Do you remember me?
64 Minha escolha
Notas iniciais
Laxus demorou a chegar depois daquilo. Deprimido, eu fiquei sentado no chão, apenas repensando toda aquela situação. Dave tinha razão. Eu não fora justo e nem fiel a ele. Fui egoísta, infantil, trocando-o como quem troca um brinquedo. Minha vontade era de ir atrás dele, mas eu não tinha argumento nenhum para debater com ele. Eu era o errado naquela situação.
Pingo se deitou ao meu lado, abaixando a cabeça entre suas patas. Levei as mãos até sua cabeça, fazendo um carinho como pedido de desculpas por ter gritado com ele. Não demorou para que ele levantasse a cabeça e começasse a latir, antes que eu escutasse batidas na porta.
Secando as lágrimas com a manga da blusa, fiquei de pé e caminhei até a porta, abrindo-a. Deixei os ombros caírem ao ver Laxus entrar com muitas sacolas de supermercado. Ele as colocou na mesa suspensa enquanto eu fechava a porta e quando eu virei o corpo ele segurou meu queixo.
– Por que está chorando?
– Da-dave esteve aqui... – eu solucei, limpando novamente as lágrimas que escorriam pelo meu rosto. – contei à ele o que aconteceu e ele brigou comigo. Foi horrível....
– Ele não te machucou, não é? – Laxus tombou a cabeça, me olhando de cima a baixo, procurando por uma possível ferida.
– Não Laxus, mas ele gritou muito... – solucei, sentindo as mãos de Laxus nos meus antebraços. Seus dedos polegares giravam, fazendo uma espécie de massagem. – Foi muito injusto o que eu fiz com ele.
– Não havia nada que você pudesse fazer Freed. Escolhendo um de nós automaticamente você abandona o outro. – Laxus tinha uma expressão de pesar naquele momento. Era estranho vê-lo assim.
– E-eu sei, mas eu não queria que ele se magoasse. Ele sempre cuidou de mim...
Um beijo foi dado sobre a minha testa e as mãos dele foram para meu rosto, massageando meu queixo. Percebi que ele queria me consolar, mas ele não sabia muito bem como fazer isso.
– O tempo vai fazer com que ele aceite. Não há nada que você possa fazer.
Pensando por alguns segundos eu assenti, antes de limpar minhas lágrimas. Laxus se aproximou e me deu um beijo, interrompendo-o ao ver Pingo tentar subir em suas pernas. Com um sorriso no rosto ele se abaixou, pegando Pingo no colo e andou com ele até minha cama, onde se deitou coçando a barriga de pingo que mexia as patinhas sem parar.
Respirando fundo, resolvi ver o que tinha nas sacolas. Peguei as coisas de Pingo e enchi uma vasilha com água e comida que logo fez ele vir em disparada na minha direção. Para nós, Laxus comprara carne, verduras, um monte de coisas para que eu pudesse fazer o jantar. Ele estava certo e mesmo que eu me sentisse mal com tudo aquilo não havia nada que eu pudesse fazer naquele momento.
Abri a geladeira e guardei as coisas que ele comprara, jogando fora muitas coisas que estavam estragadas. Olhando para o lado vi Laxus deitado na cama, me focando em fazer o jantar antes que ele acabasse dormindo. Preparei carne com batatas, arroz e fiz um suco de laranja. Foi algo simples, mas eu queria que ele comesse antes de dormir.
Acordá-lo foi uma luta. Laxus resmungou, virou o corpo... por fim eu já estava rindo e ele esfregou os olhos, me olhando com mau humor. Mais uma coisa que aprendi sobre ele. Se ele acordar cedo ou for acordado depois de dormir pouco ele fica mal humorado. Tive de insistir com ele para ir jantar na mesa e ele levantou cambaleando, esfregando o rosto antes de sentar na cadeira.
– Como foi o dia hoje? – resolvi perguntar ao perceber que ele não iniciaria uma conversa.
– Cansativo. Acabei tendo mais reuniões que o esperado, mas eu e Yakumo conseguimos entrar em uma empresa que presta consultoria para o governo. Amanhã vamos começar a olhar alguns projetos. Tem muita coisa acumulada.
– Pensei que vocês fossem abrir uma empresa. – falei, dando uma colherada no arroz. Realmente aquilo estava gostoso.
– Nós seremos sócios. Um amigo meu já havia aberto a empresa e estava sozinho. Decidimos trabalhar com ele ao invés de criar uma empresa nova. – ele continuou a comer. Era engraçado ver ele com aquela cara sonolenta.
– Isso é ótimo! Fico feliz vendo que as coisas estão dando certo para você e para Yakumo. Vocês merecem. – ri, sentindo muita vontade de abraçá-lo naquele momento, mas me contive. Não teria coragem de fazer aquilo.
– Obrigado baixinho... – Laxus respondeu, abrindo um sorriso. – Parece que eu acertei no companheiro também. Essa comida está realmente boa!
– O-obrigado! – respondi sentindo o rosto corar.
Terminamos de comer em silêncio e Laxus foi ao banheiro para escovar os dentes. Peguei uma tolha no armário e esperei ele sair para poder me lavar. Quando saí do banheiro, Laxus já estava dormindo de novo na minha cama e eu não pude deixar de admirar ver ele ali.
As cortinas estavam abertas e a luz da lua iluminava o corpo dele. De bruços, ele abraçava o travesseiro, já dormindo silenciosamente. Meus olhos percorreram seu corpo, fazendo minhas bochechas corarem ao olhar sua bunda empinada, coberta apenas por uma cueca box branca. Era a única peça de roupa que Laxus normalmente usava para dormir. Olhando para o lado, vi Pingo deitado em uma poltrona pequena para cães. Laxus devia ter colocado ali e eu nem mesmo percebi.
Fechando as cortinas, não me dei ao trabalho de apagar a luz, pois Laxus já fizera isso. Usando um pijama, me deitei ao lado de Laxus e puxei o cobertor que estava nos pés da cama, cobrindo nossos corpos. Laxus se mexeu e virou o corpo para o lado, me puxando de costas para seu peito, até que ele me encoxasse por trás. Apertei os olhos de vergonha e senti seus lábios frios tocarem a minha nuca.
– Boa noite. – escutei ele dizer baixinho, antes de fechar os olhos e entender que era com ele que eu realmente queria e deveria ficar.
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