Do you remember me?
45 Ciúme
Notas iniciais
Deitado na cama, eu afundava o rosto no travesseiro. Não queria chorar, mas cada vez que pensava na minha situação e no que poderia acontecer, entrava em pânico.
Depois do que Laxus dissera, eu fiquei paralisado por um tempo e quando ele tentou me abraçar eu o empurrei, chamando-o de mentiroso antes de correr para o quarto e me jogar sobre a cama. Chorei e me acabei em lágrimas por um tempo que não sei precisar, repetindo a palavra "mentiroso" diversas vezes na minha cabeça.
Meu corpo estava exausto de tanto chorar. Tinha sono, mas não queria dormir. Queria ir embora. Queria estar com Dave. Queria ... estar longe de Laxus. Mesmo cansado, depois de horas resolvi me levantar, indo até a janela. Um tanto quanto desesperado, tentei forçar as barras e percebi que se mexiam. Olhando mais detalhadamente, percebi que eram parafusadas à madeira da janela e pelo vidro, olhei para o telhado da garagem, que se estendia até ao muro, cercado por uma espécie de arame de proteção.
– Eu trouxe isso para você. — escutei Laxus dizer e dei um pulo de susto, afinal pensei que ele não me procuraria depois do que havia acontecido. — Se ficar descalço e parado aí vai acabar ficando doente.
Meus olhos o acompanharam enquanto ele colocava uma bandeja com suco, pães e frutas sobre a cama. Se aproximando, ele segurou meu pulso, antes de me puxar contra a minha vontade e me colocar sentado ao lado da bandeja. Ele estava sério. Não parecia irritado, mas eu experimentava uma mistura de raiva e medo olhando para a cara dele.
– Vou lhe dar duas opções. Você come e eu lhe deixo em paz ou você não come e eu vou te prender nessa cama e vou colocar uma sonda de alimentação em você. Escolha.
– Não pode simplesmente me deixar morrer? — respondi, encarando-o. Vi seus olhos se estreitarem mais, como se estivesse irritado, mas ele suspirou, antes de sentar ao meu lado. Passando a mão entre seus cabelos, vi sua expressão se suavizar.
– Eu... nunca passei por isso antes. Eu sempre obriguei as pessoas a fazerem o que eu quero, mas eu não... não quero te magoar. Sei que toda esta situação é complicada para você entender, mas eu... droga! — vi ele esfregar o rosto, antes de direcionar seus olhos para mim. — Eu só queria ficar com você.
Abaixei a cabeça, abraçando meu próprio corpo. Estava frio e eu estava cansado. Não conseguia acreditar em Laxus e ele notava isso. Nos últimos meses, havia passado por tanta coisa... tantas situações desagradáveis. Fiquei doente por um longo tempo graças a ele. Fui estuprado, torturado e humilhado várias vezes. Para piorar, ele também havia me sequestrado.
– Eu não passo de uma vadia oferecida não é? — debochei, segurando lágrimas em meus olhos. — Será que eu lhe fiz entender que estava me oferecendo para você alguma vez?
– Ei. — ele levou a mão até meu rosto e o levantou devagar. — Você não é isso, ok? Eu fui um idiota na maioria das vezes em que conversei e toquei em você. Você nunca foi e nunca será algo deste tipo.. — sua mão direita subiu até minha franja, enquanto a esquerda ficou parada sobre meu queixo, massageando minha pele com o polegar. — Eu gosto de você e quero cuidar de você.
Virei os olhos para o lado, demonstrando que suas palavras não tinham efeito em mim, apesar de me perguntar se aquilo realmente era verdade.
– Vamos, coma um pouco... — ele pegou a bandeja, a colocou sobre meu colo e pegou um dos pães, levando-o próximo a minha boca. — Por favor Freed ... não castigue seu corpo mais.
Meus olhos alternaram do seu rosto para o pão e deixando meus ombros caírem, o peguei, antes de levá-lo à boca. Laxus abriu um leve sorriso ao me ver comer, enquanto eu me perguntava o que realmente deveria fazer ou até mesmo pensar de tudo aquilo.
Laxus não disse muita coisa, apenas me esperou terminar, pegando a bandeja quando terminei de comer. Tirando o celular do bolso, ele começou a digitar, enquanto eu o observei sair do quarto. Não sei se propositalmente, mas ele deixou a porta aberta, antes de sumir para outros cômodos. Receoso, fiquei pensando se realmente deveria segui-lo, mas minha resistência à curiosidade nunca fora meu ponto forte, de forma que em questão de minutos eu estava do lado de fora do quarto.
Andando devagar, eu parecia um animal acuado, olhando para os lados a todo momento. Estava escuro e eu não conhecia a estrutura da casa, chegando ao ponto de bater partes dos corpos nos móveis. Eu já havia saído do quarto antes, mas nunca a noite. Nem mesmo a decoração eu notara, de forma que me surpreendia com alguns quadros e a mobília. Quando cheguei onde era a sala, as luzes se acenderam e me assustei ao ver Laxus me encarando.
– Não há necessidade de você andar no escuro. — ele tinha o celular em uma mão e a outra ele levou até meu queixo, abrindo um sorriso. — Está com medo de ficar sozinho?
– Eu já estou sozinho. — respondi, virando o rosto para que ele me soltasse. Respirei fundo, antes de levantar o rosto e olhar em seus olhos, receoso da reação que ele teria com o que eu queria dizer. — E-eu fiz sexo com v-você... então vo-você tem que me deixar fazer algo que-que eu quero.
– Então vamos fazer nosso relacionamento ser assim? Por mim tudo bem ... — Laxus cruzou os braços e sorriu, me encarando. — Diga o que o que você quer. Lembrando que pedidos para ir embora não são aceitos.
Olhando para ele eu não sabia dizer o que ele pretendia. Eu não conseguia entender suas ações, ideias e com o tempo percebi que ele não sabia mostrar afeto. Afeto o qual eu demorei a acreditar que ele realmente sentia por mim. Respirando fundo, levei minhas mãos até meu peito, antes de dizer o que queria.
– Eu quero ligar para Dave.
– Sem chance.
Laxus virou o corpo e me deu as costas, andando em passos pesados para seu quarto. Desesperado, fui atrás dele, parando apenas quando segurei a manga de sua blusa. Laxus virou o rosto na minha direção e com o tempo comecei a entender suas caras de ciúmes e impaciência.
– Por favor Laxus, eu só direi a ele que estou bem. Dave é muito preocupado e-
– Não precisa dar satisfação a ele. Ele não é sua família. — ele respondeu, sem virar o corpo. — Não e ponto final.
– Por favor Laxus! Eu te imploro. E-eu faço qualquer coisa, só me deixe tranquilizá-lo. Vou inventar uma mentira se quiser.
Senti meu peito afundar quando ele gritou um "NÃO". Mesmo com o susto, encontrei forças para engolir o choro, levando as duas mãos ao peito, apertando-o forte. Não haveria acordos, haveria submissão.
– Ok... — respondi baixo, lhe dando as costas. Mesmo sentindo vontade de gritar, resolvi ficar calado e voltar apressado para meu quarto.
Fechando a porta, deixei que minhas costas escorregassem na madeira atrás de mim até cair sentado no chão. Solucei várias vezes, olhando para os lados, tentando encontrar uma saída para meu sofrimento, até que meus olhos pararam na janela.
Eu faria aquela ligação.
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