Notas iniciais
Oi!!! Trago aqui o segundo capítulo!!! E adivinha o que rima com referências de Matrix? Eh, eu não sei também...

Aquela ideia atormentou minha mente, afinal de contas, ela era tão simples e tão cruel. Como distinguir a realidade de um sonho? Realmente existe uma resposta para essa pergunta? Pensar sobre isso apenas trará a loucura para o seu cotidiano. Mas sendo assim, é correto simplesmente evitar e ignorar esse assunto? Seria a ignorância uma benção? Não possuo uma resposta formada para isso.

Eu abri meus olhos respirando pesado e transpirando. Isso se devia ao um sonho que tive. Sonhei que vivia num sonho e ninguém além de mim sabia isso. Era inquietante e doloroso, todos contestavam a minha sanidade. Alguns fingiam acreditar tentando assim me ajudar. Nessa luta para provar meus ideais, eu confrontei a dúvida. Porque havia de fazer aquilo? O que mudaria? Porque tentar mostrar a realidade para aquelas que não querem vê-la?

Mas o pior ainda não era esse. O ápice da dor me alcançou quando eu acordei. Era realmente um sonho. Era doloroso acreditar que eu cheguei a duvidar disso. Era mais doloroso ainda saber que aquelas pessoas não passavam de projeções de minha cabeça atormentada pelas dúvidas:

–Vamos esquecer isso... -Pensei eu me levantando. -É melhor assim...

Olhei para o meu quarto e sentei-me na cama, o despertador iria despertar em minutos e por isso resolvi desliga-lo. As minhas roupas jogados no chão preenchiam o quarto que não tinha nada além de uma mesa, uma cama e um guarda-roupas. Levantei-me novamente e abri o meu guarda-roupas. Peguei o uniforme, me vesti e desci as escadas.

Na cozinha estava meu café da manhã pronto e meu pai sentado na mesa:

–Bom dia, acordou mais cedo hoje. -Disse ele terminando seu café. -É uma pena, eu já tenho que ir. Avise sua mãe para ela não se atrasar!

Ele levantou-se e foi se distanciando. Eu apenas observei a situação e logo em seguida sentei-me na mesa. Não estava com humor para conversar com ninguém. Meu sonho ainda me assombrava. Terminei rapidamente minha refeição matinal e segui para o meu carro. A viagem era entediante como sempre e por isso resolvi explorar a internet através de meu celular. O tempo voou e quando percebi a escola já estava próxima.

Desci do carro e perguntei hesitando:

–Ei, você acha que existe a possibilidade de alguém criar um sonho tão realista quanto a própria realidade?

Não queria ouvir uma resposta que apenas criasse mais medo em mim:

–Não... -Respondeu o automóvel.

Eu suspirei e sorri. No final das contas, tudo aquilo era impossível de acontecer. Estava pronto para continuar o meu dia com o melhor humor possível:

–Isso é impossível para UM humano. -Continuou a máquina colocando ênfase em um.

–Você quer dizer que vários humanos conseguiriam? -Perguntei eu temendo a resposta.

–Uma quantidade maior que cem conseguiria sem nenhuma dificuldade... -Respondeu a voz metálica.

Eu deveria ter ficado quieto. Eu realmente preferia não ter uma resposta para aquelas perguntas. Mas novamente, a curiosidade foi maior e eu abri minha boca novamente:

–E...e...e...todas as pessoas da Terra? -Perguntei eu gaguejando.

–A população mundial seria capaz de criar um sonho mais real que a realidade.

Eu me mantive em silêncio e afastei-me do carro. Já sabia demais e tinha que conviver com isso para o resto de minha vida. Se tudo o que eu imaginei era possível, o que impedia disso estar acontecendo agora? De um momento para o outro, uma mão acertou meu ombro e atrapalhou meus pensamentos:

–Ei, Anderson, porque você está tão quieto? -Perguntou um de meus amigos que caminhava do meu lado. -O Anderson que eu conheço estaria falando sozinho ou fazendo qualquer outra coisa estranha.

Era só o Christian enchendo o meu saco. Sua pele escura e seus olhos castanhos faziam um total contraste com minha pele clara e olhos azuis. Ele vestia o uniforme da escola junto de uma boina cinza. Eu por minha vez, vestia apenas o uniforme da escola:

–Então vai ficar quieto? -Perguntou ele se escorando em mim.

Eu não respondi porque não estava afim de conversar. Ele se distanciou e foi para o lado de outro amigo meu:

–Daniel, o Anderson está normal demais hoje...alguma coisa deve ter acontecido... -Sussurrou ele.

Daniel era um jovem de cabelos loiros, pele clara e olhos verdes que usava uma variação de nosso uniforme que era mais clara. Christian estava à menos de dois metros de distância de mim, ele sabia que eu podia ouvi-lo e estava fazendo isso de propósito:

–Eu sou uma pessoa totalmente normal... -Resmunguei eu.

Daniel colocou a mão no meu ombro e sorriu:

–Não precisa mentir...nós sabemos que não...

–Como assim "não"?

–Cara, na semana passada nós encontramos você na entrada da escola dormindo de pé... -Disse Christian ficando a minha esquerda.

–Eu tinha ido dormir muito tarde na noite anterior...

–Ah, teve aquele dia que você dormiu na escola e quando acordou duas horas depois que as aulas tinham acabado!! -Riu Daniel.

–Maldito faxineiro...se ele não tivesse contado para a escola toda...-Resmunguei.

–Enfim, você é um cara bizarro!

Talvez eu tivesse que concordar. Mas uma coisa nisso tudo era clara, a presença deles me distraiu de meus pensamentos pessimistas. Nós seguimos para a sala e eu precisei compartilhar meus pensamentos com eles. Cutuquei Daniel e esperei sua resposta:

–O que foi?

–Você já pensou que está realidade pode ser um sonho?

Ele virou-se para trás com os olhos regalados e com uma cara de surpresa:

–O que foi? -Perguntei.

Ele voltou-se para a frente novamente e respondeu:

–Não é nada. Mas porque você pensa isso?

–Ainda não sei mas a ideia veio a minha mente e não tem nada que prove o contrário.

–Isso é bobeira sua, cara, você é estranho mas esse é o pensamento mais estranho que você já teve. -Comentou Christian que estava na cadeira a direita.

–Então você estava escutando... -Disse eu me virando para Christian.

–É verdade. -Falou Daniel. -Você não deveria se focar tanto em assuntos sem sentindo, se tem tanto tempo livre assim, porque não estuda para as provas?

Eu sorri:

–Talvez vocês tenham razão...

A noite tomou o lugar do dia e eu alcancei minha casa. Mal havia acabado de comer e eu me preparei para dormir. Não havia dormido bem na noite anterior e essa era a minha chance de recompensar isso. Me deitei na cama e fechei meus olhos, não demorou muito e eu já estava sonhando. Uma hora depois eu abri meus olhos naquela posição de novo. Meu corpo suando, minha respiração estava pesada, meus olhos quase lacrimejavam e meu peito doía.

Eu sabia o que era. Era a dúvida. Era o desejo de descobrir a verdade mesmo que eu me arrependa mais tarde. Era esse tipo de desejo irracional. Eu me levantei da cama, sentei-me perto da mesa, abri o meu livro digital e comecei a absorver todas as informações sobre sonhos. Duas horas mais tarde eu finalmente compreendi as falhas de um sonho:

–Não poder projetar aquilo que não conhecemos, o que significa que é impossível criar algo novo ou desconhecido. -Conclui. -Minha suposições estavam corretas...

Me levantei com pressa e enquanto corria para fora de casa me deparei com um espelho. Olhei o meu reflexo e vi um jovem atormentado e com muito medo. medo de que? Nem mesmo ele sabia. Acabei por perguntar a mim mesmo porque estava fazendo aquilo. Não sabia a resposta:

–Mas talvez indo até o fim disso...eu vá achar uma... -Pensei eu abrindo a porta de casa.

Entrei no meu carro e perguntei:

–Carro, supondo que estamos num sonho, isso explicaria a falta de génios, correto?

–Sim, já que os humanos não conhecem a forma de um génio, seria impossível projetar um. -Respondeu a máquina.

Eu percebi que estava sorrindo:

–Porque estou feliz com isso? Estou feliz porque tenho uma prova de que a realidade é um sonho? -Pensava. -Existe alguma coisa errada comigo...

–O senhor desejaria alguma medicação? -Perguntou o carro. -Minhas checagens confirmaram que o senhor se encontra fora de seu estado normal.

Eu brinquei:

–Existe algum remédio para loucura?

O automóvel pensou por alguns instantes:

–Não, me perdoe mas não existe.

–Entenda o sarcasmo, máquina...

–Desculpe, não possuo tais funções.

–Esquecemos isso. Faça um favor para mim. -Falei enquanto pensava. -Me diga a localização da invenção mais avançada da humanidade?

A Inteligência Artificial pensou por alguns segundos e informou logo em seguida:

–O manipulador de gravidade que ainda está em processo de testes.

–Certo, vamos para lá agora! -Ordenei.

–Sim, mas isso fará com que o senhor perca as aulas de amanhã já que a viagem de ida e volta demorará quatorze horas.

–Não tem problema, vamos logo!

A máquina disparou a correr respeitando os limites de velocidade e eu dormi. Finalmente não fui atormentado por aqueles pesadelos, eu estava me esforçando para descobrir a verdade. E logo eu colocaria um fim nisso. Enquanto aproveitava o meu sono, os avisos do carro me fizeram abrir os olhos:

–Já chegamos, senhor!

Eu desci do carro bocejando e me dirigi para a recepção. O piso, teto e paredes do lugar foram pintados de branco e tudo estava perfeitamente arrumado. Eu me aproximei do balcão e comecei a conversar com a bela recepcionista:

–Com licença, eu sou Anderson Benites, filho de Caio Benites e vim fazer uma rápida inspeção.

A mulher se espantou e não era por menos, meu pai era o diretor das várias empresas que patrocinavam essa instalação e outras. Todos imediatamente começaram a me tratar como senhor e rapidamente me levaram para o manipulador de gravidade. Era uma máquina gigantesca de pelo menos vinte metros de largura. Eu pedi para que fizessem-na funcionar e tudo parecia estar certo.

Obviamente eu não havia vindo fazer só isso. Essa máquina é provavelmente a invenção mais avançada e recente da humanidade, o que significa que o seu interior pode estar vazio. Se pensarmos que nenhum humano conhece o interior dessa máquina, então ela estará vazia.

Eu me aproximei de uma pequena abertura e comecei a abri-la ainda mais:

–Por favor, não faça isso! -Gritou o meu guia.

–Essa reação...talvez ele saiba e não quer me deixar ver... -Pensei. -Mas e se realmente estiver vazio? O que eu farei? Não tenho tempo para pensar nisso...

Abri a abertura de uma vez e me deparei com vários fios, peças de metais e outros. Tudo extremamente arrumado e conectado:

–Não faça isso senão o senhor pode se machucar! -Continuou o guia. -O sistema interno da maquina ainda não está perfeito e podem haver falhar elétricas! Imagine o que aconteceria se você fosse atingido por uma dessas falhas?

Eu não sabia o que sentir, felicidade por minhas suspeitas estarem erradas? Ou tristeza? Eu simplesmente voltei para meu carro cabisbaixo enquanto via o sol nascer. Sete horas mais tarde, eu cheguei a casa e desperdicei o resto de meu dia fazendo coisas inúteis. A noite chegou novamente e eu fui para meu quarto dormir melancolicamente. Mas novamente, os pesadelos voltaram. E eles não iriam me largar tão cedo...

Notas finais
Eu não imaginava que os leitores fossem pegar as minhas referências a Matrix, mas já que pegaram, porque não colocar mais?