Notas iniciais
Aos poucos estou voltando a escrever e editar os capítulos! Obrigado pelo apoio

Dormir para mim, estava fora de cogitação. Depois do meu pesadelo, fiquei muito agitado e ainda sim, me deram alta no hospital. Laxus esteve ao meu lado o tempo todo, repetindo várias e várias vezes que eu precisava ficar calmo. Mesmo que tentasse, eu não conseguia. Cada cena estava nítida na minha cabeça e quando ele encostou na minha mão esquerda cheguei ao absurdo de gritar pelo susto.

Dentro do carro, o silêncio perpetuava entre nós dois. Por incrível que pudesse parecer, Laxus se demonstrou bastante compreensivo e até mesmo prestativo. Enquanto ele dirigia, pude notar que ele aparentava estar cansado e em certo momento, seu telefone começou a tocar sem parar.

Um suspiro escapava da sua boca em algumas ligações, enquanto ele falava sobre ações, orçamentos e vários outros assuntos. Sua última ligação foi para Yakumo que buscara Evergreen no hospital. Pedindo que as duas ficassem no hotel na praia, ele informou que nós dois iríamos para um hotel diferente no centro da cidade. Ficamos na estrada por quase uma hora até chegarmos ao centro bastante movimentado.

O hotel era enorme e extremamente luxuoso. Em ocasiões normais eu me sentiria mal por estar tão mal vestido em um lugar tão sofisticado, mas tudo que eu queria naquele momento era um bom banho e comida. Laxus parou o carro no estacionamento e subimos juntos para o hall do hotel. Lustres, tapetes, vários e vários artigos de luxo me distraíram enquanto ele providenciava nosso quarto. Me chamando, ele me guiou até o elevador, resolvendo quebrar o silêncio assim que as portas do elevador se fecharam e ficamos a sós.

– Pedi que levassem nosso almoço no quarto. Mais cedo, entregaram roupas para mim e para você. Já estão no quarto. — ele se aproximou e tocou novamente minha testa. Seus dedos deslizaram devagar pela enorme marca roxa que havia ali e ele acabou por suspirar. — Sua febre não melhorou muito, sente seu corpo melhor?

– Não sei ao certo. Sinto muito cansaço ... — respondi, desviando meus olhos dos seus. Alguma coisa dentro de mim tremia quando olhava Laxus nos olhos e meu coração acelerava. Eu ainda gostava dele, não tinha dúvidas.

– Tudo bem. Nós dois vamos descansar agora. Estamos precisando...

Mais uma vez, seu celular tocou e ele bufou antes de atender. Enquanto falava sobre algum suporte técnico, ele abriu a porta e eu sequer observei o lugar, indo direto ao meu celular que estava sobre a cama. Com ele em mãos, me assustei ao ver as inúmeras mensagens que Dave me enviara. Laxus continuou a falar e foi para uma varanda e logo eu procurei pelo banheiro, trancando a porta depois de entrar.

Demorei alguns minutos para entender como fazia uma chamada internacional e Dave deu praticamente um berro ao atender o telefone. Ele começou a falar sem parar, me xingando por não ter ligado, dizendo que estava preocupado. Tive que pedir várias vezes que ele se acalmasse, o que não adiantou muito.

– Você está bem? — eles questionou, antes mesmo que eu falasse qualquer coisa.

– Eu estou melhorando Dave. Eu... — pensei antes de continuar a falar, afinal sabia que Dave ficaria louco se soubesse que eu me machuquei por causa de Laxus. — bem... você sabe como eu sou atrapalhado... e durante um passeio eu caí de um barranco. Acabei batendo a cabeça e fiquei com uma concussão.

– O que? Como assim?? É grave?? — Dave praticamente gritava no telefone, me deixando surdo.

– Não não. Estou tendo os sintomas comuns, mas já estou melhorando. Não precisa se preocupar. Eu já estou melhor.

– Você é mesmo impossível! — ele deu um suspiro pesado que eu sabia que me renderia um peteleco na testa se eu estivesse perto dele. — E o que Laxus está fazendo? Nada né?

– Ele está cuidando de mim, por incrível que pareça. Está tudo bem agora. Eu liguei por que sabia que você estava preocupado, mas fique tranquilo ok? Dave eu vou desligar. Estou tendo pesadelos por causa da concussão e dormi muito mal noite passada.

– Ok... mas você vai me ligar amanhã, ouviu? Quero saber se você está melhorando mesmo. — ele falava rápido, o que eu chegava a achar engraçado. Dave ficava desesperado facilmente. — Se tiver algum problema e quiser que eu te busque é só falar, ok? Agora vá dormir e não fique sem comer.

– Pode deixar mamãe. — debochei, ouvindo uma risada dele do outro lado da linha.

– Se cuida pequeno. Você tem que estar vivo para eu poder te namorar daqui alguns meses!

Senti minhas bochechas corarem e ele começou a rir, antes de mandar novamente que eu me cuidasse. Ouvi batidas na porta, enquanto Laxus perguntava se eu estava bem. Me despedi de Dave rápido, mas pude ouvir as palavras "eu te amo", antes de finalizar a ligação.

Abri a porta devagar, escondendo o celular no bolso. Laxus tinha um olhar cansado e esfregava o rosto. Questionou se estava tudo bem e eu assenti, com medo de que ele tivesse ouvido minha conversa com Dave. Seu celular novamente tocou e ele jogou a cabeça para trás, soltando um suspiro impaciente. Ele realmente estava cansado.

– Você consegue tomar banho sozinho? — ele ignorou seu celular, enquanto falava.

– Sim, consigo. – respondi um tanto quanto incomodado com o toque do celular. Minha cabeça doía com muita facilidade.

– Ok. Estarei aqui no quarto. Se sentir tontura ou qualquer coisa, me chame. Irei resolver alguns problemas e procurar alguém que possa trazer os remédios que você precisa.

Antes mesmo que eu afirmasse algo, ele me deu as costas e atendeu o telefone. Tornei a entrar no banheiro e trancar a porta, colocando o celular sobre a pia, antes de me despir. Enrolei a tala em uma sacola plástica e me apoiando nas paredes do banheiro, consegui me limpar. Lavar o corpo foi fácil, mas lavar o cabelo com apenas uma mão foi realmente difícil. Demorei um bom tempo me lavando, tendo cuidado de limpar com uma toalha úmida a tala que usava. Saí do quarto enrolado na toalha e soltei um suspiro de alívio ao ver que Laxus estava na varanda. Aproveitando que ele ainda estava no celular, me vesti o mais rápido que pude, terminando assim que ele voltou para o quarto.

Apertando o botão lateral do celular, ele o desligou, se espreguiçando ao fazer isso. Eu o observava, enquanto secava meus cabelos com a toalha. Sem dizer nada, ele passou por mim, abrindo a porta para que um funcionário do hotel entrasse com nosso almoço. Arroz, molhos diversos, frango, peixe ... haviam várias opções em pequenas porções. O funcionário logo saiu, antes de desejar um bom almoço.

– Pode comer a vontade. Não estou com apetite.

Sem entender, olhei para Laxus, que colocou seu celular sobre uma escrivaninha e entrou para o banheiro. Enquanto ele tomava banho, praticamente devorei toda aquela comida, bebendo um copo grande de limonada ao terminar. Empurrei a mesinha móvel com todos os pratos para um canto, colocando-os empilhados com os talheres por cima e logo fui até a cama, onde resolvi deitar um pouco. Olhando para uma das várias janelas daquele quarto, pude ver que o sol estava forte do lado de fora, secando tudo o que a chuva havia molhado.

– Vamos dormir então. — Laxus voltou apenas com um short curto, bem parecido com aquelas cuecas "samba canção". Confesso que cheguei a entender errado aquilo tudo e cheguei a pensar em fugir quando ele fechou todas as cortinas e subiu na cama. Sabia que ele estava cansado e mesmo estando com sono eu não queria dormir. Não queria ter mais pesadelos.

– Eu não quero dormir Laxus....

– Por que não?

Cheguei a engasgar ao vê-lo em cima de mim. Com as mãos próximas do meu ombro, ele estava "de quatro" sobre mim. Seus olhos cansados me encaravam e eu podia ver seu peito subir e descer rápido. Ele estava com raiva?

– E-eu... n-não quero ter mais pesadelos. — respondi um tanto quanto travado

Por alguns segundos ele me encarou, antes de soltar um suspiro. Era nítido que ele estava muito cansado, mas ainda sim ele tinha forças para me deixar confuso com seus atos. Levando a mão até meu queixo, ele levantou minha cabeça devagar e seus lábios se uniram aos meus. Um arrepio subiu dos meus pés à cabeça e eu o empurrei, quebrando aquele beijo lento.

– Eu não quero dormir. — engoli em seco ao ver o olhar que me foi direcionado e sua mão apertou meu queixo um pouco forte. Temi pelo que pudesse acontecer, mas por sorte, um funcionário do hotel bateu na porta.

Enquanto meus olhos se voltaram para a origem do barulho, Laxus se levantou apressado. Não teve um pingo de vergonha de atender à porta estando apenas com um short e pegou uma sacola cheia de medicamentos e curativos. Ele agradeceu, deu uma gorjeta ao rapaz e fechou a porta.

Arrastei o corpo para cima, até conseguir me sentar. Laxus foi até um frigobar pequeno que havia em um canto do quarto e lá pegou duas garrafas de água. Trouxe os remédios até a cama e retirou quatro de cada cartela. Pisquei confuso quando ele me entregou os quatro comprimidos, afinal eu precisava tomar apenas três. Preferi não discutir e coloquei os quatro na boca, bebendo quase metade da garrafa para fazer com que eles descessem pela minha garganta. Laxus também retirou um comprimido e colocou na boca, bebendo toda a água da outra garrafa que segurava.

Lembrando hoje, achei doentio ele ter me drogado para dormir. Eu estava ferido e mesmo exausto, precisava mais de cuidado do que sono naquele momento. Sei que as vezes sou bastante manhoso quando estou doente, mas a culpa daquela situação toda era dele.

Sem dizer mais uma palavra, Laxus circulou a cama e deitou, virando de costas para mim. Sem ter o que fazer, fiquei sentado por um tempo com os olhos fechados, afinal meus olhos ardiam pela falta de sono. Pouco a pouco senti meu corpo enfraquecer, até que deslizei meu tronco pela cama até me deitar. Fui vencido pelo sono.

Notas finais
Dave como sempre, um poço de amor e Laxus.... não vamos comentar '-' Não deixei muitas coisas reveladas, até por que isso são cenas dos próximos capítulos ;)