Do you remember me?

49 Por que eu teria ciúme de você?


A noite, quando Eleonor teve de ir embora, confesso que tive vontade de chorar. Ela me abraçou, sussurrando no meu ouvido que no dia seguinte estaria de volta e eu só assenti, com medo de ao abrir a boca, começar a soluçar. A observei sair, respirando fundo quando ela fechou a porta, me deixando sozinho com Laxus.

Virando a cabeça, pude ver Laxus distraído sentado no sofá com o notebook no colo. Um suspiro escapou da minha boca, enquanto tornei a andar para o quarto. Quando toquei na maçaneta, senti uma mão pesada e fria tocar meu ombro e apenas virei o rosto um pouco. Laxus me deu um sorriso torto, até que eu me virei, ficando em frente à ele.

– Quer ver algum filme para passar o tempo? Bem, você dormiu até tarde... creio que não vai conseguir dormir tão cedo.

Cheguei a olhar para o sofá, medindo o tamanho para me manter longe dele. Pensei por alguns segundos e ele tocou no meu queixo, abrindo um sorriso para mim. Nesse momento pude perceber o quanto ele estava cansado.

– Sim eu quero. — respondi e o sorriso dele ficou maior.

Pedindo que eu pegasse cobertores no quarto, Laxus pegou alguns pedaços de bolo e preparou chocolate quente no microondas. Vendo ele trabalhar, resolvi pegar dois travesseiros, colocando cada um na ponta do sofá, estendendo os cobertores. Com frio, resolvi entrar debaixo dos cobertores, apenas observando a movimentação de Laxus na cozinha. Não havia parede que delimitava os dois cômodos de forma que eu podia ver tudo que ele fazia.

A campainha tocou e quando ele abriu a porta, levou uma mão ao rosto, até Evergreen e Yakumo entrarem. Cheguei a esquecer que elas haviam prometido que voltariam no dia seguinte. Yakumo deixou os ombros caírem ao me ver, indo até onde eu estava e me dando um abraço. Esfomeada, Evergreen pegava os pedaços de bolo que Laxus havia separado, recebendo chingos da parte dele. Enquanto eu observava aquela confusão, Yakumo sentou ao meu lado, me perguntando como eu estava.

– Estou melhor. Eleonor veio para cá hoje. – minha voz era menos desanimada comparada ao que eu sentia.

– Eu imaginava que você se sentiria melhor com ela por perto. Eleonor é um anjo na terra. — ela parecia sem graça com tudo aquilo. Era estranho ver ela me deixar naquela situação sendo que ela poderia até mesmo chamar a polícia, porém naquela época eu não sabia nem mesmo 1% do poder que Laxus tinha com autoridades.

Com um pedaço de bolo em mãos, Evergreen me mandou um beijo, antes de dar uma mordida. Ao contrário do dia anterior, ela estava brincalhona e palhaça de novo, além de fazer uma lambança enquanto comia. Vi Laxus bufar na cozinha, preparando mais dois copos de chocolate quente e pegando mais bolo. Sem um pingo de delicadeza, Yakumo ligou a TV e colocou um filme de romance. Quando Laxus chegou com a bandeja, ela sequer deu tempo que ele reclamasse do gênero do filme, mandando que se sentasse ao meu lado.

O filme começou e de início tivemos de mandar Evergreen calar a boca várias vezes. Laxus reclamou o filme inteiro e próximo ao final ele dormiu. Foi até divertido ver filme com as garotas, principalmente no final em que tivemos de segurar lágrimas. Quando os créditos do filme rolaram, Evergreen começou a choramingar que estava carente e que precisava de um beijo. Eu achei graça do comentário dela e Yakumo apenas suspirou do meu lado, mas acho que nenhum de nós esperava o que ela fosse fazer.

Dando a volta no sofá, Evergreen praticamente se jogou em cima de Laxus, beijando-o. Foram poucos segundos, mas vendo aquilo eu senti um peso no peito que acelerou meu coração. Eu apenas me acalmei quando Laxus abriu os olhos e segurou o rosto dela com descaso, empurrando-a com tanta força que ela quase caiu para trás.

– Ah qual é Laxus, depois desse filme eu estou me sentindo até desamparada! — ela disse entre risadas. Percebi que ela queria fazer gracinha na nossa frente, mas ela só estava me dando aflição.

– Vai se ferrar Evergreen! Eu lá tenho cara de consolo? — Laxus bravejou, endireitando o corpo no sofá. Quando ele dormiu se esparramou todo, chegando até mesmo a quase cair por cima de mim.

– Todos nessa casa sabem que você é muito melhor que um consolo.

– CALA A BOCA EVERGREEN!

Dessa vez quem gritou foi Yakumo que parecia que iria explodir em raiva. Evergreen se calou por alguns segundos e voltando a rir, pediu desculpas. Yakumo bufou e se levantou do sofá, saindo para fora. Sem entender a reação dela, eu apenas observei Evergreen correr atrás dela pedindo desculpas e em seguida Laxus se levantou para trancar a porta de saída. Passando a mão no rosto, ele pegou os pratos sobre o braço do sofá e levou até a pia.

– Evergreen é sem noção demais. Ela está cansada de saber que Yakumo detesta lembrar que já ficou comigo.

Aquele peso no peito só aumentou mais. Yakumo já tinha ficado com Laxus? Ao que parecia Evergreen também. Eu sabia que Laxus era mulherengo, mas nunca imaginara que ele tivera um caso com alguma das duas. Será que elas....

– Elas fizeram contrato com você? — perguntei, chegando a assustar com a minha coragem repentina para perguntar aquilo. Eu me sentia desesperado, aflito. Ele sacudiu a cabeça, negando e voltou para perto de mim, pegando os cobertores. Ele ainda estava meio sonolento e mal olhava para o meu rosto.

– Não. Evergreen me encheu o saco me pedindo para transar com ela e Yakumo foi uma burrice. Fomos sair para comemorar um projeto novo aprovado pelo governo e bebemos demais. Acordamos na manhã seguinte num motel ... — ele deu uma risada e enrolou o cobertor no braço. — parecia que havíamos saído perdendo de uma briga. Ela me machucou pra caramba e eu machuquei ela. A experiência foi traumática demais pra ela e até mesmo para mim. Não tocamos no assunto, fingimos apenas que nada aconteceu, mas Evergreen ficou sabendo e já sabe né...

Ouvi aquilo intrigado. Eu me sentia sufocado. Aquilo era.. ciúmes? Não podia ser. Tentando disfarçar, eu virei o rosto, puxando o cobertor que ficara no sofá. Quantas pessoas já haviam se deitado com Laxus? Ele não podia ser tão ... assim, mas eu sabia no fundo que ele capaz de tudo... realmente tudo.

– Ei... não precisa ter ciúme disso ok? — ele sentou ao meu lado, rindo.

– Eu não tenho ciúme de você. — respondi sério e escutei ele rir, antes que meu corpo fosse puxado até ele. Para tentar empurrá-lo, coloquei as duas mãos sobre seu peito e ele me olhou nos olhos, antes de abrir um sorriso.

– Eu já te disse Freed, você não sabe mentir!

O rosto dele se aproximou depressa e ele roubou um beijo meu. Um beijo rápido, que terminou com meus lábios inferiores entre seus dentes, em uma mordida leve. Quando tentei empurrá-lo de novo, ele voltou a me beijar, tirando todo meu fôlego. Depois de alguns segundos, me deu uma pausa para respirar, enquanto eu sentia meu coração bater como um louco no peito. Sem coragem de olhar para seu rosto, olhei para minhas mãos sobre seu peito e as tirei devagar. Recebi um beijo na testa e quando olhei para seu rosto, ele se aproximou novamente, voltando a me beijar.

O beijo dele era lento no princípio. Suas mãos subiram, deslizando do meu pescoço para minha nuca, puxando os fios de cabelo naquela região, me fazendo arrepiar. A boca dele se conectava perfeitamente à minha enquanto eu sentia seu cheiro me envolver. Minhas mãos voltaram para seu peito e até mesmo cogitei a empurrá-lo, mas aquilo ... aquele beijo era tão bom que me fazia esquecer do mundo e me concentrar apenas nas sensações do momento.

Desajeitado, subi minhas mãos até a gola da sua blusa e a puxei com as duas mãos com força demais. Um barulho alto do tecido começando a rasgar soou e Laxus interrompeu nosso beijo, abrindo um largo sorriso, ainda a centímetros do meu rosto. Eu sentia minhas bochechas vermelhas, mas elas arderam de vergonha quando ele começou a falar.

– Se quer tirar minha roupa é só falar. Não precisa rasgar!

Tirei minhas mãos da gola da camisa dele e ele riu, antes de me dar um beijo na testa. Ficou de pé e estendeu a mão para mim, me chamando para ir dormir. Mesmo receoso, eu resolvi aceitar, andando atrás dele até o quarto. Com o cobertor em mãos eu o estendi sobre a cama, enquanto Laxus ligava o aquecedor. Peguei meu travesseiro e comecei a apertá-lo para deixar mais macio, quando senti suas mãos frias na minha cintura.

– Você é a única pessoa que eu realmente quero ficar. — ele sussurrou na minha orelha e eu arregalei os olhos. Ao virar o rosto ele voltou a me beijar, tombando o corpo até que nós dois caíssemos deitado na cama.

Notas finais
Palmas pro título de capítulo mais longo que já escrevi :D E sim. Agora começa a parte do love, das conversas e dos LEMONS moçada. Não vai ter lemon nos próximos, mas confiem em mim. Vai valer a pena esperar.