Doce Loucura
4 A Promessa e o Início da Viagem
Notas iniciais
POV Link
Senti o calor dos raios de sol que se lançavam através da cortina semiaberta. Levantei-me com um pulo e me arrependi logo que o fiz, pois recebi uma pontada forte na cabeça. Arquejei enquanto me ajoelhava no chão. Logo que me recuperei, peguei Navi e pulei a janela. Já estava mais tarde do que eu pretendia ter acordado. Rezava mentalmente para que a princesa não estivesse brava. Se bem que não me incomodaria muito em ver aquela ruguinha sexy que aparece entre suas sobrancelhas sempre que ela faz uma careta... Queria vê-la fazer novas expressões. Raramente a vejo sorrindo... Desde quando venho tendo esse tipo de pensamentos com Zelda? Preste atenção para onde está indo,Link.
Parei em frente à árvore que escondia o laboratório secreto de Zelda. Quando eu ia bater no tronco, a porta secreta se abriu e a princesa apareceu em minha frente.
–Bem na hora? – Ela me lançou um sorriso que fez meu corpo tremer todo pro dentro. Seu cabelo agora estava adornado com uma trança fina, que passava por sua cabeça, por cima do resto dos fios, como se fosse uma coroa. Ela estava linda como sempre, mas havia algo... Parecia revigorada. Seus olhos azuis faiscavam como duas esferas de energia e me deixavam sem fôlego. Aquelas bochechas coradas... Queria tocá-las, mesmo que de leve. Sentir a ponta dos meus dedos deslizando sobre aquela superfície macia e quente...
–O que está fazendo?
Quando dei por mim, já havia esticado o braço e estava quase tocando o rosto daquela mulher fascinante. Fiquei constrangido e recolhi minha mão, colocando-a ao lado do meu corpo. Corei um pouco, sem jeito.
–Você está meio estranho, Link. OH!- Ela colocou a mão sobre a boca, em um sinal exagerado de surpresa, e apontou para Navi, que estava sobre minha cabeça. – Acho que já está na hora de desenfaixá-la. Posso?
Afirmei com a cabeça e dei Navi para ela, que só me disse um ‘’Já volto’’ antes de desaparecer pela passagem secreta novamente. Essa Zelda... Está despertando sentimentos estranhos em mim. Vou ter que aprender a controlá-los, se não quiser que ela se afaste, achando que sou louco.
POV Zelda
Entrei rapidamente no laboratório, fechando a porta atrás de mim para impedir que Link entrasse. Precisava ter uma conversa particular com Navi antes de partirmos. Coloquei-a sobre a cama que fica no centro do laboratório, peguei uma tesourinha e comecei a cortar as faixas, lentamente. Apesar de tudo, Navi não parava de tremer durante o processo. Quando terminei, tive que segurá-la antes que fugisse. E como se não bastasse, ela começou a gritar:
–Link! Liiiin..
Tampei sua boca usando meu dedo, com muito cuidado para não machucá-la, já que ela era pequena e frágil.
–Hey, hey. Calma, Navi. Não vou fazer nada com você. Me... Me desculpe, sério mesmo. Acalme-se, por favor.
Quando senti que ela tinha parado de fazer força para se soltar, tirei o dedo de sua boca e esperei, até que ela decidiu se pronunciar.
–Você...Quase me matou ontem!-Falou com sua voz fina.- Não tem vergonha do que fez, pondo em risco a vida de uma fada indefesa? Sei que você é a princesa e coisa e tal, mas não pode simplesmente fazer algo do tipo comigo!
Eu sei...- Suspirei. – Não pensei direito, me desculpe Navi. Prometo não te machucar mais. Só que quando você estava prestes a contar para o Link que eu tinha... Eu tinha o b... O be-e-e-..
–Que tinha o beijado. – Ela completou, solene.
–É.. Isso mesmo. –Não pude evitar corar um pouco. — Quando quase contou isso para ele, não pude evitar fazer o que fiz. Fiquei desesperada. Ele não pode saber o que aconteceu, de maneira alguma.
–E por quê? – Falou, entortando a cabeça levemente.
–Bem... Isso é complicado. Eu só... Seria estranho se... Ele provavelmente... AARGH!-Coloquei a mão em meu próprio rosto, em um misto de fúria e confusão. Não sabia por onde continuar. – Navi... Sei que é um pouco demais te pedir isso depois de tudo que eu fiz, mas, por favor, eu te imploro... Não conte nada pra ele.
–Há! Te peguei, Zelda. — Ela riu, o que foi meio bizarro.- Não precisa ficar assim. Estava só te testando. É como eu achava, você realmente gosta dele.
–Eu?!?! Eu não... – Mas ela me interrompeu.
–GOSTA! Gosta sim, princesa. Sou uma fada, posso dizer uma coisa ou outra sobre as pessoas. Não contarei nada à ele. Mas que fique bem claro, o Link não é tão besta... Alguma hora ele irá perceber isso.
–Isso é mesmo verdade, Navi.. Mas prefiro adiar o tanto quanto eu puder. Então, por favor, jure que ele não saberá, pelo menos não através de sua boca.
–Eu juro.
Ela apertou meu dedo com aquelas mãozinhas minúsculas, movendo-o para cima e para baixo, a fim de selar o acordo. Então, deu um sorriso de lado.
–Mesmo assim... Não vejo por que seria ruim que ele percebesse o que você fez. Já que você gosta dele, seria um perfeito primeiro passo para o romance entre os dois florescer.
–Que romance, Navi? Ele não me ama... Seria um perfeito primeiro passo para acabar com tudo que existe entre nós. Não sei qual a relação entre eu e o Link, mas caso ele percebesse que eu gosto dele, iria se afastar. Companheirismo, amizade, seja lá o que for. Tudo seria esmagado por conta de uma pequena fagulha de esperança.
–Mas você não percebe como ele olha para você?
–Eu... Não sei. Fico tão perdida que não sei para onde olhar quando estou com ele.
–Aiai... Mas é difícil, eim.- Ela balançou a cabeça para os lados, em sinal de indignação. O que Navi queria dizer com ‘’Como ele olha para você?’’
Em seguida, ela levantou as asas, tentando esticá-las um pouco. Logo, ela conseguiu levitar sobre a palma da minha mão, e após mais algum tempo, já voava bem como antes.
–Novinha em folha? – Perguntei.
–Novinha em folha! – Ela sorriu. Mesmo com aquele começo horrível, parece que arrumei uma nova amiga.
Voltamos para a superfície e encontramos Link ao lado de Epona, acariciando-a.
Ele nos lançou um olhar irritado e bateu o pé repetidamente no chão, fingindo estar bravo por causa da demora. Suas mãos na cintura enfatizavam perfeitamente tudo aquilo, de modo que não pude deixar de sorrir.
POV Link
Eu podia ver Zelda sorrir o dia inteiro, e nunca me cansaria. Ainda não consigo acreditar o quanto fui burro mais cedo, quase tocando seu rosto do nada. Tomara que ela não me ache um idiota sem-noção. Navi voou em minha direção, e agora estava livre de todas aquelas faixas. Ela se escondeu em minha roupa e eu subi em Epona. Estiquei minha mão em direção à princesa, para ajudá-la a subir, mas a insegurança tremeluziu em seu rosto.
–Bem... Não sei se eu já te disse... Não me dou muito bem com cavalos e coisas do tipo.
Revirei os olhos. Então agora ela ia dar uma de princesa mimada? Saí de cima de Epona e pisei em terra firme. Não tínhamos tanto tempo. Pra dizer a verdade, eu não tinha muito tempo, literalmente.
Passei meus braços por sua cintura fina e a ergui no ar. Depois de tudo que eu já fiz nessa vida, ela parecia mais leve que uma pena e delicada como um copo de vidro. Acomodei-a em meus braços e apreciei aquele momento, torcendo para que ela não percebesse quão feliz eu estava. Aquilo parecia ser algum tipo de sonho estranho e pessoal. Ela tão próxima de meu corpo. Sentia seu calor pela roupa. Arrisquei olhar em seus olhos, para ver como ela estava, e neles consegui encontrar surpresa e talvez mais alguma coisa... Não sei.
POV Zelda
Wow... Aquilo sim, foi inesperado. Sentir os braços fortes de Link ao meu redor, me erguendo, tirando-me da terra. Ele me tirava da Terra antes, mas agora, no sentido literal da palavra. Depois, ainda me aninhou junto ao seu peitoral. Podia sentir o calor emanando dele. Queria passar meus braços envolta de seu pescoço, ficar mais próxima dele. Mas seria loucura. Estava perdida em pensamentos como esse, quando ele me colocou sobre Epona.
Depois, foi a vez dele de subir. E fez isso com tanta habilidade que até me deixou com vergonha por tê-lo feito me carregar até aqui. (Mesmo que eu não me arrependa nem um pouco disso.)
Senti como se, a qualquer movimento de Epona, eu fosse cair e me esmagar contra o chão. Não gostava muito de andar de cavalo. Eu devia até estar branca, porque após examinar meu rosto, Link deu um sorriso, tentando me tranquilizar, e pegou minhas mãos com muito cuidado. É difícil explicar como qualquer movimento dele abala meu corpo. Senti o calor de suas mãos nas minhas se espalhar e acelerar meu coração. Depois, ainda fez com que eu enlaçasse sua cintura com os braços, e apertou minhas mãos com um pouco mais de força, como se dissesse: ‘’Segure firme!’’
Ok.Ok. Agora meu corpo está colado com o dele. Meus seios estão apertados contra suas costas, meus braços ao seu redor e meu rosto quase na curva de seu pescoço. Perguntei-me se eu poderia entrar em combustão instantânea a qualquer segundo.
Não demorou para que ele esporeasse Epona. Não pude conter um grito quando ela disparou pelos campos verdes, e aumentou a velocidade, por mais que eu achasse que era impossível. Link nem pareceu se importar em conter uma risada estrondosa, que mexeu seu corpo inteiro, e consequentemente, o meu. Ele parecia feliz com sua adrenalina alta, eu, por outro lado, só estava viva porque o calor de seu corpo me lembrava disso. Nem parecia que há um dia eu estava longe dele, cuidando das minhas flores. Esse parecia um evento de anos e anos atrás. E olha que é só o início. Só o início de nossa jornada.
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