Notas iniciais
Ta acabando! To em prantos :c

Eu simplesmente não conseguia parar de chorar. Hector forçava sua boca na minha, enquanto suas mãos apertavam minha coxa, me machucando. Não sabia quanto tempo eu já estava ali, mas quanto mais ele me beijava, mais tinha o medo de que ele destruísse um dia tão especial para mim e para Laxus.

O toque do seu celular quebrou nosso beijo e ele atendeu com um sorriso no rosto e apenas de escutar o que ele falava com a outra pessoa na linha, me fez entender que Laxus já notara que eu estava atrasado para a cerimônia. Engoli em seco, sentindo minha boca quente depois daqueles beijos asquerosos. Ainda apertando a arma na minha barriga, ele usou a mão esquerda para atender o telefone.

– Leve o celular até Laxus. Diga a ele que quero falar com ele. – Hector disse entre risadas, se divertindo com a situação.

– Por favor Hector não faça- ele me interrompeu, apertando ainda mais a arma contra minha barriga.

– Fique quieto. Você faz o que eu mandar, entendeu? Mantenha essa boca fechada ou vou encher ela de balas.

Me encolhi onde estava e ele colocou mais uma vez o telefone na orelha. Esperou em silêncio por longos minutos, até que colocou o celular no viva voz. Eu podia ouvir a agitação na igreja e o empregado de Hector chamar Laxus. Meu coração apertou quando escutei sua voz e mesmo com vontade de gritar por socorro eu me contive, sentindo mais lágrimas escorrerem pelo meu rosto.

– Não tenho tempo para você Hector. – Laxus respondeu no telefone e eu pude sentir preocupação em sua voz.

– Soube que estava procurando por sua noiva. Ela está bem aqui na minha frente. – Hector falou naquele tom cínico dele.

– Muito engraçado da sua parte, mas Freed está- Hector interrompeu, fazendo um sinal com a cabeça que me fez entender que eu deveria falar alguma coisa.

– E-eu estou com ele Laxus... – respondi com a voz fraca e chorosa. Houve silêncio por poucos segundos, antes que Laxus começasse a gritar.

– Seu desgraçado! Onde ele está?

– Estamos no Inuyama Park, cerca de uns dez quilômetros da igreja. Se realmente quiser se casar hoje sugiro que venha busca-lo. Venha rápido. Estou começando a ficar entediado e sua noiva é bem deliciosa para se foder.

– Se encostar um dedo nele eu juro que te mato! – Laxus berrou no telefone e eu podia escutar a voz de Yakumo que perguntava a ele o que estava acontecendo.

– Preocupe-se em vir até aqui Laxus. Não nos faça esperar.

Hector desligou o telefone gargalhando e eu engoli em seco. Laxus viria correndo e eu temi o que pudesse acontecer no caminho. Me encolhi no banco e ele continuou rindo, antes de abrir a porta do carro e sair.

Inquieto, eu comecei a rezar, única saída que encontrei naquele momento. Limpando as lágrimas, eu fiz o que podia para me manter calmo, pois sabia que Laxus chegaria muito exaltado até nós. Depois de longos minutos, escutei um carro vindo em alta direção, escutando imediatamente a voz dele depois de uma freada busca.

– Onde ele está? – Laxus chegou aos gritos e Yakumo gritava atrás dele, pedindo para ele se acalmar.

– Por que todo esse stress Laxus? Acho que eu deveria ter ficado irritado assim por não ter sido convidado para a cerimônia – escutei a voz de Hector.

Um empregado dele veio até o carro e abriu a porta, fazendo um sinal para que eu saísse. Vi Laxus deixar os ombros caírem ao me ver e Yakumo estava muito bonita, com um vestido longo e um coque no cabelo. Laxus usava um terno preto muito bonito que foi cuidadosamente escolhido por Eleonor. Como manda a tradição, eu não poderia ver a roupa dele, assim como ele não podia ver a minha antes da cerimônia, mas não pude deixar de admirá-lo por poucos segundos, mesmo com aquela situação.

– A noiva está entregue. – Hector riu, cruzando os braços e o empregado que segurava meu braço me soltou, me deixando livre para correr até Laxus. – Viu, era só buscar. Não há porque gritar.

Laxus me abraçou forte e eu afundei o rosto em seu peito. Mais lágrimas escorreram do meu rosto e ele me deu um beijo na testa, antes de me abraçar forte novamente. Meu coração batia como um louco no peito.

– Seu desgraçado! Até quando pretende nos importunar? – ele gritou comigo nos braços e aquilo só me fez chorar ainda mais.

– Laxus, chega. Freed está conosco. Vamos embora. – Yakumo tentou inibir Laxus, o que não adiantou muito.

– Sabe que hoje está se matando como um Dreyar, não é? Eu não vou tirar seu sobrenome, mas tudo sobre você será apagado dessa família. – Hector andou até perto de nós, exibindo a arma na mão.

– Família.... – Laxus debochou, ainda comigo em seus braços. – Pouco me importa Hector. Deixe Freed em paz e faça o que quiser com o nome Dreyar.

Sem esperar uma resposta, Laxus me puxou pela mão até o carro. Yakumo passou na nossa frente, gritando que iria dirigir e Laxus abriu a porta de trás para mim e antes que pudesse entrar, Hector continuou.

– Laxus..... – ele o chamou ao ver que ele iria entrar no carro. – É melhor você ficar atento ao que acontece à sua noiva. Não vacile, pois eu posso chegar facilmente até ela.

Arregalei os olhos dentro do carro e Laxus nada disse, antes de entrar com um olhar de ódio dentro do carro.

– Se ele estivesse sozinho, juro que o mataria com minhas próprias mãos. – ele falou, trincando os dentes de raiva.

– Ele não está. Acabou. Agora é hora de vocês se casarem. Tentem curtir a noite. – Yakumo disse já arrancando o carro e nos levando de volta para a igreja.

Escutei um suspiro pesado escapar da boca de Laxus, enquanto meu coração ainda batia rápido no peito. A mão de Laxus foi para meu rosto e eu olhei para ele, ainda com lágrimas nos olhos.

– Você está tão bonito...

Um sorriso se formou no meu rosto e ele enxugou minhas lágrimas com a ponta dos dedos. Laxus tornou a me abraçar, antes de me empurrar devagar e me dar um beijo. Segurei seu terno e eu o puxei mais, aprofundando mais meu beijo. Eu realmente cheguei a acreditar que não o veria mais.

– Ei pombinhos, guardem esses beijos para o casamento. – Yakumou brincou e eu ri, quebrando nosso beijo.

Laxus acariciou meu rosto e suspirou aliviado. Hector só queria nos atrapalhar e pelo jeito, mostrar para Laxus que ele ainda tinha tempo para desistir da decisão que tomara. Ele não desistiu e mesmo nervoso com a situação, tentou ao máximo me acalmar até chegarmos na igreja.

A cerimônia já estava atrasada em duas horas. Os convidados estavam impacientes enquanto Evergreen e Yakumo retocaram a maquiagem no meu rosto. Estando pronto, Laxus me deu um beijo na testa, antes de sair e fazer a entrada com Eleonor ao seu lado. Minha entrada foi com Evergreen e meu coração batia como um louco no peito. Respirei fundo, tentando esquecer o que acontecera e me focando no loiro que me esperava em frente ao altar. Quando me aproximei, ele pegou na minha mão, me guiando até que nós dois ficamos em frente ao padre.

O meu coração batia quente, forte. Mesmo com lágrimas nos olhos, dessa vez de felicidade, eu me contive em chorar, mas não consegui impedir o sorriso que eu queria exibir. Apertei as mãos de Laxus forte quando viramos um para o outro e ditei os votos e sendo a vez dele, não consegui conter as lágrimas. As alianças foram colocadas em nossos dedos e nosso beijo na frente de todos com certeza foi o melhor que já nos demos.

Ao término da cerimônia, saímos de mãos dadas, finalizando o casamento. Eleonor veio até nos dois e nos abraçou aos prantos. Laxus começou a acalmá-la e por fim teve de me acalmar também. Eu o abraçava e soluçava, pedindo a Deus que nunca me acordasse daquilo que mais parecia um sonho.

– Hora da festaaaa! – Evergreen e Yakumo se juntaram em nosso abraço, também com lágrimas nos olhos.

Os convidados começaram a sair e muitos vieram até nos, nos parabenizando. Ao lado da igreja era o salão de festas, de forma que o cheiro da comida já fazia nossos estômagos se manifestarem. Laxus e eu estávamos juntos no começo da festa, mas por fim já estávamos separados, com convidados que nos puxavam para todos os lados para fotos, perguntas e até mesmo gracejos. Evergreen deve ter tirado umas cem fotos comigo no mínimo e consegui comer apenas um pouco do bolo e dos docinhos que Eleonor fizera questão de preparar.

De longe eu via Laxus e ele fazia caras emburradas para mim de vez em quando enquanto eu ria, achando divertido ele tentar interagir com tantas pessoas ao mesmo tempo. Eu estava em uma selfie com Yakumo quando uma mão tocou meu ombro e ao me virar, o sorriso que estava em meu rosto se desfez.

– Da-dave?

– Oi Freed. Você está bonito.... – Dave deu um fraco sorriso, antes de me abraçar. Seu abraço foi forte e pelo seu semblante eu percebi que ele estava mal.

– Você sumiu. Por que desapareceu assim? Eu te procurei várias vezes! – disse quando ele separou do meu abraço e ao me ouvir ele deu um sorriso torto. Ele estava melancólico.

– O melhor a se fazer era eu me afastar de você Freed, mas recebi sua mensagem falando do seu casamento e tive que vir. Não vi a cerimônia, mas senti que precisava passar aqui e ao menos ... sabe... te parabenizar.

– O-obrigado! – respondi tentando sorrir. Era uma situação bem complicada naquele momento e vendo a expressão de Dave eu percebi o quanto era difícil para ele me ver casando com outra pessoa.

– Laxus. – ele falou, me fazendo perceber que Laxus estava atrás de mim. Não sei se por ciúme, mas meu marido colocou a mão sobre meu ombro, entrando na conversa.

– Dave. – ele respondeu ao cumprimento no mesmo tom de Dave.

– Bem, eu já vou indo. Só passei para lhes dar parabéns. Espero que sejam felizes. – Dave continuou e fez um cumprimento com a cabeça, antes de virar e sair andando devagar.

Até cheguei a esticar a mão para chama-lo novamente, mesmo não sabendo o que dizer. Laxus segurou minha mão e ao olhar para ele o vi balançar a cabeça para os lados, demonstrando que nada do que eu dissesse poderia melhorar a situação. Olhei para baixo com pesar, respirando fundo quando Laxus deu um beijo no topo da minha cabeça.

– Ah... Laxus! – Dave falou da porta, atraindo nossa atenção para ele. – Cuide do Freed, ok? – ele falou com a voz rouca, como se estivesse prestes a chorar.

– Pode deixar. – Laxus respondeu firme e Dave deu um fraco sorriso, antes de sair pela porta. Foi a última vez que eu o vi.

Notas finais
Não falei que ia dar certo? E gente a fic não é sobre o Dave. Eu o tirei da história. Fica na imaginação de vocês o que ele fez depois :) Próximo capítulo é o último! Foto: http://41.media.tumblr.com/4b64c3d4faa531302efd064de51b0943/tumblr_nmpohcjbco1tfpja4o1_500.png