Do you remember me?
63 O que dizer?
Notas iniciais
Dave praticamente se jogou em cima de mim, me abraçando e me beijando. Desconfortável, eu o empurrei devagar, pedindo que ele se acalmasse entre as várias perguntas que fazia.
– O que aconteceu? Onde você estava? Por que sumiu?....
Várias perguntas eram feitas ao mesmo tempo e estando tão sonolento eu não conseguia pensar em resposta para nenhuma delas. Pingo logo estranhou o “invasor” e veio até nós dois aos latidos e rosnando. Dave estava muito agitado e logo começou a perguntar sobre o Pingo também. Cheguei a esfregar minha própria testa antes de pedir para ele se acalmar para que a gente pudesse conversar.
– Onde você estava? – foi a primeira pergunta dele. Seus olhos verdes carregavam preocupação e ele chegava a ofegar, tocando meu rosto como se não acreditasse que eu era real.
– E-estava nos Estados Unidos.
– O que!!? Por que? – ele questionou novamente.
Eu poderia mentir. Poderia inventar uma história qualquer, mas não era bom em mentiras. Dave merecia saber a verdade e eu não podia enganá-lo mais. Não podia mais usar seus sentimentos para curar feridas na minha alma. Era injusto, infantil. Ele merecia alguém que o amasse tanto quanto ele me amou.
– E-eu estava com Laxus. Ele me levou para lá e-...
– Ele te sequestrou?
Os gritos dele com os latidos de Pingo fizeram minha cabeça latejar. Irritado, gritei com Pingo para se calar e creio que ele se assustou, pois se enfiou para debaixo da minha cama. Suspirando, eu novamente olhei para Dave, me sentindo pior ao ver sua expressão preocupada.
– Sim, ele me levou contra a vontade. – vi que ele iria faltar outra coisa, mas continuei a falar, demonstrando que queria que ele apenas me ouvisse naquele momento. – Quando eu liguei para você eu ainda ... bem... – fiz uma pausa, pensando em quais palavras usar. Nem mesmo eu sabia definir aquela situação direito. — eu estava confuso com o que estava acontecendo. Laxus disse que gostava de mim. Eu não acreditei no começo, mas depois de um tempo passei a acreditar. Ele se mostrou uma boa pessoa comigo sabe, nós ficamos juntos e agora estamos namorando...
Minha voz saíra fraca e baixa enquanto eu falava. Dave me olhou desconfiado e deu uma risada irônica, antes de balançar a cabeça, olhando para o chão. Ele riu ainda mais, passando as mãos no próprio cabelo. Vendo aquilo eu fiquei ainda mais nervoso, continuando a falar.
– E-ele não me machucou Dave. L-laxus mudou...
– O cara te sequestra, te leva para o outro lado do mundo, te mantém em cárcere privado e você simplesmente aceita tudo numa boa e ainda namora com ele?! É isso mesmo?
– Nã-não... não era assim Dave....
– Ou você simplesmente fugiu com ele e me ligou por pena? Eu fiquei aqui Freed. Preocupado. Te procurei em todo canto e quando você me ligou eu fiquei ainda mais preocupado.
– E-eu queria voltar, mas Laxus disse que- ele acabou me interromper.
– Disse o que? Que queria transar com mais com você? Não percebe que ele só está te manipulando? Não seja ingênuo Freed. Você sabe muito bem do que ele é capaz!!
Dave gritava de raiva, fazendo gestos com as mãos. Dei alguns passos para trás, mas ele segurou meus braços. Eu o olhava arrependido e não sabia nem mesmo contestar o que ele falava. Ele estava certo sobre o que Laxus fizera, mas eu já acreditava nele naquele momento.
– E-ele mudou Dave... acredite em mim....
Um suspiro debochado saiu da boca dele e ele olhou para o chão com raiva. Quando ele tornou a levantar os olhos percebi que lágrimas escorriam por seu rosto. Ele estava muito alterado.
– E-então é isso? Você fica com Laxus e me deixa preocupado. Volta e ainda continua com ele.... – ele deu uma pausa, limpando com descaso as próprias lágrimas. – E estão namorando agora? Pelo que entendi de tudo isso eu sou o corno idiota da história, não é?
– N-não Dave não é assim... – respondi engolindo em seco. Eu não sabia nem o que pensar naquele momento.
– Pois bem Freed. Espero que seja feliz.
A raiva era perceptível em sua voz, mas em seus olhos eu podia ver o quanto ele estava magoado. Suas mãos me soltaram e ele virou o corpo, caminhando em passos rápidos para a porta. Corri até ele e puxei seu braço para que pudéssemos conversar, mas ele me empurrou, quase me jogando no chão. Com se o susto pelo empurrão não fosse o suficiente, tudo aquilo se tornou pior com o que ele falou.
– Quando ele te bater não precisa me procurar. Você está sozinho agora.
Lágrimas já enchiam meus olhos e eu dei um pulo de susto quando a porta bateu com muita força. Depois que ele saiu, Pingo correu até a porta, voltando a latir sem parar. Agoniado com aquela situação, encostei minhas costas na parede, escorregando o corpo até cair sentado no chão, permitindo que lágrimas escorressem pelos meus olhos.
Dave não merecia passar por isso.
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