Notas iniciais
Voalá! Mais capítulos!

O silêncio perpetuava dentro do carro. Laxus dirigia normalmente e sequer olhava para mim. Evergreen chegara a chorar ao ver ele arrancar o tubo de medicamento do meu braço e me puxar para fora do hospital. Yakumo apenas o ofendeu ainda mais, dizendo várias e várias vezes que ele morreria sozinho e nunca teria ninguém que o amasse.

O local onde o tubo fora arrancado ardia e eu o acariciava tentando amenizar a dor. Me sentia agitado por dentro, mas meu corpo estava bastante debilitado, o que pareceu não comover Laxus. Sem dizer uma única palavra, ele dirigiu de volta ao hotel, jogando com descaso a chave do seu carro para o manobrista antes de ir para o elevador.

Não havia motivos para ele ser grosso daquela maneira. Eu não havia feito nada de errado. Estava doente e realmente precisava de medicamentos, porém, até mesmo para me fazer entrar no quarto ele usou de sua ignorância. Cheguei a sentir meu braço formigar pela força que ele o segurou, antes de me empurrar para dentro. Sem forças, me segurei na parede para não cair, escutando a porta bater forte depois que ele entrou. Suas mãos frias seguiram na minha direção, me fazendo virar, antes que ele tocasse na minha testa.

– Sua febre já está diminuindo. Deite um pouco e vá dormir.

Um pontada de raiva me fez empurrá-lo quando encarei seus olhos. Como ele podia estar irritado com aquilo tudo? Tinha vontade de chorar e gritar tudo o que pensava dele naquele momento, jogar na cara dele o quanto ele era imbecil e que nunca teria ninguém em sua vida daquele jeito, mas não tive a chance. Um tapa forte fez meu rosto ser virado de um vez e um chute na minha barriga me fez cair na cama. Comecei a tossir, chegando a sentir o gosto da bile subir para minha boca e em resposta, ele apenas riu, antes de se deitar em cima de mim.

– Não ouse me rejeitar Freed! Aqui sou eu que decido o que você faz ou não.

Um soluço escapou da minha boca, acompanhado por lágrimas. Rindo, ele levou sua boca até a minha e eu virei o rosto para o lado, cerrando meus lábios. Ele não iria me beijar, ele não merecia ter contato comigo. Porém, ele não estava disposto a me deixar ser teimoso.

Segurando meu rosto com uma das mãos, ele o virou, fazendo meu pescoço doer. Na tentativa de me livrar, virei um tapa forte e em seu rosto e quase instantaneamente, recebi um soco de volta. Até hoje me lembro do estalo do meu tapa, assim como a dor que senti no meu pulso fraturado e pelas pancadas que recebi naquele dia. Laxus começou a me olhar de forma demoníaca, antes de começar a me bater.

Vários e vários socos foram dados contra meu rosto. Tentei fugir daquilo tudo, mas ele prendeu meu quadril com suas coxas e continuou a distribuir vários e vários golpes, chegando a alternar alguns para meu peito. Minhas mãos tentavam em vão impedi-lo e não tive forças sequer para gritar. Não soube precisar quantos golpes cheguei a levar, mas minha boca estava cheia de sangue quando ele parou. Meu olho direito inchou de uma vez a ponto que eu não enxergasse nada e o medo me fazia tremer. Eu tossia compulsivamente, antes de virar meu corpo e tentasse me arrastar, puxando o lençol da cama. Tentei gritar por socorro, mas sangue pingou no lençol e meu maxilar doía demais para conseguir gritar. Foi quando novamente senti sua mão pesada.

Meu puxando pelo cabelo com força, ele levou a mão à minha boca. Estiquei as mãos em direção à janela, sentindo lágrimas quentes se misturarem ao sangue que havia em meu rosto. Sua outra mão enlaçou minha cintura, me puxando até que suas costas colassem em seu peito. Eu movia minhas mãos freneticamente na direção da janela, implorando por ajuda naquele momento. Ajuda que não viria nunca.

– Se você gritar eu te mato, agora pare de se mexer! — ele sussurrou no meu ouvido. Laxus ofegava de raiva e vendo que sua ameaça não controlara meu desespero, apertou meu maxilar até que eu obedecesse.

Soluços escaparam da minha boca, um após o outro. Minha coragem anterior se fora, ficando em seu lugar o medo. Eu não podia morrer, mesmo que naquele momento desejasse já estar morto. Engolindo o choro deixei meus ombros caírem, tendo meu corpo virado sem delicadeza alguma. Havia um olhar de espanto na cara de Laxus.

Meu peito subia e descia rápido, com medo de olhá-lo, mantinhas meus olhos fixos para minhas pernas, enquanto minhas mãos protegiam meu peito. As mãos frias de Laxus levantaram meu rosto, dessa vez de uma forma delicada, antes que ele tirasse a franja sobre meu olho direito.

O arrependimento estava estampado na cara dele, mas eu sentia medo demais naquele momento para pensar em qualquer coisa. Tive medo de me mexer e ele não gostar, de forma que apenas continuei parado quando ele puxou meu lábio inferior para baixo, me fazendo sentir mais dor.

Lágrimas e mais lágrimas escaparam de meus olhos, antes que eu começasse a tossir, sentindo o sangue descer e subir pela garganta. Meus lábios estavam cortados por dentro pelas pancadas e sabia dizer que meu maxilar não estava quebrado depois que ele o apalpou. Olhando para ele, o vi endireitar o corpo, esfregando o próprio rosto e aproveitei sua distração para me afastar um pouco.

– E-eu ... — cada palavra fazia meu maxilar latejar ainda mais. — vou dormir... Laxus. E-eu v-vou dormir...

Tosses saíram da minha boca, antes que eu arredasse meu corpo para trás. Temia que apanhasse mais e puxei o lençol sobre a cama, entrando debaixo dele. Mesmo naquela situação, só se passava pela minha cabeça que levaria mais socos se não obedecesse. Fechei meus olhos, apertando-os, assim como tentei manter a boca fechada para evitar que mais sangue saísse da ferida. Por alguns segundos fiquei ali, antes de sentir o lençol ser puxado sobre mim. Apertei mais olhos, antes de me encolher na cama, sentindo uma mão fria afagar meus cabelos. Levando as mãos para debaixo dos meus braços, ele me levantou, como quem levanta uma criança e me colocou de pé. O susto que levei quando ele me puxou pela mão me fez tremer ainda mais, antes que saíssemos do quarto.

Eu tremia e soluçava sem parar. Quando ele me soltou, já perto do seu carro, levei minhas mãos até meu peito, protegendo a única coisa que eu realmente tinha naquele momento. Laxus podia me bater e estuprar, mas eu jamais entregaria meu coração à ele. Jamais deixaria que ele recebesse o amor que eu sabia que era capaz de dar. Foi o que pensei naquele dia.

Notas finais
Comentários ficam por conta de vocês. Só adiantando que algo vai rolar a partir disso!