Notas iniciais
Mais capítulos. YEY

O sono induzido por medicamentos é estranho. Não há sonhos, não tem essa de rolar na cama. Você deita e dorme, chegando ao ponto de acordar na mesma posição que dormiu. Durante anos tive depressão pela morte dos meus pais e o sono foi algo que também me foi tirado por um tempo, me tornando dependente de remédios para dormir. Felizmente conseguira me recuperar, mas não sabia dizer se tudo não voltaria durante aquele contrato.

Parecia que eu havia dormido há segundos, mas percebi que dormi tempo demais quando escutei batidas na porta. Me virei para o lado, percebendo que Laxus não estava ali. Os barulhos se tornaram mais altos e com dificuldade, caminhei até a porta, levando um susto ao empurrarem um grande urso de pelúcia para cima de mim. Ele tinha quase a minha altura.

– Bom dia Freed!! — Evergreen praticamente se jogou em cima de mim, com o urso e tudo, antes de me abraçar. Apressada, Yakumo passou por nós dois, gritando por Laxus. Ela chamou, vasculhando os cômodos, visivelmente irritada. Enquanto ela andava pelos cômodos, Evergreen sorria e tagarelava, chamando minha atenção ao tocar na minha testa e ver que eu ainda estava com febre.

– Onde Laxus está? — Yakumo questionou, com o celular em mãos. Demorei um tempo para raciocinar uma resposta para a pergunta, afinal, havia acabado de acordar, mas sentia meu corpo muito cansado.

– Eu não sei... pensei que ele estivesse aqui... — pisquei confuso, tentando acompanhar a agitação das duas.

Evergreen me entregou o urso, antes de me puxar pela mão até a cama. Com uma expressão preocupada, ela pediu que eu sentasse. Yakumo esfregou o rosto, antes de voltar a me fazer perguntas.

– Você está dormindo desde que horas?

– Eu não sei... são quantas horas agora? — coloquei o urso do meu lado na cama, esfregando os olhos.

– São 09:45.

Arregalei os olhos ao ouvir a resposta de Evergreen. Olhei para os lados confuso, sentindo meu corpo exausto. Eu havia dormido quase um dia inteiro e estava cansado? Minha situação realmente era pior do que parecia.

– Eu dormi ontem logo depois de almoçar.

Yakumo praticamente rosnou, antes de discar alguns números, batendo o pé no chão. Evergreen ficou de pé e me ofereceu ajuda para me lavar. As duas falavam muito rápido para minha capacidade de pensar naquele momento. Eu apenas concordei, antes de caminhar para o banheiro.

Meu reflexo no espelho era deplorável. Olhos vermelhos, marcas de pancadas espalhadas pelo rosto, além de vários arranhões e pequenos cortes. Evergreen e eu demos um pulo de susto quando Yakumo começou a berrar no telefone, demonstrando claramente que conseguira falar com Laxus. Enquanto secava meu rosto e escovava os dentes, pude entender que Laxus me largara sozinho para encontrar com alguma vadia e me drogara para ter mais tempo. Movi meus olhos cansados para a porta do banheiro e Evergreen me abraçou, falando baixinho no meu ouvido que não deveria me preocupar e que tudo ficaria bem. Quando terminei, voltamos para a cama e Yakumo ainda berrava a plenos pulmões no telefone. Ela xingava Laxus de todas as ofensas possíveis e eu olhava a tudo aquilo assustado. Já havia entendido que Laxus havia "me traído", mas o que mais me assustava era sua capacidade de me drogar para conseguir algo que queria.

– Você não merece ter Freed na sua vida!!! — Yakumo gritou, antes de terminar a ligação e soltar um urro irritado. Evergreen pediu que ela se acalmasse, o que não adiantou muito. Sem saber o que fazer eu ficava ali apenas observando tudo. Não sabia o que dizer, mas na minha cabeça rondava as últimas palavras de Yakumo.

– Você deve estar com fome Freed... — ela resolveu falar mais calma, empurrando de leve Evergreen que se aproximava dela. — Vou pedir que tragam um café da manhã reforçado. Enquanto isso, tome um banho. Vamos te levar para um hospital depois que você terminar de comer.

Foi difícil convencer a Evergreen que eu poderia tomar banho sozinho e depois de muita insistência pude me lavar. Tomei um banho morno e rápido, afinal meu estômago começara a reclamar pela falta de alimento. Enquanto eu me lavava, podia ouvir cochichos das duas no quarto, mas não consegui entender direito sobre o que falavam. Ao sair, vesti uma calça jeans, tênis e uma camisa de mangas curtas. Praticamente ataquei a mesa com o café da manhã e enquanto comia, Evergreen trançava meu cabelo.

Não fazia ideia do poder que Yakumo tinha, mas naquele dia entendi por quê ela trabalhava para Laxus. Extremamente autoritária, ela não aceitava demoras, além de resolver as coisas rápido. Mesmo estando em outro país, todos a obedeciam sem questionar. Evergreen segurava minha mão o tempo todo, traduzindo quando alguma pergunta era feita para mim. Não demorou para que chegássemos ao hospital e os médicos me colocassem para tomar meio litro de medicamentos na veia. Enquanto esperávamos, Evergreen conversava comigo sobre vários assuntos aleatórios. Percebi que ela tentava me distrair, talvez pensasse que aquilo era um sofrimento para mim. Ela falava sobre algum lugar com boates boas, quando resolvi interromper.

– Laxus sabe onde estou?

– Não. — Yakumo respondeu, enquanto digitava freneticamente no seu celular. — Mas ele usa a cabeça quando quer. Não vai demorar a te achar.

Um arrepio subiu pela minha espinha. Ele ficaria irritado, sabia disso. Não devia ter ido, mesmo estando tão mal, afinal, pancadas são piores do que uma simples febre. Assustado, movi meus olhos para os lados, sentindo medo do que ele poderia fazer apenas de imaginar o momento que ele me encontrasse.

– Freed, me diga a verdade. O que vocês estavam fazendo quando você caiu daquele barranco?

Evergreen chegou a abrir a boca para falar algo, mas se calou. Seus olhos começaram a me instigar, mas nada se comparava a pressão psicológica que Yakumo conseguia fazer. Cheguei a gaguejar para responder, tentando inventar alguma mentira, mas ela me cortou de início.

– Ele é mesmo um imbecil! Até medo em você ele conseguiu colocar!

– Não faz sentido Yakumo! Laxus está tratando Freed como trata os imbecis que fazem contrato com ele! — Evergreen abaixou a cabeça, antes de esfregar o rosto e tirar os óculos.

– E o que acha que Freed é? Não existe ser humano que possa conquistar o coração do seu amigo retardado.

Senti a vergonha cair sobre mim ao ver a forma que Evergreen me olhou. Yakumo sabia de tudo, mas ao que parece, ela não. Sem coragem de dizer uma palavra, abaixei a cabeça, apertando os olhos para não chorar. Eu sabia que aquelas palavras não eram mentiras.

Eu era um imbecil. Um pobre coitado. Mais um risco na parede da vida de Laxus. Talvez um dia ele exibisse essa parede, mostrando as várias e várias pessoas que sofreram em suas mãos, mostrando todos os seus troféus. Eu era inocente quando caí em suas mãos. Por uma simples negação, fui estuprado e humilhado. Estava ferido e doente, desde que me entreguei á ele.

Tentei em vão não chorar perante as duas, mas nunca fui bom para esconder lágrimas. O silêncio pareceu se intensificar quando Evergreen me abraçou forte, me dando um beijo na testa para me consolar. Permiti que algumas lágrimas escapassem por um tempo, mas não demorou para que eu sentisse elas secarem em meus olhos.

– Não lembro de ter lhe dado permissão para sair Freed.

Um calafrio me fez estremecer ao mover meus olhos para a porta. Parado, Laxus olhava para mim. Vi Yakumo se levantar e ir para perto de mim. Ao que parece, ela também conhecia aquele olhar e já previa o que ele seria capaz de fazer comigo.

Notas finais
Estamos chegando a um momento crítico nesta fanfic. Creio que alguém não vai aguentar essa situação .... Vejam em breve!!!