Do you remember me?
39 Estranho
Notas iniciais
A respiração pesada dele batia contra meu pescoço, enquanto seu rosto de perdera entre meus cabelos. Ele estava.... acho que sempre foi... frio. Meu corpo se arrepiou com o contato de suas roupas molhadas no meu pijama cujo pano era fino. Estava frio do lado de fora, mas na minha cama eu sabia que estava quente.
Eu não sabia o que dizer e muito menos o que pensar. Minha cabeça fervilhava entre questionamentos e eu sentia muito medo do que Laxus queria ou mesmo pudesse fazer.
Não sei precisar o tempo em que ele ficou parado ali me abraçando, mas pareceu uma eternidade. Quando me soltou dei alguns passos para trás, sentindo o coração socar meu peito. Era tão estranho sentir medo dele, sendo que algumas vezes senti sua falta. Acredito que minha mente não tinha processado a ideia de que além de me estuprar, ele também já havia me espancado.
– Você cortou o cabelo... — ele disse ainda sério, me olhando de forma estranha.
Vi ele se aproximar e senti como se algo me sufocasse. No impulso, estiquei as mãos para frente, como se me protegesse de uma pancada o que fez ficar a alguns centímetros da minha mão.
Eu não sabia se devia gritar por ajuda, mas percebi que estava entendo aquilo errado quando ele esticou o braço e suas mãos frias tocaram a minha tala. Alternei minha visão do seu rosto para nossas mãos e quando eu olhei novamente para seu rosto ele já estava perto demais.
– Eu não vou te machucar. Não mais... ok? Vim até aqui para te ver e cuidar de você...
Laxus se aproximava... cada vez mais e antes que eu percebesse estava contra a parede. Suas mãos, ainda segurando as minhas, subiram e meus olhos pinicavam lágrimas de medo quando ele massageou meus lábios com o polegar. Era mentira? Verdade? Por que ele estaria ali? Eu nunca fui nada na vida dele.
Nossos olhos se encaravam e eu me sentia inferior, não só na altura, olhando para eles. Suas mãos subiram mais, massageando meu rosto devagar até chegarem a minha nuca. Um arrepio me subiu na espinha, quando meu rosto foi puxado devagar e vi seus lábios se unirem aos meus. Pensei em empurrá-lo, em gritar, mas me mantive parado, apertando olhos para não chorar de medo.
O que ele pretendia?
–x-
Estávamos sentados na cama. Acredito que, assim como eu, ele não sabia o que dizer. A chuva caía muito forte do lado de fora e eu esfregava os braços para me proteger do frio. Não sabia dizer se Laxus olhava para mim, até por que eu não tinha coragem de olhar para ele. Além disso, minha cabeça fervilhava em perguntas e medo, sempre voltando à mesma pergunta: por que ele estava ali comigo?
Um trovão fez um barulho muito alto, me assustando e ao me ver tremer Laxus me puxou para seu colo, quase me matando ainda mais de susto. Suas mãos frias me pegaram como se fosse uma criança e quando olhei para seu rosto ele riu, antes de tirar a franja sobre meus olhos.
– Não precisa ter medo de trovão. Eu vou te proteger deles.
– E-eu não tenho medo... — respondi e antes mesmo que eu conseguisse sair do seu colo ele me puxou mais forte e tornou a me beijar.
O calor subiu para as bochechas e ele se aproveitou de um momento em que eu pediria para ele parar para invadir sua boca com minha língua. Senti correntes elétricas percorrerem minha espinha e ao respirar, senti aquele perfume que eu tanto amava.
Laxus nunca foi de rodeios ou qualquer tipo de formalidade e isso era algo que me desconcertava nele... me fazia desejá-lo. Ele era ousado e ria dos meus sustos, principalmente o que levei quando ele se levantou comigo no colo e me deitou na cama, deitando ao meu lado. Sem cerimônia alguma, ele me puxou pela cintura, me dando um beijo na testa antes de me apertar contra o seu peito.
"- Por que ele está fazendo isso?"
Jurava que havia feito essa pergunta para minha cabeça, mas não fora feita. Ficamos ali, deitados e juntos. Ele afagava meus cabelos, me deixando sonolento pouco a pouco. Naquela altura, eu já não sentia mais medo e mesmo seu corpo estando molhado, eu não escapei do sono.
Meus olhos pesaram e eu piscava devagar quando de repente ele me apertou com mais força. Por fim, meus olhos se fecharam e antes que eu adormecesse pude ouvir algo que me passou despercebido naquele momento.
– Acho que me apaixonei por você.
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