Do you remember me?
38 Retorno
Notas iniciais
A manhã seguinte foi até engraçada. Levei um susto ao acordar do lado de Dave e sem roupa alguma, porém, sabia que era algo que eu deveria me acostumar, afinal, namorados fazem sexo e dormem juntos.
Agitado e claramente feliz, Dave se levantou, me encheu de beijos misturados com "bom dia" e sequer tomou banho antes de ir para rua, afirmando que iria comprar comida para o café da manhã.
Sonolento, custei a perceber que ele pegara algumas das roupas novas que ele havia comprado para mim e vestido. Aproveitei sua ausência para ir tomar um banho rápido e depois trocar os lençóis que havíamos sujado na noite passada. Senti minhas bochechas corarem ao lembrar do que fizemos na noite anterior, mas procurei não me manter pensando naquilo. O frio que sentia no peito me incomodava e me deprimia, mas eu me esforçava ao máximo para não mostrar isso para Dave.
Demorou algum tempo até que ele voltasse com pães, bolos e diversos biscoitos. Cheguei a puxar a orelha dele por comprar tanto, afinal havia apenas nós dois ali para comer. Ele riu e fez piada, antes de organizar as coisas, me proibindo de fazer qualquer coisa que não fosse sentar na cama e esperasse.
Foi engraçado e divertido ver ele fazendo confusão, perguntando onde estava cada item da casa. Fazendo o café, ele chegou a queimar um dedo, mas quando levantei para ajudá-lo fui repreendido. Foi quando entendi que ele queria preparar o café da manhã para mim.
Sorrindo, ele dizia que faria seu melhor, mas no fim salgou o omelete, queimou os pães de queijo e exagerou no açúcar do café. Tive de limpar a bagunça que ele fizera e o tempo todo ele me pedia desculpas enquanto eu ria de seu desastre.
Era estranho, não podia negar. Transar com alguém que você não ama e ser frequentemente agarrado e ter beijos roubados. Aquela sensação fria no peito permanecia, uma sensação ruim, a qual eu não conseguia superar e me deixou quieto com o passar do dia. Tentei disfarçar, mas no fim da tarde eu já estava a ponto de chorar quando Dave me beijava.
Imagino que ele deve ter percebido que havia um clima ruim, pois tentou me animar o dia todo. Por fim, acabou por se despedir, me dando um beijo na bochecha e sussurrou algumas palavras no meu ouvido que apenas me deixaram ainda mais aflito com o que ele fazia.
“- Mal posso esperar para me casar com você!”
A despedida foi longa e ele saiu, dizendo que iria até a casa dos pais e voltaria na noite do dia seguinte. Pedi que ele tomasse cuidado no caminho de volta e fiquei um tanto quando perdido até perceber que ele queria um beijo de despedida. Demorou alguns segundos para que eu entendesse e finalmente lhe desse um beijo na bochecha.
– Está tudo bem? – ele perguntou, provavelmente por me ver desviar o olhar quando olhou para meu rosto. – Você está estranho. Fiz algo de errado?
– N-não Dave ... – conversávamos na porta do meu apartamento e uma hora ou outra Dave tinha que se espremer no corredor para que outro inquilino passasse. – É só que... eu me sinto estranho ainda com tudo o que aconteceu. Preciso apenas de algumas horas sozinho para colocar a cabeça em ordem.
– Tem certeza que é melhor ficar sozinho? – ele se aproximou, escovando minhas bochechas com os nós dos dedos.
– Tenho sim. Além do mais, eu tenho uma bagunça para terminar de limpar! – debochei, quebrando aquele clima pesado. Detestava momentos assim.
Um sorriso enfeitou o rosto de Dave, antes que ele me abraçasse. Deu-me mais um beijo na testa e começou a me dar instruções: não chorar, limpar tudo para ele sujar de novo, comer direito, olhar minha rematrícula da faculdade ... eu apenas ria da preocupação dele. Era engraçado ter alguém cuidado de mim como um irmão, mas era estranho pensar que a pessoa que fazia isso se deitava comigo.
– Muita coisa aconteceu Freed. Daremos um passo de cada vez. Te dou o tempo que for necessário para pensar.
– Obrigado Dave. – em um momento estávamos brincando e em outro falando sério. Parecíamos dois adolescentes.
Por fim, Dave foi embora e eu acompanhei sua partida da varanda. Pensativo, entrei no meu apartamento, abrindo janelas e colocando as coisas em ordem. Fiz uma bela faxina na casa e aproveitei para descobrir onde algumas coisas minhas estavam depois da reforma. Trabalhei dentro de casa durante horas, não dando descanso para minha mão mesmo ela estando machucada. Cheguei a sentir dor no pulso durante algumas atividades, mas dei descanso para todo meu corpo apenas quando terminei.
Tomei um banho, fiz um sanduíche, comi e deitei na minha cama para assistir TV. As horas se passaram e a noite chegou. Em certo tempo, a qual não sei precisar, começou a chover. A chuva começou fraca, mas depois de minutos se tornou muito forte. Fechei as janelas e decidi tentar dormir mais cedo, desligando a TV.
Uma batida forte foi dada em minha porta, me assustando. Imaginei que fosse Dave e que ele voltara mais cedo. Mais batidas e eu me levantei, acendendo as luzes e pegando a chave da porta que já fora trancada. Apressado, abri a porta, pois sabia que do lado de fora a pessoa estaria se molhando na varanda, porém, imaginei que fosse Dave.
Cada poro do meu corpo se arrepiou quando abri a porta. Um sorriso que estava em meu rosto se desfez e não tenho dúvidas de que arregalei os olhos quando o vi. Com um casaco preto, Laxus me olhava com um semblante sério, como das vezes em que eu desobedecia e ele me castigava. Não consegui me mover, falar, nada. Do fundo do meu coração eu sabia que queria vê-lo e quando isso aconteceu, senti o gosto do mais puro medo. Medo que se intensificou quando ele levou a mão direita até minha boca e a tapou, antes de me empurrar para dentro do meu apartamento e bater a porta.
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