Do you remember me?
56 Bickslow
Notas iniciais
No dia seguinte o clima estava extremamente tenso na casa. Eu e Eleonor limpávamos a bagunça da festa em silêncio. Laxus saiu para trabalhar e na manhã seguinte ele estava ainda mais turrão do que no dia anterior. Sem ânimo para agitação de Pingo, eu o prendi na garagem. O único normal ali era Bickslow que fazia piadas e praticamente tentava ter minha atenção o tempo todo.
Sem graça pelo que ocorreu, Eleonor saiu um pouco mais cedo, me deixando sozinho com Bickslow. Ela estava bem decepcionada, talvez até mais do que eu estava e para não perder tempo lembrando do quão babaca Laxus podia ser, resolvi me distrair preparando o jantar.
Distraído, eu separava os ingredientes para fazer carne com batatas e custei a perceber a movimentação de Bickslow na casa. Usando apenas uma cueca box, o que não condizia com o frio daquele lugar, ele veio para a cozinha com uma garrafa de vodka nas mãos, dando goles até chegar na bancada da cozinha, puxando um banco de madeira alto para se sentar perto de mim.
– Você e Laxus estão namorando? – ele perguntou, dando um longo gole na garrafa sem tirar os olhos de mim.
– Não. – respondi um tanto incomodado com aquela situação. Continuei a picar a carne, mas Bickslow não percebeu que estava sendo inconveniente.
– Você está transando com ele em troca de quê então? Soube que você quebrou o contrato.
Respirei fundo para responder, colocando a carne picada em uma vasilha. Queria me concentrar no que estava fazendo, mas seria impossível com Bickslow ali. Sem olhar para ele, continuei meu trabalho, voltando a responder.
– Eu não tenho nada com Laxus e não estou aqui por que quero. – eu realmente estava irritado pelo que ocorrera na festa.
– Humm ... – com o canto do olho pude ver ele sorrir. Ele ficou de pé e eu virei o rosto, deixando a faca cair no chão pelo susto que levei quando ele segurou meus braços. – O que preciso fazer para te levar para a cama então?
Um calafrio ainda maior do que eu que ele levara pelo susto subiu pela minha espinha e eu paralisei, encarando aqueles olhos tão estranhos. Bickslow lambeu os lábios e puxou meu rosto para me beijar, mas virei o rosto e ele me apertou contra o corpo dele levando as mãos até minhas nádegas, apertando-as forte.
– Me solta! — gritei, o empurrando em extremo pavor. Não adiantou muito, pois ele mal deu um passo para trás e segurou meu queixo com força, puxando na direção do dele.
Praticamente fui levado junto com ele para o chão, mas Laxus me segurou no meio da queda. Com extremo ódio, ele apareceu em nosso campo de visão, jogou Bickslow no chão e depois de me colocar em pé, ele segurou Bickslow pelo pescoço, desferindo socos fortes contra o rosto dele. Assustado, eu olhei aquilo aterrorizado, entrando ainda mais em pânico ao ver Bickslow reagir e desferir um soco no rosto de Laxus, enforcando-o também.
Os dois ficaram de pé e continuaram a se agredir. Socos e chutes eram distribuídos até que Bickslow conseguiu empurrar Laxus contra a bancada de mármore e pude ver ele bater o tronco de lado, caindo de joelhos no chão de dor.
– Eu sinto muito Laxus, mas seu tio foi bem claro quando disse que queria que eu levasse sua princesinha para ele. – Bickslow disse sério, apertando os punhos ao observar Laxus se levantar do chão com dificuldade. – Claro que eu pretendia me divertir com ele primeiro. Sabe Deus o que seu tio pretende fazer...
– Você não vai leva-lo e muito menos tocar nele Bickslow!
As palavras de Laxus saíram como um grito da boca dele. Ele rosnava, olhando para Bickslow com extremo ódio. Atrás de Bickslow, eu olhava a tudo aquilo com medo, chegando a ofegar. Minhas mãos protegiam meu peito e meus olhos intercalavam entre os dois, tentando entender o que estava acontecendo ali.
– Bom, ele não foi claro como queria que eu o levasse... – ele riu, antes de deixar os ombros caírem, balançando os ombros e os braços, como se tentasse relaxar. Novamente ele se aproximou de Laxus que ainda estava de joelhos e o olhava com ódio. Com o corpo curvado, eu não sabia dizer se ele rangia os dentes de raiva ou de dor.
– Encare os fatos Laxus. Freed vai ser capturado por ele mais cedo ou mais tarde. Você só está adiando o inevitável! – falando entre dentes, Bickslow deu um chute no rosto de Laxus, que caiu no chão. Tentei correr até ele para ampará-lo, mas tive meus cabelos puxados e congelei de medo quando senti a lâmina fria de uma faca no meu pescoço. Puxando meu cabelo com mais força, Bickslow lambeu minha nuca, fazendo meu estômago revirar em uma mistura de medo e nojo.
– Não pense que não vou levar em consideração nossa amizade Laxus e como prova dela eu não vou estuprar essa putinha aqui. – ainda lambendo minha nuca, ele deslizou a faca pelo meu pescoço, fazendo um corte fino sobre a superfície da minha pele, me fazendo gritar e chorar de medo.
Em uma explosão e raiva, vi os olhos de Laxus arregalarem e ele até tentou levantar, mas Bickslow me jogou no chão e deu um golpe rápido com a perna na cabeça dele, fazendo com que o nome de Laxus saísse engasgado da minha boca, acompanhado de lágrimas ao vê-lo cair desmaiado. Engatinhei até seu corpo caído, mas antes que eu o tocasse, Bickslow me puxou pelo cabelo, batendo minha cabeça com força na parede ao lado, por cerca de 4 vezes, até que a quinta pancada me fez desmaiar. Sua missão estava completa.
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