Do you remember me?
14 Festa
Notas iniciais
Dentro do carro e agora mais acordado, repensava tudo que ocorrera no dia anterior. Me senti mal por não dar atenção para Dave quando ele me ligou, mas estava realmente cansado. Laxus sequer tocou no assunto e minha cabeça fervilhava com a reação que ele tivera. Não sabia o que esperar.
– La-laxus ... quando voltarmos, eu queria conversar com você.... sobre o que houve ontem...
– Pode falar. O lugar aonde iremos é longe. – ele disse enquanto dirigia, mantendo sua visão voltada para frente. Não gostei muito da ideia de que teria de falar o que queria ali, mas ao que parecia, não teria outra oportunidade para falar com ele sobre o assunto.
– O-ontem eu saí porque-
Ele sequer esperou que eu terminasse de falar. Ao que parece ele também estava remoendo algo e aproveitou a situação para dizer o que pensava.
– Por que você está levando tudo para o lado pessoal. Você está agindo como se estivéssemos algum tipo de relacionamento fora do contrato. – facadas a cada palavra era cravadas no meu corpo. – Eu te castiguei, você fez manha e saiu correndo para os braços do seu amiguinho que iria te bajular e dizer que o mundo é bonito.
Ele pisou bruscamente no freio, parando no meio de uma rodovia quase deserta. Meu coração apertava e movi meus olhos para os lados para ver onde estava, mas Laxus puxou meu rosto, trazendo minha atenção para ele.
– Entenda uma coisa. Você é pago para me obedecer e me satisfazer, além de ser totalmente fiel a mim. Acho até bom que tocou no assunto, pois quero deixar bem claro que vou te prender em casa se for preciso até o fim do contrato ou até você se desesperar a ponto de desistir.
Meus olhos se enchiam de lágrimas e ele apertou meu queixo forte, antes de me soltar. Respirei fundo, tentando não chorar naquele momento, percebendo que iniciar aquela conversa foi uma péssima ideia.
– Dou um conselho a todos que já aceitaram este contrato. Não cometa o erro de se apaixonar por mim, pois irei estuprar e machucar cada pedaço do seu amor, até que não sobre nada. – seu tom de voz era sério, como um pai que conta ao filho o quão difícil era a vida, mas nesse caso se tratava da vida com ele. – E outra coisa ... não gosto de Dave Cartland, isso você já deve ter percebido e caso ele seja corajoso a ponto de te beijar outra vez ... – ele deu uma risada sarcástica, apertando forte as bordas do volante. — ... você não faz ideia do que sou capaz Freed ...
Engoli em seco, sentindo o desespero fazer com minhas mãos tremessem. Minha cabeça continuava a questionar tudo o que ele dissera, enquanto mantive minha cabeça baixa. Não haveria conversa. Haveria mais ordens. Laxus tornou a dirigir e em silêncio, seguimos para a festa.
Demorou cerca de meia hora para chegarmos até o local. Usando calça jeans, uma camisa de linha e um casaco curto, entrei na boate juntamente com Laxus, que estava realmente bonito com a roupa que escolhera. Uma camisa branca simples, semi coberta por um casaco de couro preto, acompanhado de calça jeans e um par de tênis que faziam os meus parecerem ter sido comprados em um bazar. Eu reparara sua roupa ao sairmos do apartamento e depois do que ele dissera dentro do carro, evitava olhar para ele, pois ainda tinha vontade de chorar.
Subimos as escadas em silêncio e ele jogou as chaves do carro para um manobrista, afirmando que eu era seu acompanhante ao ver um dos seguranças vir na minha direção. O barulho do lado de fora estava alto, mas dentro, estava ensurdecedor. Pessoas riam, dançavam, bebiam e se beijavam dentro do lugar que era idêntico a boates de filmes. Laxus se enfiou no meio das pessoas e tratei de apressar meus passos, o que não adiantou, pois logo o perdi de vista.
– Está perdido garoto? – um homem de bigode e gordo falou no meu ouvido, me fazendo pular de susto. Gaguejei para responder, mas senti uma mão forte segurar meu pulso e me puxar.
– Não, ele não está. – Laxus olhou o homem com desprezo, antes de voltar a andar, me arrastando enquanto segurava meu pulso.
Tudo o que pude concluir era que, aquele lugar era gigante, estaria surdo no dia seguinte e que a aniversariante era muito íntima de Laxus. Evergreen foi apresentada a mim por Laxus e ela me ignorou por alguns segundos, antes de começar a gritar e brigar com Laxus, pois ele não queria ir à festa. Me usando como desculpa, ele disse que estava me ajudando com o dever de casa, o que fez com que eu me sentisse um pirralho adolescente.
– Ah meu Deus! – ela gritava tão alto que nem mesmo a musica alta abafava sua voz. – Ele é o Freed? Como ele é lindo!
Fiquei confuso quando ela me abraçou forte e levou o rosto até minha nuca, cheirando aquela região. Confesso que cheguei a ficar com medo quando ela aproximou o rosto do meu, abrindo um sorriso ao fitar meus olhos. Ela era realmente bonita. Tinha um corpo esbelto e seu cabelo castanho lhe dava um tom sedutor, mas que se desfazia quando ela abria a boca.
– Ele é lindo Laxus! Parece uma garota....
Não tive nem mesmo tempo de falar nada, pois ela me puxou pela mão, me guiando por entre as pessoas, chamando Laxus em seguida. Sem dizer uma palavra, ele nos acompanhou, até que estivéssemos em uma área mais isolada, onde uma mulher estava sentada sozinha, virando copos de bebida na boca. Tão bonita quanto Evergreen, ela era morena, cabelo preto e claros traços orientais, além de um corpo esbelto.
– Espero que vá trabalhar amanhã Yakumo. – Laxus riu ao vê-la ali e ela lhe mostrou o dedo do meio, antes de lhe mandar um olhar irritado como resposta.
– Olha só Yakumo! Laxus trouxe o Freed!
Ela quase cuspiu a bebida, escancarando a boca ao me olhar da cabeça aos pés. Eu estava confuso e envergonhado com aquela situação e tudo que consegui dizer foi um “oi” totalmente sem graça. Ao que parece, Laxus havia falado de mim para elas.
– Não tem como ser o Freed. Isso é uma garota!
Senti ainda mais vergonha e o lugar estava quieto o suficiente para que eu ouvisse a risada de Laxus atrás de mim. Yakumo ficou de pé em pulo e se aproximou, chegando o rosto perto o suficiente do meu para que sentisse que ela exalava álcool.
– Tem certeza de que se trata de um homem? – Evergreen questionou, ficando ao lado de Yakumo. As duas olhavam fixamente para mim, me deixando desconcertado.
– Sim, eu já conferi. – Laxus respondeu na maior naturalidade, o que fez Evergreen dar um grito de empolgação e Yakumo começou a rir, já eu fiquei totalmente sem graça.
– Já que ele está aqui, então faça o que você prometeu. – Evergreen disse, dando pulinhos.
– Eu já lhe dei presentes o suficiente por hoje. – foi a resposta de Laxus que continha o riso, de braços cruzados.
– Devolvo todos se fizer. Por favor Laxus!
Ela quase ajoelhou para implorar. Yakumo tirou os óculos e os limpou, afirmando que queria enxergar aquilo nitidamente. Dando um suspiro, Laxus andou até ficar na minha frente e com um sorriso largo no rosto, puxou meu corpo. Não foi um beijo delicado ou selinho, foi AQUELE beijo que ele normalmente me dava quando estava na cama comigo. Fechei os olhos de uma vez, sentindo a língua dele explorar minha boca num ato que durou cerca de uns vinte segundos. Quando terminou, eu já estava totalmente sem ar.
– Ele ficou corado! Ai Deus ... – Evergreen sacudia o braço de Yakumo, quase aos pulos e gritando. — ... ele ficou corado e sem fôlego!!
– Realmente, ver dois homens se pegando é excitante ... – foi o que Yakumo disse, alternando sua expressão de espanto para um sorriso pervertido.
Não preciso dizer que fiquei totalmente sem graça e envergonhado com aquilo. Vendo elas pedirem por mais, Laxus revirou os olhos e se despediu, antes de me puxar pelo braço, fazendo com que elas nos perdessem em meio a multidão. Ainda rindo, ele me puxou até o balcão, pedindo dois drinques e entregou um deles para mim quando o garçom os entregou.
Meu rosto ainda ardia de vergonha e sem saber se deveria beber aquilo ou não, olhei para a bebida, antes de olhar para ele. Fazendo um gesto com a cabeça, Laxus me induziu a beber, gargalhando da careta que fiz ao dar um pequeno gole. Aquilo era horrível.
A movimentação chegava a incomodar. Pessoas esbarravam em mim o tempo todo e Laxus sequer se importava, virando copos e mais copos de uísque na boca, sem tirar por um segundo sequer, os olhos de mim. Conforme o tempo passava, as pessoas ali ficavam mais bêbadas e perdiam a noção da decência. Cheguei a ficar boquiaberto ao ver um casal dando amassos fortes e promíscuos ao nosso lado, mas não tive tempo sequer de processar tudo aquilo.
Laxus novamente me puxou em meio à multidão, até o banheiro. O som do lado de dentro era um pouco menos alto e ensurdecedor, mas ainda era alto. Imaginei que ele queria usar o banheiro e me levou junto para que ninguém me molestasse nesse meio tempo, porém fiquei completamente confuso quando ele me empurrou para a cabine de deficientes, que era bem mais larga que as comuns. Sem saber o que fazer, dei alguns passos para trás, enquanto Laxus trancava a cabine. Um sorriso largo moldava seu rosto, enquanto ele tirava seu casaco. Não demorei um segundo sequer para entender qual era o seu real objetivo.
Fale com o autor