Do you remember me?

68 Sim, eu me lembro de você


Notas iniciais
Só amor galera ~

O tempo passou e realmente muitas coisas aconteceram. Laxus e eu continuamos juntos. Tivemos nossas discussões, discordávamos em muita coisa, mas com o tempo aprendemos a lidar um com o outro.

Consegui um emprego na nova biblioteca da cidade catalogando livros e o salário era ótimo para um trabalho de meio período. Laxus continuou e prosperou na empresa que era novo sócio, demonstrando finalmente fazer algo que realmente gostava. Yakumo estava sempre ao nosso lado e Evergreen voltou para nós quando Laxus se desculpou e resolveu sua rivalidade com Elfman.

Com dois meses de trabalho, resolvi comprar nossas alianças de compromisso, pois eu sabia que Laxus nunca teria aquela iniciativa. Preparei um jantar especial para ele e a cara que ele fez quando viu o par de alianças vai ser algo que eu vou rir até no túmulo. Foi difícil fazer ele usar. No começo ele a deixava jogada em todo lugar e precisou de uma explosão de choro da minha parte para ele realmente entender que aquilo era importante para mim.

Dave nunca mais voltou. Simplesmente sumiu do mapa e quando voltei a estudar descobri que ele havia trancado o curso. Fiquei mal com aquilo, mas eu nem mesmo sabia onde encontra-lo, pois ele também havia mudado de casa.

Laxus com o tempo se tornou mais aberto comigo, assim eu com ele. Conversámos dos mais diversos assuntos, mas bastava que Laxus me beijasse para que eu ficasse vermelho. Isso o divertia e mesmo envergonhado com tudo aquilo eu apenas sorria, vendo ele se divertir com minha falta de jeito.

– E então quando vai ser o casório? – Yakumo disse bêbada na festa de um ano do nosso namoro.

– Que tal ano que vem? Já passou da hora de vocês juntarem as cuecas. — Evergreen havia casado com Elfman há pouco tempo e ainda estava no ritmo do casamento.

Olhei para Laxus e sorri sem graça ao ver a cara dele. Laxus detestava a ideia de casamento e nem mesmo tinha coragem de questionar algo do tipo depois de ouvir tudo que ele já havia falado a respeito disso.

– Não vamos nos casar. – ele respondeu, virando o copo de cerveja na boca. – Casamento não tem sentido ou diferença nenhuma do que já fazemos.

– Bem, vocês vão morar juntos né Laxus? E também é um compromisso eterno. – Evergreen continuou, enquanto Yakumo estava encostada no meu ombro. Ela realmente estava muito bêbada.

– Não tem sentido para mim. Estamos muito bem do jeito que estamos. – Laxus continuou, pegando um dos petiscos sobre a mesa e comendo.

– Freed no seu lugar eu dava um pé na bunda desse otário! – Yakumo balbuciou entre risadas. — Laxus tem medo de casamento! Desse jeito ele vai te enrolar até morrer.

Dei um sorriso sem graça e fingi mexer no cabelo de Yakumo que continuava escorada no meu corpo. Eu sabia que era cedo demais para pensar em casamento, mas pelo jeito eu teria que levar Laxus amarrado até o altar. Não conseguia entender a aversão que ele sentia sobre o assunto.

– Vai deixar as coisas serem assim Freed? – Evergreen questionou, levantando uma sobrancelha ao me olhar.

– Se ele não quer, o que posso fazer? – respondi sem graça e logo inventei outro assunto. Falar sobre aquilo me fazia pensar que Laxus não queria nada sério comigo e isso não era nada agradável de se pensar.

Um tanto quando animado com a ideia do nosso aniversário de namoro, Laxus não demorou a me levar para casa. Eu sabia o que ele queria fazer e no último ano ele já inventara os mais diversos motivos para me levar para cama. Não tinha dúvidas que ele era viciado em sexo.

– La-laxus eu queria falar com você sobre uma coisa. – disse, tentando escapar dos beijos que ele já me dava.

– Agora? – sussurrou no meu ouvido, me fazendo arrepiar ao encostar os lábios na minha orelha.

– Sim! – o empurrei devagar e ele sorriu, jogando minha franja para trás. Antes que ele falasse alguma besteira, resolvi continuar. – Por que você não se casaria comigo? Tem vergonha de mim?

Vi ele deixar os ombros caírem, antes de soltar um suspiro impaciente. Sei que era ridículo me deixar influenciar pela Evergreen, mas eu realmente queria aquilo. Me casar com Laxus seria um sonho realizado. Naquela altura eu não duvidava do seu amor por mim, pois ele demonstrou várias vezes da forma estranha dele.

– Sabe muito bem que não tenho vergonha de você. Eu só não gosto da ideia, é isso. – ele respondeu, antes de me dar as costas e puxar sua camisa para cima, tirando-a.

– O que tem de errado em se casar? – perguntei, antes de me sentar na minha cama. Ficávamos juntos mais na minha casa do que na dele. No canto, Pingo dormia profundamente, encolhido entre os cobertores que eu colocara para ele.

– A ideia não me agrada Freed. Nós já fazemos muitas coisas consideradas de “pessoas casadas”. O que mudaria se a gente se casasse? Nada.

– Poderíamos morar juntos... – respondi com voz baixa, já olhando para as minhas mãos. Como Laxus conseguia ser tão insensível às vezes?

– Eu já te convidei para morar comigo, você que não quis! – ele respondeu ríspido ainda de costas, colocando celular e carteira sobre minha mesinha de estudo.

Desanimado de prolongar aquele assunto, eu me levantei e fui para o banheiro para colocar meu pijama. Laxus também não quis render assunto e quando voltei ele já estava deitado na cama. Deitei ao lado dele e ele me abraçou, antes de dizer algo que encheu meus olhos de lágrimas.

– Se nos casarmos, eu ainda vou te amar da mesma forma.

–x-

O tempo continuou a passar e em certo ponto acabei desistindo de encontrar Dave. Ele simplesmente sumiu do mapa e Laxus até achou melhor que eu parasse de procurar. Com o passar dos meses, nós continuamos juntos e tive de driblar por diversas vezes as crises de ciúme do meu namorado, até mesmo no hospital em que eu consegui estágio no quarto período da faculdade.

Faltava alguns anos para eu me formar e aos risos, tinha Laxus por cima de mim, que fazia cócegas por todo meu corpo. Sua boca beijava a minha e eu ria quase tanto como ele. As vezes éramos como duas crianças, normalmente quando estávamos sozinhos. Em outros momentos Laxus era bastante sério, principalmente quando me ensinava alguma matéria da faculdade.

– Che-chega Laxus! – eu dizia entre as minhas risadas e quando ele parou de fazer cócegas em mim, deitou ao meu lado, puxando meu corpo antes de me dar um beijo.

– Adoro te ver rir desse jeito. É engraçado! – ele sussurrou. Já era tarde da noite e meu escândalo provavelmente chegara nos ouvidos da minha vizinha, que já reclamara diversas vezes da nossa bagunça. Temo que ela também já tinha escutado nossos gemidos em meio ao sexo.

– Você é um idiota! – respondi enxugando as lágrimas, ainda com um sorriso no rosto.

– Parabéns. Você namora um idiota. – ele respondeu fazendo cara de deboche. Eu ri em resposta e respirei fundo para me recompor, antes de questionar algo que eu me lembrara nos últimos dias.

– Laxus ... sabe quando a gente tinha um contrato... você colocou alguém para me vigiar?

– Aham. – ele respondeu, ainda com um sorriso no rosto.

– Por que?

– Pra você não fazer merda e mesmo assim acabou fazendo. – vi ele endireitar o corpo na cama, antes de ficar mais perto de mim e colocar uma mão na minha cintura. Estávamos deitados de lado, ficando de frente um para o outro.

– Te-teve uma vez que você ficou bêbado... se lembra? Você disse estava triste e depois disse que gostava de mim.... – eu enrolava meus cabelos nos dedos, desviando o olhar enquanto ele me encarava. Aquilo era algo que eu queria saber.

– Eu percebi que gostava de você quando soube que você tinha ficado com aquele cara. Eu fiquei louco. Minha vontade era de quebrar seu amiguinho todinho e depois ir para casa e transar com você até você dizer que preferia a mim. – ele deu uma risada sem graça e puxou meu rosto, me roubando um beijo. – Aí eu enchi a cara e fui para casa. Mas eu não estava bêbado quando subi na sua cama. Só resolvi sei lá... ficar com você. Recebi um sorriso muito bonito esse dia.

Senti meu rosto corar. Laxus lembrava de tudo? Não era possível. Ao que parece eu apenas entendi errado tudo que tinha acontecido e.... ele havia pedido para se casar comigo. Aquele pedido não valia?

– Teve outras vezes também que eu fingi não gostar de você, mas eu não vou lembrar agora. – ele bocejou, como se contasse apenas uma história. Meu coração batia como um louco no peito, apenas de imaginar que eu estava sendo amado há muito tempo.

– E-e a foto que estava nas suas coisas? Onde você a conseguiu? – perguntei no impulso e a cara que ele fez me fez arrepender da pergunta.

– Que coisas? – ele me perguntou desconfiado.

– No-no seu quarto... fo-foi logo quando você viajou para o Caribe... – respondi sentindo o coração apertar, mas não adiantaria voltar atrás naquele momento. – Na foto eu era criança ainda. É uma foto antiga.

– Ah sei... – ele desviou o olhar e eu não perdi o momento em que ele virou os olhos para o outro lado. – Não devia mexer nas minhas coisas.

– Onde conseguiu aquela foto? Foi o detetive que conseguiu ela?

– Não. Eu que tirei. – ele respondeu com suspiro pesado e eu paralisei.

Laxus que havia tirado. Eu havia entendido direito? Então aquilo significava que ele.... ele realmente se lembrava de mim? Por que tirou aquela foto? Qual o motivo? Por que me salvou daqueles garotos que me batiam?

– Vo-você.... você se lembra de mim Laxus? – perguntei já com lágrimas nos olhos e o coração palpitando no peito. Aquele momento parecia surreal.

– Lembrar de você? Eu me lembro de um garoto magrinho e baixinho que usava uma camiseta suja e uma bermuda larga. Faltava os dois dentes da frente, mas dava para ver os dentes novos apontando na gengiva quando ele falava e ria. O rosto, mãos e pés estavam imundos sabe.. – ele deu uma risada — ... ele brincava na lama com um caminhão de plástico cheio de animaizinhos. É claro que eu me lembro. Lembro do seu sorriso e da felicidade que você ficou quando aceitei brincar com você.

– O-o que? – questionei sem entender. Do que ele estava falando?

– Meu pai estava avaliando alguns lotes na rua em que você morava e eu estava com ele. Resolvi ir para rua quando vi que estava chato a avaliação e eu encontrei você brincando na beira de um barranco. Inicialmente achei que você fosse uma garota, com cabelo até comprido até os ombros, mas assim que você me viu correu na minha direção, me chamando para brincar com você. – ele riu novamente e brincou com algumas mechas do meu cabelo. – Eu não curtia muito brincar daquele jeito, mas você estava tão animado que eu acabei me empolgando também. Meu pai ficou uma fera quando me viu todo sujo. Você não se lembra dele?

Meu coração chegou a gelar e eu tentei me lembrar daquilo sem sucesso algum. Eu lembrava pouco da minha infância e o trauma com a morte dos meus pais me fez guardar poucas memórias. Por um instante me senti mal com tudo aquilo. Há quanto tempo Laxus gostava de mim?

– E-eu não me lembro..... – respondi, abaixando os olhos. Laxus levou as mãos até meu rosto e o levantou, me fazendo olhar nos olhos dele.

– Que maldade da sua parte! – ele fez bico, antes de rir. — Eu nunca esqueci daquele dia e te reconheci de imediato quando te vi na escola. Você já estava um pouco mais alto, mas seu rosto e cabelo eram inconfundíveis.

– Fo-foi por isso que me salvou daqueles garotos? – questionei, levando minhas mãos trêmulas sobre as suas. O coração ainda pulava no peito, acho que por ansiedade.

– Aham. No começo em que eles implicaram com você eu achei que não iriam te machucar, mas quando soube que eles haviam quebrado seu braço fui atrás deles e os ameacei. Eles não me ouviram e no dia seguinte vi eles te batendo. Não pensei duas vezes para pegar meu bastão e dar uma surra neles. Acho que eu ainda enxergava aquele menino baixinho que pediu para montar cavalinho em mim, já que eu era “tão alto quanto uma vassoura”.

Fazendo gestos com as mãos ele continuou a contar. Me senti mal por não me lembrar de nada antes da escola, mas o sorriso que Laxus tinha no rosto enquanto contava me fez ter saudade daquele tempo.

– Eu fui expulso da escola por causa daquilo, mas mantive minha ameaça com aqueles pivetes para nunca mais mexerem com você. Anos depois eu encontrei você na agência e te reconheci.

– Co-como me reconheceu? – a essa altura as lágrimas já enchiam meus olhos.

– Quantas pessoas com cabelo verde você acha que existem no mundo?

Meu coração acelerado não me impediu de abraça-lo e permitir que as lágrimas escapassem dos meus olhos. Com um sorriso no rosto, afundei o rosto em seu peito, apertando meus dedos em suas costas, dando-lhe um abraço forte.

– E-eu pensei que não se lembrasse de mim! – disse entre soluços e ele retribuiu meu abraço.

– Eu te amo já faz muito tempo baixinho. Você me chamou a atenção quando ainda era banguela!

Rindo, eu o empurrei devagar, antes de lhe dar um beijo. Laxus levou as mãos para debaixo da minha blusa, voltando a me fazer cócegas.

– Mas eu prefiro você com dentes, ok? – ele gargalhou, antes de morder de leve a minha bochecha. – Você só se lembra da escola?

– S-sim. – respondi após me recuperar das cócegas dele. – Você devia ter falado comigo naquele dia.

– Você estava com medo. Praticamente paralisou quando viu sangue no meu taco de beisebol e a forma que você me olhou também deixou claro que você não se lembrava mais de mim.

– Devia ter falado algo comigo Laxus! Qualquer coisa! – falei no impulso, me lembrando do momento.

– Foi naquele dia que você começou a gostar de mim? – ele perguntou entre risadas, encostando a testa na minha.

O coração pulou ainda mais no peito. Me senti como se estivesse me confessando para ele, chegando a ficar vermelho. Assenti e Laxus gargalhou, antes de esfregar o nariz na minha bochecha. Ao que parece nós dois perdemos muitos anos que poderíamos ter passado juntos.

– Eu realmente deveria ter falado com você.

Notas finais
Sim, Laxus escolheu Freed naquela agência. Imagina que fofo estes dois crianças e o Freed banguela :3 Puro amor! Fotinha: http://31.media.tumblr.com/785bd589d0d44875f19e6d1350c7a14c/tumblr_njq9orOjzH1tch967o1_500.gif