Notas iniciais
Testando a programação do Nyah para ver se funfa. Para não floodar de capítulos aqui vou programar uns dois para cada semana.

Minha situação era complicada e melancólica quando acordei, mas às duas da tarde eu já estava rindo. Para me alegrar, Dave fizera diversos desenhos pequenos no meu tapa olho e insistiu até que eu aceitasse sair do hotel naquele dia. Almoçamos, caminhamos pela cidade e no fim da tarde fomos para a praia. Dave fez muita arte e palhaçadas nesse meio tempo, chegando a tirar fotos com estranhos enquanto gritava que era um turista. Aquilo tudo me fazia rir, chegando ao ponto de aliviar as fortes dores que eu sentia no corpo e maxilar.

Durante dias, ainda tive sintomas da concussão. Sentia muito sono e me cansava com o menor esforço. Dave me levou no hospital algumas vezes, para que me avaliassem e ao perceber o quão precária era a situação da maioria dos hospitais da cidade em que estávamos, ele decidiu voltar.

Dave sempre foi muito comunicativo, algo que sempre gostei nele. Confesso que chegava a ter aquela pontada de inveja do quão extrovertido ele conseguia ser e principalmente o respeito que ele tinha comigo. Em momento algum ele se "jogou" sobre mim ou me forçou a qualquer coisa. Teve paciência com minhas lágrimas e me abraçava sempre que notava que eu estava triste.

Laxus não me procurou, por sorte. Recebi algumas ligações de Yakumo e Evergreen que sempre me desejavam melhoras. Evergreen chegou a enviar mais ursos de pelúcia, o que me rendeu malas cheias na hora de voltar. Durante a viagem de volta, dormi boa parte do tempo, tendo Dave ao meu lado o tempo todo. Tivera diversos pesadelos, graças a concussão, nos últimos dias. A maioria envolvendo Laxus, de forma que, acordar sem ver Dave ao meu lado, me deixava em pânico. Quando descemos do avião, deixei meus ombros caírem ao ver que estava de volta. Meu olho tinha algumas poucas marcas roxas, apenas uma marca pequena existia ainda na minha testa, mas meu pulso continuava enfaixado. Estava bem melhor fisicamente, mas na minha cabeça rondavam um milhão de questionamentos.

Segurando minha mão, Dave me guiou até um motorista que nos esperava e ajudando o motoristas com as malas, entramos no carro. Soltei um suspiro de alívio ao reconhecer a cidade em que morava e Dave riu, antes de atrapalhar meu cabelo, como adorava fazer.

– É bom estar de volta não é?

Dei um fraco sorriso, antes de olhar de volta para a janela. Tanta coisa havia acontecido e eu não fazia ideia do que faria dali pra frente. Tinha de pagar minha dívida com ele, além de dar um jeito de me sustentar e me preocupar com Laxus, afinal, nunca entendi muito bem o que se passa na cabeça dele.

– O que foi? Está se sentindo bem?

– Sim eu estou. É que... eu não sei o que fazer agora... — respondi, ainda mantendo os olhos para a janela, observando o lugar que passávamos. Eu estava depressivo e tinha vontade de chorar. Ficar sozinho seria complicado, mas tinha a certeza de que seria melhor do que estar com aquele que eu ainda amava.

– Eu te digo o que vamos fazer. Vamos para meu apartamento, tomar um banho, comer alguma coisa e depois vamos conversar. Não quero que se preocupe ou fique martelando nada, ok? Você não está sozinho. Eu estou aqui.

Assenti e ao virar o rosto na direção dele, dei um pulo de susto quando ganhei um selinho rápido. Dave riu e me abraçou, me apertando contra seu peito, dando outros beijos no topo da minha cabeça.

Não preciso dizer que fiquei vermelho como um tomate, pois ele logo tratou de fazer uma piada com isso. Logo, chegamos ao hotel e cumprimos a programação de Dave. Chorei muito ao contar para ele tudo que havia acontecido. Conversamos por muito tempo e quando conseguimos chegar em um acordo, já era noite.

Dave queria que eu vivesse com ele e esquecesse a dívida, algo que eu não podia aceitar. Tinha minha casa e deveria aprender a me virar. Não queria ser um estorvo para ninguém. Depois de muitas discussões, propostas, por fim, decidimos que eu trabalharia na casa de Dave como cozinheiro após a aula para pagar minha dívida, mas algo que Dave relutou em fazer era me pagar por isso. Em contra proposta, decidi entregar uma parte do pagamento, ficando com o suficiente para o aluguel e algumas despesas. De forma alguma aceitei morar junto com ele, afinal eu tinha uma casa e precisava construir um novo rumo para minha vida. Dormi no apartamento dele naquele dia, mas na manhã seguinte, me levantei bem cedo.

Estranho não chega a ser eufemismo quando cheguei ao meu apartamento. Animado, Dave me contou durante o trajeto de volta que mandara reformar meu apartamento, chegando a trocar até mesmo móveis e a comprar roupas novas para mim. Fiz um comentário contra tudo aquilo, mas Dave fingiu não ouvir.

Quando ele estacionou o carro, deixei os ombros caírem ao ver minha casa. Eu não conseguia acreditar que havia voltado. Com Dave o meu lado, cumprimentei a síndica e apressei meus passos até meu apartamento, que ficava no segundo andar. Do lado de fora estava nublado e o frio começara a me arrepiar. Sem cerimônia alguma, peguei a chave no bolso e logo tratei de entrar.

Por alguns segundos fiquei paralisado. Estava tudo diferente. Meu apartamento era pequeno e apertado e tinha poucos móveis, mas dessa vez havia vários. O fogão foi substituído por um fogão de mesa, em cima de uma placa de mármore. O botijão ficava bem escondido embaixo, ao lado da geladeira que era um pouco maior e mais moderna que eu já tinha. A pia fora trocada e em alguns passos eu chegava no quarto, que era no mesmo cômodo estreito. Uma TV enorme estava de frente a cama, a qual eu usava como sofá também.... tudo fora modificado, com exceção do desenho da minha família feito por um artista de rua. Era a única foto que eu tinha deles.

– Gostou? — Dave questionou, mostrando os móveis e ficando empolgado ao mostrar um modem de internet, antes de pegar um notebook que estava sobre a cama.

– É tudo muito bonito Dave ... — disse, um tanto quanto surpreso com tudo aquilo, tendo minha atenção tomada ao ver que as paredes foram cobertas com gesso e repintadas. Eu não iria sofrer mais com o mofo. — Mas isso só aumenta minha dívida com você.

Um risada baixa escapou da boca de Dave, antes que ele me assustasse. Se levantando da cama, ele me virou e me empurrou contra a parede ao lado da TV, sem me machucar. Por alguns segundos, o olhei sem entender, enquanto seus olhos estavam fixos em minha boca.

Pouco a pouco ele se aproximou, apertando com pouca força minha cintura, a qual era prêmio de suas duas mãos. Vi seus olhos se fecharem conforme ele aproximou o rosto do meu e não demorou para que seus lábios se unissem aos meus. Cheguei a travar por alguns segundos, mas não demorou para que eu me sentisse mais relaxado, deixando meus ombros caírem quando sua língua invadiu a minha boca. Minhas mãos, as quais foram para seu peito, tentando afastá-lo quando o beijo começou, apertaram timidamente o tecido de sua camisa.

Pouco a pouco, nossos suspiros ficaram mais pesados. As mãos de Dave chegaram a tremer enquanto ele me segurava e percebendo no que aquilo tudo poderia terminar, ele quebrou nosso beijo.

Meu rosto estava quente e vermelho demais quando ele se recompôs, endireitando a coluna. Seus olhos estavam fixos em mim e tirando alguns fios da minha franja do meu rosto, ele sorriu.

– Seu beijo é melhor do que eu me lembrava e ... — ele se curvou novamente, levantando a franja dos meus olhos. — você fica muito fofo vermelho desse jeito.

Sem saber o que fazer, levei minhas mãos até o peito, protegendo meu coração como quando eu fazia com Laxus. Dave riu ao me ver encolher e segurou minhas mãos, levando-as novamente até seu peito.

Seu coração acelerado, batia forte e enquanto apreciava isso, ele me abraçou. Deu-me um beijo na testa, mantendo suas mãos em minhas costas, me protegendo, me mantendo junto à ele. Por algum tempo ficamos de pé, daquela forma, até que eu me separei para dizer alguma coisa e tive mais um vez meu fôlego tirado por um beijo.

Não sabia o que dizer e Dave não queria ouvir nada naquele momento. Ele queria estar comigo e isso, era suficiente para ele.

Notas finais
Vai ter lemon com o Dave sim porque o Laxus não ta merecendo e se reclamar eu faço mais. u-u