Do you remember me?
16 Inesperado
Notas iniciais
O dia começou com correria. Devido ao horário em que chegamos ao apartamento, acabei por dormir pouco durante a noite. Acordando atrasado, me pus a correr para o banheiro, dando graças a Deus por ter tomado banho depois que voltamos da festa. Escovei os dentes correndo e penteei meu cabelo, antes de vestir calças jeans, uma camisa fina de mangas compridas e mais uma blusa grossa de frio. O inverno havia chegado e sabia que se eu não me prevenisse, acabaria doente.
Saí do quarto e encontrei Laxus já pegando as chaves do carro para sair. Ele falava no telefone e estava nervoso com alguma coisa. Cumprimentando Eleonor, peguei alguns pães de queijo e bebi um copo de suco, comendo enquanto corria atrás de Laxus. Dentro do elevador, colocava os pães na boca, mastigando com pressa conforme passávamos pelos andares. Laxus continuava a falar no telefone, aumentando o tom de voz cada vez mais. Logo chegamos à garagem e ele desligou o aparelho, antes de abrir o carro. Sequer esperei que ele me mandasse entrar e já coloquei o cinto de segurança.
– Voltarei mais tarde hoje. – ele me alertou, enquanto ligava sua Lamborghini e a manobrava dentro da garagem. Antes mesmo que eu dissesse ou pensasse em alguma coisa ele continuou. – Independente disso você deve estar aqui no horário combinado, fui claro?
– S-sim. – respondi, engolindo o último pão de queijo que pegara. Ainda estava com fome e um tanto confuso com os últimos acontecimentos, mas sabia que não ia conseguir nada conversando com ele sobre o assunto.
Em silêncio, seguimos para faculdade e depois de me deixar na portaria, Laxus dirigiu apressado pela avenida, até desaparecer no horizonte. Observando em silêncio, me questionava o porquê de tanta correria, quando Dave tapou minha visão ao passar em minha frente de braços cruzados.
– Precisamos conversar.
Sem esperar uma resposta minha ele me puxou pela mão, passando direto pelos prédios em que ocorriam as aulas, me guiando até uma praça que ficava em frente à biblioteca. Sentei em um banco, já apertando a alça da minha mochila, me preparando para a bronca que iria tomar.
– Largue esse cara. – ele começou a falar depois que sentou ao meu lado. – Você não precisa vender seu corpo para poder estudar e muito menos sofrer desse jeito.
– Dave tudo isso é mais complicado do que parece ....
– Eu sei que não será fácil, mas não há motivos para aceitar uma lástima dessas. Laxus Dreyar não é um homem bom e tenho certeza de que já percebeu isso nos últimos dias.
Eu abaixei a cabeça, tal como um filho recebe uma bronca de um pai. Dave cuidava tanto de mim e me dava tantas broncas que às vezes ele parecia um. Apertei mais uma vez a alça da minha mochila, enquanto escutava suas palavras. Ele tinha razão, mas eu não podia simplesmente desistir.
– Eu já te disse isso e lhe direi outra vez. – suas mãos levantaram meu rosto e quando meus olhos se encontraram com os seus, ele massageou meus lábios com o polegar, ainda mantendo a mão sobre meu queixo. – Esqueça Laxus e fique comigo. Irei cuidar de você e te dar o amor e carinho que você merece.
O sangue subiu para as bochechas ao ver seu sorriso. Dave se aproximou, fazendo monção que iria me beijar, mas coloquei a mão sobre sua boca, antes de me afastar.
– Eu não posso. Quero conquistar minhas coisas com meu esforço e não é tão simples desistir do contrato que fiz com ele.
Tinha vontade de chorar e tinha de respirar fundo para falar com ele. Era difícil. Era doloroso estar naquela situação, quanto mais ver a forma que Dave me olhava.
– E se eu disser que você irá me pagar por minha ajuda?
– Co-como? – disse, tirando minha mão de sua boca. Dave a segurou e beijou delicadamente as costas da minha mão, fazendo meu coração acelerar.
– Basta você me amar! – ele sorriu, antes de soltar minha mão e tocar meu rosto. – Deixe que eu seja seu namorado.
Meu coração começou a socar meu peito e senti minhas bochechas esquentarem. Dave me abraçou forte, levando o rosto até minha orelha, o que me fez arrepiar. Ele pouco se importava se alguém estava nos vendo. Tudo o que ele queria era estar comigo.
– Estou disposto a alcançar o impossível por você. Eu te amo Freed e tudo que eu te peço é que me dê permissão para te dar a felicidade que você merece.
O coração dele batia forte e pude sentí-lo quando seu peito encostou ao meu. Afagando meus cabelos, Dave me soltou, abrindo um sorriso largo ao fitar meus olhos. Ele sabia que confissões me deixavam travado, de forma que me deu um “peteleco” na testa, o que me fez respirar fundo.
– Pense bem no que te disse. Lhe darei o tempo que quiser para pensar. E além do mais ... – ele piscou, antes de começar a rir. — ... eu sou bem mais bonito que Laxus!
Aquilo me fez rir, mesmo envergonhado. Dave afagou meus cabelos e me chamou até a biblioteca, afirmando que queria pegar alguns livros para estudar. Mesmo desconcertado com tudo aquilo, assenti, sendo novamente puxado por ele.
A biblioteca da faculdade é simplesmente gigantesca. Por ter vários cursos naquele campus, eram necessários muitos exemplares de diversas matérias. Eram três andares, com estantes gigantescas repletas de livros. Dave me puxou até o último andar, me levando até um lugar mais isolado. Inocentemente, pensei que ele sabia onde estava o livro que precisava e percebi apenas o motivo de estarmos ali quando chegamos ao fim de uma longa prateleira, cujo local era iluminado apenas por uma janela muito alta. Ele girou meu corpo e me prensou na parede.
A forma que ele me olhava, era indescritível. Me senti como a coisa mais bela do mundo em sua frente, ficando paralisado com seu olhar. Suas mãos percorreram meu rosto, tocando meus lábios. Minhas bochechas coraram e mesmo sabendo que não devia deixar ele fazer aquele tipo de coisa comigo, apenas fechei os olhos quando seus lábios se uniram aos meus.
O beijo dele era diferente, delicado. Laxus me jogava entre a luxúria e desejo com seu beijo, mas Dave fazia aquilo ser diferente. Havia amor e talvez uma pitada de paixão em seu beijo, que começara lento. Aos poucos, tudo foi se intensificando e ele percebeu minha apreciação quando fiquei na ponta dos pés e enlacei seu pescoço com as mãos. Como Laxus me ensinara, comecei a puxar seus cabelos devagar e em certo ponto, ele parou. Riu ao ver que eu estava ofegante e encostou a ponta do nariz no meu, fazendo o chamado “beijo de pinguim”.
Aquele sorriso era tão bom que tinha vontade de roubá-lo e colocar no bolso para sempre vê-lo quando estivesse triste. Não assisti uma aula sequer naquele dia. Dave e eu nos sentamos no chão, ouvindo ao longe a movimentação da biblioteca, enquanto conversávamos. Saímos apenas no horário do almoço, onde Dave me obrigou a comer muitas verduras e legumes no restaurante, afirmando que deveria cuidar da minha saúde.
Era maravilhoso ter alguém cuidando de mim, me fazendo rir com algumas piadas e histórias. Dave foi cuidadoso comigo até mesmo na escolha da sobremesa, afirmando que eu ficava um pouco agitado quando comia muito chocolate. Mesmo sabendo que poderia me arrepender por tudo aquilo, aproveitei bastante o dia, voltando a acompanhar Dave de volta a biblioteca. Nos desviando dos guardas e bibliotecários, voltamos mais uma vez ao local onde havíamos ficado.
Sentando mais uma vez no chão, Dave me chamou, me puxando para mais perto quando me sentei ao seu lado. Novamente, ele tornou a me beijar, da sua forma delicada e amorosa. Porém, pouco a pouco as coisas tomaram um rumo diferente.
Explorando minha boca com a língua, ele mantinha uma mão sobre a minha coxa e começou a apertá-la aos poucos, conforme seu beijo se intensificava. Logo, ele me puxou e eu estava em seu colo. Meus olhos se mantinham fixos aos seus quando nossos lábios se separaram.
– Você está vermelho! – ele riu, levando as mãos até minha nuca e voltando a me beijar.
Minhas mãos tremiam e eu me sentia envergonhado da minha posição. Sabia que não devia fazer aquilo, mas o beijo dele era tão gostoso que sentia que necessitava sentir aquele amor. Suspiros pesados eram dados de ambas partes e logo senti meu corpo manifestar o doce prazer que estava sendo oferecido. Não tive tempo sequer de cobrir meu membro, uma vez que Dave levou uma mão até ele, o massageando lentamente.
– Você é tão fofo, Freed! – ele riu, me deixando ainda mais envergonhado e sem jeito.
Apertando uma pálpebra contra a outra de vergonha, continuei sentado em seu colo, enquanto sua mão me massageava devagar sobre a calça. Dave encostou a testa na minha e continuou com os movimentos de sua mão, até que parou de repente. Sem entender, abri os olhos e seus lábios se uniram aos meus, em um beijo urgente que deixou nós dois sem ar. Sorrindo, ele desceu o zíper da minha blusa de moleton, a tirando. Levou as duas mãos até a barra da minha blusa e me olhou nos olhos por um tempo. Ao que parece, ele esperava alguma negação da minha parte, que não veio. Eu já tinha em mente o que queria e Laxus sequer passava por minha cabeça naquele momento.
Minha blusa foi puxada para cima, até que saísse do meu corpo. Envergonhado, levei as mãos até o rosto, tapando-o. Dave colocou as mãos sobre as minhas, as puxando devagar. Me chamou pelo nome baixinho, fazendo com que eu abrisse os olhos e direcionasse minha visão para ele. Aquele sorriso maravilhoso estava novamente em seu rosto e o senti meu coração esquentar.
Seus lábios se uniram aos meus e ele puxou a própria camisa para cima, até tirá-la. Meu peito foi apertado contra o seu e descansei a cabeça em seu ombro, tentando pensar no que estava prestes a fazer. Sabia que era errado. Sabia que ele me amava e naquele momento repensei sobre minhas decisões. Todas erradas e que me fadavam ao fracasso. Olhei novamente para Dave, lutando contra a minha timidez. Um beijo foi dado em minha testa e em sinal de respeito, ele não avançava sobre o que queria fazer naquele momento. Ele me respeitava, mesmo quando me desejava.
– Quero fazer amor com você. – ele sussurrou baixinho, voltando a sorrir.
Minhas bochechas arderam e queimaram de vergonha, mas mesmo naquela situação, me atrevi a sorrir, antes de fechar os olhos, aproximando o rosto para beijá-lo. Dave segurou meus lábios, fazendo um biquinho de peixe com eles entre seus dedos e os mordeu de leve. Ainda sorrindo, ele tornou a me beijar, ousando a puxar tanto minha calça e cueca para baixo. Me segurando pelos quadris, ele abaixou a própria calça, antes de me apertar contra o seu corpo. Senti seu membro entre minhas nádegas, não tendo coragem de olhar para trás. Apertei meu rosto em seu peito e ele afagou meus cabelos devagar. Tanto ele quanto eu estávamos com o coração a mil.
– Posso? – ele perguntou, antes de dar um beijo no topo da minha cabeça, o que fez me fez olhar para ele. Jogando meus braços envolta de seu pescoço, amparei meu rosto em seu peito antes de assentir.
Pouco a pouco, ele começou a me adentrar. Seu membro talvez fosse tão grande como o de Laxus, porém diferente dele, Dave teve paciência e piedade dos meus gemidos de dor. Me senti completo quando ele chegou ao fim e ambos soltamos um gemido de satisfação por isso. Aos poucos, ele começou a se mover, diminuindo o ritmo quando percebia que eu gemia de dor. A cada estocada, meu corpo estremecia e uma de suas mãos continuava a me estimular. Seus lábios logo se ocuparam com os meus, enquanto ele demonstrava todo seu amor e eu o absorvia na minha infinita necessidade de ser amado.
Dave me deitou e puxou minhas pernas para cima, voltando a se movimentar. Beijava delicadamente meu peito e sugou meus mamilos de leve, me fazendo atingir meu limite sendo seguido por ele.
Havia sido a relação íntima mais rápida da minha vida, mas ganhava de longe em questão de amor envolvido. Ofegantes, ficamos parados por um tempo, até que Dave se levantou, questionando se eu estava bem. Assenti, ainda envergonhado e com certa dificuldade de olhar em seu rosto. Delicadamente, ele me ajudou a me levantar e me vestiu, fazendo o mesmo consigo em seguida.
Era diferente a sensação. Eu estava sujo por seu sêmen e Dave pelo meu, porém não havia nojo. Mesmo sentindo prazer com Laxus, sentia-me enojado por ver excreções do seu corpo em mim. Eu estava confuso, estava envergonhado e agora, indeciso.
– Eu te amo Freed. – ele disse quando ficamos de pé e me abraçou.
Naquele momento eu entendi. O seu sorriso, o seu beijo, o seu abraço. Eles eram como de Laxus, fortes, firmes e prazerosos, porém eram regados de amor e não apenas desejo.
No caminho de volta eu repensava em tudo. Sobre as atitudes, falas e até mesmo ameaças de Laxus. Sabia que havia quebrado o contrato e que se ele descobrisse, seria sentenciado a pagar um bilhão de dólares para ele, mas talvez fosse a melhor coisa que me acontecesse.
Logo eu estava no apartamento. Levei as mãos até a maçaneta e abri inocentemente, não imaginando o que Bickslow estaria em meu quarto.
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