A loira entrou na sala de descanso, Eva nunca tinha a visto no hospital antes. Talvez seja uma residente, ela pensou. A morena estava sentada sobre uma das camas mais ao fundo da sala e a loira não pareceu notar sua presença ate que ela se levantou.

– Hum... oi... Eu nem tinha percebido que tinha alguém aqui. – A loira disse ainda distraída com os papeis que seguravam.

– Eva Zambrano. – A morena estendeu a mão com um sorriso no rosto.

– Cameron. Allison Cameron. – A loira sorriu de volta.

– Então Dra. Cameron, você parece preocupada. Posso ajudar em alguma coisa?

– É um paciente... – Ela disse entregando o prontuário para Eva. – Ele precisa urgente de uma cirurgia, mas... o único parente que pode autorizar isso é só um garoto que acabou de completar 18 anos.

Eva analisou o prontuário. – E você acha que é muito peso para jogar nas costas de uma criança, já que o pai pode morrer se a cirurgia der errado.

– Exatamente.

– Cameron... – Eva disse paciente. – é muito nobre da sua parte pensar assim, mas... não há nada que você possa fazer, a decisão só pode ser tomada por ele. Não é sua responsabilidade.

– Eu sei, é só que...

– É difícil não se envolver com a vida dos pacientes. – Eva completou seu pensamento.

Cameron assentiu.

– Quem vai fazer a cirurgia caso o garoto decida autorizar? – A morena questionou.

– Eu. Estou familiarizada com o caso e é minha especialidade.

– Espere... você não é uma residente?

– Não. – Cameron sorriu. – Terminei minha residência há um ano mais ou menos. – Eva a encarou com interesse.

– Bom, neurocirurgia também é minha área, se precisar de reforço pode contar comigo.

– Obrigada pela oferta.

– Agora tenho que ir, meu horário de descanso acabe em 3 – ela olhou pro relógio em seu pulso. – 2, 1. Bem vinda ao St. Vladimir M.D.

***

– As seis horas naquela sala valeram a pena. O sorriso do garoto quando eu disse que logo poderia ver seu pai. – Cameron disse enquanto pegava suas coisas no armário do vestiário.

– Você foi incrível lá.

– Isso é um grande elogio vindo de você Dra. Zambrano. – Cameron sorriu.

– Já disse que pode me chamar de Eva.

– Então, Eva, você vai para festa de boas vindas da novata?

– Eu fui convidada. – Eva sorriu.

– Então você vai? Por favor diga que sim. Você é a única que eu realmente tive tempo de conhecer no meu primeiro dia.

– É, acho que seis horas trancada naquela sala com você me deram uma vantagem. – Eva encarou a loira que a olhava com expectativa. – Tudo bem, eu vou, mas não espere que eu seja a alma da festa, sou mais do tipo que fica em casa e lê um bom livro.

– Tudo bem, o importante é que você vai. – Cameron praticamente deu pulinhos de alegria, o que fez Eva sorrir. – Se você quiser levar mais alguém... seu namorado. Tudo bem.

– Eu não tenho um namorado Dra. Cameron e se eu tivesse eu não o levaria. – Eva sorriu. – Nós vemos mais tarde. – A morena saiu do vestiário, deixando uma Cameron que analisava sua ultima frase.

***

– E você disse que não seria a alma da festa. – Cameron disse a Eva quando a morena sentou ao seu lado depois de ter chamado a atenção de todos para si enquanto dançava com um dos enfermeiros.

– Estou me esforçando... – Eva sorriu. – sua festa de boas vindas tem que ser inesquecível.

– Já está sendo. – Cameron deu um gole em sua bebida.

– E porque você não parece muito feliz com ela?

– Eu estou... não me leve a mal, todos vocês do hospital são ótimos. Eu nunca pensei em encontra pessoas tão incríveis.

– Mas?

– Mas ainda sinto saudade de casa.

– É, mudar de cidade é realmente complicado, mas algo me diz que não é só isso. Você deixou alguém especial em casa, Cameron?

– Bom... – Cameron começou, mas a musica alta a forçaria a praticamente gritar a historia. – podemos ir la fora pra eu poder te contar?

– Claro. – Eva disse se levantando e estendendo a mão para Cameron.

***


– Como esse idiota teve coragem de fazer isso?

– Eu não sei, talvez tenha sido o melhor... se tivesse acontecido depois do casamento seria pior. – Cameron deixou seu olhar vagar pela rua vazia na frente de sua nova casa.

– Você sabe que podíamos dirigir ate Boston para eu poder socar esse idiota. – Eva disse fazendo a loira sorrir.

– Você não parece o tipo que soca alguém. – Cameron observou. – Mas valeu a intensão.

– Você está duvidando das minha habilidades de luta Dra.?

– Nem um pouco. – Cameron sorriu erguendo as mãos, como se estivesse se defendendo. – Bom, pelo menos pra uma coisa essa historia toda de traição serviu, eu mudei para cá e vou começar uma nova vida. E conheci você. – Os olhos verdes refletiam a iluminação da rua, de algum modo eles eram hipnotizantes para Eva, que não conseguiu desviar seu olhar.

Eva sorriu gentilmente. – Foi uma agradável surpresa conhecer você, Cameron. – Um silencio se abateu sobre as duas e elas apenas se encararam por um tempo, em meio a brisa da noite que as emoldurava, ate que o celular de Eva tocou, tirando-as do transe.

– Sim... claro, se for necessário. Mas se você pudesse me substituir seria ótimo. Ok, eu espero... conseguiu? Ok, obrigada.

– Quem era?

– Do hospital. Queriam que eu fizesse plantão hoje, mas conseguiram um substituto.

– Ótimo. – Cameron disse animada. – você não podia se ausentar da minha festa, não é?

– Claro que não. – Eva sorriu e pegou a mão de Cameron. – Alias, vamos voltar pra sua festa.

***

– Eva, você não pode dirigir assim, acho que você bebeu demais.

– Tudo bem, eu pego um taxi se vai te deixar menos preocupada, mas eu estou ótima. – Eva disse e logo em seguida tropeçou nos próprios pés.

– Estou vendo como você está ótima. – Cameron se aproximou da morena e passou o braço em volta dela. Aquilo pegou Eva de surpresa.

– O que está fazendo?

– Te levando pro quarto de hospedes, você não vai embora assim.

– Ok, mas eu posso andar ate lá sozinha. – A morena disse e então a loira recuou. Afinal o que ela estava fazendo, por que essa necessidade te cuidar de Eva, de tocá-la? – A loira estava perdida em pensamentos e não vi que Eva tinha entrado no seu quarto ao invés do quarto de hospedes.

– Eva, esse é meu quarto... – Cameron entrou apressada, mas a morena já estava jogada em sua cama. – Bom, acho que você pode dormir ai.

– Otimo... – Eva murmurou e se agarrou ao travesseiro.

***

Os primeiros raios de sol entravam pela fresta da cortina quando Cameron sentiu o braço de Eva a envolver, ela encarou a morena, que ainda dormia tranquilamente. “Como ela pode ser tão linda uma hora dessas da manhã?” a loira se pegou pensando. “Pare com isso Cameron!” ela se reprendeu, mas continuou a velar o sono da morena. Lentamente Cameron a envolveu com seus braços também, de modo que agora Eva descansava sobre o colo da outra.

Era uma manhã diferente na vida de Cameron, ela nunca tinha acordado com outra mulher em seus braços, ela respirou fundo absorvendo o cheiro que Eva exalava, ela cheirava a maçãs e mais alguma coisa, que a loira não conseguiu identificar.

Eva abriu os olhos lentamente, enquanto sentia o calor de outro corpo contra o seu. Ema levantou o rosto para encontrar os perfeitos olhos verdes a encarando, emoldurado pelos lindos cachos dourados. – Cameron... o que aconteceu? – Ela disse levantando.

– Ah você dormiu aqui. Estava... um pouco bêbada pra eu te deixar ir sozinha pra casa.

Eva sorriu. – Nossa, que ótima primeira impressão eu devo ter te dado.

– Você me deu um ótima primeira impressão, não se preocupe.

– Se você diz. – Eva tentou ficar de pé, mas teve que se apoiar na cama, pois sua cabeça dava voltas.

– Você está bem? – Cameron correu ao seu auxilio.

– Estou... é só ressaca.

– Deite ai, eu vou preparar um café pra você.

***

– Cameron, eu não quero incomodar mais você.

– Não quer incomodar ou está com medo de eu ser uma péssima cozinheira? – Cameron sorriu e continuou a trabalhar na refeição que reparava.

– Claro que não, tenho certeza de que suas mãos são muito habilidosas. – Eva disse sem intenção nenhuma, mas ela viu Cameron corar. – Hum... eu quis dizer com a comida...

– Eu sei. – A loira sorriu sem graça.

Eva andou ate onde ela estava e espiou o a travessa com a lasanha que parecia grande demais só pra elas duas. – Isso está cheirando bem.

– Esse era o plano.

***

– Você está gastando toda sua manhã de folga comigo. – Deveria estar descansando e não lavando as louças de um jantar que não me deixou ajudar a preparar.

– Você é minha convidada. E além disso, não é como se eu tivesse muita coisa pra fazer com minha manhã.

– Ótimo, agora estou me sentindo uma tapa buracos. – Eva sorriu e jogou a almofada do sofá contra Cameron, que revidou lançando-a de volta. A morena fez uma falsa cara de chocada e se preparou pra atacar novamente. – que tipo de anfitriã é você que ataca seus convidados? – A guerra com as almofadas durou alguns minutos e em meio a sorrisos e almofadadas Cameron se perguntava como Eva tinha conseguindo em tão pouco tempo a fazer se sentir tão leve.

– Você se rende? – Eva agora estava sobre Cameron, prendendo-a com o peso do seu corpo.

– Ok, ok eu me rendo.

– Agora repita comigo. Eva é a rainha das guerras de almofadas.

– Certo. Eva é a rainha má das guerras de almofadas.

– Rainha má? – A morena ergueu a sobrancelha.

– É, muito má. – Cameron sorriu e então parou, só agora se dando conta de que o rosto de Eva estava a centímetros do seu. – Eu vou ter permissão pra me mover algum dia, ou vai me manter presa assim por um longo tempo?

– A ideia é tentadora. – Eva mordeu canto do lábio. – mas vou deixar você sair. – Ela disse saindo de cima de Cameron e estendendo a mão para ajuda-la a se levantar.

***

– Cameron, sua festa foi ótima e foi ótimo passar a manhã com você. – Eva estava parada em frente ao seu carro.

– Digo o mesmo. – Cameron sorriu. – foi muito bom ficar com você, me senti melhor do que eu me sentia há meses.

– Fico feliz em ajudar.

Cameron se inclinou para plantar um beijo no rosto de Eva, o canto dos seus lábios tocaram sutilmente o canto dos lábios da morena. As duas se afastaram lentamente, mantendo o olhar fixo uma na outra. – Eva... – Cameron começou, mas Eva a silenciou colocando um dedo sobre os seus lábios.

– Sem palavras. – Eva sussurrou e então extinguiu a distancia entre as duas, puxando a loira para beijá-la. Não foi um beijo voraz, foi um beijo doce, calmo e gentil.

Eva não podia mais negar que Cameron havia mexido com ela desde o primeiro momento que ela a viu. A sensação era diferente, era nova para ela, mas era melhor do que ela podia imaginar.

Cameron sorriu tímida, ela nunca tinha beijado uma garota. E beijar Eva, logo Eva, tinha sido uma surpresa que o destino havia reservado para ela. – Hum... eu não sei o que dizer...

Eva sorriu. – Eu quis te beijar. Você quis me beijar. É simples, não acho que algo precise ser dito.

– Bom, é... é só que eu nunca beijei uma garota.

– Nem eu... hum... é diferente. – Eva disse tocando os próprios lábios com a pinta dos dedos.

– Você não parece assustada.

– Assustada? Acho que não... vai ver é porque eu soube que queria te beijar no segundo que eu te vi entrar naquela sala.

– Você soube é? – Cameron disse com divertimento.

– Soube sim. – Eva sorriu e tocou gentilmente o rosto da loira. – Você tem noção do quanto é linda? E do efeito que causa nas pessoas?

Cameron corou. – Não...

– Pois deveria saber. – Eva tinha o rosto de Cameron entre suas mãos. – você causa um grande efeito. E... eu te beijaria de novo se você permitisse. – Eva a encarou, seu olhos castanhos fixos nos da loira.

Dessa vez foi Cameron quem puxou Eva para beijá-la, suas mãos segurando a morena pela cintura, forçando-a a se encostar contra o carro. Um beijo sem reservas agora, livre e cheio de uma paixão que nenhuma das duas esperava sentir.

– Seja bem vinda, Cameron. — Eva disse ofegante.

Notas finais
Então qual o veredicto de vocês? Gostaram da ideia? Devo continuar? Me digam :)