Notas iniciais
Então pessoas, tava dando uma olhada nas configurações novas do Nyah e tenho que dizer que estou muito feliz pir esta fic ter sido visualizada 14.000 vezes! Obrigado a todos

Deitado na cama, eu observei meu novo teto esculpido em gesso. Podia ouvir o barulho da vizinhança, chegando a achar aquilo nostálgico.

Foram poucos meses, mas foram o suficientes para me fazer sentir saudade dali. Minha cama. Minhas roupas. Minha casa. Onde eu podia fazer o que queria sem horários, regras ou castigos. Eu estava livre, mas não sabia o que fazer com minha liberdade.

Dave tivera de ir para casa de seus pais, mas combinou de sair comigo para jantar e ir ao cinema. Sabia muito bem no que tudo aquilo podia terminar, mas não sabia dizer se seria justo eu lhe dar esperanças naqueles dias.

Laxus ainda rondava minha cabeça, mais do que seria "saudável" pensar. As vezes me questionava o que ele estaria fazendo e se sentia minha falta, o que era ridículo, depois de ter sido espancado por ele.

Soltando um suspiro, me deitei de lado, puxando um dos enormes ursos de pelúcia que Evergreen me dera para cima da cama. Me sentindo sozinho, o abracei, afundando meu rosto entre seus pêlos como se fosse alguém que pudesse me confortar naquele momento.

De forma imbecil, comecei a chorar, mais uma vez. Eu não amava Dave, mas queria amar. Queria amar e desfrutar de todo o amor que ele me dava, porém, sentia que meu coração clamava por aquele que fora meu dono. Eu podia dizer que sentia sua falta. Falta daquele Laxus estranho e bêbado que me pedira em casamento e que dissera que eu tinha o sorriso mais lindo do mundo, porém, sabia que ele não existia. Eu queria vê-lo novamente, mas sentia medo. Medo de me machucar ou apanhar.

Por horas, fiquei deitado na cama, me dando conta de que faltava pouco tempo para Dave vir me buscar. Enxugando as lágrimas, fiquei de pé, caminhando em passos pesados para o chuveiro. Cheguei a ficar um tempo reparando a mudança que fora feita naquele cômodo, pegando uma toalha nova que estava pendurada. Usando uma sacola para proteger a tala, lavei meu cabelo da melhor forma possível e ao sair, hidratei meu corpo. Vesti roupas comuns e logo saí do apartamento, em busca da cabeleireira do bairro.

Ela chegou a comentar sobre os poucos hematomas que restavam em meu rosto, mas inventei uma desculpa, antes de mostrar para ela o que queria fazer.

–x-

Dave me olhou por alguns segundos, antes de estreitar os olhos. Era visível que eu havia cortado o cabelo, mas ele teve um pouco de dificuldade para notar isso. Meu cabelo estava nas coxas e decidir cortar até a cintura além de refazer os repicados laterais e minha franja.

– Combinou bastante com você! — Dave reconheceu, me fazendo corar e desviar o olhar por ele me encarar por tanto tempo.

Depois de algumas piadas, acabamos por sair. Fomos ao cinema, comemos porcarias .... confesso que me senti um adolescente naquele dia. Por algumas horas, não havia preocupações, não havia medo e a dor foi esquecida. Dave me fazia rir, me distraía e eu realmente precisava disso. Ficamos durante horas em um shopping e na hora de voltar chovia muito.

Rajadas de vento, trovões e uma pancada de água caía sobre o carro. As palhetas do para-brisa chegavam a ter dificuldade de limpar toda a água e vendo a situação, insisti para que Dave ficasse na minha casa, afinal, era mais perto do shopping que a casa dele.

Animado, ele nem pareceu se preocupar com a chuva. Estacionou o carro na garagem do prédio e juntos tivemos de correr até meu andar, o qual estava ensopado pela falta de vidros no corredor. Quando entramos em casa, ambos estávamos ensopados. Uma risada escapou da boca de Dave quando entramos e eu acendi a luz, balançando as mãos que pingavam água. Na ponta dos pés, andei até o armário e peguei duas tolhas, enquanto ele tirava o tênis. Fiz o mesmo ao voltar para a porta e sugeri que ele tomasse um banho. Não havia segundas intenções nas minhas palavras, mas Dave interpretou aquilo de outra forma.

Parado, ele esperou que eu terminasse de tirar os sapatos, antes de me puxar de uma só vez para dentro do banheiro. Cheguei a me assustar com aquilo, mas antes que eu questionasse o que estava acontecendo, ele uniu seus lábios aos meus. Sua respiração, já pesada batia forte com meu rosto e apenas olhei para seus olhos já fechados sem entender.

Foi estranho e no início tentei apartá-lo, mas me lembrei que deveria tentar gostar dele, assim como ele gostava de mim. Senti uma sensação fria no peito, mas deixei qualquer pensamento de lado, antes de levar minhas mãos até suas costas. Meu rosto esquentou pouco a pouco e fechei meus olhos, tentando desfrutar daquilo.

Era diferente, estranho. Apertei minha mão com a tala em suas costas, sentindo uma sensação ruim no peito crescer ainda mais. Não era ele que meu coração realmente queria, porém, não podia ceder aos caprichos do meu coração. Estava disposto a enfiar Dave dentro do meu peito e insistir até que eu o amasse, porém, senti minhas bochechas arderem e creio que senti meu coração parar quando ele sussurrou no meu ouvido.

– Quer namorar comigo?

– O-o que disse? — perguntei, afinal, talvez eu tivesse entendido errado a pergunta. Ele riu, tirando a franja em cima do meu olho direito e deu um beijo na minha testa.

– Perguntei se você quer namorar comigo. Seria um sonho ser seu namorado.

Dave me olhava nos olhos e contra a parede, eu não sabia o que fazer ou mesmo dizer. Houve silêncio por um tempo, antes que ele me abraçasse por alguns segundos, antes de voltar a falar.

– Eu não quero te pressionar. Eu gosto muito de você e quero ficar com você. Quero te proteger e te dar todo amor e carinho que você realmente merece. Sei que tem muita coisa acontecendo com você e quero estar ao seu lado para o que precisar. Além disso ... — ele terminou seu abraço e levou o dedo indicador até meus lábios, apertando-os de leve. — ... eu pretendo me casar com você um dia.

Não havia possibilidade de que eu ficaria mais vermelho, mas depois de ouvir tudo isso, senti meu limite estourar. Dave encostou os lábios na minha testa e escovou minhas bochechas com os nós dos dedos, antes de dar um passo para trás.

– Vou esperar o tempo que for necessário por sua resposta.

Um sorriso encerrou o assunto e ele saiu do banheiro, fechando a porta. Ainda com as costas grudadas na parede, levei minhas mãos até o peito. Não era o que eu realmente queria. Eu não o amava, mas queria amar. Queria saber o que é sentir amor de alguém. Sabia que era ridículo ser carente daquela forma, mas eu era. Na verdade, sempre fui.

Respirei fundo, fechando os olhos. Deveria tentar. Deveria dar uma chance para aquele que sempre me tratou com carinho e chegava a ser preocupado demais comigo. Engoli em seco, antes de me mexer e abrir a porta do banheiro. Perto da pia da cozinha, vi que ele tirava sua camisa, de costas para mim. Meu corpo estava gelado, mas sentia minha bochechas arderem em brasas por vergonha. Devagar, caminhei até ele e cutuquei suas costas.

– Dave... eu aceito.

Notas finais
Dave é um amorzinho. Dá vontade de escrever mil capítulos com ele e o Freed, mas o Laxus me ganha fácil fácil. Só de ouvir a voz dele no anime eu já começo a saltitar :')