente era mais baixo que o normal. Seu sotaque era forte mostrando que apesar dele conhecer a língua nunca esteve durante muito tempo no Brasil.
“Pode me explicar o que está havendo?” Ela pediu ainda nervosa por falar com uma pessoa que ela nunca havia visto na vida, mas já sabia seu verdadeiro nome. O nervosismo só piorava pelo fato dos óculos a impedirem de ver os olhos do homem.
“É pra isso que estou aqui, minha cara.” Thompson disse levando ela para dentro da montanha.
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