Do you remember me?
33 Decisão
Notas iniciais
– Por que Laxus te bateu?
Yakumo era direta em suas perguntas e mandando Evergreen se calar, ela se aproximou mais, me olhando nos olhos. Tive vontade de chorar, mas respirei fundo, tentando me conter.
– Dó-dói demais... pa-para falar... — levando as mãos ao queixo, demonstrei a minha dificuldade para falar e ela deixou os ombros caírem, fazendo uma expressão de pena. Respirando fundo, ela ficou mais calma e pediu que Evergreen pegasse o tablet na bolsa dela e me entregasse.
Rapidamente Evergreen obedeceu e me entregou o aparelho, ela me mostrou onde eu poderia escrever e voltou a me perguntar.
– Por que Laxus lhe bateu?
Senti minhas mãos tremerem ao digitar cada letra e contei o que havia acontecido. Tanto ela quanto Evergreen tiveram paciência de me esperar digitar e leram rapidamente toda a história. Um olhar de pena foi direcionada de ambas quando acabaram de ler e enquanto Evergreen me abraçou, Yakumo passou a mão entre os cabelos. Pude ver seus olhos se encherem de lágrimas, mas ela respirou fundo, antes de voltar a olhar para mim.
– Dave Cartland ... eu o conheci muito rápido.... ele vai cuidar de você?
Assenti e ela suspirou, antes de dar um sorriso fraco. Evergreen continuava abraçada comigo e Yakumo a cutucou para que ela me soltasse. Me dando um beijo na bochecha, ela pegou o urso que estava no banco de trás ao lado dela e me entregou.
– É um presente. Você merece!!
Pela primeira vez em dias, consegui sorrir. Yakumo abriu as portas e sorrindo, ela fez o melhor para me animar e realmente conseguiu. Saímos do carro e ela começaram a passar em todas as padarias e supermercados que encontravam no caminho, comprando comida, bebidas, refrigerante, de tudo um pouco. Para quem estava com muita fome, em 30 minutos de passeio eu já não conseguia comer mais nada.
Com elas, realmente consegui me divertir. Passaram-se horas e o relógio da praça em que estávamos marcava pouco para meia noite. Mesmo neste horário, o lugar estava lotado por conta de um festival que estava acontecendo. Exaustos, nos sentamos em uma praça e logo as duas voltaram a me fazer rir ao apontar o que elas fariam com cada homem que passava naquele lugar. Neste dia descobri o quanto Yakumo e Evergreen eram pervertidas.
Não pude deixar de sorrir quando vi Dave vir na nossa direção. Enquanto ele caminhava até nós, Evergreen falava as coisas pervertidas que faria com ele e Yakumo gargalhava alto, afinal ela o conhecia. Segurei o riso conforme ele aproximava, mas quando ele estava perto, eu já estava rindo.
Vi o queixo de Evergreen praticamente cair no chão, antes de ficar de pé e Dave me abraçar. Carinhoso, como sempre, ele me deu um beijo na testa, me dando um fraco sorriso ao olhar para meu rosto. Sabia que não estava muito bem fisicamente e evitei pensar em qualquer coisa além disso naquele momento.
– Boa noite! — ele se apresentou, estendendo a mão para Yakumo e Evergreen. Foi engraçado ver Evergreen toda vermelha enquanto Yakumo se continha para não rir.
– V-você já estava a-aqui na cidade? — questionei, afinal pensei que ele estivesse a quilômetros de distância. Percebi um olhar triste quando ele percebeu minha dificuldade para falar e ele tirou alguns fios da franja que estavam colados no canto da minha boca.
– Vim para a casa de férias junto com meus pais. Achei bem propício para o caso de levar você embora também.
Fazendo um sinal, Yakumo praticamente nos obrigou a sentar. Segurando minha mão, Dave se sentou ao meu lado, me puxando para mais perto dele. Ele realmente não queria me perder, mas não ficaríamos juntos tanto tempo.
– Como vou saber se vai cuidar dele ou não? — ela questionou, sendo direta no que queria saber. Yakumo não era de usar formalidades a menos que realmente fosse necessário. — E onde irão ficar?
– Não precisa se preocupar. Eu dou minha palavra que cuidarei dele. Com relação a local, vamos ficar no Square Hotel aqui no centro por alguns dias. Depois vamos voltar para casa.
– Mas Laxus não irá atras dele? — Evergreen questionou, sendo mais séria naquele momento. Era terrivelmente estranho ver ela falando sério.
– Ele não terá desculpas para isso. Antes de vir para cá, paguei toda a dívida que Freed tinha com ele.
Senti meu coração acelerar no peito, antes de olhar para ele, totalmente incrédulo. Yakumo sorriu e Evergreen respirou aliviada. Dave abriu um largo sorriso e meu deu outro beijo na testa, voltando a falar enquanto bagunçava meu cabelo.
– Devia ter feito isso há muito tempo. Foi estupidez minha deixar que Freed ficasse nas mãos dele... mas agora será diferente, não é baixinho?
Segurei sua mão e ele riu quando fechei a cara para ele. Detestava que ele me chamava de baixinho, mas naquele momento eu apenas tinha vontade de chorar. Chorar de alegria, de alívio, mas respirei fundo, chegando a fungar um pouco. Dave continuou a conversar com Yakumo e eu apenas o observei.
Ele estava feliz e decidido. Sabia reconhecer isso em Dave. Sua mão apertava a minha forte, não me machucando, mas me mostrando que ele estava ali e que não precisaria temer a nada. Olhando para sua mão e a minha, notei o quanto era bonito o simples fato de estarem unidas. Foi exatamente naquele momento que decidi dar um chance a Dave. Uma chance de tornar nós dois felizes.
Fale com o autor