Na manhã seguinte eu olhava para a janela, totalmente alheio ao que acontecia. Laxus saiu para trabalhar bem cedo e mesmo Eleonor tentando chamar minha atenção e questionando o porquê de deu estar tão quieto, não rendi muito assunto. Fiquei em voltas na minha própria cabeça enquanto via a neve cair do lado de fora.

Durante todo o dia fiquei pensando o que deveria fazer. Lembrava das palavras de Laxus e ao mesmo tempo que sentia esperança, sentia meu coração acelerar de medo. Eu sabia que ainda gostava dele, mas não queria mais uma vez, ser vítima de abusos ou violência. Ele disse que não me machucaria, mas como ele reagiria se caso eu o desagradasse ou lhe rejeitasse para sexo? Aceitar suas palavras era um tiro no escuro e eu me perguntava se seria capaz de levar um tiro.

– O que foi? Está se sentindo mal?

Sequer notei que ele já havia retornado do trabalho. O dia já estava escurecendo do lado de fora, mas eu estava tão preso nos meus pensamentos que nem me dei conta de que Eleonor tinha ido embora.

– Estou bem, só estava distraído... — respondi, voltando a olhar para a janela. Eu pensara o dia todo e não cheguei a nenhuma conclusão. Minha cabeça dava voltas em ideias e teorias. Repensei tudo o que ele dissera no dia anterior, entendendo algumas ações estranhas e inexplicáveis que ele tivera comigo há algum tempo.

– Tão distraído para esquecer de comer? Eleonor me contou que ficou o dia todo parado aí. O que você tem?

– Nada... — respondi, me levantando da poltrona que eu ficara sentado o dia todo. — Acho que é só... saudade de casa.

Meu sorriso torto não o convenceu, mas Laxus não rendeu assunto. Apenas jogou minha franja para trás e deu um sorriso fraco. Antes mesmo que ele falasse mais alguma coisa, seu telefone tocou e eu caminhei para o quarto quando ele atendeu a ligação. Tomei um banho rápido e peguei os cobertores, arrumando-os na cama. Estava distraído mais uma vez quando senti suas mãos frias sobre meu pijama.

– Não vai dormir enquanto não comer alguma coisa mocinho. — ele brincou, antes de me abraçar por trás. Senti minhas bochechas esquentarem ainda mais quando ele me apertou mais forte contra seu peito.

– Não estou com fome.

– Mas precisa comer.

Sem dizer mais uma palavra, ele me puxou pela mão até a cozinha. Ele havia preparado a mesa com dois hambúrgueres, latas de suco, batatas fritas e uma salada de frutas. Ainda me segurando pela mão ele me levou até a mesa, pedindo que eu sentasse, enquanto deu a volta na mesa e se sentou de frente para mim.

– Vamos lá, coma tudo. Se você comer vou lhe dar um presente.

Olhei para o hambúrguer na minha frente e tornei a olhar para ele. O que ele faria se eu dissesse que não queria? Um calafrio me subiu pela espinha só de imaginar que ele poderia me bater.

Nervoso, peguei o hambúrguer e dei uma pequena mordida, desviando o olhar quando vi que Laxus me encarava. Ele sorria o tempo todo e fez piadas sobre meu apetite quando terminei. Me deu a salada de frutas e mesmo eu recusando, ele fez questão de me dar cada colherada na boca.

No fim do pote de salada eu já estava vermelho feito um tomate. Me dando a última colherada, Laxus aproximou o rosto do meu e segurou meus braços de leve ao ver que eu iria me afastar. Seus lábios grudaram no canto da minha boca e pude sentir sua língua áspera lamber a minha pele.

– Estava sujo aqui. — ele disse entre risadas e eu quase entrei em combustão de tanta vergonha. Ele jogou minha franja para trás, antes de ficar de pé. — Como você comeu tudo vou trazer o seu presente.

Apenas o observei quando ele saiu pela porta, indo até a garagem. Pude ouvir que ele abriu a porta do carro e uma série de latidos. Sem entender eu fiquei parado onde estava, até ver ele entrar com uma caixa, daquelas que se usam para levar cães pequenos em aeroportos e colocar no chão. Se abaixando perto de mim, ele abriu a porta da caixa e um Yorkshire extremamente agitado saiu correndo, virando de frente para Laxus e começando a latir sem parar.

– Por algum motivo ele não pára de latir desde que me viu. — ele disse suspirando e se abaixou perto do cachorro, o segurando e colocando sobre o meu colo. — Eu só espero que você não se importe de eu ter escolhido o nome.

Aquela bolinha pequena de pêlos, logo virou na minha direção, cheirando minha barriga. Levei a mão até sua cabeça, fazendo um carinho e seu rabo começou a se mexer sem parar. Agitado, ele tentou subir para mais perto e eu o peguei nos braços, observando seus olhinhos que não perdiam o menor detalhe.

– Ele é muito fofo! — não pude deixar de sorrir antes de abraçá-lo. Balançando as patinhas, ele demonstrava que queria ir para o chão, mas tive a atenção tomada para sua coleira que tinha uma pequena medalha escrito "Pingo".

– É o mesmo nome do cachorro que você teve quando era criança, não é?

– Sim. — respondi, colocando aquela bolinha agitada que saiu pulando pela casa. Meus olhos apenas acompanharam aquele pontinho nervoso sair pulando e latindo ao redor de Laxus, não sossegando enquanto Laxus não se abaixou e também lhe fez carinho. Porém, bastou que Laxus se levantasse de novo para ele voltar a latir.

– Desse jeito eu não dou conta de você! — ele respondeu, tornando a se abaixar.

Logo o ambiente estava uma bagunça numa mistura dos latidos do Pingo com o celular de Laxus tocando. Laxus teve de ir para fora para atender o celular e eu voltei a carregar pingo, acariciando seus pelos negros. Junto com a sacola, Laxus trouxera uma almofada que serviria de cama, vasilhas de água e comida, roupas e brinquedos. Tratei de encher a vasilha com água e colocar uma roupinha nele. Estava muito frio e em meio a sua agitação eu podia ver que ele tremia.

Fiquei muito tempo brincando e mimando aquela bolinha de pelos. Há dias eu realmente não me sentia realmente feliz com algo e Pingo com certeza mudara isso. Laxus trabalhou um pouco no seu notebook depois, mas por várias vezes pude notar que ele me observava brincar com Pingo, sempre com um sorriso no rosto. Devo ter ficado duas ou três horas brincando com ele, mas por fim eu já estava deitado no chão, exausto e Pingo ainda empurrava a bolinha para perto de mim.

– Sua bateria só pode ser infinita! — disse entre risadas, abraçando aquela bolinha de pelos que se contorcia nos meus braços.

– Não dá para acompanhar ele. Tinha que ver ele no meio dos irmãos. Pisava e pulada em cima de todos! — Laxus riu, chegando perto do Pingo que novamente voltou a latir sem parar. — Só queria entender porque ele late tanto para mim.

– É estranho mesmo ... — disse abrindo os braços para que ele corresse na minha direção e assim ele fez, batendo as patinhas nas minhas mãos para que eu voltasse a jogar com ele.

– Hora de irmos dormir não é crianças?

Me senti uma verdadeira criança quando ele disse isso. Estendendo a mão, ele me ajudou a levantar, enquanto pingo pulava ao nosso redor. Eu estava muito feliz pelo presente. Sempre gostei de cães, mas nunca tive condições de manter um depois que meus pais morreram. Depois que eu fiquei de pé, ele se virou e começou a caminhar na direção quarto, porém corri até ele e no impulso o abracei por trás.

– Obrigado Laxus! – agradeci imensamente feliz. Devia agradecer e realmente estava feliz pelo presente. Pingo começou a latir ainda mais alto e antes mesmo que eu dissesse mais alguma coisa, Laxus virou o corpo e me roubou um beijo.

Inicialmente eu me assustei, mas apenas deixei os ombros caírem depois do susto. Quando ele levou a mão até minha nuca e cintura, eu apenas fechei os olhos, apertando o tecido de sua camisa. Nosso beijo foi longo e só nos separamos quando o ar se fez necessário. Laxus sorria e sem jeito, eu desviava o olhar vendo que Pingo continuava a pular e a latir. Eu agora tinha dois ciumentos na minha vida.

Notas finais
Já tive um cachorro chamado Pingo ç-ç Mas, enfim. Imagina que fofo esses dois juntos! Ai