Do you remember me?
47 Volta
Notas iniciais
As moedas faziam barulho no meu bolso conforme eu caminhava. Eu não gastara nem metade do dinheiro, mas usara todas as fichas para fazer a ligação. Limpando as lágrimas com a manga da blusa, eu vagava novamente pelo bairro, em busca da casa de Laxus. Eu sabia que ele me encontraria então não fazia sentido querer ou mesmo tentar fugir.
Reconhecendo algumas casas, consegui chegar até a rua, apressando meus passos para chegar à casa. O céu já estava começando a escurecer e os postes de iluminação já estavam acesos, de forma que ele não demoraria chegar. Corri até a porta da garagem, sentindo um frio na espinha ao vê-la aberta. Não tive tempo sequer de pensar em qualquer coisa, pois vi Laxus sair apressado da porta de entrada, indo em direção ao carro. Ele parecia assustado... preocupado. Me olhou por alguns segundos antes de deixar os ombros caírem e correu na minha direção, chegando a me paralisar de medo, medo que sumiu quando senti seu abraço forte. Ele levou a mão até minha nuca e afagou meus cabelos, me apertando forte contra seu peito.
– Seu idiota! Onde você estava?! — ele chegou a gritar, mesmo com meu ouvido perto da boca dele. Me empurrou e levou as duas mãos ao meu rosto. Ele chegou a suar com tudo aquilo.
Sequer tive chance de responder. Ele voltou a me abraçar forte, dando um beijo no topo da minha cabeça quando ele se acalmou. Eu esperava algum tipo de castigo ou humilhação e não ver Laxus preocupado. Demorou alguns minutos, até que ele ficou mais calmo e me levou para dentro, trancando a porta da garagem e entrada da casa depois que entramos.
– Onde você estava Freed? — até mesmo a respiração dele estava alterada.
– E-eu fui procurar por um telefone público e... ligar para Dave. — eu tinha medo, afinal não sabia o que ele iria fazer. Enquanto falava, dei alguns passos para trás, na tentativa de desviar caso ele jogasse algo em mim.
– Espera, você saiu para fazer uma maldita ligação?
Nervoso, Laxus esfregou o rosto, antes de me olhar de uma forma que eu não soube dizer se era de raiva ou preocupação. Como eu era um péssimo mentiroso resolvi dizer a verdade, balançando a cabeça para afirmar. O observei enquanto ele suspirava, tentando não entrar em pânico.
– Você é idiota ou finge que é? Você poderia ter caído daquele telhado e ficado paraplégico ou pior, alguém podia te pegar na rua e-
– E me sequestrar? — o interrompi, mesmo sentindo o coração bater desesperadamente no peito. Laxus parou de falar e suspirou, antes de se aproximar. Conforme ele se aproximava eu caminhava para trás, até bater as costas contra parede e ficar sem saída quando ele colocou as duas mãos ao lado da minha cintura, me prendendo.
– Tem acontecido assaltos e até mesmo latrocínios neste bairro. Ainda não conseguiram pegar o responsável por esses crimes e por isso eu fiquei preocupado. Sei muito bem o que estou fazendo com você e estou te protegendo da minha forma. Precisa acreditar em mim quando digo que vou te levar de volta para casa.
Em silêncio eu apenas o observei enquanto ele falava. Laxus esperou uma resposta da minha parte, que não veio. Bagunçando meu cabelo, ele balançou a cabeça, como se o errado em toda aquela história fosse eu. Respirei fundo para não chorar e saí apressado para meu quarto. Eu simplesmente não conseguia aceitar que devia me submeter aos caprichos dele, pelo menos não mais.
Fechando a porta, eu esfreguei o rosto, tentando pensar que Dave me esperava e que um dia voltaria a ficar com ele. Tirando as moedas e notas do meu bolso, me lembrei dos cortes nos braços e nas mãos, indo em direção ao banheiro. Retirei o moletom com cuidado, colocando o braço debaixo da água para lavar o sangue. A água fria fez os cortes arderem um pouco e no momento exato em que Laxus abriu a porta do banheiro eu soltei um gemido baixo de dor.
– O que foi? — ele perguntou já entrando no banheiro e ao ver os cortes arregalou os olhos. Antes mesmo que ele se aproximasse, estiquei o braço, demonstrando que queria ele longe de mim, mas ele segurou minha mão, antes de esticar o corpo e fechar a torneira, segurando com cuidado meu braço machucado. — Você realmente sabe dar trabalho para alguém.... venha cá.
Pegando uma toalha branca pendurada, ele começou a dar leves batidas com as pontas dos dedos na região ferida. Eu não disse nada, mantendo meus olhos para minhas feridas. Estava muito frio e eu sentia meu queixo tremer.
– Vou te dar um banho e fazer um curativo nesses machucados. Tire sua roupa.
Meus olhos arregalaram enquanto Laxus jogou a toalha suja com respingos de sangue num canto. Antes que mesmo que eu negasse a ajuda, ele chamou minha atenção para vários cortes na palma da minha mão. Eu não iria conseguir nem mesmo esfregar meu corpo daquela maneira.
As horas que se seguiram foram estranhas e embaraçosas. Laxus me levou para quarto dele, pois com a janela do meu quarto quebrada, o frio deixou o cômodo insuportável de frio. Pegou minhas roupas, preparou a banheira do quarto dele e me lavou como se eu fosse uma criança. Fiquei vermelho como um tomate enquanto ele me lavava e ele não perdeu a oportunidade de rir da minha cara por isso. Quando terminei, vesti as roupas que ele pegara para mim, aproveitando que ficara sozinho no quarto por alguns minutos. Não demorou para que ele voltasse com curativos e pomadas. Devo admitir que Laxus me surpreendeu ao fazer um curativo tão bem feito na minha mão e no meu braço, além de demonstrar claramente que ele não sabia como agir com gentileza com outra pessoa. As vezes ele falava algumas coisas em tom autoritário e logo ele repetia o que falou, usando sempre no final as palavras "se você quiser". A única coisa que não me ofereceu foi comida. Ele comprou uma pizza, refrigerante e preparou a mesa para que eu comesse junto com ele.
Como seria quando voltássemos para casa? Se é que iríamos voltar. Eu teria de contar a verdade para Dave e o que podia acontecer com isso? Minhas aulas começariam dentro de um mês. Será que eu voltaria a tempo? Enquanto mastigava, eu olhava fixamente para a mesa, chegando a tremer as mãos. Toda vez que eu parava para pensar na minha posição naquela casa eu sentia que iria entrar em pânico.
– LAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAXUS!
Um grito em meio a gargalhadas me assustou e antes mesmo que eu questionasse quem era, Laxus se levantou apressado e abriu a porta. Vi Yakumo e Evergreen entrarem entre gargalhadas, mas ambas pararam de sorrir quando olharam para mim. Bastou que eu olhasse para Laxus para entender que elas não sabiam que eu estava ali.
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