Doce Loucura

5 Mel, Flores e Sangue Fresco


Notas iniciais
Demorei um pouco, mas tentei caprichar neste capítulo. Eu sei que estou escrevendo esta fanfic mais só pra mim mesmo, mas é que eu achei a seção de fics de Legend of Zelda tão pequena... Com um enredo e personagens tão bons, não sei porque a seção é tão inexplorada. AH, sim. Queria agradecer à DarkPeach pelo apoio, alguém lê minha fic! *--* s2

POV Zelda

Continuávamos trotando pelos campos sobre Epona, e a cada segundo eu ficava mais curiosa, pensando em para onde será que estávamos indo. Mas não é como se o Link fosse falar, não é mesmo? A viagem já devia ter durado umas duas horas e, apesar de não me cansar de sentir o cheiro delicioso de meu cavaleiro, que estava bem próximo de mim, meu estômago falou mais alto. Roncou mais alto, para ser bem clara.

Link parou Epona e me ajudou a descer, amavelmente. Com toda certeza, ele havia ouvido o pedido de minha barriga. Sentamos em um tronco de árvore que estava caído debaixo de uma sombra ali perto e ele vasculhou a bolsa de couro cheia de mantimentos que tínhamos trazido. Por fim, conseguiu achar um pedaço de pão e um pote de mel, que eu coloquei na bolsa com pressa antes de partirmos. Ele usou sua própria espada para cortar o pão e passar o mel (Será que aquilo não está sujo de sangue e gosma de monstros? Será que ele limpa aquela espada? Só posso rezar para que a resposta seja sim.) e depois olhou para mim, com um sorriso de criança e olhos brincalhões. O que ele pretendia?

–O que foi?- Perguntei, e Link se aproximou se mim, segurando o pão com mel perto de minha boca.- Você vai me dar de comer desse jeito?- Comecei a corar.

Link apenas aumentou ainda mais aquele sorriso e chegou a rir de leve. Como eu posso negar isso a alguém com um brilho de expectativa tão nítido nos olhos? Sem falar que eu também queria muito que ele fizesse isso. Mas Link estava me tratando como uma criança. Ou seria... Como uma princesa indefesa?

–Sabe... Pensei que você não gostasse dessas enjoeiras. Não precisa fazer isso. Não tenho certeza do que pensa sobre mim, mas consigo comer muito bem com minhas próprias mãos.

Me senti um tanto culpada. Eu soei mais rude do que esperava. Agora ele iria me achar mais chata ainda.

Porém, quando vi, seus dedos estavam em minha bochecha, a não ser o dedão, que acariciava gentilmente meus lábios. Senti um arrepio percorrer até a base da minha coluna. Uau. Seus olhos eram compreensivos e ainda podia ver a sombra do sorriso brincalhão em seu rosto. Pelo visto ele não levou o que eu disse por mal.

POV Link

‘‘Consigo comer muito bem com minhas próprias mãos’’? Quem diria, princesa. A cada segundo, sinto que você merece mais meu respeito. A cada segundo, sinto que meu amor por você aumenta. Espera um pouco... Então... Eu a amo? Desde quando eu admiti isso pra mim mesmo? Esquece. Eu amo Zelda desde o dia em que a conheci, quando ainda era um garoto, e no fundo, sempre soube disso. E agora, estava tão perto dela. E não quero que nunca seja diferente.

–Hmm. Tudo bem. – Ela murmurou, com uma expressão divertida no rosto rosado- Vou aceitar que você faça um capricho meu hoje. Mas não é bom que você me acostume a ser tão mimada, ok?

E ela mordeu o pão e comeu até não sobrar nada, isso tudo nas minhas mãos. Zelda, Zelda. Você pode não perceber, mas esse definitivamente não foi um capricho seu. Foi muito divertido dar comida para você assim, divertido de um modo estranho, mas divertido. Lambi um pouco do mel que escorria por meus dedos e Zelda estremeceu levemente. Será que ela.. Não. Ela não poderia estar gostando do que eu fazia, poderia? Só para confirmar, chupei meu dedão e ela suspirou. Esta princesa ainda me mata com essas reações inesperadas e fofas. Queria me divertir mais. Passei a língua por todos os dedos e depois, entre eles, fazendo o incrível favor de demorar bastante e lamber os lábios após certo tempo, até que a princesa se pronunciou.

–Link, não é mais fácil lavar essas mãos com água?! Acho que tem um rio aqui perto.

Vi que ela estava vermelha que nem minha túnica Goron e decidi parar de atormentá-la. Então ela sentia alguma coisa por mim? Não pude deixar de dar mortais de costas mentais ao pensar nisso.

Levantei-me e olhei para o céu. Não devia ser nem meio dia ainda.

–Já estamos chegando?

Afirmei com a cabeça. A verdade é que já estávamos praticamente no lugar. Eu conseguia ver um bando de dúvidas fervilhando na cabeça da princesa, o que era bem normal, já que ela não sabia para onde estávamos indo nem quem iríamos ver. Seria até interessante ver a reação de Zelda quando ela conhecesse a pessoa, se ela já não conhecia.

Amarrei minha égua em uma árvore ali perto, tomando o cuidado de deixá-la escondida para não ser roubada e com água e comida à disposição. Puxei Zelda pela mão e andamos um pouco, entrando mais profundamente na floresta escura que se estendia à nossa frente. Em pouco tempo, vimos uma luz forte e chegamos a uma campina cheia de dentes de leão.

–Que coisa... Maravilhosa! Como isso é lindo! – Os olhos da princesa brilhavam.- Nunca tinha visto este tipo de flor. Não tem nada parecido no castelo.

Eu não devia ficar tão surpreso, devia? Eu já sabia que ela não saía muito do castelo. Mas não saber o que é um dente de leão? Isso é novidade para mim. Isso me faz ter vontade de mostrar o mundo para Zelda, toda sua grandeza e beleza. Ver que ela fica feliz descobrindo coisas simples, como uma criança, me deixa muito contente.

Quando dei por mim, a loira já estava na beira do campo de dentes de leão, analisando-os de perto, como se fossem algo de outro mundo. Uma ideia rápida passou por meu cérebro, e não consegui ignorá-la. Com um empurrão leve de minha parte, a princesa já tinha tombado graciosamente para frente e levantado uma enorme nuvem amarela com sua queda macia.

–Link!- Ela resmungou enquanto se levantava, mas parou de reclamar para poder observar como os dentes de leão planavam ao seu redor.- Que lindo...

Me juntei a ela, achando que já tinha esquecido do que eu fiz, mas recebi um soco no braço em troca.

–Ai!- Ela mesma gritou. – Você é muito musculoso.- E então corou um pouco.

Ri do que ela falou e comecei a andar no meio daquela planta fofa (e Zelda a correr e pular, animada). Não aguentei e me juntei a brincadeira, rolando no meio dos dentes de leão e vendo aquelas milhões de coisinhas flutuarem, mesmo que minha atenção se voltasse mais para a princesa do que para isso. Depois que destruímos a plantação inteira rolando, vi que estávamos deitados do lado um do outro. Virei minha cabeça para fitar seu rosto e sua expressão mudou de feliz para preocupada.

–Não temos tempo para ficarmos brincando. Eu só estou te atrasando.

Neguei com a cabeça, mas ela pareceu nem ligar.

–Melhor continuarmos. Estou me controlando para não perguntar toda hora para onde estamos indo, mas você está tornando as coisas difíceis.

Tudo bem, estamos bem perto, pensei.

POV Zelda

Caminhamos só um pouco até chegar a uma caverna, cujo interior era menos sombrio do que eu pensei que seria. Mesmo assim, conseguia ouvir pingos de água que caiam do teto da caverna e havia um leve cheiro de mofo. Logo, avistamos um vulto estranho a nossa frente. Quando chegamos mais perto, pude identificar a forma de uma caveira usando roupas de batalha, não sei o nome daquilo, mas Link devia conhecer bem. Ele me colocou para trás, de forma protetora, e desembainhou a espada. Link deu um golpe certeiro na cabeça, que saiu do corpo e caiu no chão. Isso não impediu o esqueleto de continuar lutando. Ele desferiu uma machadada que fez um corte com certa profundidade na barriga de Link, que colocou a mão na ferida e viu que estava sangrando. Ele não se abateu e voltou para a luta. Não foram necessários mais de 3 golpes para que o estranho guerreiro esqueleto de desfizesse em uma nuvem verde. Depois disso,Link olhou para mim, perguntando se eu estava bem apenas com os olhos.

–Estou bem, só um pouco...- Minha voz tremia, assim como eu.- Ah, não importa. Você é bom mesmo para lutar, mas parece pálido. Aquele corte de antes. Está se sentindo bem?

Ele fez que sim com a cabeça, mas eu sabia que era mentira. O ferimento devia ser pior do que eu pensei.

–Estamos chegando?

Ele apontou para frente, e eu não consegui ver nada além da distância, pois estava bem escuro. Tentei servir de apoio para ajudá-lo a andar, mas me senti bem inútil, já que eu não consigo suportar peso algum. Continuamos a seguir em frente e conseguimos ouvir uma música, que ia ficando mais e mais alta. Era melhor irmos rápido, pois assim como a melodia, o peso de Link aumentava a cada passo e eu não conseguia pensar na possibilidade dele desmaiar novamente.

Chegamos ao que parecia o fim da caverna, e eu gritei:

–Alguém está aí? Por favor, responda!

Imediatamente, a melodia parou de tocar e uma menina com cabelos e roupas verdes surgiu, saindo de trás de algumas pedras. Ela devia ter uns treze anos e tinha um rosto gentil.

–L..Link??- Ela pronunciou.

–Oh, é ele sim! Será que você poderia ajudá-lo? Um bicho estranho que parecia um esqueleto doido fez uma ferida gigante na barriga dele. Por favor!

–Pode se acalmar, vou fazer tudo o que posso.

Ela nos guiou até uma pedra mais plana e iluminada, onde deitou Link.

–Ele já desmaiou.-Ela falou, tirando a blusa dele. Depois, olhou para minha cara de pânico e emendou- Mas não precisa ficar assim! Ele não vai morrer. Um Stalfo nunca mataria o herói do tempo.

–Stalfo? É o nome daquele bicho?

–É sim. Hmm.. Vamos precisar de algumas ervas medicinais aqui.

Acompanhei o olhar da menina que eu tinha acabado de conhecer e me deparei com a barriga toda ensanguentada de um Link desmaiado. A ferida não era grande externamente, mas como veio de um machado, devia ser profunda. Tentei controlar meu horror de sangue, pois duas pessoas desmaiadas iam ser demais.

–O que eu posso fazer, menina verde?

–Pode me chamar de Saria. Você podia limpar o ferimento enquanto eu vou procurar algumas plantas para fazer uma compressa? Prometo que volto em dois minutinhos, princesa.

Ela me lançou um pano e um pote com água vindos de só Deus sabe onde e desapareceu. Como ela sabe quem eu sou? Tanto faz, o importante agora é limpar o machucado do Link.

Mergulhei o pano na água e quando coloquei-o gentilmente sobre a barriga dele, vi que um tremor percorreu seu corpo, provavelmente por conta da temperatura da água, super gelada. Me dava muita dó, mas precisava fazer aquilo. Limpei ao redor do ferimento, mas agora eu ia ter que limpar ele mesmo. Encostei o pano de leve no local e um tremor violento tomou conta de Link.

–Me desculpe!- Gritei, debruçando-me sobre ele. Ok, agora eu estava me sentindo idiota, conversando com um cara desmaiado. Era o que eu pensava, até sentir uma mão gentil alisando minha cabeça.

–Você está acordado há quanto tempo?

Link limitou-se a continuar passando a mão por meu cabelo enquanto respirava pesadamente, com os olhos apertados. Senti que sua mão tremia. Então, Saria chegou.

–Vejo que acordou. Talvez tivesse sido melhor se continuasse desmaiado durante o processo… Sinto muito. E a ferida, princesa?

–Limpei do jeito que pude, não sei se ficou bom.

–Está perfeita. Me ajude aqui agora.

–Sim, o que eu faço?

– Tente segurar a pele um pouco mais junta enquanto eu costuro.

–C..c.c.c..c..costura??? – Senti uma tontura forte, mas me mantive em pé.

–Sim! Se você quiser manter Link vivo, é claro.

Engoli a saliva e fiz o que me foi pedido. A cada ponto que ela dava, sentia que eu iria cair para o chão, tanto pela imagem a minha frente quanto pelos gemidos aguniados de Link. Depois de um tempo que pareceu uma eternidade, aquilo acabou e ela fez um curativo com ervas medicinais sobre aquela mini-cirurgia.

–Ufa! É só isso. Você ficou até branca, Zelda.

–Não estou muito acostumada com essas coisas... Como você sabe meu nome?

–Todo mundo sabe, você é a princesa de Hyrule.

Mesmo assim... Nunca pensei desse jeito. Sempre achei que ninguém ligasse para mim, já que sou tão fraca.

–Mas então, o que traz vocês aqui?

–O Link vem tendo uns problemas estranhos. Acho que a alma dele está em desequilíbrio, algo assim, mas não posso dizer com precisão, já que não sou profissional nisso. Ele perde a consciência do nada e coisas assim. Será que você conseguiria fazer isso parar de acontecer?

–Acho... Acho que sim, se eu investigar um pouco. Ele só desmaia ou os desmaios são acompanhados por algum sintoma físico?

–O nariz dele também sangra às vezes.

–Então não deve ser algo tão simples... Quando ele se recuperar um pouco, vamos fazer alguns rituais e descobrir tudo.

–Você mexe com espíritos?- Perguntei, surpresa.

–Hahaha! Sei que não parece, mas eu sou uma sábia. Sei algumas coisas sobre espíritos.

Uma sábia? Eu subestimei mesmo ela, só porque parecia muito jovem.

–Muito obrigada mesmo, Saria. Eu não saberia o que fazer, se não fosse por você.

–Não precisa agradecer! O Link merece, depois de tudo que ele fez. Ah, e.. Acho que seria bom se você ficasse junto com ele enquanto ele se recupera.

Ela sorriu de modo zombeteiro e sentou-se mais longe, para tocar sua ocarina sossegadamente. Então dali que vinha aquela melodia...

Link estava acordado, possivelmente com muita dor. Levantei sua cabeça e coloquei em meu colo, tudo com muito cuidado. Navi estava sobre o peito dele, e parecia preocupada.

–Tudo vai ficar bem...- Eu falei baixinho, mas não sabia se eu falava para o Link, para Navi ou para mim mesma. Passei a correr os dedos pelo cabelo do loiro, que me olhava nos olhos. Eu sentia que podíamos conversar daquele jeito, mostras os sentimentos um para o outro. Seus olhos eram o espelho de seu coração. Podia ver tudo: o pedido de desculpas por me arrastar para aquilo, sua gratidão por ter lhe ajudado. Será que eu via tudo certo mesmo? Não pude saber mais, porque ele fechou os olhos. Depois de mais algum tempo, sua respiração voltou ao normal e ele já dormia pesadamente. Meus olhos também começaram a se fechar enquanto passava os dedos por suas bochechas, pelo nariz, e por fim, pela boca. Estava quase fazendo a curva para passar do lábio inferior para o superior quando fui pega de surpresa: uma dor terrível. Abri os olhos e soltei um grito esganiçado que fez um eco estrondoso na caverna. Link havia mordido meus dedos.

–Saria!- Gritei- Me ajude, por favor!

Em um segundo, ela estava ao meu lado, quase tão atônita quanto eu. O loiro apertava ainda mais os dentes, afundando em minha carne e chegando aos meus ossos. O sangue escorria por sua boca, e ele engolia com prazer, parecia até chupá-lo. Minha cabeça estava a mil, não conseguia entender nada.

–Solta, agora!- Saria gritava, tentando abrir a mandíbula de Link a força. Eu estava tão assustada a ponto de só consegui dar socos em sua cabeça, pois se eu puxasse minha mão, o máximo que poderia acontecer seria ela ficar onde estava e só sobrar meu braço para mim.

Link abriu seus olhos, e onde deveriam estar lindas orbes azul-céu, estavam íris vermelhas vivíssimas, cor de sangue fresco. Ele olhava para o nada, sem expressão. Por algum motivo, lágrimas começaram a correr de meus olhos com tal visão.

–Link?! O que está acontecendo?- Eu perguntava, sentindo-me indefesa e inútil. Será que ele ia drenar o sangue do meu corpo? Morrer pelas mãos daquele que eu amo seria algo totalmente irônico.

Mas, quando eu menos esperava, a pressão em meus dedos acabou. Ele se levantou, esticou o corpo, e virou-se lentamente para mim e Saria, que estávamos em estado de choque.

Depois, passou a língua devagar e provocativamente pelos lábios manchados de sangue. Meu sangue.

Os olhos vermelhos agora eram sádicos, preenchidos de puro mal. Tinha um sorriso de um bebê demônio prestes a colocar fogo no mundo, seus cabelos ganharam um tom negro e a pele estava levemente acinzentada. Apesar de tudo, continuava mais quente que o inferno. Principalmente sem blusa.

–O que vamos fazer, Saria? Você sabe o que é isso?

–Isso... É o lado negro do Link. Todo mal que está dentro de seu coração. Ele já estava tentando tomar posse do corpo, mas só despertou totalmente quando bebeu o seu sangue. O sangue da pessoa amada é o crucial para isso acontecer.

Soltei o ar pela boca, surpresa. Então meus sentimentos eram mesmo correspondidos. Por que fui saber disso logo num momento como esse? O jeito é sobreviver para que essa descoberta não tenha sido em vão.

–Hahahahaha!- Uma risada maníaca saiu dos lábios de Link. Aquela voz era tão...- Então… Princesa e Saria, huh? Prazer em conhecê-las. Deveria me apresentar? Dark Link, a sua disposição.

Notas finais
Até o próximo capítulo :D O que vocês acham que o Dark Link quer fazer? kkkkkkk