Notas iniciais
Três meses sem postar, eu sei. Além de estar com muitos problemas pessoais, acabei empacando em alguns pontos na história. Vou tentar continuar escrevendo e postando, na medida do possível. Me perdoem.

Trovões e raios clareavam o céu, enquanto minha cabeça latejava. A água do córrego cobria todo meu rosto, a ponto de me afogar. Tentei me levantar, mas meu pulso direito doeu muito, me fazendo gritar e cair novamente de cara na água. Cortes e ralados faziam todo meu corpo doer, mas nada se comparava a dor e o zumbido que perpetuavam na minha cabeça.

Escutei passos pesados descendo o barranco o qual eu caíra e não demorou para que Laxus me levantasse e me sentasse em seu colo, mesmo com a água do córrego correndo forte por nossas pernas.

– Freed! Freed! Vamos olhe pra mim! Olhe para mim!!

Meu nariz sangrava, assim como o dele. Para me livrar de seu abuso, havia dado uma cotovelada em seu nariz, o que me fez com que ele me soltasse e saí correndo. Porém, não havia notado que estávamos à beira de um barranco e um passo em falso me fez rolar por três metros até cair em uma parte mais rasa daquele córrego. Em meio a minha queda, bati a cabeça diversas vezes em pedras e pedaços de galho, recebendo uma pancada maior ao cair perto de uma pedra dentro da água. Durante a queda, tentei amparar meu corpo, o que me rendeu em um pulso trincado.

Laxus me sacudia enquanto me vestia, na vã tentativa de me manter acordado. Por algum motivo, abri um sorriso ao ver seu desespero, mas minha visão escurecia e voltava à nitidez. Tinha vontade de gritar de dor, mas não tinha forças para isso. Logo eu estava em seus braços enquanto ele corria para algum lugar. Lembro dele segurar minha cabeça para cima quando passamos em uma parte mais funda já entrando no mar, mas depois disso, não vi mais nada.

–x-

Senti meu corpo moído quando abri os olhos. Pude concluir que estava em um hospital e fiquei um tanto quanto surpreso ao ver Evergreen deitada em uma poltrona ao lado da minha cama. Meu pulso direito estava imobilizado por uma tala e vários curativos estavam espalhados por meu corpo.

Me sentar foi realmente difícil, ainda mais sem poder apoiar o peso em uma das mãos. Um gemido de dor escapou da minha boca quando finalmente consegui e não demorou para que uma enfermeira aparecesse, falando em um idioma a qual eu desconhecia. Evergreen me assustou ao traduzir a pergunta para mim, afinal não notara que ela havia acordado.

– Como está se sentindo?

– Eu... estou bem dolorido...

Evergreen respondeu no mesmo idioma que a enfermeira e esta avisou que seria normal, mas se eu sentisse muitas dores, poderia chamá-la. Também questionou se eu precisava de alguma coisa. Fiquei um tanto quanto incomodado com aquela ideia de intérprete e mesmo sentindo uma forte náusea, preferi dizer que estava bem.

– Fiquei preocupada com o tempo que você ficou desacordado. Tem certeza de que está tudo bem?

Cheguei a ficar assustado com aquela Evergreen séria, que falava de forma mais calma. Parecia até mesmo outra pessoa. Balancei a cabeça, tentando não preocupá-la e logo ela começou a me fazer um monte de perguntas.

Cheguei a acompanhar algumas de início, mas não demorou para que eu me perdesse. Minha cabeça começou a doer com muita força e meus olhos pesaram, como se eu tivesse muito sono. Sabia que tinha algo de errado e tentei esconder aquilo, porém não contava que meu nariz começasse a sangrar.

Ao ver o sangue, Evergreen se levantou em um pulo, gritando pela enfermeira. Seus gritos ecoaram pela minha cabeça, quase me fazendo gritar de tanta dor. Duas enfermeiras vieram correndo até o quarto e injetaram um medicamento em meu braço que me fez adormecer.

–x-

Eu sempre soube que aventais de exames eram ridículos e dentro do curso de medicina, haviam várias e várias piadas sobre isso. Sabia que, como futuro médico, cometera um erro ao esconder meus sintomas, mas já tinha conhecimento o suficiente para saber que estava com uma concussão e das mais severas.

Durante o dia, o qual eu descobriria que já teria se passado quase 24 horas em que fiquei desacordado, fiz vários e vários exames que testavam minha sensibilidade e reação. Curioso, queria ter feito diversas perguntas durante os procedimentos, mas não queria ficar usando Evergreen como uma intérprete, mesmo ela tendo acompanhado todos os meus exames. Já era quase noite quando me levaram de volta ao quarto. Tomei alguns medicamentos antes de voltar e não fiquei surpreso ao ver Laxus me esperando.

Com um curativo no nariz, ele tinha uma expressão preocupada. Não soube como reagir perante a ele e evitei ao máximo olhar para seu rosto. Estava irritado por ele ter feito aquilo comigo, mesmo eu dizendo que não gostava, porém, ao mesmo tempo me sentia mal por atrapalhar as férias de todo mundo.

– Laxus, Freed precisa tomar banho e como você sabe, ele não pode fazer isso sozinho.

Não houve saída. Depois do que Evergreen disse, olhamos um para o outro e Laxus assentiu, sem tirar os olhos de mim. Estendeu a mão para que eu me levantasse da cadeira de rodas a qual estava e eu a segurei com a mão esquerda. Devagar, ele me amparou até entrar no banheiro, pedindo que Evergreen providenciasse meu jantar e roupas.

A porta fechou e soltei um suspiro pesado ao notar que estava sozinho com ele. Não esperava ter que encará-lo tão cedo, mas para minha surpresa, ele não estava irritado.

Laxus me apoiou na pia, enquanto tirava aquele avental do meu corpo. De forma ridícula, senti minhas bochechas corarem por ficar sem roupas perto dele, o que não fazia o menor sentido naquele momento. Pude perceber os diversos hematomas, cortes e ralados espalhados por meu corpo, afinal, havia "descido" pelo barranco sem roupa alguma.

– Posso fazer isso sozinho. — o empurrei quando ele tentou me carregar para debaixo do chuveiro. Mesmo com o rosto corado, não dei o braço a torcer, afinal, a culpa de tudo aquilo estar acontecendo era dele.

– Você está sem equilíbrio, pode cair enquanto se lava.

Se existe uma coisa a qual eu desacostumei e prometi a mim mesmo que não deixaria Laxus fazer, é me arrastar ou me forçar a fazer algo por mero capricho seu. Eu estava irritado, ferido e decidido a mostrar que ele não pisaria em mim, não novamente. Todos esses pensamentos tomaram força na minha cabeça, me impulsionando a falar e agir como eu realmente queria. Porém, era apenas mais um sintoma da concussão.

– Pára com isso! Eu não quero que você toque em mim!! Monstro!!! — comecei a gritar, enquanto o empurrava até a porta do banheiro.

Evergreen bateu na porta justamente no momento que Laxus me empurrou contra a parede, com a mão no meu pescoço. Cheguei a arregalar os olhos com a sua reação. Vi seus olhos cinzentos carregados de raiva, mas depois de ouvir a voz de sua amiga, ele respirou fundo, antes de deixar os ombros caírem. Me soltando, ele virou as costas para mim e saiu do banheiro, batendo a porta, em sinal de raiva. Cheguei a ficar alguns segundos parado, ouvindo Evergreen discutir com ele no quarto. Quando consegui me recuperar do susto, fiz questão de trancar a porta antes de ligar o chuveiro e me limpar.

Havia prometido que não choraria mais por sua causa, mas não era tão simples assim falar. Minha cabeça voltara a doer e fiquei assustado ao ver a quantidade de marcas em meu corpo. Meu pulso latejava e utilizei a tala molhada para secar minhas lágrimas. Com cuidado, limpei e sequei meu corpo, pedindo a Evergreen minhas roupas ao abrir a porta. Quando terminei, percebi pelo silêncio que a discussão terminara no quarto, um sinal de que Laxus havia ido embora.

Respirei fundo ao olhar meu reflexo e ver um hematoma grande na parte direita da minha cabeça. Haviam outros menores no meu queixo e diversos pequenos arranhões espalhados pelo meu rosto. Meu lábio estava cortado pela mordida causada por ele e sem perceber, levei minhas mãos até meus lábios. Eu ofegava, em uma mistura de medo do que ele poderia fazer depois que o expulsei dali. Não havia dúvidas de que Laxus seria capaz de me matar.

Notas finais
"A fanfic está acabando?" NÃO. Tem muita coisa para acontecer até lá e espero que tenham paciência comigo pelos próximos dias.... Obrigado a todos que continuam comentando, que me procuram na página e até mesmo me mandam mensagens aqui no Nyah. Isso faz diferença!!