Do you remember me?
23 Curiosidade
Notas iniciais
– Freed, isso é estupidez. Largue Laxus de uma vez só!!!
Um sorriso moldava meu rosto, enquanto observava Dave continuar a falar. Já estava decidido e se tinha um defeito que eu admitiria possuir é a teimosia.
– Dave, eu já estou decidido. Além do mais, quando um ano passar não vou nem mesmo ver a cara dele e finalmente serei livre de verdade.
Os olhos dele me encararam com desânimo. Sem saber como me convencer, ele passou a mão entre seus cabelos. Me atrevi a me aproximar e segurei em seu braço ferido, revelando o que sabia.
– Ele fez isso com você por minha causa. Sabe disso não é?
– Você não vai se afastar de mim, não é? – ele rebateu minhas palavras instantaneamente.
– Seria melhor, mas ... eu não vou.
Um sorriso largo enfeitou seu rosto e ele tentou se aproximar para me abraçar, mas eu tinha ciência de que ainda era vigiado. Dave fez uma expressão triste quando eu empurrei, mas o sorriso que lhe retribuí o fez entender.
– Tudo bem... eu vou me segurar! – ele riu antes de piscar discretamente para mim, cortando todo o clima pesado do momento. – Mas se desistir, sabe que estou aqui, certo?
– Sim, eu sei que está.
Sorrisos moldaram nossos rostos e juntos voltamos para a sala de aula. Dave fez algumas piadas sobre sua situação física, fazendo uma careta engraçada ao ver que eu ficava triste com aquilo. Tentamos ser o mais discretos possíveis estando juntos, mesmo ele dizendo várias e várias vezes que queria me beijar durante o dia. Envergonhado, eu apenas abaixava a cabeça quando ouvia tais palavras e logo ele chamava minha atenção com algum tipo de piada.
No final do dia, um suspiro pesado escapou da minha boca ao ouvir o último sinal tocar. Dave tocou meu ombro com uma expressão triste, antes de me questionar se tinha certeza do que estava disposto a fazer. Assenti, antes de lhe dar um fraco sorriso e começar a juntar minhas coisas. Ao terminar, coloquei a mochila nas costas, antes de ver Dave colocar alguma coisa dentro de um dos bolsos.
– O que é? – questionei sem entender o que ele fazia.
– Vai saber depois. – ele tornou a sorrir, aquele sorriso que me deixava confuso. – Até amanhã Freed!
Confuso, apenas o observei sair da sala, tirando a mochila das costas. A curiosidade prevaleceu, enquanto eu revirava cada bolso, até que por fim encontrei um pedaço de papel. Mais do que depressa o abri, sentindo as bochechas esquentarem ao ler o conteúdo. Não me prendi muito tempo nas palavras escritas, mas um sorriso sincero enfeitou meu rosto, mesmo depois de entrar no apartamento de Laxus.
Ainda dentro do horário coloquei meus pés dentro do apartamento. Indo até meu quarto, joguei a mochila sobre a cama, antes de entrar para o banheiro. Enquanto me lavava, comecei a me lembrar das palavras escritas. “Quando o contrato acabar, vou me casar com você e te fazer o homem mais feliz do mundo.” Meu sorriso se tornou maior, mesmo com o receio que tivera com o que ele contara sobre seu passado.
Distraído, continuei a me lavar, aproveitando para usar um shampoo novo que comprara no caminho de volta. Sabia que Laxus voltava naquele horário, mas dei um pulo de susto ao sentir suas mãos puxarem meu corpo para seu peito. Sem nem mesmo dizer uma palavra, ele entrou para debaixo do chuveiro comigo, ficando ensopado em segundos.
Assim como eu, ele já estava despido. Sua boca logo foi de encontro à minha, me tirando o fôlego, como sempre fazia. Suas mãos desceram pelo meu corpo, me dando uma sensação ruim quando ele apertou minhas nádegas. Sua boca se desgrudou da minha, descendo pelo meu pescoço, enquanto a água escorria por nossos corpos. Suas mãos nem um pouco pacientes deslizaram pelo meu peito, o que me fez sentir arrepios, antes que tocasse meu membro.
“Não posso sentir prazer, não posso!”, lembro de repetir na minha mente, mas logo já estava a mercê de suas mãos e seus beijos. Me incriminava em pensamento, enquanto meu corpo fazia o que Laxus queria. Logo minhas costas bateram contra a parede fria, enquanto eu ofegava. Mantinha meus olhos fechados, o que pareceu incomoda-lo e ele fez questão de ressaltar isso. Antes disso, me prensou contra a parede e levantou meu corpo ao enroscar minhas pernas em sua cintura.
– Abra seus olhos.
Lentamente abri meus olhos, sentindo medo ao ver seu membro excitado encostado ao meu. Meus olhos subiram por seu corpo e uma respiração funda me impediu de chorar ao encarar seus olhos e ver que aquele ódio do dia anterior ainda estava ali. Para pisar no orgulho daquele homem, sabia que teria de engolir muitas lágrimas.
Sua boca tornou a atacar meu pescoço e eu refreava qualquer gemido, mas não consegui conter um gemido de dor quando ele começou a me penetrar. Minha entrada ainda estava ferida pelo castigo que levara, mas ele não se importou. Uma risada escapou de seus lábios conforme ele me penetrava e eu virava o rosto para os lados, não conseguindo conter meus gemidos de dor. Quando ele chegou ao fim, solucei baixo, respirando fundo para segurar as lágrimas que se formavam em meus olhos.
– Como uma garota virgem.... – ele sussurrou em minha orelha. – Sangrando, apertada e ainda sim, excitada.
Virei meu rosto para o lado, apertando um lábio contra o outro, assim como minhas mãos apertavam seus ombros. Laxus se aproveitou para marcar mais meu pescoço, começando com seus movimentos fortes e dolorosos, que tiraram qualquer sinal de prazer do meu corpo. Sentia que mais uma vez era estuprado por sua ignorância e falta de amor. A dor me castigava, assim como suas palavras que rondavam na minha mente.
Nenhuma lágrima foi derramada naquele dia. Nojo e pena. Foram os únicos sentimentos que me acobertaram durante todo o ato, assim como também a dor. Laxus demorou a atingir seu limite e quando o fez, me deu a informação de que eu já havia lhe saciado naquele dia.
Sêmen e um filete fino de sangue escorria entre minhas pernas quando ele me soltou. Sem saber o que fazer, fiquei encostado na parede a qual fui prensado, abraçando meus próprios braços devido ao frio.
E da mesma forma que ele entrou, ele saiu. Sem dizer uma única palavra, Laxus me deixou sozinho. Tive vontade de chorar ao perceber a verdadeira vadia que estava me tornando para ele. Andei até debaixo do chuveiro, deixando a água quente aquecer não apenas meu corpo, mas também meu coração. Juntamente com o movimento dos meus olhos para a porta, repeti para mim mesmo que não era aquilo que queria para o resto da vida.
Pisquei confuso ao ver que Eleonor ainda estava no apartamento. Juntando uma porção de malas, ela as entregava para um funcionário do prédio, visivelmente apressada.
– O que houve Eleonor?
A forma que ela me olhou, não sei nem mesmo explicar. Senti uma angústia me cobrir, mas que se desfez quando ela me abraçou, afagando meus cabelos.
– Você está bem? – ele ignorou totalmente minha pergunta, demonstrado o que realmente importava naquele momento... para ela.
– Sim.... – foi o que consegui responder. Provavelmente, ela havia escutado algum grito enquanto estávamos no banheiro.
Um sorriso fraco foi a sua resposta e logo Laxus apareceu, antes mesmo que ela questionasse mais alguma coisa. Falando ao telefone, ele entregou uma pasta para o funcionário do hotel, discutindo com Yakumo a respeito de uma reunião. Antes mesmo que eu pensasse em me afastar, ele segurou meu braço, me puxando até o sofá.
Era incrível o pedaço de pano que eu era como sua propriedade. Um ninguém, um nada. Um buraco que o satisfazia. Suas mãos apertaram meu braço forte, indicando que eu deveria me sentar, antes que o celular fosse desligado.
– Irei viajar e ficar fora por um tempo. Como você está estudando, lhe deixarei ficar aqui. – neste meio tempo Laxus se sentou no sofá em frente a mim e não pude deixar de notar o quanto ele ficava bonito de terno. Não demorou muito para que eu balançasse a cabeça, afastando aqueles pensamentos. – Você ficará aqui. Deve chegar às 17:30 e agir como se eu ainda estivesse aqui. Use seu tempo livre para estudar e fazer trabalhos de faculdade.
– E nos finais de semana? – fui idiota de perguntar, o deixando ainda mais irritado. Desde que soube o que houve na biblioteca, ele estava daquele jeito e interpretou minha pergunta como uma tentativa de fuga.
– Ficará aqui. Só tem permissão para sair para comprar comida ou qualquer outra coisa que você realmente necessite. Eleonor irá lhe ajudar.
Seu olhar além de irritado, demonstrava impaciência. Seu celular começou a tocar e ele ficou de pé, antes de olhar para mim e dar seu sorriso sarcástico.
– Não me obrigue a voltar aqui. Lembre-se que você ainda é útil, mesmo com ossos quebrados.
O medo me fez respirar fundo e tive de abaixar a cabeça para não chorar perante a ele. Vi Laxus se afastar e ignorando seu telefone, que ainda tocava, ele se despediu de Eleonor que o abençoou antes de sair. Esperei por alguns segundos depois que a porta foi fechada para deixar algumas lágrimas escorrerem por meu rosto. Eleonor se aproximou e se sentou ao meu lado, antes de me abraçar.
– Eu não quero gostar dele. Não quero.... – disse já soluçando, ainda mantendo meu rosto abaixado.
– Ignore o que ele disse querido. Laxus ... – ela fez uma pausa para falar, indicando que escolhia muito bem as palavras que dizia. — ... não sabe o que receber amor e muito menos dar...
– Ele é um monstro, isso sim!! – disse secando as lágrimas com a manga da blusa que usava, chegando ao ponto de soluçar. Eleonor levou a mão até meu rosto, trazendo minha atenção para ela.
Um beijo leve foi dado na minha testa, antes que ela dissesse que muita coisa iria mudar. Não sabia do que se tratava, mas presumi que fosse pela ausência daquele que me fazia sofrer.
A noite passou rápida e ela se despediu, alegando que a filha iria buscá-la. Me ofereci para acompanhá-las, mas rapidamente fui lembrado que deveria permanecer no apartamento. Me dando outro beijo, ela se despediu, antes de me deixar sozinho naquele enorme apartamento.
Joguei meu corpo cansado em cima da minha cama, repensando nas palavras de Laxus. Afundei a cabeça no travesseiro, tentando pensar em alguma coisa, mas acabei por decidir que deveria mesmo é aproveitar sua ausência.
Fiquei em pé em questão de minutos, indo até a cozinha para preparar meu jantar. Fiz um jantar bem saudável, afinal estava precisando dar mais energia ao meu corpo. Quando terminei, limpei minha bagunça, fiz exercícios da faculdade e quando terminei me atrevi a me jogar no sofá, apenas curtindo a liberdade.
Passaram-se horas e logo era meia noite. Desliguei a tv, já bocejando e movi meus olhos na direção do quarto de Laxus. Eu entrara lá apenas uma vez e uma forte curiosidade me tomou. Cheguei a virar as costas para o corredor, mas uma ideia nada inteligente me surgiu na cabeça.
Uma risada escapou dos meus lábios, antes que eu começasse a caminhar. Respirando fundo, abri a porta do quarto, decidido a mexer nas coisas de Laxus. Estava na hora de descobrir os segredos que ele guardava.
Meus olhos percorreram o cômodo de cima a baixo. A decoração do quarto era mil vezes mais linda e detalhada do que o meu. As paredes eram azul marinho, que se destacavam em detalhes feitos em gesso na cor cobre. Um quarto de luxo que causava uma impressão ruim por seus lençóis na cor preta.
O cheiro dele estava no ar, na verdade, do perfume que ele sempre usava. Os móveis eram na cor cinza e tinham alguns detalhes em preto. Uma tv de led estava pendurada na parede como um quadro, acompanhada de caixas de som, muito bem posicionadas.
Um suspiro escapou dos meus lábios ao ver a cama. Na verdade era o único lugar que me era familiar, assim como um espelho grande. Curioso, comecei a me aproximar e tocar nas coisas, mas bastou alguns minutos para que eu começasse até a folhear revistas.
Escrivaninhas cheias de apetrechos sexuais, camisinhas, chaves e mais chaves. Logo larguei as escrivaninhas de lado e abri seu closet. Roupas de vários estilos, marcas e sapatos estavam perfeitamente organizados ali. Aproveitando a ausência dele, comecei a mexer nas coisas, porém ao avisar uma caixa cheia de papéis, preferi dar atenção à ela.
Sempre fui muito curioso e isso valia para qualquer coisa. Sempre fui uma pessoa tímida, mas já estava oco por dentro de tanto que me remoía de curiosidade. Sentando no chão, peguei a caixa, começando a ler cada um dos papéis que haviam ali.
Não sei quanto tempo fiquei fazendo tudo isso. O sono desapareceu quando achei contratos de várias mulheres, fotos de algumas pessoas, as quais eu imediatamente reconheci como os pais de Laxus. No fim, horas já haviam se passado e quando eu cheguei ao fim da caixa encontrei algo que me deixou assustado.
Uma foto minha.
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