Do you remember me?

50 Esclarecimentos


Notas iniciais
Humanos, obrigado pelos reviews, de verdade. Ta díficil responder, mas estou lendo todos e me morrendo de rir :'D Vocês são mais doidos e sádicos do que eu. Que isso ..... :'D

No dia seguinte acordei sozinho na cama. Durante a madrugada, notei a ausência de Laxus ao meu lado, entendendo o que Eleonor dissera: ele realmente tinha problemas para dormir.

Sonolento, me levantei da cama, calçando um chinelo, mesmo usando meias. Estava muito frio fora dos cobertores. Escovei os dentes e fui para a cozinha, encontrando Eleonor limpando a mesa do café da manhã. Ela me abraçou e praticamente me obrigou a comer, enquanto começou a falar de uma receita nova que ela iria me ensinar. Ela estava muito agitada e eu acabei me perdendo na conversa dela ao lembrar do vários e vários beijos que Laxus me deu na noite passada.

– Onde Laxus está? — perguntei, afinal eu não o tinha visto ainda.

– Ah... ele saiu para fazer compras. O estoque de comida dessa casa já está zerado, mas você quer que eu lhe ensine a receita?

Sem nem mesmo saber do que ela falava, assenti, vendo um sorriso se formar no rosto dela. Laxus demorou a voltar, alegando que o supermercado estava lotado. Comprou coisas em quantidades enormes e até mesmo desnecessárias. Eleonor chegou a puxar a orelha dele, enquanto eu ajudava a guardar tanta coisa.

O restante do dia não ocorreu nada em especial. Eleonor me ensinou uma receita nova enquanto Laxus mexia freneticamente no notebook e fazia ligações pelo celular. Na hora do almoço, achei engraçado quando ela tomou o notebook das mãos dele e mandou ele comer como se fosse uma criança pequena. Resmungando, ele foi até a mesa, enquanto eu continha risadas.

Depois de horas de limpeza e conversas comigo, Eleonor foi embora. Ela se ofereceu para fazer o jantar, mas garanti à ela que daria conta, antes de me despedir. Depois que ela saiu, andei até a cozinha e Laxus me jogou um moletom mais grosso que eu usava, enquanto vestia um outro casaco.

– Chega de ficar em casa. Precisamos sair um pouco e conhecer melhor a cidade.

Não tive nem mesmo tempo de falar nada e Laxus me pegou à força, colando meu corpo ao dele. Senti meu coração acelerar e engoli em seco. Ele foi dando passos para frente, me empurrando até que minhas costas tocassem a parede. Ele olhava fixamente para mim com um sorriso pervertido no rosto. Engoli em seco e cheguei a sentir meus lábios tremerem quando ele se curvou e seus lábios tocaram os meus. Antes mesmo que ele começasse a me beijar eu o empurrei, levando uma mão até minha boca. Reações fortes dele como essa, como a de me empurrar ou mesmo me apertar para conseguir algo, me assustavam e ele percebeu isso.

– Desculpe eu não queria te assustar...

Vi ele dar um passo para trás, me dando espaço para me recompor. Em poucos segundos eu cheguei a suar e lágrimas já enchiam meus olhos. Eu estava assustado, com medo. Aquele tipo de reação dele me apavorava, me fazia lembrar do que ele era capaz.

– Freed? Você está bem?

Vi sua mão novamente se aproximar e eu apenas me encolhi contra a parede, fechando os olhos. Sua mão fria tocou minha testa, bagunçando meu cabelo, antes que eu sentisse seu cheiro ficar mais forte. Ele estava me abraçando.

– Me desculpa. Eu não tive a intenção de lhe fazer mal e eu ... to sem jeito de lidar com você. Não precisa ter medo de mim, ok?

Não respondi, mas senti seus lábios tocarem minha testa. O empurrei devagar e ele bagunçou ainda mais meu cabelo, antes de questionar se eu queria sair. Pensei um pouco e resolvi aceitar, já que fazia dias que eu não sentia sequer o vento tocar meu corpo. Sem dizer uma palavra, eu vesti o moletom, acompanhando seus passos quando ele começou a andar.

Não aconteceu nada de relevante neste passeio. Laxus me mostrou vários lugares, fomos em dois restaurante diferentes, lojas.... Ele falava muito e chamava minha atenção para tudo que considerava interessante. Quando chegamos ao centro movimentado, confesso que tive dificuldade de passar entre tantas pessoas e depois que eu me perdi dele duas vezes, ele resolveu andar de mãos dadas comigo.

Sua mão fria apertava a minha, não machucando, mas me mantendo junto à ele. Enquanto andávamos, as pessoas olhavam para nós, algumas faziam cara de nojo e cochichavam, mas Laxus não pareceu se importar com aquilo, me guiando até uma praça. Enquanto andávamos por ela, ele resolveu puxar assunto, o que eu achava estranho já que ele parecia saber tudo sobre mim.

– Há quanto tempo você está na faculdade? — ele questionou, ainda sem soltar minha mão. Crianças passavam por nós correndo, enquanto seus pais gritavam e em alguns bancos, casais apaixonados se beijavam.

– Já faz um ano... — respondi, tendo minha atenção tomada as vezes por alguns enfeites do lugar.

– O terceiro semestre é complicado. Começam algumas matérias mais específicas do curso e que são mais enjoadas, mas se você se esforçar e estudar vai conseguir passar numa boa.

– Eu não sei se vou poder começar o terceiro semestre por agora. — respondi, desviando o olhar quando vi ele sorrir para mim. Eu não sabia como devia agir perto dele. — Eu ainda estou do outro lado do mundo.

– Você vai voltar a tempo eu te garanto. — diminuindo os passos, ele andou até um banco vazio da praça e ambos nos sentamos nele. Virei o rosto para o lado oposto, observando a paisagem. Não queria prender minha mente somente em dúvidas com relação ao que ele faria ou sentia, mas as coisas não seriam simples assim.

Escutei ele me chamar baixinho e virei o rosto, percebendo o quão perto ele estava de mim. Tentei arredar o corpo para o lado, mas suas mãos me seguraram de leve pela cintura. Pensei que ele fosse me beijar, mas ao invés disso me abraçou, afagando meus cabelos. Quieto, eu só fechei os olhos, tentando me manter calmo. Era difícil me acostumar com ele me agarrando toda hora.

– O que eu preciso fazer para te convencer que eu realmente gosto de você? — ele sussurrou no meu ouvido e mesmo sentindo o coração acelerar eu respondi, levando as mãos até os braços dele que envolviam meu corpo.

– Você não gosta de mim. Quando se ama uma pessoa não se faz as coisas que você fez e está fazendo comigo. — empurrei seu corpo devagar, evitando olhar para seu rosto. Eu era sério em minhas palavras, afinal não podia dar à ele a ideia de que o que ele estava fazendo era plausível.

Houve silêncio e eu apenas continuei a olhar para o lado, reparando o lugar onde estava. Não sei o que Laxus fez nestes poucos segundos, mas senti novamente sua mão gelada no meu queixo, enquanto ele trazia toda a minha atenção para ele.

– Como foi que você se apaixonou por mim? — ele me questionou, sério. Seus olhos me instigaram a responder e eu percebi que ele não estava realmente querendo me forçar a responder quando seu polegar massageou meus lábios.

– Co-como assim? — respondi, sentindo minhas bochechas esquentarem.

– Você consegue explicar por que e como se apaixonou por mim? — ele continuou.

– E-eu nã-não sei, na verdade eu- seu dedo indicador parou em meus lábios, me silenciando e ele abriu um fraco sorriso, antes de escorregar sua mão direita para minha bochecha. A esquerda, me puxou para mais perto ao enlaçar minha cintura.

– Eu também não sei dizer como é que um garoto magrelo, baixinho e extremamente tímido me cativou. Eu reparei em você desde a primeira vez em que te vi naquela agência. — ele deu uma risada baixa, diminuindo a força da mão na minha cintura. — Naquele dia eu fui chamado pela agência de garotos e garotas de programa exatamente por que havia sumido de lá. Fazia seis meses que eu não ia até lá procurar alguém para fazer contrato, até mesmo por que eu passei a achar algumas pessoas em boates. E eu lembro que estava conhecendo as instalações de lá, quando entrei na sala de vidro e te vi. Você estava muito nervoso.. parecia um animal acuado que havia entrado em uma toca inimiga. Foi assim que você me chamou a atenção. Eu via medo em seus olhos, mas também via um garoto desesperado e sozinho, assim como eu sempre neguei ser.

Em silêncio, eu observava ele falar, me lembrando daquele dia. Eu realmente estava muito nervoso naquela vez e eu lembro que em questão de meia hora um senhor gordo que me entrevistava arrumou um contrato, dizendo que eu era realmente sortudo por conseguir um cliente tão rápido. Nunca mais tive notícias da agência, nem mesmo quando quebrei o contrato. O trabalho deles era me recrutar e achar um cliente para mim. Isso já havia sido feito e Laxus já havia pago pelo serviço da agência.

– No dia em que você chegou à minha casa eu percebi o quanto você não queria fazer aquilo. Eu via nos seus olhos que você se recriminava e depois de pesquisar um pouco sobre sua vida pude entender seus motivos. Confesso que eu me diverti com seu desespero. — ele deu outra risada, colocando uma mecha do meu cabelo atrás da minha orelha. — Quando eu te beijei pela primeira vez, a sua reação foi muito engraçada, assim como a vergonha que você estava quando entrei no seu quarto na nossa primeira noite. Eu sei... eu fui um babaca por ter lhe forçado. — seu sorriso se desfez e ele pegou nas minhas mãos, ainda me olhando nos olhos. — Depois que saí do seu quarto, eu percebi o que havia feito ao ver seu sangue no meu corpo. Eu me lavei e apenas tentei ignorar aquilo, mas ver você chorar daquela forma me tirou o sono. Na manhã seguinte, você saiu correndo, o que fez com que eu me sentisse pior ainda.

Um vazio se abria no meu peito conforme ele falava. Laxus as vezes gaguejava e desviava o olhar do meu. Pude sentir que ele tinha vergonha dos seus atos e suas mãos frias seguravam as minhas, roubando seu calor. Em silêncio, eu apenas escutava, conhecendo o lado daquele que eu amava, mas que ainda temia.

– Eu tentei em todo momento tirar qualquer afeto que eu sentia por você. Te castiguei, te humilhei... fiz muitas coisas horríveis e imbecis das quais eu não me orgulho e me arrependo. Te machucar era uma forma de tentar enfiar na minha cabeça que você era apenas uma distração como todos os outros, mas com o tempo eu percebi que não era só isso. Eu queria ter mais do que os beijos e abraços daquele garoto tímido que me deu banho quando eu estava bêbado e que me deu o sorriso mais lindo do mundo quando eu o pedi em casamento.

Minhas bochechas coraram em segundos. Ele se lembrava daquilo? Meu coração começou a bater forte e Laxus sorriu novamente, se aproximando e me dando um beijo na testa, antes de me abraçar. Envergonhado, eu não consegui pensar em nada para dizer e ele voltou a falar, ainda comigo em seus braços.

– Aquela vez em que eu fui imbecil de lhe agredir .... juro, nunca me senti tão lixo na vida... se eu pudesse voltar no passado jamais permitiria que você se machucasse...

Apertei os olhos, tentando não lembrar daqueles momentos. Momentos em que fui usado como objeto e até mesmo espancado. Aquilo tudo doía na minha alma. Ainda estava ali dentro de mim e demoraria algum tempo para se esvair aquela angústia que eu sentia. Conforme Laxus falava, senti lágrimas quentes e silenciosas escorrerem pelo meu rosto, não aliviando a agonia e o medo que eu sentia apenas de lembrar daqueles momentos.

– Eu queria ter você só para mim, mas ao mesmo tempo não queria gostar de você. Depois que eu lhe bati e você foi embora o chão se abriu sobre os meus pés. Até pensei que você devia ficar com alguém que cuidaria de você, como aquele cara, mas eu ficava louco só de imaginar que eu perderia o amor que você tinha por mim e que alguém te tocaria como apenas eu deveria te tocar. — ele fez uma pausa, antes de me soltar de seus braços e encostar sua testa na minha. Os olhos dele estavam fechados e suas mãos voltaram a segurar as minhas. — Sei que é estranho e pode parecer possessivo, mas eu não sei como descrever tudo isso. Eu sinto algo por você e não se resume ao desejo por seu corpo. Eu quero seus sorrisos, sua respiração, seus beijos... quero ter e cuidar de você por completo.

Olhei para baixo, soluçando. Eu não sabia o que dizer. Deveria acreditar? Era o que me perguntava, sem ter uma resposta. Suas mãos subiram e tocaram meu queixo, me fazendo levar os olhos de encontro com aqueles olhos cinzentos, os quais eu já temera tanto.

– Eu comecei a gostar daquele garoto de cabelo verde. Da sua inocência e até mesmo da sua determinação. Tentei várias vezes consertar as coisas de errado que fazia, lhe dando prazer, o levando a lugares .... mas nada pode apagar todas as minhas ações erradas. Eu não posso voltar ao passado, mas eu posso pedir que ele me dê uma chance no presente para fazê-lo feliz e retribuir esse amor que agora está escondido em um olhar amedrontado. — seus dedos subiram para meu rosto, secando minhas lágrimas. Ele voltou a sorrir, massageando meus lábios com a ponta do dedo. — Eu não sei o que é amor Freed e não sei por que eu sinto algo diferente por você. Assim como você um dia me amou e não soube explicar, hoje sou eu que está aqui na sua frente confuso do porquê de gostar de alguém. Tudo que eu te peço é uma chance para te fazer feliz daqui para frente, ok?

Achei estranho a forma como ele terminou de falar, mas com o tempo entendi que aquele era o jeito dele. Bagunçando meu cabelo, ele ficou de pé, antes de estender a mão para me ajudar a levantar. Já de pé, eu desviei o olhar quando vi que ele olhava para o meu rosto e ele me chamou de volta ao carro. Estava ficando tarde e também cada vez mais frio.

Assenti e tornei a andar ao seu lado. A praça estava mais vazia e caminhamos devagar por ela, tendo as vezes minha atenção tomada por casais que andavam por ali de mãos dadas. Deveria dar uma chance a ele? Mas e quanto a Dave? Aquilo tudo era verdade? Esses eram alguns dos questionamentos que eu me fazia e sabia que só teria as respostas se deixasse que o tempo passasse.

Notas finais
Não tem ideia do quanto foi difícil escrever esse capítulo, na moral :c Eu tinha que fazer Laxus mostrar que estava confuso, mas meio que tinha certeza sabe... aquela confusão de gente apaixonada e turrona para se confessar, mas acho que ficou bom. ACHO. Me digam se gostaram! OBS: O aniversário do Laxus está chegando! Adivinham o que vai ter?