Doce Loucura

12 Um Beijo Cego de Reconciliação


Notas iniciais
Como vão, pessoal? Será que ainda tem alguém aí? Me desculpem, sério mesmo. Demorei DEMAIS para postar este capítulo (três meses?? Como o tempo voa!) Muito obrigada pelos reviews, fiquei muito contente lendo, e por causa deles que continuei escrevendo. Victoria e Jessi nee, se vocês não dessem um puxão de orelha nessa escritora preguiçosa aqui, o negócio demoraria mais ainda. kkkkkkkkkkkkkk
Bem, espero que gostem do capítulo. Tive que reler a fic para escrever, já que fazia tanto tempo que eu não postava. Se encontrarem erros é só falar. :)

Acordei com uma dor nas costas tão grande que cheguei até a me perguntar se Epona tinha me pisoteado enquanto eu dormia. Olhei para a cama em que Zelda tinha dormido e... NADA. VAZIA.

Então a loira tinha sumido da minha vista de novo. Ela quer me deixar louco? Talvez ela ache que eu vivo só em razão dela? Quando dei por mim, já tinha saído do quarto para procurá-la. Certo. Acho que estou mesmo me tornando o cãozinho de guarda oficial da Zelda.

Sem saber por onde começar a procurar, decidi chamar Epona com a ocarina, já que ela seria de grande ajuda para procurar a princesa.

–Zelda... Ela está muito estranha...- Navi disse, quando minha égua apareceu, diminuindo a velocidade até parar em nossa frente.

–Você insiste em dizer isso Navi, só pra me irritar. Você sabe o motivo dela estar assim, não sabe? A culpa é toda minha!

–Não. Meus sentidos de fada dizem que tem algo mais.

Suspirei. Não conseguia pensar direito só de imaginar que a princesa podia estar correndo perigo.

–Você podia usar seus ‘‘sentidos de fada’’ para algo útil, como achar a Zelda.

–Puxa, mas você acordou com o pé esquerdo hoje, Link.

–Me desculpe, Navi... A preocupação e a má noite de sono me deixaram assim.- Passei a mão sobre o rosto. Tinha que me acalmar.

–Hehe. Tudo bem, Link. Dizem que o amor deixa as pessoas meio irritadas às vezes...

Navi sentou em meu ombro e eu fiz força para não corar nem para cuspir algum insulto desnecessário.

Montei em Epona e começamos a cavalgar sem rumo. Após algum tempo, comecei a me sentir um idiota, como se estivesse procurando uma agulha em um palheiro. Quando minha esperança de achar a sombra de Zelda, que fosse, estava desaparecendo, Navi gritou:

–Hey, Link! Olhe!

Acho que foi a primeira vez na minha vida que fiquei feliz por ter ouvido esta frase.

Olhei para onde Navi apontava, e lá estava o rio que vem do Zora’s Domains. Não vi nada de mais, então pisei em terra firme para me aproximar.

–O que foi, Navi? Não estou vendo nada! Pensei que você tinha achado ela.

–Os olhos dos hylians são tão fracos. Está vendo a árvore na margem do rio?

–Sim, mas e da..- Me calei. Agora eu entendi o que ela queria dizer. Zelda estava tomando banho no rio, devia ter ido lá se limpar após aquela noite conturbada. É claro que ela tinha escolhido um lugar bem escondido, por isso, se não fosse por Navi, nunca teria a encontrado.

De qualquer modo, o alívio em saber que ela estava bem foi tão grande que não pude conter minhas pernas: quando me dei conta, já estava correndo em direção a ela. Zelda estava virada de costas para mim, e eu só conseguia ver seu cabelo loiro e molhado escorrendo delicadamente por suas costas esbranquiçadas.

–Link... Você não acha que ela vai brigar se você vê-la sem roupa?

–O que?- Meu pé chutou alguma coisa, provavelmente uma pedra, e eu caí exatamente na margem do rio, fazendo um estrondo forte. Zelda virou-se exatamente a tempo de me ver gemer.

–LINK! –A loira cobriu os seios rapidamente e se afundou na água, deixando apenas o rosto de fora.- Seu pervertido, o que faz aqui?!

–Eu avisei.- Navi resmungou.

–Aiaiai..- Me sentei, passando a mão no tornozelo, que parecia estar torcido.- Que tipo de pergunta é essa? Eu estava te procurando, é claro. Fiquei preocupado. Nunca te disseram que quando se dorme com uma pessoa, o mínimo a se fazer é esperá-la acordar no outro dia?

Zelda ficou com o rosto rosado e olhou para baixo.

–Calma, só estou brincando. – Eu tentei dar um sorriso, mas apesar de tudo, era fácil sentir o clima tenso no ar. Uma hora ou outra, teríamos de conversar sobre o que tinha acontecido ontem. Sem falar que estar conversando com uma Zelda totalmente nua não ajudava em nada. Eu tinha que me conter para não tentar olhar para seu corpo, já a água era um pouco transparente.

–Link, pare de me olhar assim... Será que você pode pegar minhas roupas para mim? Estão ali pertinho. – Então ela percebeu. Que merda de instintos!

–Acho que eu torci meu tornozelo, Zelda. Eu ia precisar de uma ajudinha para levantar.

–... E agora? Se eu sair assim...

–Não parece nem um pouco com a mesma de ontem. – As palavras saíram de meus lábios sem que eu pudesse contê-las.

Zelda afundou totalmente na água, como se quisesse sumir. Porém, o ar não é eterno. Ela tirou o rosto da água, respirou fundo, e depois me olhou determinada.

–Nós vamos ter que conversar sobre isso, não?

–Sim. Mas não precisa ficar tão tensa.

–Como não, Link... Tudo o que eu fiz foi tão ridículo... – Ela afundou o rosto nas mãos, e parecia querer chorar.

–Calma, princesa, não é pra tan..

–CLARO QUE É! E você ainda me chama de princesa, depois de tudo o que eu fiz?- A loira começou a chorar, e as lágrimas dela se misturavam com o rio. – Me arrependo tanto... Te fiz passar por tanta coisa, até vomitei em você... Como você vai atrás de uma pessoa com sentimentos tão confusos?

–Zelda... Você me ajudou quando eu tinha duas personalidades, e agora quer que eu te condene por ter sentimentos confusos? Além disso, o que eu fiz com você aquele dia foi muito repentino. Me desculpe.

–Não se desculpe, Link... Eu faço tanta coisa errada e você pede desculpas?

Nos entreolhamos. Ambos com os corações carregados de mágoas, ansiando o perdão um do outro. Para que prolongar essa dor?

–Então, está tudo certo entre nós agora? Que tal recomeçarmos? Desta vez, tentaremos não repetir os mesmos erros.

–Link... Você é o hylian mais maravilhoso de toda Hyrule!

Ela parecia ter sentido o impulso de me abraçar, mas se conteve a tempo. E então ficamos parados, pensando no que fazer.

–Eu fecho os olhos enquanto você pega sua roupa. Pode ir, prometo não espiar. Muito.

–Engraçadinho. Pode ser.

Fechei os olhos, e ouvi o barulho da água quando Zelda se levantou, e o barulho da grama conforme ela andava em minha direção. Minha pele se arrepiou, como se eu a sentisse bem perto. Mas para pegar a roupa ela nem precisava se aproximar de mim. Estranho.

Então, senti lábios molhados contra os meus, levando outra onda fenomenal de arrepios por meu corpo. O contato cessou por um segundo.

–Não abra os olhos ainda, por favor.

A pressão sobre meus lábios voltou, e eu a aprofundei, como se estivesse com sede de Zelda por um bom tempo. Segurei seu cabelo molhado, sentindo que as gotas de água que caíam dele pingavam sobre minha calça. Estar com os olhos fechados apenas aumentava a sensibilidade do meu corpo, e a tentação de abri-los deixava meu sangue fervendo.

Para minha tristeza, Zelda desvencilhou-se de mim antes que as coisas ficassem mais sérias.

–Alguém já te disse que você é muito má? Provavelmente é sádica.

A risada da princesa agraciou meus ouvidos, como uma canção que há muito tempo eu não ouvia.

–Pronto, pode abrir os olhos.

Quando a luz tocou minha visão novamente, Zelda já estava vestida. Para minha surpresa, ela tinha recolocado a roupa que eu dei para ela.

–Você gostou mesmo do presente?

–Claro que sim. Pode não parecer, mas aqueles vestidos não são lá a definição de confortável. Essas roupas são maravilhosas, principalmente porque você deu.

Sorri, sem jeito. Ela podia ser muito fofa quando queria.

–Sei que é meio chato lembrar... Mas será que você podia me ajudar a levantar?

–Claro. É bom trocarmos de papel de vez em quando.

Me apoiei, passando o braço em torno dos ombros da princesa, e fui mancando até a Epona. Subi com muito esforço, e Zelda com destreza: ela já tinha mesmo pegado a prática.

Deixei Epona ir bem devagar, afinal, não tínhamos pressa.

–Agora eu me lembrei de uma coisa. Princesa... Você já quer voltar pra casa?

Não podia ver o rosto dela, mas o silêncio me deu uma sensação estranha.

–Todo esse tempo em que eu estive com você, experimentei coisas novas e incríveis... Foi a primeira vez na minha vida que eu senti a liberdade.- Ela apertou o abraço que dava em minha cintura. – Meu pai deve estar uma fera. Acho que já está na hora de voltar à minha antiga vida.

Apenas os cascos de Epona contra o chão faziam barulho. O dia, que começou tão ensolarado, agora estava ficando nublado.

–Eu não sei o que fazer.

–O que disse, Link?

Eu realmente tenho que parar de pensar tão alto.

–Não sei mais se posso viver sem você.- Falei baixo, mas tenho certeza que ela ouviu.

–Link, talvez haja uma maneira... Mas não sei se você vai querer.

–O que eu tenho que fazer?

–Talvez, se você convencer meu pai...

Senti meu rosto esquentar.

–Você está falando... Em casamento?

–B-beem, n-n-não é como se eu estivesse te pedindo em casamento... O-os homens que f-fazem isso, c-certo? Além disso, é muito cedo ainda... Não acha?

–Eu não entendo muito dessas coisas...- Meu coração batia rápido.

–Antes de pensar nisso, ainda temos que sobreviver ao meu pai. Ele vai querer nos matar.

–Isso é verdade. Pelo visto vamos ter um dia cheio, minha pequena princesa rebelde.

Zelda encostou a cabeça nas minhas costas para descansar um pouco, e eu senti que meu coração podia ter um pouco de paz (mesmo que fosse temporária). Era tão bom tê-la comigo novamente, tão perto. Esta mulher me deixa louco. Me deixa feliz, me deixa irritado, e, acima de tudo, cego de paixão. Até onde eu não vou por ela? Mal sabia eu que, em algumas horas, tudo aquilo mudaria. Junto com as nuvens negras que se aglomeravam no céu, uma força obscura também se levantava das trevas, pronta para arruinar e destruir tudo o que eu lutava para proteger.

Notas finais
Link: Eu sabia que estava tudo muito bom. Bom demais para ser verdade.
Zelda: Acho que não seria tão bom se fosse muito fácil...
D. Link: Acho que você tinha razão, Link. A loirinha tem mesmo um jeito de sádica.
Zelda: Eu não sou nada disso! Hei, Navi.
Navi: O que foi?
Zelda: *cochichando* O que é sádico?
Navi: Ai meu Deus...
D. Link: O Link é mesmo um inútil. Ele não te ensina nada de interessante. Mas se você quiser, princesa *pega o queixo dela com força* eu te ensino tudo, beem devagar.
*Zelda dá um chute bem no meio das pernas de D. Link, que cai no chão*
Zelda: Eu prefiro que outra pessoa me ensine.
D. Link: Bisca..te. Por que ninguém me quer?
Link: Eu vi mesmo que você levou um fora da Impa esses dias. E da Malon. E daquela tiazinha gorda dos cachorros que fica na cidade. E daquela bruxa que vende poções. E..
D. Link: CHEGA! Vão embora! Gente apaixonada me dá alergia.
Autora: Calma, pessoal. Bem, obrigada por lerem, qualquer coisa, podem falar o que quiserem nos comentários, xinguem a vontade, podem falar o que está ruim sem dó, que eu vou tentar melhorar. Beijos, e mais uma vez, me desculpem a demora!