Do you remember me?

61 Dúvidas e respostas


Notas iniciais
Chegou a hora do vamos ver! Se preparem.

– Como assim? – vi Laxus estreitar os olhos, antes de me olhar desconfiado. Ele é meio devagar quando o assunto é relacionamento. Na verdade, eu tive que ensinar muita coisa para ele a partir daquele dia.

– E-é que nós dois estamos.... você sabe.... – eu gaguejava para falar. Ver a reação dele me deixou acuado, como se já não bastasse a vergonha que eu estava sentindo.

– Nós estamos...? – ele me instigou a responder, tirando a mão do meu cabelo e segurando no meu queixo. – Pode falar.

– É que... que... nós dois ...somos o que um para o outro?

– Como assim?

Lembrando hoje tenho vontade de dar um soco na cara de Laxus, mas naquele dia o que ele falava só me inibia ainda mais. Eu lutei muito contra minha timidez e também com o medo da resposta que ele poderia dar, continuando a falar da melhor maneira que eu conseguia.

– É-é referente a relacionamento sa-sabe... – eu respirei fundo para continuar a falar, olhando para minhas mãos que estavam sobre seu peito. — e-eu so-sou seu namo-namorado?

Silêncio. Laxus arqueou uma das sobrancelhas e deu uma risada sem graça que me deixou ainda mais desconfortável com aquilo. Esticando o corpo, ele me deu um beijo rápido, ainda rindo.

– Não vejo sentido em rotular nenhum tipo de relação e não dou importância para isso.

Senti um frio se formar no meu peito, desviando o olhar quando ele terminou de falar. Devagar, retirei minhas mãos do seu peito, mas ele me abraçou, encostando o queixo na ponta da minha cabeça.

– Estranho você perguntar isso.

– Por que é estranho? – questionei já pensando um milhão de coisas erradas naquele momento. Na minha cabeça, Laxus não queria assumir o que nós tínhamos e continuar naquele jogo de sexo sem compromisso.

– Não sei. Só acho estranho....

Laxus deu de ombros e eu fechei os olhos. Era ridículo querer chorar com aquilo, mas eu realmente quis naquele momento. Ele disse que me amava, mas não o suficiente para ficar comigo? Sei que é ridículo pensar assim, mas a forma que ele falou e riu naquele dia me fez pensar no pior da parte dele. Eu não queria continuar sendo sua distração.

– Ei não dorme! – ele me sacudiu devagar, provavelmente por me ver de olhos fechados.

– Não vou Laxus...

Silêncio. Acho que ele percebeu que havia coisa errada no meu tom de voz e soltou um suspiro alto. Eu apertei mais os olhos e virei o rosto para o travesseiro, fingindo coçar o olho para tirar as lágrimas que já estavam no canto dos meus olhos.

– É tão importante para você ser algo para mim? – ele questionou. Laxus é meio lerdo e nada romântico. Isso foi algo que tive de ensinar a ele também.

– Eu não quero ser para você o que todo mundo é. – respondi, me contendo para não soluçar. Aquilo era muito patético, mas convenhamos que Laxus fora um cavalo em sua resposta.

– Você não é, sabe disso.... – ele suspirou novamente. — tudo bem... tudo bem... já que você me pediu com tanto carinho e sem pressão nenhuma eu aceito. Posso ser seu namorado.

Senti um tom de deboche em sua voz, mas apenas apertei mais os olhos quando seus lábios tocaram minha testa. Parecia que eu havia pedido para namorar com ele e mesmo depois de anos ele ainda conta que fui eu que o “cortejei”. Depois de um tempo tudo isso se tornou engraçado.

E foi assim que nosso namoro começou. Não teve jantar, luz de velas, serenata ou mesmo um de nós se ajoelhou no chão. Estávamos despidos e suados após o sexo, além de estarmos deitados em uma cama. Não ocorreu como em contos de fadas ou filmes onde o casal se beija apaixonadamente após o pedido que aliás, nunca ocorreu. Laxus não era um poço de romantismo e isso eu não demorei para entender.

– O-obrigado Laxus... – eu respondi dando um ar ainda mais ridículo àquela situação e ele riu, apertando a ponta do meu nariz até que eu abri os olhos.

– E então meu namorado ... – ele continuou debochando. — O que acha de tomarmos outro banho juntos?

– E-eu ainda tenho algumas dúvidas... — disse, rodopiando o dedo nos meus cabelos antes de olhar para seu rosto. Estava sem graça com essa situação toda e resolvi ir para um assunto ainda mais sério. – Se-seu pai ele era igual ao seu tio?

– Muito pior. – ele respondeu de imediato. – Meu pai era um cara impaciente, agressivo. Me ensinou coisas que um pai não devia ensinar a filho nenhum, mas acho que ele queria que eu fosse igual a ele.

– Que tipo de coisas? – questionei, levantando o rosto para poder olhar em seus olhos.

– No meu aniversário de treze anos ele colocou duas prostitutas no meu quarto. “Um Dreyar deve saber domar uma cadela!” – ele deixou a voz ainda mais grossa, imitando seu pai. – Eu fiquei o dia todo com elas lá. Foi como aprendi a fazer sexo. Depois me ensinou a torturar, dando prazer para quem era torturado e para mim mesmo.... pensando hoje percebo o quanto ele era doentio....

– E-ele parecia fisicamente com seu tio né? – questionei, um tanto quanto assustado com o que ele dissera.

– Sim, eles eram iguais na aparência por serem gêmeos. Mas acredite, meu tio é um anjo comparado ao meu pai. Hector fez o que fez com você para me atingir e conseguir a empresa que ele sempre cobiçou. Meu pai se estivesse vivo... com certeza teria te matado só para manter o nome da família.

– E-e sua mãe? – engoli em seco só de imaginar uma versão pior do Hector. Como alguém podia ser tão ruim?

– Minha mãe era interesseira. Casou com meu pai pelo dinheiro e me deu à luz. Meu pai ainda falava comigo às vezes. Ela só queria saber de sair, viajar, fazer compras e fofocar com outras mulheres. Posso contar nos dedos quando ela se preocupou comigo alguma vez. Eleonor foi minha verdadeira mãe desde que eu era criança.

Silêncio. Eu não sabia o que dizer e muito menos se era certo continuar com perguntas daquele tipo. Não fazia nem cinco minutos que nos tornamos namorados e.... SIM. Eu demorei esses minutos com perguntas para entender que agora tínhamos um relacionamento. Quanto mais eu me lembro disso mais tenho vontade de rir. Laxus começou a contar algo sobre Eleonor e eu mal prestei atenção, sentindo meu rosto corar fortemente.

Fechando os olhos, eu o abracei. Laxus ainda estava com o queixo apoiado no topo da minha cabeça, falando sobre Eleonor. Encostando o rosto em seu peito me permiti sentir o cheiro do seu corpo, abrindo um sorriso. Meu. Ele era meu agora. Esses foram os pensamentos que se passaram em minha mente, antes que eu dormisse com um sorriso estampado no rosto e deixasse Laxus falando sozinho, recebendo uma bronca no dia seguinte.

Notas finais
Xablau. Adeus romance e cena de cinema que vocês esperavam :') Laxus não é romântico gente, pelo menos não ainda. Freed está que nem eu quando comecei a namorar, perguntando até do cachorro. Aos pouquinhos eles irão se conhecer mais! ;) Fotinha: http://40.media.tumblr.com/d9009e731b4a1f1e4908276366a3f42a/tumblr_nt7840Dvhj1tbh793o1_500.png